Ninguém prestou especial atenção
Ao jovem que saia do ônibus,
No início de sexta-feira,
Dia 08 de setembro,
Misturando-se a outros tantos
Iguais a ele.
Sujeito de porte médio,
Usava boné,
Jaqueta grossa que cobria
O corpo de cor escura,
Pasta na mão esquerda,
Se assemelharia a um pastor,
Mas nada apregoava,
Pareceria um operário
Retornando do trabalho,
Mas, não cheirava suor,
Não era mais que um estudante
A caminho da universidade.
Sentia-se a vontade
Ao cruzar de um ônibus
Para o outro,
De um lado da rua,
Para o lado oposto,
Escorou-se em um pilar
Do terminal de ônibus
E ficou quase como um
Manequim de algumas
Daquelas pequenas lojinhas
Que circundavam o local.
Não usou droga,
Ou fumou nada,
Apenas ficou estagnado
Olhando para o alto
Como se não tivesse o que fazer.
Estudante de boas notas,
Esforçava-se para ganhar
As respostas das questões
De antemão,
Amigo de muitos,
Parceiro de poucos.
Longe de sua história antiga,
Reinventou nova vida,
Com currículo inventado,
Não tinha a sua frente menos
Que sucesso.
Desta maneira,
Estava confiante de que
Sua liberdade duraria
Para sempre,
E que sua beleza
Se destacava o suficiente
Para ganhar
A quem desejasse.
Apaixonado por beijos fáceis,
E mulheres moles,
Sim,
Seu prazer provinha
Do resultado morte,
O sacolejar de seus corpos
Tendentes a fugir,
Se agarrar aos segundos
De vida que lhe proporcionava
Até o momento da morte eminente.
As vezes,
Ele as permitia a fuga,
Feria o suficiente
Para vê-las sangrar
Pelo caminho a correr
Crentes que iriam salvar-se,
Mas, ele sabia:
Isto não iria acontecer,
Porque Dand mata
E está nisto o seu prazer!
Não lhe importam as promessas,
O orgasmo de seus prazeres,
O seu instante é outro,
A despedida sem despedir-se,
O desespero por suas vidas,
O delírio do querer fugir
E jamais poder.
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