Com as primeiras gotas
Do verão,
Com poucas nuvens,
E o chuviscar para suor,
A moça colhe pêssegos
Sem importar-se,
E o rapaz dirige o carro
De arrepiar-se.
Diria amor a primeira vista?
Paixão pelo olhar?
Um beijo a distância?
Quem poderia dizer,
Mas o destino que os cruzou
Também fez questão
De os unir.
Mais tarde,
O rapaz retorna,
Desta vez
Através do rio
De jet sky,
Outra vez seus olhares
Se cruzam
E outra vez
Parecem pedir
O beijo que acontece
A distância,
Mas que deseja
Estar mais perto
A enlaçar o abraço,
Abraçar a alma,
Juntar dois desejos
Que pedem um pelo outro.
A moça senta-se
Sobre o tronco de madeira
Na beira do rio,
Junta as pernas,
Deixa a mostra a pele
A brincar entre pingos
De chuva e o sol
Que vai e volta.
O rapaz da meia volta,
Cruza próximo
Muito próximo,
Nisto emerge da margem,
Bem perto
Da beirada uma cobra,
Só a cabeça ela põe
Para fora da água.
“meu Deus, um
Patinho?”
Ela indaga.
Seria sua última frase,
Última pergunta
Não respondida,
Mas, como muito antes
Seus olhares se cruzaram
Pediram um pelo outro
E foram ouvidos,
O destino não desenlaça
Dois amores,
Ao contrário .
Antes que a cobra
Se virasse
E pegasse a moça,
O rapaz:
Moreno, cabelo escuro
Curto,
Magro e alto,
Embora na faixa dos trinta,
Seu rosto não denunciaria
17 anos,
Lábios carnudos,
Finos e cheios de vida,
Mãos ágeis e fortes,
Que num desenlace
Se estenderam e pegaram
A cobra.
Uma única mão,
Não precisou da outra
Que ele manteve
Na direção do jet-ski,
E prendeu a cobra ali
No alto,
Próximo ao rosto dela,
Único empecilho
A impedir o beijo,
Que ocorreu assim mesmo.
Ele afastou a cobra
Para trás
A mantendo no alto,
Se aproximou do rosto
Da moça
E a beijou quente e tórrido,
Doce e misericordioso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário