Eu buscava esquece-lo,
Mas, não posso dizer
Que conseguiria,
Porém, tentei esquecer,
Fechei os olhos,
Deixei o vento soprar
Meus cabelos,
A noite chegar
E o dia raiar...
Não posso definir
O que sou sem ele,
O que restou da felicidade
Que tomou minha face
E ligeiramente implora
Pelos beijos dele,
Não posso falar,
As palavras são vazias.
Porém, nem tudo está perdido;
Nem no sono mais profundo,
Não poderá estar,
No delírio,
Não poderá estar,
Em um desmaio,
Não poderá,
Na morte,
Não poderá estar,
No túmulo,
Mesmo ali no silêncio escuro
Da paz forçada da alma
Poderá estar perdido,
Do contrário,
Não sei o que seria capaz.
Minha vida se tornou supérflua,
Meus sonhos são nulos,
Me vem logo seu rosto
No primeiro pensamento,
Seus beijos
No último
E me vejo busca-lo.
É, o amor é imortal,
Eu sou a que não suporta
Mais amar tanto,
Buscar tanto,
E nem ao menos vê-lo,
Onde estará?
Desperto de meus devaneios
E rompo com a miragem
De que ele logo chegará
E me sinto louca,
Me sinto presa em tudo
Que sinto
E este amor me consome
Por dentro,
Tivesse-o perto,
Ó amor mais que perfeito,
Mas, o mantendo distante
Torna-se castigo!
Cruel amante,
Logo em seguida
Não lembro o que sonho,
Esqueço da própria vida,
Preciso dele comigo,
Seu efeito é devastador.
Ao tentarmos retornar
Para nós mesmas
Depois de amar,
Algo se desperta
E algo fica para trás...
Primeiro desperta a alma
E é difícil se acostumar
Depois vem o físico
E é impossível não chamar
Seu nome.
O que é este palácio
De torres tão altas
Que o amor faz escalar
Para depois nos jogar
No abismo sem fim
De um princípio vazio
Onde não importa
O que se faça,
Não há como voltar atrás?
Seria como as paredes
De um sepulcro?
A corroer a carne
E dilacerar os ossos,
Estas sombras me consomem,
Não posso calar a voz
Que grita seu nome
De tão distante,
Tão longe
E ele não ouve.
A alma se recusa
A retornar para nós,
Me faz despencar
E foge para ele,
Ela é intolerável a distância.
Me sinto sentada
Em brasas ardentes
Prestes a virar cinzas
E não querer outra coisa
Exceto ser consumida,
Devorada viva
Como um dia fui por seus beijos.
Doces beijos de um traidor,
Ele esqueceu de nosso amor,
Fugiu do que houve,
Se recusa a ver
O quão perfeito fomos
Um para o outro.
O vejo por onde vou
Como uma visão pairando no ar,
Pareço estar fazendo amor,
Sinto seu sorriso,
Seu calor,
Sonho seus sonhos.
O amor é o perfume
De uma flor desconhecida
Que você se importa
Em ir buscar
E querer saber sobre ela.
O amor é aquela imagem
Que nos acompanha
E que os outros não podem ver,
Mas que nos sustenta,
Capta o fugidio fulgor
De beijos que arderam
Feito fogo a percorrer a pele
Mas que hoje
Buscam outras carícias,
As quais não queremos ver,
Nem saber,
Só recordar as antigas.
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