Desta vez
Mamãe soltou o celular
E voou para a minha direção
Tão rápida
Que praticamente não a viu
Até sentir um tapa voando
Contra mim
E ver meu celular pular
Contra a parede
Se esbugalhando.
Então, não tive tempo
De me voltar para ver mamãe
E ambas as suas mãos
Me acertaram contra a face
E ombros e barriga.
“Maldita,
Maldita puta.”
Ela dizia,
Eu me calei
Apenas arregalei os olhos
E senti medo e dor.
Depois disso,
Ela me puxou pelos ombros
Me jogando contra a escada,
E me fazendo subir
Em direção ao quarto
Entre coices e tapas.
Eu gritei e chorei,
Mas ela continuou gritando
Ainda mais alto:
“Perdida, meretriz,
Puta, vagabunda de rua”.
Eu não tive tempo
Nem coragem para indagar
O que havia feito,
Só gemi e me contorci de dor.
Depois disso,
Ela abriu a porta do quarto
E me empurrou para dentro,
Me viu caída no chão
E não se apiedou,
Seja o que for que ela
Descobriu a meu respeito
Era terrível,
Aliás cruel.
Sangue escorreu
Dos meus ombros
E pernas,
Então ela tirou os chinelos
E bateu com eles
Contra meu rosto.
Depois, me empurrou
Se deitou sobre meu corpo
Num abraço
Num rompante de desespero
E chorou.
“Há um vídeo seu
No YouTube
E você está fazendo sexo anal.”
Ela terminou de dizer,
Muito tempo depois
De eu me ver sufocada
Contra o chão.
Então saiu e trancou a porta,
“Fiquei aí até
Criar vergonha “.
Ouvi ela falar
E chorei.
“o quê?
Eu estava num vídeo
Fazendo sexo
E este vídeo estava
Publicado para o mundo
Inteiro me ver?
Meu Deus,
Este foi meu fim.”
Meu mundo ruiu
Em dor, sangue e revolta
E o pior de tudo
É que transei
Com um número significativo
De garotos
E realmente,
Eu não saberia dizer
Quem fez isto contra eu.
Me filmar sem avisar
Para liberar acesso
A estranhos sobre minhas
Intimidades,
Meu corpo e minhas virtudes.
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