- E aí, já vai pra roça?
Perguntou o vizinho
De forma alta e declarada,
Enquanto ela passava de carroça
Em frente a sua casa
Na primeira hora da tarde,
Sol escaldante,
Parecia estar brilhando sobre seus ombros
Tão perto
Que chegava a arder as faces.
- sim, vou puxar feijão.
Você me ajuda?
Embarca comigo!
Ele correu sorrindo amigável
Feliz como em nenhum outro dia.
Se jogou na carroça
E abraçou a moça apertado.
Em pé os dois dirigiram a carroça,
Chegaram na estrada da roça,
Desceram ladeando
Até alcançar os montes de feijão,
Amontoados na parte da manhã.
Após braçadas e braçadas
Encerraram o trabalho,
Se jogaram nas palhas,
Abraçaram-se e riram como crianças,
Mas como adultos
Se amaram ali mesmo,
Entre as sombras das árvores frondosas,
Os bois cansados,
E a carroça cheia de feijão.
Abraçados e unidos,
Terminaram o ato de amor,
E de mãos dadas pularam
Sobre as palhas cheias de feijão,
Até malhar ele,
Ou seja sair da casca cada grão.
- quer um feijãozinho pela ajuda
Vizinho?
- claro que sim.
Ele respondeu com um beijo.
- você janta comigo?
Ele encerrou de pronto.
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