segunda-feira, 13 de abril de 2026

Amor Não Correspondido

Eu pedi a ele
Para permanecer,
Ele disse que me queria,
Porém, para amante
E nada redirecionaria os fatos.

Por fim, minhas mãos estendidas
Em súplicas por um horário
Para ver este que tanto
Despertou meu afeto
Se preencheu em massagear
Minha barriga que
Cresceu e cresceu.

Eu tinha ali
Em meu ventre um filho,
Um fruto do sabor proibido,
Do pecado derramado
Em meu ventre
O qual teve pelo pai
A negação de afeto
E até mesmo de assumimento,
Ele disse:
Jamais seria meu!

Olhou para a minha barriga
Já redonda e crescendo
E sorriu.
Disse: é verme!

Eu sofri,
Lágrimas rolaram
Por minha face
De forma tão simples
E carentes.

Eu me senti diferente,
O desejo dele pelo proibido
Era como um muro de
Parede de pedra
Que não cai ou fende,
Ele não mudaria de ideia.

Avancei com desconfiança
A gravidez
Presa a promessas antigas,
Não tinha um alguém
Com quem dividir experiências
E buscar afeto,
Só ele.

A parede que nos separava
Era tão uniforme
Que quase dava para ver
O rosto de sua esposa
Me olhando e rindo
Da minha barriga.

Busquei então
Um canivete no bolso
Do meu vestido amarelo
E pensei em cortar aquilo,
Arrancar meu ventre
E desistir de ser mãe,
Para quê eu quis isso?

Não pensei que fosse
Decisão minha,
Foi ele,
Ele forjou a situação toda
E me deixou sozinha.

Rasguei com o canivete
O vestido aos poucos
E fui expondo meu corpo
A nudez cada vez mais evidente
E me vi linda no reflexo
Do espelho.

Isso não foi suficiente,
Logo depois disso
Eu desejei que ele me visse
E opinasse sobre nós,
Eu, ele e o filho
Que crescia e pedia carinho.

Eu o sentia em meu ventre,
Ele parecia chamar o pai
Toda a noite
Então me fazia acordar ansiosa
Por seus carinhos e apoio.

Deixei quase um vestido inteiro
No chão daquele quarto vazio,
Ele me gostava nua,
O que ele admirava em mim
Era a exposição do meu corpo,
Feito um objeto em vitrine.

Eu não percebi
O erro em que me envolvia
Até me deparar com minha fraqueza
Frente a enorme masmorra
Que parecia aquele quarto escuro
Em que me escondi
E saí dali só para vê-lo.

Eu já não me pertencia
E agora vinha um filho,
Um inocente
Para ser dele,
De mim para ele
Feito um troféu
Por ser um homem
Tão distante, fraco
E traidor.

Cambaleei no tecido
Do chão e teria caído
Não fosse me segurar
Na parede que feriu
Meus dedos e barriga,
Eu fiz um vergão vermelho
Sobre a pele
Que protegia meu filho,
E o pai dele
Não sabia disso
Ou se importava.

Minha tristeza deixou-me
Prostrada naquele quarto
Por muito tempo,
Me indagando
Por que fiz isso?

Por que me dediquei tanto
A alguém que não me assumiu
E desde antes era casado...

Logo o sono tomou
Conta de mim
E me levou para um mundo
Sem sonhos,
Com uma tela marrom
Que foi crescendo
E se tornando maior
Lá de dentro vinha
Uma criança a passos curtos
De pernas gordas,
Ela abria os braços e me sorria.

Eu me ajoelhei
E abri meu abraço
Para recebe-la,
Então, a apertei contra
O peito e sorri,
Tranquila e serena.

O celular tocou,
Eu desliguei,
Foi a primeira vez
Que decidi me respeitar
E me dar valor,
Eu precisava ser forte,
Me recusar a ser rejeitada,
Meu filho me exigia isso,
E eu o amava.

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