Enquanto buscava
Novo encontro
Com cuidado,
Imaginava se um homem
Sendo casado
E tendo fora da vida conjugal
Outra garota
Por que lhe nutriria afeto,
E quanto a esposa
Por que lhe negava amor?
Pensava nisso com estímulo,
Então, ele preferia estar comigo
Nos momentos em que
Não estava com ela
Ou apenas em alguns seletos...
Isto não preenchia
O vazio em meu peito
Que cada vez mais
Se dilacerava
E fazia minha alma
Se afundar nele
Presa num lodo
De lágrimas e questionamentos.
Certa vez, minha mãe
Me falou:
Filha, quem é amante
Não tem valor!
Eu naquela época
Não pensei muito nisto
Era jovem demais.
Porém, agora minha juventude
Era consumida em beijos
Que trocava com um homem
Que não estava disponível
Sempre que eu precisasse
E conviver com isso
Era difícil,
Não sei com relação a esposa,
Mas, eu parecia a mais prejudicada.
Recordei-me de tantos relatos
De amantes e de esposas loucas,
Que perseguiam os amantes
Com raiva incontrolável
E tive medo de ser o alvo.
Estava caindo numa masmorra,
Em que subi em degraus apaixonados,
E entrando naquele recinto
Não soube me manter,
Apenas caí feito presa fácil,
E agora via meus lábios envelhecerem
Em beijos trêmulos
De juras apaixonadas divididas,
Cada jura que me fazia
Também remetia a esposa
E isso me entristecia.
Essas coisas de amantes
Só são contadas aos sussurros
Elas são vergonhosas,
Há quem usufrua muito
O gosto pelo proibido
E há quem prefira ter alguém
Sempre perto e disposto.
Dividir afeto é tormentoso,
Eu sinto medo disso,
Me senti como se fosse abandonada
Para morrer de inanição
Naquela masmorra em que
Ele marcava nossos encontros,
Sempre discretos e escondidos.
Que destino temível,
Ser descoberta pela esposa
E virar joguete de seus desamores,
Certamente, eu não era a única,
Ele não tinha jeito
Para a vida conjugal,
E eu corria sério risco
De ter minha imagem
Exposta por toda a rua.
Não duvidava
Que o resultado disso tudo
Era a morte,
Esperar por alguém
Que você está apaixonada
Faz sofrer,
Ter horário para ver
É triste.
Que morte amarga
A qual eu me jogava,
Ocupava-me pensando
Quando ela ocorreria,
No exato instante
Em que a esposa pusesse
Seu olhar sobre mim
Ou quando ele desse
Um fim no nosso relacionamento,
Essa era minha maior distração
E meu pior tormento.
Estar entre o riso da dor
E a espera do inevitável fim
Em que ele que já escolheu.
Não fará a troca,
Serei eu a objeto
Que me propus para
Preencher vazios
De esposa vaidosa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário