quarta-feira, 19 de março de 2025

Feliz Aniversário Rei!

Adeus,
Início nesta palavra,
Ela já está preparada
Para o depois do amanhã.

É uma questão de ver,
Dar um abraço,
Ficar um pouco perto,
Então, adeus.

Que quando eu saia,
Sua vida pertença a Deus,
Que ele lhe cuide
Em minha ausência,
Possa te proteger,
Lhe lembrar o quanto o amo.

Todo o tempo
É tão pouco,
Que só me vem única palavra,
A Deus - que Deus lhe cuide,
Entrego a Deus.

De onde eu estou,
Eu não posso ver Deus,
Mas ele está em todo lugar,
Que esteja contigo,
Mesmo que me venha a faltar.

Que o abrace,
Mesmo que eu sinta sua falta,
A-De-us.
Lhe solto do meu abraço,
Mas o deixo em boas mãos,
Eu preciso desta certeza,
Que você esteja bem,
Que eu ao me aproximar 
Seja boa,
Que ao me afastar seja melhor.

Que Deus esteja contigo,
Lhe cuide em todo caminho,
Que ao procurar notícias minhas,
Ele não o deixe esperar.
A distância é horrível,
Ela fere,
Ela machuca,
Ela o mantém longe.

Se eu cantar,
Eu espero que me ouça,
Se eu escrever 
Que me possa ler.
Nesta noite pensei em você,
Antes desta também.

São oitenta anos,
Seus oitenta anos,
Parabéns,
Feliz aniversário,
Eu queria estar perto,
Eu gostaria de estar próximo,
Eu sinto sua falta,
Você deixa marcas que permanecem.

Eu te amo pai,
Você é o rei da minha vida,
E eu o deixo com o rei do universo.
Estou feliz pelo seu dia,
Estou honrada por ter 
Me aceito em sua família.

Você é um homem doce,
De caminho honrado,
De conduta perfeita,
Você é gentil e forte,
Onde você chega
O que mais marca é a saudade.

Dia 21 de março,
É um dia especial no calendário,
Estamos em festa desde antes,
Em oração até mês que vem,
Agradecemos a Deus
Por tê-lo colocado em nossas vidas.

Dos humanos,
O melhor,
Dos reis,
O maior!
Meu pai,
Chefe da nossa família,
Melhor dos patrões,
O senhor de nossas vidas.

Que Deus o proteja,
Esteja perto,
Lhe brinde a vida,
Lhe dê vida,
Receba meu abraço,
Eu te amo pai.

O seu sorriso é o mais lindo,
Sua felicidade é o mais importante,
Sua saúde é nosso objetivo,
Seu bem-estar é nosso conforto.
Nós te amamos.
Sentimos sua falta.
Te amo.
Quero que esteja mais perto.

Queria lembrar os tempos da infância,
Sua juventude,
Saber dos sonhos que não sonhei,
Suas histórias,
E tudo o mais que ache importante.

Quero lhe trazer contar estrelas
Pescar no rio de água fresca,
Tomar chá na sombra da árvore,
Lhe entregar frutas maduras e doces,
Lhe fazer o bolo mais perfeito,
Lhe ver feliz conosco.
Feliz aniversário nosso rei!

Lá Na BR 282

O trabalho na lavoura é difícil,
Pegou o caderno em branco,
Abro-o em minha janela,
Está amanhecendo.
O sol está nascendo.

Hora do trabalho.
Saio do quarto,
Deixo o caderno aberto
Sobre a cama,
Organizo o que precisar.

Vou.
Esquento a água no fogão a lenha,
Mexo os paus no fogo,
A brasa se acende,
O fogo ressurge intenso
E amarelo.
Logo a chaleira chia,
A água evapora,
Está quente.

Mexo o café no açúcar,
Colocou água,
Absorvo o cheiro,
Corto o pão.
Como.
Tomou o café.

O sol surge na janela,
Saio para fora,
Amarrou melhor a vaquinha,
Tiro o leite,
Solto o terneiro mamar,
Guardo o leite sobre a pia.
Retorno,
Tiro o terneiro,
Amarrou na sombra da bergamoteira,
Levo a vaquinha no pasto.

Vamos todos para o trabalho,
O verdadeiro trabalho,
Este que dá sustento financeiro.
Tabaco.
Plantação de tabaco.
Meu pai faz o buraco
Para o canteiro,
Eu puxo a mangueira,
Ele coloca a lona branca,
Enrolada em paletes de madeira.

Eu ligo a água.
Aguardo.
Colocamos as bandejas,
Do início ao fim,
Uma de cada lado
Na horizontal.
Colocamos a terra vegetal.
Depois as sementes em cada
Lugarzinho,
Depois mais terra.

Coloca-se o ferro de lado a lado,
Do início ao fim,
Uma lona sobre eles.
A muda cresce,
De dia a dia é tomado cuidados,
Pôr água,
Abrir a lona em devida horas,
Fechar quando precisar.

Depois limpa a terra,
Adubar,
E plantar as mudas,
Depois limpa,
Passa os agrotóxicos necessários,
Retira o baixeiro,
Primeiras folhas do início do pé.

Leva ao galpão,
Amarra as varas,
Coloca no estaleiro,
Logo vem a colheita,
Um corta e amontoa,
Em cada linha plantada,
Depois põe na carroça,
Leva ao galpão.

Todos juntos,
Mãe e pai e um irmão,
Coloca a fisga na ponta
Da ripa e fisga o fumo,
De pé a pé,
Até atingir o final.

Ergue-se no estaleiro,
Ele seca,
É separado por cores,
E qualidades,
Feito os maços,
Vem o enfardamento.
Depois disso a venda,
A empresa que forneceu as sementes,
E a oportunidade de trabalhar.

Ela entrega todo o necessário,
Cobra por cada coisa,
E faz o preço do quilo
Do fardo,
O dinheiro vem no banco,
O agricultor recebe.
É descontado todos
Os gastos.

Retira o que sobra.
Os meses passam cansados,
E calejados.
Não dá tempo de assimilar tudo.
Pegou o carro,
Vou pra cidade,
Mãos sofridas,
Quase insensíveis,
Calejadas e duras.

Grudadas ao volante,
Me irrito
Por pouca coisa,
Tudo vai de mal a pior.
Dirijo bem,
Bem rápido,
Sim ligado,
A frente um caminhão grande
E a princípio carregado,
Outro trabalhador cansado.

Não dá para chamar pra dançar,
Ou beber uma cerveja,
Por quê?
Nem sei.
O sol está descendo,
Eu sinto que devo trabalhar,
Ele sente que precisa descansar.
E a BR 282, de Chapecó/SC/ BR.
Segue tranquila,
Nós é que estamos cansados.

Troco a marcha,
Vou pra última,
Aumento a velocidade,
Meio, meio do velocímetro.
Passa um pouco.
Meio
Retorna.
 A cem e pouco...

E então,
A polícia decide me odiar.
Entra no meu celular,
Fica puta da cara,
Eles lá no sistema,
Sentados em suas cadeiras confortáveis,
Ligados na live dos príncipes.

Eu só querendo
Uma trepada com um deles,
Qualquer.
Príncipe é príncipe.
Fama é fama.
A polícia também quer
E se esforça.

Ela está no meu celular
Me passando coordenadas
Criminosas,
Ele está no celular daquele
Caminhoneiro e paga.
Paga bem.
Pelo meu lindo acidente.
Planejado de lá.

De suas confortáveis cadeiras
De couro,
Ar condicionado na sala,
Telefone de ouvido,
De onde falam e ouvem
Tudo o que querem,
E de onde desejar.

E eu só querendo ver o rostinho
Do príncipe,
Ouvir a voz,
Conversar.
Eles lá,
Daqui do Brasil,
Fazendo o que bem desejar
Dos lindos garotos.
Eu penso que vale a trepada
O contar.

