sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Guerra Fria no Deserto

Deus fez o homem
De um sopro
E o pos sobre a terra
Que é feita do pó. 
Sobre a terra,
Anfarel juntou seu povo
E foi viver perto 
Do mar salgado,
Ficando sujeitos a Moisés 
Pois ele era dono 
Da água doce.
Doze anos eles foram escravizados,
Teciam suas redes
E faziam seus barcos
De pesca e viviam
Do peixe que buscavam.

Mas, o mar não é tão calmo
E bondoso,
Vendo Amfarel prosperar
Na aquisição de água 
E mantimentos,
Ele, por vezes tragou 
O barco de Anfarel 
E levou toda uma embarcação. 

O povo de Anfarel
Ficou a deriva,
A fome veio e a miséria 
Devorou o sorriso,
A roupa e a dignidade 
Daqueles homens.

Anfarel foi até Moisés 
Para oferecer serviço 
No campo em troca de comida,
Moisés acertou
E a fome do povo de Anfarel
Foi sanada 
E logo a pesca pode ser recomendada.

Que aprenderam a entrar
Na água e pescar a lança 
E a linha,
E também aprenderam a nadar,
Mas, o mar é profundo e arredio,
Seduziu muitos,
Deixou poucos.
O trabalho era árduo. 
Doze anos durou esta escravização,
Em que Anfarel viveu praticamente 
Dentro do mar.

Construindo o barco 
Na manhã para perder
Até mesmo as vidas dele
No entardecer.
Então, Moisés o vendo prosperar 
Desatou as embarcações 
De Anfarel e as largou 
Mar a dentro.

Anfarel fez aos corpos
Que encontrou a deriva
Covas profundas 
E colocou cada qual
Em sua própria 
Lhe dedicando orações 
E as vidas cujos corpos
Não foram encontrados 
Foram simbolização
Por uma grande cruz 
De madeira 
Com pedaços de tecido
Enlaçados nela
Para simbolizar a alma
De cada uma.

A dor foi intensa 
Naquele povo.
Entristecida Marianne
Filha de Anfarel
Foi até próximo ao mar
Onde dedicou seu choro
A um amor,
Desejou que esse amor
Viesse com a salvação 
Para a dor e as perdas
Do povo de seu pai.

Então, ela pegou um punhal 
E escreveu suas dores
Em frases curtas 
Na areia da praia,
2026 anos após isso
E alguns anos mais até,
Tom molhou seu rosto
Nestas águas 
E sentiu o sabor do choro
De Marianne vindo do mar.

Notou no mar aquelas pedras
Escritas na beira da areia
Que falavam de dores
E remorsos por seus mortos
E famílias inteiras consumidas
Pelas águas marítimas. 
Tom sentiu no coração piedade
Por Marianne 
E enviou a ela sinais
De que a amava 
E iria ajudar.

Conforme ele lia,
Se compadecia e logo
Atirou uma flecha 
Para o céu rumando a ela
2026 no passado,
A flecha chegou no céu 
E retornou e quando voltou
De súbito chegou ao passado
Onde disse:
" eu te amo 
E vou te dar socorro!"
Havia no fim da própria flecha
Corações rabiscados.

A flecha caiu em chamas
Um pouco próxima a Marianne
Que juntou areia sem parar
Do chão e jogou sobre
A flecha para ela se apagar. 
A flecha apagou-se 
E de sua ponta escorreu água 
E ao ser retirada da areia,
A água não cessou.

Ao ler a flecha Marianne 
Se sentiu amada por Tom
E ao beija-la notou que era doce,
E foi agradecer a areia
Que a trouxe beijando 
A água que brotou
Então notou que vinha dali
Água pura, cristalina e doce.

Agora não precisariam
De Moisés para ter água
E poderiam saciar-se
E plantar sobre a terra,
Mas, a terra pertencia a Moisés
E ele recusou-se a entrega-la,
Porém a fonte que escorria 
Foi escondida por tamareiras
E ninguém exceto o povo
De Anfarel soube da água,
Ainda.

Mariane pode escrever
A partir do fato 
Sobre ama-lo
E um dia chegar a encontra-lo.

Os filhos de Anfarel choraram,
Os amigos e seus adeptos
Sofreram.
Moisés sorriu e festejou
Está dor.
Em uma noite
As redes foram todas roubadas,
Noutras as linhas 
Foram queimadas junto
Com o barracão onde viviam.

Anfarel sofreu para sair,
O barracão de madeira 
E folha de tamareira
Estava em chamas e não havia saída,
A porta estava emperrada. 
Ao sair pelo teto e 
Jogar-se de lá oito metros
Céu abaixo,
Anfarel encontrou a porta
Pregada com uma tábua 
Sobre ela impedindo 
Que fosse aberta
E as chamas consumiam tudo
Em labaredas enormes.

Anfarel jogou água salgada
Com o balde e arrancou 
A porta com suas mãos,
Muitos de seu povo saiu
Outros foram fracos
E morreram.
- é exagero esta dor.
Alguém tem causado 
Nosso mal!
Gritou Anfarel e declarou guerra.
- contra quem?
Indagou um dentre eles.
- contra Moisés,
Nenhum de nós teria pregado
A porta por dentro,
Isto foi uma cilada!
Ele gritou.

Anfarel cavou poços 
Ao redor dos locais 
Onde estavam os barcos
E o barracão,
E sinalizou com uma pedra verde,
Pondo Sobre o poço folhas 
De tamareiras e folhas
De outras árvores dentro.

No fundo do poço 
Ele jogou pedras
Para que aquele que caísse 
Também desfalecesse. 
Cada poço era profundo.
Quando Moisés o atacou
Com seu povo
Dono das águas doces,
O povo caiu nos poços 
Ferindo-se e não podendo
Sair. 

Moisés também caiu,
Anfarel juntou todos 
Os bens de Moisés
E este povo e fugiu.
Moisés teria que pagar
Por seus danos
E Anfarel não sabia lutar,
Ele apreendeu apenas 
A trabalhar desde o início 
E ferir não estava
Entre seus planos. 

Deixou que Moisés saísse 
De onde colocou a si mesmo
E os demais sozinho.

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