Eu vi você passar ontem
De Meriva vermelho,
Hoje você ressurge
Grávida e me amando
Para valer,
Ta bom,
Acredito em você
E o filho é meu
Então vamos tê-lo,
Me acompanhe para escolher
Qual quarto ele irá usar
Ao nascer,
Que cor pintar
E que brinquedos por...
Bem, agora junto de mim
Entenda o seu engano,
Você saiu com outro homem
E eu vi,
Não existe erro,
Eu sofri por uma noite,
Mas, você perderá
Por uma vida,
Adeus,
Tudo acaba aqui,
E seu filho não irá nascer,
Nem aquele homem
Irá saber que seria pai,
Acabou para nós,
E acabou para você.
Com duas facadas
Eu encerro sua vida
E a do seu bebê,
Não é meu,
Não será seu,
Nem dele ou de qualquer outro,
O amor venceu,
Parabéns,
Sangre até morrer,
Você poderia não ter
Me traído
E agora não estaria boiando
Nestas águas turvas
De um rio que você
Sempre desejou estar
E que eu nunca a acompanhei,
Oh, você me traiu
Naquele maldito Meriva,
E agora será de gelo
E mais nada,
De pedra até definhar,
Virar comidas de peixes,
Ontem você não quis
Me encontrar
Hoje eu opto por não te ver.
Baby, eu quis estar com vocÊ,
E você preferiu ele,
Ao invés de estar
Na nossa casa a me esperar,
Você preferiu a vida de motel
Que ele te deu,
Um instante e uma vida
No ralo.
Olhe, não pensa que
eu não sofro vendo você boiar
E esta água te levar
Para tão distante
A sangrar o maldito filho
Que você deu a ele,
O maldito filho que você escolheu
Para concretizar seu amor.
Não, você nunca me amou
Naquele maldito Corsa
Que você escolheu para estar
Comigo em cada segundo
você fingiu desde a música alta,
Até o lugar que optou
Por ir.
Veja meu coração,
Sinta como sofre,
Sinta-me enquanto ainda
Houver calor no seu corpo,
Até enquanto estas águas
Não te congelem,
E os peixes não comam
Sua pele,
Seus lindos olhos abertos,
E sua língua a me implorar
Pela vida que você não quis me dar,
Então, ele seria o pai,
E você esta morta agora.
Agora que estas águas te levam
Nunca mais você irá me tocar,
Gelada e comida de peixes,
A sangrar seu feto
De quanto tempo?
Meses ou dias?
Você pensou que eu não descobria,
Mas, eu te dei alternativa,
Te dei a opção de se desculpar,
Se ajoelhar aos meus pés,
Me implorar
Por mais segundos de vida,
Pelo respirar do seu filho,
Pelo sorriso dele
no seu colo,
Pela voz no seu ouvido,
Eu disse implore.
Você não me ouviu?
Você falou com aquele homem
Aos sussurros,
Aos murmúrios,
Você fugiu do que eu sentia,
Você acha que tudo acabou
Entre nós?
Então, por que tentou me enganar,
Como achou que fugiria?
Olhe as chaves do meu Porshe,
Eu sou o poder,
sou o grande homem,
E vocês nunca mais se verão,
Acabou pra você,
Acabou para o bebê,
Com o que você sonhou
Quando chamou o nome dele?
Estou pensando em como encontrar ele,
Se comido por peixes
Ou pelos animais selvagens,
Abandonado a sua espera
Em algum lugar deste bosque,
Vamos pronuncie uma palavra,
Implore pela vida dele
Como você antes gritava de prazer,
Veja como você sangra em sua barriga
Neste singelo corte
Que arrancou de você seu bebê,
O fruto do amor proibido,
O fruto do veneno,
Agora você irá cada vez
Mais para o fundo,
Seu amor irá sucumbir com você.
Com a mão direita
Ele tocou entre o meio das pernas dela,
E apalpou num gesto de retirar o bebê,
Fazer uma espécie de vácuo,
E gerar contração muscular,
Então, retirou secreções dela
Que não moveu-se,
Nem pode defender-se.
Apenas foi carregada pela água
Para o fundo,
E para cada vez mais longe.
O rapaz passou as mãos
pelo cabelo num gesto nervoso,
Se levantou das margens do rio
E retornou para a casa
no seu Corsa prata.
Com lágrimas no olhar
E singelo ódio no coração,
Não havia testemunha,
Exceto o homem de Meriva
Percorrendo de rua em rua,
em desespero por não ter notícias,
Desta que nunca mais poderá chamá-lo,
Pois agora bebe da água do rio,
Não fala,
Ou move-se.
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