sexta-feira, 21 de março de 2025

Meu Pai na Cidade

Meu pai chega da cidade,
Eu ouvi bem
O barulho do motor
Do Fusca azul,
A fita cacete de sertanejo
Tocando no toca fitas.

Oba,
Meu pai chegou,
Posso sair do quarto
E ir abraça-lo,
Ele voltou da cidade,
Trouxe presentes
E doces,
Ele sempre nos trás
Coisas boas.

Olho para as paredes
Do quarto,
Conto os segundos
Para pendurar o encarte
Dos cds,
Os pôsteres mais desejados,
Os carinhas top que curto.

Abro a porta,
Ouvi ele chegar na escada
De madeira de casa,
Vi que ele demorou
Para fechar a porta do Fusca,
Ele trouxe coisas legais,
Oba.

Que top.
Agora ele está na área,
Eu abro a porta do quarto
E corro,
Abrimos a porta da sala juntos,
Ele chegou,
Eu sorrio feliz,
Ele me trouxe cds e pôsteres,
Eu sorrio completa.

- oba, pai.
É do carinha que eu gosto?
Eu pergunto,
Pegando a sacola que ele alcança
- melhor que isto filha.
Ele fala tão feliz
E satisfeito.
- é de um rapaz mais maduro.

Eu penso,
Que bom.
Que ótimo.
Feliz pego a sacola
Ansiosa para ver.
- por quê mais maduro pai?
Ele entra feliz,
Comigo ao lado na porta.
- ele não usa drogas.

Eu olho bem séria
Para ele,
E feliz,
Muito feliz.
“Como ele sabe?”.

Abro o pôster
E corro colar na parede.
Ganhou um punhado de bombons
Jogados da sala,
Oba,
Veio também bombons!

Colados um no outro

Me recosto no vidro
Do hall de entrada,
Tamborilo com os dedos
Seu nome,
Você não ouve,
De costas para você,
Eu sei de você,
Tamborilo outra vez,
O chamo.

Você vem,
Tira o casaco escuro,
Sorri seu perfeito sorriso,
Deixa o casaco no chão,
Abre os botões da camisa,
Eu evito olhar.

Fico olhando tímida
Para a frente,
O mar,
As ondas que chegam
E batem na areia,
O cheiro doce,
O seu beijo.

Tiro os dedos do vidro,
Levo-os aos lábios,
Não há nada melhor
Que espera-lo,
Desejar seu beijo,
E saber que você está vindo.

Desato o nó do vestido,
Retiro por cima do corpo,
Repouso no chão,
Olho aos sobressaltos,
Você está vindo...

Olho para o lado,
Colada no vidro gelado,
Trêmula de desejos,
Seu sorriso cheio e molhado,
Ando até você,
Você chega e me toca.

No ombro,
Depois no seio,
Eu da mesma forma,
Com as duas mãos,
Você uma em mim,
A outra no vidro,
O vidro instantaneamente
Fica suado,
Eu provo seu beijo.

Seus lábios macios,
São os mais perfeitos,
A cor intensa os toca,
O desejo pulsa em nossas veias,
Você retira a camisa
E a deixa cair,
Enquanto eu o beijo,
Você retira a calça,
Eu abro minhas pernas
Para recebe-lo,
Porquê eu te amo.

Sinto seu corpo nu
Colado ao meu corpo,
Não há nada maior que isso,
Sinto sua barba farta,
Acariciar meu rosto,
Me recosto no vidro,
Você segura minha cintura,
Eu sou sua.

Porquê eu te amo.
Nosso beijo se desenha
Por entre gemidos
E sussurros de amor,
Estamos juntos,
Isto é o que é de melhor,
Porquê eu te amo,
Nossas vontades se consumam,
E nada pode ser maior que isso.

Porquê eu te amo.
Vamos em frente,
Vamos para trás,
Juntos,
Me provoque,
Me tenha,
Amor o sol está vindo,
E eu nunca o desejei tanto.

Me sinta,
Me ame,
Veja o quanto o desejo,
Vamos juntos,
Vamos em frente,
Vamos pra trás,
Vamos juntos querido.

