Dona Rosa
Decidiu que Jura
Era filho de Mailson,
Juntou a criança
E seus outros 08 filhos
E se dirigiu para as terras
Dele todos armados
Até os dentes,
Menos a criança
Que ainda mamava
Leite na mamadeira,
Mas, que treinava
Puxão de cabelos,
Beliscão e arremesso
De chupeta.
Chegado lá
O seu Mailson
Já foi negando a paternidade,
Tratou de fechar a porta
Da casa e disse
Que para a criança
Não daria coisa alguma,
E que se Dona Rosa
Queria terras para plantar
E sobreviver já que ela
Nada tinha
Que se virasse
Conforme pudesse
E comprasse o seu cantinho
Em qualquer lugar
Que fosse
Porque as dele nem ao
Menos estavam a venda.
O irmão mais velho
De Jura,
Irritado retirou a arma
Da cinta
E atirou no peito de Mailson
Deixando ele estirado
No chão de casa.
Depois apontou
Contra a cara dele e disse:
“Voce tem muita terra
Ou divide comigo
Ou morre “.
Mailson teve de engolir
A dor, o choro
E o desespero,
Na primeira oportunidade
Fugiu para a cidade,
Chegou no compartimento
De direito Agrário
Se informar de seus direitos
De dono da própria terra.
Sabedor do tiro
Levado por Mailson,
O responsável agrário
Designou duas viaturas
Até a propriedade de Mailson
Para retirar Dona Rosa
E seus 09 filhos de lá.
Chegada a viatura,
A velha senhora
Se armou de alguns
Lampiões antigos
De dentro do porão
Da casa de Mailson
E tacou fogo na viatura.
Feliz e sentada
Na casa de Mailson
Jurou que ninguém a
Retiraria de lá
E que nesta casa
Mailson não seria
Mais bem-vindo.
Correndo a frente
Dos soldados
Mailson gritava
Sem parar
Com as mãos nos cabelos
Em desespero:
“Meu Deus,
A justiça Agrária
É rápida mas precária.”
E decidiu passar
Sua noite na cela
Da delegacia
Sem ter para onde ir,
Sem casa e sem terra
Por causa de algumas
Amaldiçoadas noites
De amor tórrido
Com a Dona Rosa.
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