quinta-feira, 23 de julho de 2026

Já Apanhei e com Este, Como Será?

Tudo estava perfeito,

O rosto moreno entre seus dedos,

O sorriso malicioso

Em seus lábios 

Feito um convite ao prazer,

O olhar másculo,

Contudo,

Quando fechou os olhos

Para beijá-lo,

Algo em seu peito a deteve:

As lembranças do passado

Foram mais fortes

E de tão intensas

Pareciam sufocá-la,

Ela teve que empurrar

Seu rosto e sentiu falta de ar.

O maxilar dele se contraiu assustado,

Ainda com os lábios serrados

Num bico de beijo

como se ainda estivesse nela,

Até seus olhos ficaram fechados,

E ele pareceu embasbacado.

O cheiro que vinha dele

Lhe causava enjoo,

Era como se outra vez,

Mesmo não se tratando

Da mesma pessoa,

Ela fosse sofrer.

E morrer em vida por um homem

Não faz bem,

Chorar pelos cantos,

Sofrer pela cidade

Deixou de ser seu objetivo,

Ela já se sentia madura demais

Para se permitir avassalar

Por um alguém fosse quem fosse.

Amar doía,

E se doía ela fujia.

O homem abriu os olhos

Estendeu as mãos

E segurou forte seu rosto,

Com os lábios avermelhados

E tão intensos de calor.

Ele a puxou e pediu desculpas

Bem de perto,

Com seu hálito sedutor

A tocando devagar

Feito uma carícia.

Depois ele a puxou para o

Seu ombro e a deixou ali

Até que seus medos descansassem,

Até que ela quisesse ficar,

E nunca um ficar quieta

Só sentindo cheiro e calor

Foi tão bom.

Seu antigo relacionamento

Lhe deixou marcas pelo corpo,

E sua alma o via em cada homem,

E sentia medo de todos,

Por que com este

Estava sendo diferente?

Até quando seria?

Ela já não sabia 

Se queria encontrar 

Estas respostas,

Mas, por ora se permitiu ficar.

Só desta vez,

Só enquanto ele estivesse

Sobressaltado de desejo,

Só enquanto o calor dele

Lhe tomasse por inteira,

Só enquanto seu cheiro

Lhe soasse tão suave e bom,

Só enquanto o suor dele

Escorresse por seu rosto,

Lhe tocasse a pele,

O pescoço e os seios...

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