Colados neste vidro,
Feito um retrato
Do que sentimos.
Porquê eu te amo.
E não há nada melhor
Que estarmos juntos.

Vidro Molhado

Baby, querido,

Pare de brincar

Com meus sentimentos,

Já faz horas

Que estou aqui,

Colada neste vidro,

Jogada sobre ele,

Com minhas mãos

A segurar-me,

Querido, poderia ser você.

 

Pare de brincar com nós,

Desliga este computador,

Esquece o celular,

Vem ficar comigo,

Me sinto insegura,

O vidro é transparente

E você não me vê,

Querido,

Não me deixe invisível.

 

Levanta desta cadeira,

Não seja um idiota,

Não me deixe passar as horas,

Sem ter um momento

Apenas nosso,

Se isto entre nós

Virar história,

Não quero que minha imagem

Fiquei aqui

Neste vidro colada,

Feito sujeira que permanece.

 

Que droga,

Eu gostaria de te beijar,

Cola aqui neste vidro,

Estende suas mãos

Procura as minhas,

Vamos assim,

Colados no vidro

Até o fim,

Nos encontramos assim,

E o beijo...

Querido,

E o beijo,

É o nosso beijo,

O mais lindo e perfeito.

 

Querido,

Não tenha outros lábios,

Você irá estranhar,

Será como um beijo

Sem gosto ou desejo,

É algo que não pertence,

Com efeito de obrigatório.

 

Não me faça virar as costas,

Querido este vidro está

Sempre quente,

Você nem nota,

Amado,

Vou soluçar umas promessas aqui,

Espero que não tanto

Regadas a lágrimas,

Mas dentre os gemidos,

Desenho seu nome,

Meu nome,

Um coração sobre isto.

 

Dedilhar de dedos

A tamborilar sua volta,

Amado,

O seu estar tão perto

Está nos distanciando,

Se volta e se veja

Em nós dois.

 

Estou aqui fora

Te esperando,

Precisando do seu beijo,

Me canso deste seu computador,

Desliga o celular,

Vem passar seu tempo

Comigo.

 

Que droga,

Conheço tão bem

Todas as suas formas

Que entre tantos suspiros

E desejos

Eu poderia desenha-lo

Aqui por inteiro,

Desiste desta sua coisa,

Vem e fica comigo.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Abre A Janela

Amando você,
Como nunca imaginei,
Ou sonhei ser possível.
Vim vagando entre ruas
Até encontrar a sua,
Veja chove um pouco
Aqui fora,
Saia em sua janela,
E poderá me ver.

Estou quase a gritar
Preciso que saiba,
Você é a primeira da lista,
Querida,
Tudo o que eu queria
É rasgar está maldita lista.

E ter você,
Apenas e única,
Seria maior que o céu,
Mais alto que o infinito,
Mais legal que seu gato,
Roçando em minhas pernas,
Implorando por minha mão,
Como se soubesse de todos
Os carinhos que tenho pra lhe dar.

Querida,
Peguei seu gato no colo,
Está entre meus braços,
Espero que não se importe,
Abre a janela
E me veja,
Entenda o quanto posso te amar.

Maldita lista,
Soubesse nunca teria
Marcado um único nome,
Ou me importado
Com qualquer que não fosse
O seu.

Abra ao menos um pouco
A sua janela,
Querida,
Você está aí em seu quarto,
Um amigo me disse que você dorme aí,
Ele falou que esteve contigo.

Desculpa eu soube.
Mas eu apenas soube.
Chove muito
Está esfriando,
Estou de camiseta encharcada,
A lua não vai sair,
Então, você não irá abrir?

Querida,
Você pode me ouvir?
Eu não gostaria de te esperar
Sentado na calçada,
Abraçado ao gato,
Ou fazer cara de fome
E subir sem pedir.

Querida,
Abre a janela,
Ouve o que tenho a dizer,
A lista diz
Que você gostou de mim,
Eu marquei suas palavras,
Não quer dizer
Que você não tenha lido
Outras mais.