Só contar prós lindinhos
Quem é que são estes
Que estão lá
Por este sistema idiota.
E o sol baixa,
E eu lembro da vaquinha
Me esperando
Com terneiro novo,
E ubre cheio de leite
Pra eu tirar...

O terneiro não sabe mamar.
Tem três dias.
Ou quatro depende
De quantas vezes o sol nasceu
E se foi nos montes...

Bem,
O caminhão está na direção oposta,
Vem ao meu encontro,
Eu penso,
Este motorista irá
Se recusar a está imposição
Policial,
Ele vai desviar,
Ele não irá sair de sua pista,
E invadir a minha
Com único intuito:
Me matar!

Lembro o rosto
Do príncipe da live,
Cara que lindinhos mesmo!
Sigo.
Atrás de mim
Vem dois outros carros
De passeio,
Um escuro outro cinza.
Lá também há coordenadas,
A polícia quer mesmo isto,
Eu ouço,
Eu os escuto falar.

Eu continuo.
Aperto meu pé lá no fim,
Está a baixa velocidade,
Não aumenta muito.
É meio velocímetro
E pra lá.
Meio e lá.
Não passa muito.

Então, está terminando a pista
Dupla que é a minha,
Ele não disfarça,
O cinza da direita entra,
O escuro da esquerda
Vem no meu traseiro,
É de frente e de trás.

Eu diminuo,
Mínima coisa,
Abro meus belos lábios,
Olho o sol se pondo,
E como o pé no assoalho
Do carro,
Deixo o acelerador
Bebendo poeira,
Comendo terra do assoalho,
Dou aquela bundinha
Na frentinha dele,
E sumo.

Não foi desta vez.
Mas, com o príncipe da live,
Talvez,
Com o sol apenas se eu me apurar.
O terneiro está amarrado
A vaca no pasto.

Ele está com fome.
Ela com sede.
E o príncipe?
Sobre o caminhoneiro,
Ele continuou na pista dele.

Fante, no diário

“Residência nova , ok.
Cidade nova, ok.
Amizades antigas,
Melhor que ok.”
Chamei o amigo
Antigo da minha família,
Ele estava ocupado
Trabalhando entre grades,
Mas, “ham, vô, vô. Sim.”

Eu viro,
Preparo meu celular
Modelo 2008,
No ano de 2010,
Para desligar,
Olhou para o sofá amarelo,
Sujo na beirada,
E penso em limpar,
O que usar,
Como tirar a mancha,
Olhou para o banheiro
E penso no que tenho para usar,
Então, olho o celular de volta,
E, “oh, está ainda ligado”,
Levo ao ouvido
Para testar se está ligado,
E se possui alguém na linha.

“pro seu pai?
Pro seu pai eu vou!”.
Retiro do ouvido,
E penso “oh, pro meu pai
Ele irá?”
Será que ele ainda falava comigo
Ou se referia a alguém da rua?
Ou quem sabe é um trabalho...

Aperto na tecla de desligar.
Mediante tantos pensamentos
Esqueço o que pensava
Anteriormente,
E lembro que preciso sair,
Me deslocar até aquele lugar.
Olhou meus pés descalços,
Penso em cada calo,
Na dificuldade de ir caminhando,
E me preparo,
Chego ao espelho imaginário
Da madeira do roupeiro,
Me vejo a dois metros,
Depois penteando o cabelo
Me aproximou,
E “bem, conforme a imagem
Escurecida,
Tudo indica que estou bem”.

Penso se uso batom,
Ou quem sabe abro o olhar
Através de um lápis
Ou rímel,
Lembro que não tenho
Tanta maquiagem disponível,
Opto por não usar
E economizar
Para nova data
Em que fosse necessário o uso.

