domingo, 16 de novembro de 2025

Noite de Chuva

Na madrugada
De faltar um pouco
Pras duas,
Acordou,
Puxou o cobertor,
Procuro na travesseiro
E sinto sua falta.
A chuva pinga
No telhado
Com viés de orvalho,
Eu me indago
Se molha as flores,
Ou se presta
Apenas para conter
Minhas lágrimas
Que de uma a uma
Chamam por você
E me pedem
“Onde você está?”
De uma forma
Tão íntima
Que sinto
Que poderia responder.
Mas, então,
Me contenho,
Fervo um leite quente,
Colocou café,
Um pouco de chocolate
E entendo
Não se trata de choro,
É apenas chuva
A dedilhar por seus rumores
Que você não está
E eu sinto sua falta.
Sua ausência
Me tira o sono,
Mas, algum ímpeto
Me impede a ligação,
E segura o choro.
De uma a uma
Eu cuido as gotas
Que caem do céu
E escorrem por entre flores,
Feito eu
A me esquivar de alguns amores,
Mas, conforme o café conforta,
Eu já não sei se sou apta,
A me afastar,
A esquecer,
A me impedir de te amar
Com a mesma destreza
Que engano a saudade
No cair da chuva
Que já não pinga,
Escorre.

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