terça-feira, 14 de abril de 2026

Foi Tudo Engano

Meu namoro
Estava infrutífero,
Vesti meu mais curto vestido,
E de pernas e nádegas
A mostra fui vê-lo.
Chegando no local
Descobri que ele não morava lá,
E eu fiquei estagnada
Do lado de fora
Do prédio
Vendo a chuva cair
Molhada e pegajosa
Seminua.
Não pensei que sofreria
Tanta vergonha num único dia,
Depois, recuperada,
Torci os cabelos molhados
E fui até uma floricultura
Comprar flores
E encomendar uma poesia
Lida em voz alta.
-em que lugar levar as flores?
A vendedora indagou.
Eu espasmei de vergonha,
Perdi o fôlego.
De vestido molhado
E vergonha nenhuma continuei.
-eu tenho o número
Do telefone dele.
Ela sorriu.
- ok, marco com ele
Pra ir onde ele quer receber.
Tremendo de frio
E vergonha saí de lá.
Logo após recebi
A ligação da vendedora
Informando que ele desligou
O telefone sem receber
A chamada.
Está ligação eu recebi
Com efeito de tapa na cara,
Ele desligou?
Por quê?
Pedi então,
Que ela guardasse as flores
E deixasse a poesia
Para outro dia.
Sem esperança
Para este amor
Que me envolvi
Com tanto entusiasmo
Caí no sofá e chorei.
Mas, uma curiosidade
Me levou a continuar,
E quando ele me ligou,
Nos primeiros soluços de choro
E juras de amor apaixonado
Eu perdoei.
- você é casado?
Eu pedi.
Ele mudou de assunto.
Pediu para não falar
Mais sobre isso.
-esta certo,
Não vou me expor
Feito uma vagabunda
Se você deseja me ver
Venha até a minha casa.
Ele chegou,
Sedento e doentio
De tanto amor,
Me abraçou com empenho,
Me pegou nos braços.
- eu te amo tanto,
Vamos ter um filho?
Ele pediu aos prantos.
-Hoje?
Eu imaginei enquanto
Ele me levava em seus braços
Para o quarto.
- agora?
Eu pedi sorrindo.
Ele sorriu,
E puxou do bolso da carteira
Um preservativo masculino.
-logo.
Ele respondeu.
Havia um cisco traiçoeiro
Em seus olhos verdes,
Um pranto falso naquele
Rosto de homem solitário,
De repente,
Ele não pareceu tão solitário
E eu senti medo.
Estava me entregando
A um homem
Que não me dava valor,
Mentira para eu,
Me enganava,
Falava de sonhos
Como quem fala da chuva
Que passa e nem
Parece que molhou a rua.
Por fim,
Deixei-o dormindo,
Tomei coragem
E pedi a floricultura
Que trouxesse as flores
E lesse a telemensagem,
A floricultura chegou logo.
Falou no microfone
Seu nome,
E começou a tocar a música
Romântica enquanto dizia
Os versos de amor
Que preparei para ele.
Ele deu uns cinco passos
Até o carro,
Pegou as flores
E pediu se era da Margarete,
-Não .
A garota respondeu.
Depois disso ele sorriu.
Veio até eu com o telefone
Nas mãos
E ligou imediatamente
Para uma outra garota
Agradecendo as flores
E falando de amor.
Eu tomei o telefone
De suas mãos,
Vi a foto de uma menina
Devia ter no máximo
Uns quinze anos,
Eu não acreditei no que vi.
Desliguei a chamada
E joguei o telefone
Com toda força
Contra seu rosto
Que sangrou
E fez escorrer o sangue
Em seus lábios.
Malditos lábios
Que beijei e me juraram amor,
Maldito falso traidor.
- você está em minha casa.
Eu gritei.
-vai embora!
Eu gritei feito uma louca.
Fui até o microfone
E gritei toda a loucura
Que ele me fez,
Ele saiu atordoado
Dirigindo o carro,
Levou minhas flores
E eu optei por nunca
Mais vê-lo.
A vergonha foi horrível,
Enganada em minha casa
Feito uma palhaça,
Me senti uma burra.
Liguei para o denuncia anônima,
E denunciei o que ele fez,
Falei seu nome,
Contei da criança
Para quem ligou jurando amor,
Disse que não queria
Me identificar e desliguei.
Eu o odiei,
Desejei que toda a polícia
Estivesse no seu encalço
Até descobrir o monstro
Mentiroso que ele é.
É Fabiano Carlos Horostecki,
Eu nunca vou me cansar
De denunciar seu nome
E contar todas as mentiras
E falsidades que você
Foi capaz de fazer.
Eu sinto desprezo
Por tudo que você é,
Odeio suas frases mentirosas,
Sua maldita esposa
Que aceitou seus crimes,
As malditas crianças
Que se calaram após
Serem vítimas suas,
As desprezíveis mães
Que descobrindo seus crimes
Se calaram e esconderam
Os fatos,
Eu odeio você
E todo o seu entorno criminoso.

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