quarta-feira, 8 de abril de 2026

Quem Bate é o Medo

Acordei tocado
Por longos dedos finos
E frios feito gelo,
Eles passeavam por meu corpo,
Derretendo-se sobre minha pele.

O líquido escorria,
De súbito abri meus olhos,
E me vi de frente para
Um longo corpo curvilíneo
De vestes escuras.

Então, quando sorri,
Uma espécie de fogo
Tomou conta de seu rosto,
E o quarto flamejava,
Enquanto eu arfava de espanto!

De repente, algo passou
A derreter e se aproximar
De mim,
Senti como se aquele ser
Vestido de negro
Estivesse se decompondo
Ante meu olhar perturbado.

Então, mais nada.
A chama diminuiu
E seus cabelos negros
Ficaram a mostra,
Depois suas sobrancelhas grossas
E bem delineadas,
Então, seus olhos,
Depois lindos lábios trêmulos
E seguros.

Notei que se tratava
De uma tocha de fogo
Que lentamente queimou
A querosene deixando
Uma fumaça densa e fedorenta
No ar,
Com aquele semblante
A tremeluzir atrás dela.

Era uma tocha
E atrás da tocha uma mulher,
A frente dela estava eu
Deitado e nu
Sobre minha cama.

Assombrado fechei
Meus olhos e adormeci
De puro espanto.

O universo fez silêncio aterrador,
Me atirei neste silêncio
E não quis mais nada
Além da quietude
E o escuro aconchegante
Onde eu nada via
E nada me espantava.

De repente, a chama
Se extinguiu por completo
Deixando-me a mercê
De um escuro mágico
Onde nada se via,
Eu pude notar mesmo
Com os olhos fechados.

Então, ouvi um barulho
De passos andando até eu,
E notei um hálito seco
Tocando minha face
Sem falar.

Eu desejei abrir os olhos,
Mas sabia que o escuro acolhedor
Acolheu aquele corpo esguio
E me deixou inseguro,
O silêncio de um túmulo
Me aguardava
Após o arfar de um peito
Próximo ao meu corpo,
Muito próximo.

Fosse o instante da morte,
Eu a recebi de maneira
Nada corajosa,
Fechei os olhos e
Não abri mais,
A espera.

Doce tortura que me conduziu
Até um sono profundo
Onde adormeci
E ao acordar não recordei muito,
Também não sonhei.

Apenas adormeci e
Permaneci calado,
Contando o ar da respiração,
Cortando o arfar do meu peito amedrontado,
Até me induzir ao sono
Sem sonhos,
Sem abrir os olhos
Ou mexer sequer um dedo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Um Princípe