Nem significa que fui indiferente
A outras anteriores,
Mas veja,
Pertencem ao passado
Agora.
Abre a janela faz frio aqui.
O gato está reclamando.
Ele gosta de mim.

Maldita a lista na qual
Te identifiquei.
Querida,
Você nunca foi um número,
Ou alvo a gabar-se,
Você foi especial sim,
Abre a janela pra mim.

José

Nascido José,
O mais novo de onze filhos,
Cuidado com esmero por seu pai,
Tal como, os demais.
Certo dia, José falou ao pai.

- sonhei com um dia,
Em que todo o universo se curvara
Para eu.
O pai nada disse.
Mas os dez irmãos sentiam
Inveja da cumplicidade entre José
E o pai.

E a tentação os disse,
“Matai José”.
Então, os dez filhos
Disseram ao pai,
Levaremos José neste passeio,
Deixa-o em nossa guarda,
E o trataremos bem.

O pai o entregou.
Os dez irmãos,
Retiraram a túnica de José,
Encontraram um poço
E jogaram José lá dentro.
Juntaram um pássaro,
O mataram,
Passaram o sangue
E entregaram a túnica ao pai.

- José foi comido
Pelos lobos,
Veja o sangue dele
Que manchou sua roupa.
O pai se ajoelhou naquele chão,
Com a túnica entre as mãos.

Chorando.
Passou uma caravana
Pelo bosque,
Um deles foi buscar água,
E encontrou José,
O retirou de lá,
E o levou consigo.

Onde foi criado,
José foi tentado pela esposa
Do homem dono da casa,
José se recusou com veemência,
Mas ao sair de casa,
A mulher correu atrás dele
E rasgou sua túnica por trás.

O marido ao chegar
Recebeu a notícia por sua
Maliciosa boca
“ José me tentou”.
O marido ficou furioso,
Mas José se defendeu,
- eu fugi dela,
Ela tentou me segurar,
Veja minha túnica rasgada,
Foi ela,
Não foi eu.

O esposo olhou a túnica
E constatou.
Foi ela.
Três mulheres do povo
Vieram visita-la,
Algumas quiseram julga-la
Por ter tentado José.
Mas a mulher apenas as deu
Uma faca cada uma.

E ao entrar José pela porta,
Todas cortaram suas mãos,
Não havia como lhe resistir.
Mas a esposa do dono da casa
Insistiu:
- é demasiado perfeito,
Caso não aceite minha sedução,
Será rebaixado e encarcerado.

Mas ele preferiu o cárcere
Ao invés da traição,
Foi preso na mesma cela
Que dois outros homens.

Allah se compadeceu,
Enviou chuva abundante,
A chuva foi tão intensa
Que adentrou na cela,
E lá dentro fez poço,
E no poço fez espuma.

Conforme a espuma
Foi derretendo
Todo o mentiroso derreteu
Com ela.
Dentro ou fora.
José permaneceu.
A espuma virou pó
Diante dele.

Chuaib

Meu namorado disse-me
“Será eterno”.
Nós entregamos a está promessa,
Proveio disto uma menina.

Em nove meses,
Tempo o bastante
Para ele partir para longe,
Restou a saudade,
E o lindo olhar da menina.
Me encarreguei de ama-la,
Dar-lhe abrigo e carinho,
Em seus primeiros passos,
Eu me vi bebê caindo,
Meu pai me segurando em seu colo,
Me mantendo,
Se aproveitando de minha inocência,
Para tocar minhas intimidades.

No seu primeiro sorriso,
Eu vi meu medo
Quando acordei assustada
Com meu pai acariciando
Seu pênis fedorento ao meu lado.
Na sua primeira palavra,
Eu o vi me chamar para gozar,
Gozar com ele
No quarto dele e de minha mãe.

Na primeira vez em que
Tomou do leite do meu seio
Eu o gostar do meu peido,
E admirar meu bumbum,
Até me virar de costas
E inserir seu pênis em mim.

Em sua primeira vez
Que abriu a porta de casa,
Eu vi meus vizinhos,
Então, saí das lembranças,
E a abracei,
Mantendo ela comigo.

