domingo, 19 de abril de 2026

Majed

Logo que vi Majed,
Todo o redor perdeu o foco,
Restou-me nós,
Sentados em uma banco
De madeira
Olhando o rio a nossa frente.

Ele tem algo de inteligente,
Posso assumir que me surpreende,
Porém, não sei mencionar
Qual o teor de nosso diálogo,
Tudo o mais se perdeu
No instante
Em que o olhei nos olhos
E ele pegou minha mão,
Quando meu braço
Que me apoiava no encosto
Do banco resvalou para trás,
E eu caí junto
Ferindo minha coluna
E mais ainda o braço
Que ficou com escoriações.

De imediato,
Ele jogou seu braço
Atrás do meu
E o segurou,
Depois puxou minha mão
Para sobre a sua perna
E a acariciou.

Seus dedos eram longos
E extraordinariamente quentes,
Eu gelei de dor e vergonha,
Porém, quando ele falou algo
Próximo ao meu ouvido
Em sussurros educados
Eu esqueci o significado
Das palavras
E cada frase que ele disse
Me convidou a beija-lo.

Não resisti,
Não foi possível,
Joguei meus braços
Para seu ombro
E mantive seu rosto
Entre minhas mãos
E o beijei.

Esqueci tudo o mais,
Apenas aproveitei seus lábios
Que são ainda mais quentes
Que seus dedos,
E senti sua pulsação
Entre minhas mãos.

A vida pulsava tão intensa
Em nossas mãos,
O futuro se estendia
Naquele beijo,
Era como se minha alma
Tivesse se materializado
Naquele homem
E meu destino
Fosse ele.

Nada importou-me,
Nada poderia me ferir,
Éramos eu e ele.

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