sábado, 8 de novembro de 2025

Sangue e Vergonha

De repente,
Logo na entrada
Do supermercado,
Minha rival
Decidiu pegar o microfone
E gritar seu trunfo
Contra eu.
Simplesmente, ela disse:
“Pois é, dona Leila,
Sua filha,
Agora, faz sexo anal”.
Ela disse desta forma
E meu mundo ruiu.
Eu quis correr,
Disfarcei e peguei
Um carrinho para compras,
Apertei meus dedos
Muito forte nele.
Mas, minha mãe explodiu,
Uivou de raiva,
Se jogou no chão
Caindo ajoelhada
Com um barulho terrível
De ossos batendo
Contra o piso frio.
Levou as mãos
Ao próprio rosto
E arranhou-se inteira,
Fez vergões
Na própria face,
Depois continuou
E fez saltar sangue.
Então, retirando
De dentro dela
Uma força sobrehumana,
Se pôs em pé
E correu em minha direção
Uivando ódio,
Terror e vergonha.
As pessoas se encolheram,
Abraçaram umas as outras,
E os filhos correram
Para seus colos protetores,
Enquanto parte do meu cabelo
Voou nas mãos da minha mãe,
E parte do meu rosto
E pescoço,
Eu penso que também.
Sangue de vergonha
Se misturou com o sangue
Do medo,
Numa poça de desgraça
Que fez meu esposo
Escorregar,
Depois de pisar sobre ela
E cair de costas
Estirado em meio
Ao mercado lotado.
“desculpa, mãe,
Perdão “.
Eu lembro de dizer,
Mas, eu já não era criança,
Nem minha mãe estava
Tão calma quanto antes,
Eu pensei que ela fosse
Me matar
Pois nada retirava suas mãos
De sobre meus cabelos,
Puxando para todos os lados,
Aliás, ninguém tentou.
A minha rival,
Ria e gritava o nome
Do homem com quem
Entreguei minha virgindade
Lá daquele maldito microfone,
E minha notou
Que não se tratava
Do meu esposo,
E meus cabelos também.
Eu achei que ela
Fosse infartar,
Simplesmente,
Ela se jogou para trás,
Olhou para a minha face
E uivou de raiva,
Se jogando
Com as duas mãos contra
O meu rosto,
De tapa em tapa
Na minha cara,
Fazendo minha bochechas
Avermelharem e saltarem
Para os lados
Junto com lágrimas
E o próprio terror.
“Sim, a Samara sempre
Me odiou,
Encontrou um homem
Para me estuprar
E só agora lhe contou”.
Eu consegui dizer
Entre todos os tapas
Contra minha boca.
Depois, minha mãe
Olhou para dentro do mercado,
Olhou cada rosto
E saiu desesperada
Agarrando seus próprios cabelos
Para fora
Aos prantos gritando
“Que vergonha,
Que vergonha “.
E meu esposo desgraçadamente
Ficou inteiro e vivo.
Serviu para se levantar
Daquela poça de sangue
Dor e vergonha
E puxou meu braço
Mercado adentro
Jurando ódio
E vingança implacável.

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