domingo, 26 de outubro de 2025

Fábula dos Porcos Assados

Já dizia o professor Edivar
Na fábula dos porcos assados
Planejava-se com antecedência
Tudo que determinada população
Iria fazer:
Primeiro escolhia as melhores sementes,
Depois prepara a terra,
Então, as plantava
Para regar por algum tempo
Até que formava-se ali
Um bosque.
Com isto,
Os porcos criados soltos
Na terra nua
Encontravam alimento
Da própria terra,
Ao adquirir porte grande
Eram cercados em determinada
Parte do bosque,
E era ateado fogo ali
Para assa-los
E utiliza-los para alimento.
Com o tempo,
Um indivíduo de fora
Daquele lugar
Ao chegar ali
Achou o método estranho
De agir.
Preferiu criar os porcos
Na terra nua,
Porém, dentro de um cercado,
Nisto, ao adquirir um tamanho
Grande o bastante
Reunia-se a população local
Matavam-se os porcos,
Limpa-se sua carne,
E ao invés de queimar todo o bosque,
Retirava-se dele
Apenas algumas árvores
Para usar a madeira como
Combustível do fogo.
O sistema funcionava
Da seguinte maneira:
Cortava-se a lenha,
Separava a madeira
Para o fogo,
Desta maneira
Cortava-se quatro galhos
Maiores,
Fazia-se quatro buracos
No chão onde eram
Enfiados os 4 galhos,
Sobre os pares de galhos
Fincados no chão
Se colocava outro em cima,
Então, cortava-se
Outros galhos finos
Onde era fisgada a carne
Dos porcos mortos e limpos,
E colocados os respectivos galhos
Com a carne limpa
Sobre os dois galhos do alto,
Embaixo da carne
Acendia-se o fogo
Com a madeira restante
E os gravetos.
Só então, a carne era assada
E distribuída para a população.
Inconformados com a mudança
No sistema
A população se juntou
E reclamou da mudança,
Alegou que agora
Haveria falta de emprego
E que o modelo antigo
Era posto em prática
Por muito tempo
E ninguém queria mudar.
Contudo, o modelo novo
Se mostrou mais eficaz
Em distribuir a comida
Para alimento
E isto proporcionou mais saciedade
E economia de matéria prima.
Porém, a partir das modificação
Do sistema antigo,
Surgiu a necessidade
De implantar um posto policial
Para ouvir as reclamações
E acalmar o povo
Que acostumado com as coisas
Como sempre foram
Não queriam mudar,
Estavam habituados
Com o jeito como tudo
Sempre funcionou.
E já não entendiam
Que ao incendiar o bosque
Como anteriormente
Colocavam a vida da população
Em risco,
Inclusive as moradias,
Pois as vezes,
O fogo fugia do controle
E costumava queimar
A residência da Dona Alice
Que saia desesperada
Para fora de casa,
Chacoalhando o vestido
E o avental sujo de farinha
De fazer pão,
Tropeçando pela escada
Fugindo com o cabelo
Ao vento,
Escurecido de fumaça.
As razões apontadas
Para o fracasso do sistema antigo
Utilizava-se principalmente
Das seguintes alternativas:
“à indisciplina dos porcos,
que não permaneciam onde deveriam,
Ou à inconstante natureza do fogo,
tão difícil de controlar,
ou ainda às árvores, excessivamente verdes,
ou à umidade da terra,
ou ao serviço de informações meteorológicas,
Que não acertava o lugar,
O momento e a quantidade das chuvas…
Por este e principalmente
Por causa da Dona Alice
Tudo mudou,
Mas, o Seu Dirceu fugiu
Para os lados opostos
Com alguns porcos,
E todos sabem:
Irá lutar até às últimas forças
Para manter a queima do bosque,
Disse que desde menino era assim,
E na época do seu pai,
Também foi assim,
E nós tempos do avô também,
E está pouco de importando
Com seus chumaços
De cabelos queimados,
Ou as altitudes do fogo
Sem controle tomando todas
As árvores
E seguindo até as alturas.
Contudo, o delegado
Chamou o professor Edivar
E agora eles vão trabalhar juntos,
Está assinado e determinado:
“O sistema antigo é falho
E sua revitalização vai recuar”.

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