sábado, 8 de novembro de 2025

Jararaca

- Uau, que dia lindo,
Perfeito para o trabalho.
Angélica disse,
Ao abrir a janela,
Foi até a cozinha,
Preparou o café
E chamou Robson.
- vem tomar café amor.
Ele levantou-se sonolento,
Olhou o relógio
E constatou:
- hum, são sete horas.
Abraçou Angélica pelas costas,
Beijou seu rosto
E pegou a xícara
Que continha café
De sobre a pia
E sorveu um gole grande,
Depois pegou a fatia
De pão que estava ao lado
E passou geleia de pêssego.
Comeu uma mordida
E sujou os lábios,
Com a boca suja
Buscou a boca de Angélica
Sorrindo,
Ambos estavam em pé
Lado a lado
Escorados na pia.
Ela sorriu para ele
E recebeu o beijo sujo,
Retirando a geleia
De seus lábios
Com um biquinho.
Depois se abraçaram
E foram para fora de casa.
- o sol já está nascendo,
Precisamos apurar o serviço.
Angélica disse.
- verdade,
Vamos evitar o calor intenso.
Robson concluiu.
Pegou na mão dela,
Depois pegou a enxada
E estavam a caminho.
- espera,
Com o uso a enxada
Perde o cabo,
Vamos levar um martelo
Para recolocar,
Assim, ao ficar frouxo
A gente bate nela
Até encaixar.
Robson disse,
Soltando a mão
Da esposa
E retornando para casa.
- está certo.
Ela respondeu e o esperou.
Ambos caminharam
Alguns metros e chegaram
Na roça onde iriam limpar
Para plantar um gramado.
Iniciado o trabalho,
Os dois capinavam lado
A lado,
Quando uma cobra
Surgiu por trás de ambos
E os abocanhou
De uma única vez.
Restou somente um
Buraco superficial
Onde eles estavam,
O casal foi comido juntos.
Não tardou,
E a irmã de Angélica
Foi visitar a irmã
E não a encontrando
Fizeram buscas pela região,
Pois, não tiveram notícias
De ambos.
Preocupado,
O pai de Robson
Se uniu a família de Angélica
Nas buscas.
Contudo, logo no início
Das buscas
O bote dos guardas rurais
Foi engolido inteiro.
Dentro haviam três guardas
E um bombeiro,
Logo após ingeri-los,
Ela regojitou o bote,
E fez a digestão apenas
Das pessoas.
A cobra deveria medir
Uns 15 metros aproximados,
Contudo, não foi possível medir
Porquê ela não apareceu
Por completo para ninguém
E onde surgiu,
Mostrou só a cabeça
E uma parte dela,
E não deixou sobras de nada.
Aparentemente,
Se alguém soubesse
Da existência dela
Diria que ela morava na região,
Que perambulava
Entre a terra e a água.
Preocupados
Com o sumiço dos guardas,
Logo a guarda rural
Enviou outros guardas
Atrás destes que não
Apresentaram notícias
Ou justificativa.
Um casal pegou uma viatura
E fez rondas por terra,
Chegando na propriedade,
Após, percorrer suas terras,
Acharam lindo o gramado,
Que anteriormente foi plantado
Pelo casal,
Que faleceu ao encompridar este
Que estava sendo cuidado.
Ambos se abraçaram
Para ver o pôr do sol,
Já estava encerrando
O expediente.
Depois do abraço se beijaram,
Depois deitaram na grama
Entre beijos e juras
De casamento.
Por trás de ambos,
A cobra surgiu mostrando
Apenas a cabeça grande,
Do tamanho da cabeça
De uma pessoa adulta,
Com uma boca comprida,
E pequenos olhos,
Sua coloração era marrom e negra.
Ela emergiu como se
Nunca tivesse existido obstáculo
Que a impedisse
De subir de debaixo da terra
Para fora.
Abriu a boca,
E os retalhou com uma mordida,
Em meio ao beijo do casal
Os abocanhou e atorou
Seus corpos pela metade,
Depois saiu um pouco mais
Para fora
Formando uma espécie
De semicírculo,
Os abocanhou,
Engoliu e retornou para baixo
Da terra,
Sentindo um pequeno empecilho
Para voltar,
Depois mexeu-se,
Com o corpo e adentrou
Na terra.
Os pais de Robson,
Nestas circunstâncias,
Impedidos de ter notícias,
Vieram até a propriedade
Para ajudar a limpa-la,
E atalhar o tempo de serviço
Do casal,
Com esperanças de até
Ambos estivessem vivos.
Ao chegar,
Eles encontraram as metades
Dos corpos em frente a casa,
Sobre o gramado,
Haviam o final de seus corpos
Um sobre o outro,
E sinais de retalhamento.
Logo, imaginaram
Ter se tratado de uma cobra,
Ligaram para a guarda rural
E informaram os fatos.
Depois uniram ambas
As famílias de Róbson
E Angélica,
Ou seja, pais e irmãos,
E chamaram uma reta escavadeira,
