segunda-feira, 27 de outubro de 2025

De Trago a Trago

36 anos
Do local onde
Avisto o caminho
Da roça,
Pois é,
Em casa manhã,
Em cada hora de aperto,
Eu busco a janela,
Uma porta
Ou um meio
De tomar um vento
Fresco no rosto
E buscar meu caminho
Da roça.
Vocês sabem,
Nasci lá,
Lá quero morrer,
Nisto, me arremete
Repensar meus estudos,
Replanejar meus modos,
E tornar acessível
Meu deslocamento
Da cidade,
Onde há o emprego
Até a roça
Onde guardo minhas saudades.
O trânsito não dá trégua,
E a criminalidade
Percorre distâncias
Muito rápido,
Temo pelo lugar que deixo,
Temo pelo caminho
Que percorro,
E pelo destino que busco.
Há três violências,
Encrustadas no crime,
Há a física
Onde o criminoso não mede
Esforços para ferir,
Seja provocando um acidente
De deslocamento
Ou fazendo uso de ameaças,
Pois, me preocupa
Os que deixo,
E me preocupa os que busco.
Na questão dos acidentes,
Há os perigos de perder a vida,
Os ferimentos ocasionados,
E por vezes,
A perda do bem,
Ou seja, há aí a ação
Da violência material.
Depois vem o trauma psicológico,
Ou seja,
O medo de ser alvo,
De sofrer de fato
De um ato criminoso,
Esta última,
marca para o resto
Das vidas de suas vítimas que, impotentes, subjugadas temeram por suas vidas e dos seus,
correram riscos e,
para piorar, sabem que, possivelmente,
o criminoso ficará impune
Pelo crime cometido.
A impunidade é um coquetel
Que se bebe
De dia a dia,
Ao final de cada trabalho,
No início de cada café,
De trago a trago
De um veneno
Que causa uma cegueira
Onde a pessoa
Não consegue mais reagir,
Permanece presa
A este círculo
De ver,
Tomar o coquetel,
Tontear a mente,
E deixar tudo sempre igual.

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