sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Adeus

Em uma noite
Escura de novembro
Daria para servir
Um drink
E ir até a área
Saborear o gosto
Ganhar os lábios,
Enquanto os olhos
Sem ter o que enxergar
Já que tudo fica igual
Esperam em algum ponto
Algo que identifique
A noite
Tal como um vagalume
A vagar pelo escuro
Ou uma coruja
Com seu canto noturno
Escondida por entre
Os postes da área cercada.
Por um instante,
Quase que ofereço
O copo para minha irmã
Pedindo a ela
Que tome um pouco,
Me acompanhe
E conte uma de suas histórias,
Neste momento,
Quase sinto o cheiro
Dos seus cabelos escuros
E encaracolados
A levitar pelo vento,
Num sopro
Que o joga
Contra o meu rosto
Enquanto abraça meu pescoço,
Então, como por encanto,
Não espero pela luz do dia,
Mar recordo,
Que, agora estes lindos cabelos
Já não cheiram como antes
E não abraçam
Outra que não seja ela própria,
Também talvez
Não estejam com o mesmo corte,
Nem tão escuros
Quanto a tinta os mantinha,
Aquele cabelo outrora escuro
Hoje clareia seus últimos fios
Embaixo da terra,
Cada vez mais quebradiço,
Perdeu pouco a pouco
Seu charme,
Espalhados sobre um travesseiro
De cetim numa escuridão
Que nunca terá claridade,
Vez que
Fecha-se a tampa do caixão
Quando se diz adeus
Para todo o sempre.

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