Para fazer buracos
Sobre a terra e buscar
A cobra.
Todos queriam encontrar
Os filhos,
Todos estavam abraçados
Uns aos outros
Chorando a dor da perda.
Aberta a terra,
Logo avistaram uma espécie
De labirinto embaixo da terra,
Ou seja,
Buracos que seguiam
Por baixo da terra
E faziam intercessões
E curvas,
Como se fosse uma estrada
Interna que seguia
Para muitas direções
Do tamanho de duas pessoas
Deitadas.
Ou seja,
Bastante grosso,
E não havia sinal
De ter algo dentro.
Assustados,
Gritaram para o motorista seguir
Abrindo o caminho
Pelo labirinto
De maneira a deixar
A mostra o conteúdo dele.
Desta forma,
A grama foi sendo arrancada,
E o jardim da frente
Foi destruído.
A mãe de Angelica,
A Mirtes juntava as flores
Aborrecida pelo estrago,
Com medo de que a filha
Se irritasse ao saber,
E com sentimentos ainda
Mais tristes quando imaginava
Que o amado jardim,
Mantido com carinho e esmero
Serviria, agora, apenas
Para enfeitar o cemitério,
Pois nunca mais Angélica
Ressurgiria,
Seria abraçada
Ou teria vida.
A mãe de Robson,
Roban também se uniu
A Mirtes, agachando-se
Ao seu lado para ajuntar
As flores antes que todas
Fossem soterradas.
- você acha que eles brigaram?
Perguntou Roban.
- nunca brigariam.
Respondeu Mirtes chorando.
Com o seguimento
Do labirinto,
A cobra irritou-se
E surgiu de frente para a escavadeira,
Como se ela tivesse
Chocado a cabeça
Contra a máquina,
Ergueu a cabeça do fundo
Da terra e comeu o objeto
Inteiro,
Sem deixar vestígio
Da máquina e do irmão
De Robson que a dirigia.
Os três irmãos de Angelica
E os quatro de Robson
Gritaram e pegaram cavadeiras,
Machados e facões
Para matar o animal
E salvar o irmão.
Mas ninguém tinha armas
Naquele local
E logo a cobra
Se virou e voltou
Para o fundo da terra,
Através de um daqueles
Buracos de labirinto.
Os pais do casal,
Inconformados correram atrás dela,
Tentando retê-la com as mãos,
Mas, ela não se irritou,
Nem retornou,
Apenas foi mais forte e seguiu
Para dentro,
Os deixando caídos
Para trás,
Alguns metros dentro
Do labirinto.
Anderson e Jardel
Retornaram do buraco.
- vamos buscar outra
Escavadeira ela pode
Ser mais rápida que nós.
Disse Anderson,
Que correu para o carro
Junto com Jardel para
Buscarem a máquina.
Os irmãos e as suas esposas,
Continuaram a buscar a cobra,
Abrindo o labirinto
Por onde ela entrou.
Chegado a escavadeira,
Eles continuaram o trabalho,
Então, logo a frente
Encontraram casulos
Que continham pessoas dentro.
Parecia que a cobra
Os matou esmagados
E os guardou lá
De alguma maneira
Unindo saliva e restos
De coisas do seu redor.
Aquele labirinto tinha vida,
E vida assustadora,
Nos casulos havia pessoas,
Bichos de espécies variadas,
Como uma geladeira
Que guarda os alimentos.
Foi assustador
Ver aqueles rostos esmagados
Lá dentro,
Com uma espécie de líquido
Amarelo e espesso,
Corpos esmagados
E bichos irreconhecíveis.
Depois dos casulos,
Finalmente, acharam duas cobras
Dormindo com suas barrigas
Enormes e juntas uma da outra.
Jardel ficou irritado,
E se jogou sobre elas
Com o facão nas mãos,
Caiu sobre a cabeça de uma
E a rasgou de cima a fora
Antes que pudesse pegá-lo.
A cobra moveu a cabeça
E tentou se esquivar,
Porém, logo foi morta.
No entanto, a outra acordou,
Se atirou sobre ele,
E o esmagou contra o buraco
De terra.
Porém, Mirtes se jogou
Com um facão em mãos
Contra o pescoço da cobra,
Se agarrou a ela
E enfiou o facão
Onde alcançou
Tentando rasga-la ao meio.
Abraçada a cobra
Ainda pode ver Jardel
Gritar de dor
Com seus olhos abertos
E arregalados,
Até que ele esmoreceu
E morreu enfiado na terra.
Dando muitas facadas
Contra a cobra,
Mirtes conseguiu mata-la
E impedi-la de fazer
Novas vítimas,
Porém, haviam muitos,
Muitos casulos ali,
E também ossos jogados,
Como se fossem já restos
Delas.
As cobras eram realmente enormes,
Questão, de aproximados 16
Metros de cumprimento.
Suas barrigas estavam
Tão grossas até caberiam
Dentro delas umas quatro
Pessoas.

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