Preferi seguir Chuaib,
E abandonar as adorações
Do meu pai,
E abandonar as posses
Que mantinham minha mãe
Presa aquele lar.

Se eu tivesse comida,
Ela teria mais,
Se eu não tivesse,
Eu conseguiria para ela,
E não haveria nisto
Um custo.

Eu não veria mal algum
Em mendigar,
Pedir ajuda,
Ou fazer o que fosse preciso pôr ela,
Mas eu abandonaria
Por completo meu passado,
E jamais permitiria
Isto a ela.

Ela fez quatro anos,
Soou no povo um grito,
Tão agudo, aterrador
E profundo
Que soou feito um soco
Em cada casa.

Não houve casa
Que a porta não se abriu,
Ou janela capaz de manter-se
Fechada.
O grito o abriu.

Tocou no ouvido de cada um,
Não feriu.
O soco passou,
Percorreu cada cômodo,
Cada olhar,
Fez o surdo ouvir,
O cego acreditar.

E fez todo estuprador chorar,
E foi se tornando mais intenso
E muito mais alto,
Deixou o estuprador atordoado,
Eles começaram a se jogar
De suas janelas,
Fugirem por suas portas,
Eram homens, mulheres
E crianças.

E o grito não cessou,
O povo não parou de chorar,
Correram feito loucos para se prostrar,
Eu ergui minha filha
Aos céus e rezei o Alcorão.

Mas o barulho não parou,
Então, do mais terrível
Para o menor,
Todos levantaram-se
E se jogaram na fogueira,
Com muito choro,
Muita lágrimas,
E nenhuma foi suficiente
Para fazê-los deixar de queimar.

O grito não me feriu
De nenhum modo,
Eu nunca senti medo.
Me agachei,
Soltei minha filha em pé
No assoalho de areia,
Toquei seu rosto e chorei.
Abracei ela forte em meus braços,
Ela estava segura.

Lágrimas e gemidos
Se levantavam daquela fogueira,
Sem nunca ter fim,
Mas seus rostos eram todos iguais,
Só via-se o fogo queimar,
Ouvia-se os gemidos agoniados,
E o chiado de lágrimas cair
Sem apagar.

Um Filho

- seu filho.
Acolha é seu filho.
Nasceu morto.
O homem estranho se aproxima
Entrega a criança
Dentro do supermercado
Nos braços de um homem,
Ele está ao meu lado.

Eu penso comigo,
Não me convidam
Para o nascimento,
Concepção:
Vão me convidar
Para o velório.

Este pensamento me faz mal.
Eu olho para a minha barriga
E penso que já cheguei
Aos 35 anos,
É tarde demais,
Eu não posso ser mãe.
Então, ele crê que pode salva-la,
Eu descreio,
Prefiro que ele não se fora
Com uma certeza tão aterradora,
Ser responsável por uma vida
Que já partiu.

Então, foi vida?
Conclui no olhar dele
Que sim,
Confiei neste que estava
Ao meu lado,
Desconfiei de mim.

Pedi a criança
E disse que poderia ajudar.
Me pareceu que aquele homem
Confiava em mim,
Em algo sobre eu ler o Alcorão,
Em ter fé absoluta,
E busquei nele
O que era o Alcorão?
Um livro aberto a ser lido.

E isto, nele,
Era o bastante para confiar.
Em mim, o que era?
A fé.
Então, me acolhi.
Me achegue para trás,
Fiquei ali.
Me vi sozinha.

Me busquei infante,
Um bebê,
Um bebê no colo.
Me recusei a ver.
Me vi no colo da minha mãe.
Não quis estar,
Abriu os olhos,
Olhei para aquele teto,
Me preferi onde eu estava,
E não no passado.

Aí disse,
Me dê!
Ele disse não!
Você não presta
E não irá valer.
Eu não quis chorar,
Desde lá foi assim também.
Aí, por favor baby,
Eu fiquei me olhando,
Me vendo
E não vendo.

Casa de oito metros,
Sem repartição,
Minha mãe sentada na cadeira
De madeira,
Ela toda de branco,
Eu também.
Seus olhos fundos
De preocupação,
E medo,
Mas quando ela me via
Ela tinha certezas,
Certezas absurdas.

Aí, ele me deu a criança.
Quando eu já estava naquele colo,
Tomando aquele leite,
Sentindo aquele calor,
Tocando naquele seio,
Ele me deu.
Peguei o bebê,
Morto e gelado,
Quase sem roupa,
Esmagado concluí,
Olhei para o homem ao meu lado
E ele sabia que nasceu vivo,
Então, eu também.

Tirei meu seio,
E o dei.
Eu nunca fui mãe de concepção,
Ou adotei.
Lembrei de como fazer comida
E chamar pelo cheiro
As pessoas para comer.

Ele não voltou.
Então, isto foi uma certeza absurda,
Certeza que uma doce mãe
Credita na filha.
Bobagem de mãe.
Depois pensei em coisas
Que fariam um filho
Querer mamar.

Lembrei de uma amiga,
Ela me ensinando
Sentada num posto de saúde
Público,
“Olha Aline,
Quando você tiver os seus,
Amamentar é assim”.

Ela pegou aquele seio cheio,
Passou ao redor da boca da criança,
Deixou próximo ao nariz,
E ele puxou o líquido.
Me pareceu simples,
Pois o que haveria
Neste ato de difícil?

Ela disse nasce vermelho,
Fica preto,
Depois quando ele toma o leite,
Todo ele fica vermelho,
E o sangue da gente
Correu ali dentro.
Eu olhei aquela criança,
Não vendo nada de diferente,
Pensei que sim,
Ele estava vermelho.

Fiz o mesmo e a criança retornou,
Eu me assustei e pensei:
“Estava morta!”
A ideia não deixa de ser assustadora.
Ele puxou muito fraco,
Apertei ele,
Depois pensei
“apertar é para bonecas”
O acariciei
E o cobri em meus braços.

Ele mamou muito.
Eu pensei
“vou encher ele de vida”.
Ele mamou vida de mim.
Foi incrível.
Eu pensei
“Esta mãe não será
Capaz de dar-lhe vida,
Darei a ele tudo da minha”.

E o entreguei todos o leite
Que tinha,
Sem nunca ter tido uma concepção.
Olhando aquela criança,
Eu vi um futuro,
Um futuro triste.
Vi eu indo ajudar meu irmão,
Ele estava estranho,
Eu dei dois passos
Em direção a ele,
Sentindo muito menos de dor
Do que ele sentia,
Cai no chão
E quebrei os ossos do rosto,
Também os dentes.

Depois me vi pegando sua pá
E cavando um chão barrento,
E estava tão duro
Que perdi os movimentos,
Perdi os dois braços.
Meu irmão riu,
Sentiu orgulho,
Ele abriu em três dias o buraco,
Lá ele me jogou respirando,
Depois veio a esposa dele
Ao seu lado,
Ele abriu então em cinco dias
Com sua ajuda,
E ela me jogou lá dentro viva,
E ele cobrou com terra.

Eu não tive mais ar
Para respirar.
Saí de lá,
Olhei para aquele rosto
E vi coisas diferentes,
Busquei um futuro
E ele sorriu,
Pedi se eu ainda podia ser mãe,
Ele disse não.

Indaguei assustada
Qual o motivo,
Ele disse com as duas
Mãozinhas
Que havia algo no meu seio
Esquerdo,
O que ele sugava em sua boca,
Eu indaguei a ele o quê?
Ele não sabia.

Eu pedi se ele podia concertar,
Para ele não estava quebrado,
Eu pedi se ele me ajudava,
Ele levou suas mãos
E massageou.

Moveu o seio do lugar
E eu soube através dele
Que sim.
Aos 35 anos,
Próxima aos 36,
Eu ainda posso ser mãe.

Polícia e Tiro

Sirenes, buzinas ou apitos Não avisaram Que uma guerra Havia iniciado no país inteiro. A televisão foi cancelada Por ordem...