Então, penso:
Em que seria necessário?
Não sei,
Talvez para um beijo”.
Um beijo.
Um beijo.
Um beijo de quem?
Quem valeria o meu vestígio
De maquiagem
Em memorável data?
Não sei.

Calçada com sapatos cobertos
E salto baixíssimo,
Eu saio para fora da porta,
Certifico-me de fechar a porta,
Me voltou e verifico
Se fechei bem,
Vejo o estado da porta,
O vidro intacto,
O quanto está limpo,
Como limpar melhor,
Se realmente é necessário
E o que tenho disponível
Para isto.

Olho a tinta amarela,
Vejo a cor,
Se está igual em toda porta,
Vejo as dobradiças,
Retorno e vejo de volta
O trinco.
Ok.
Está fechada.

A princípio não abre sozinha,
Em princípio,
Em moderada força,
Também não iria abrir.
Então, posso ficar tranquila
Caso chova e eu esteja fora,
A intensidade da chuva
A manteria intacta,
E o vento?
Olhou para ela de volta,
Olho para o que tenho dentro...

Sim.
Resiste ao vento.
Saio no meu mínimo quintal,
Tão quente as britas
Que me queimam os pés,
Não vejo ninguém,
Algumas pessoas cruzam,
Olham e comentam,
Eu não compreendo
O que dizem.

Outras passam de carro,
Passa alguns táxis,
Passa um ônibus,
O motorista olha
Com atenção,
Eu não me movo.
Chega, então, o amigo.
Magro, cabelos masculinos
Compridos, fartos,
Escuros, barba rala e esbranquiçada.

Camiseta comprida cinza,
Pelos no corpo,
Eu não sei porquê,
Mas olho pra ele
E vejo que possui pelos
No corpo.
Ok.

Afastado pensamento desnecessário,
Vou,
Olhou por último vez a porta,
Olhou pelo canto do olho
A janela,
Meu coração se aperta,
Vejo os vizinhos,
Olho a porta,
Suspiro de cabeça baixa,
Olho meus pés e vou.

Entrou no carro,
Nós cumprimentamos,
Ele entende
Que é medida necessária eu ir,
Ele não sabe onde,
Mas tem o endereço.
Chegamos ao local,
Atrás de mim
Está localizada uma universidade,
Não sei porquê,
Mas tenho a certeza
De que jamais eu entraria lá,
Odeio estás certezas
Que me dão agonia
E um aperto no coração.

Me viro de frente
E está com grades fechadas
O local em que eu preciso ir.
Me viro rápida,
Antes que ele saia do carro,
O vejo colocar um pó
Entre seus dedos
E aspirar aquilo
A portas fechadas,
Ouvindo música.

Fico em sobressalto,
Mas caminho dois passos,
Saio da calçada onde estava,
Chego ao asfalto
E bato duas vezes
Uma vez baixo
E aumento a força das batidas
Com a frente do punho
No vidro do carro.

Ele ouve,
Se assusta e abre.
- o quê é?
Ele indaga.
-Está fechado.
Eu digo amedrontada.
Está aqui no papel
Meu horário de chegada
Então, deveria estar aberto.

Eu digo,
Mostro o papel e a hora escrita.
- hum.
Você marcou em casa?
Ele indaga olhando o papel,
Eu imagino se ele
Realmente consegue ver,
Olho para o céu azul
E penso se o ver importa.
- sim.
Marquei do celular.

Ele compreende.
Digite no celular.
- meu irmão está vindo.
Eu preciso dele para abrir a porta.
Eu me assusto,
Penso por quê?
Ele irá abrir a força?
Ou ele está a trabalho?
Me assusto,
Será que se trata de um furto
Ou outro crime e eu estou
Aqui sem saber de nada
E saio criminosa.

Sinto mais medo.
O irmão chega rápido,
Sem esforço algum.
Ri.
Abraça o outro.
Bate três palmas,
Alguém abre.
Eu me assusto demais,
Foi rápido
E o que quis dizer?
Vem uma mulher loira
E gorda,
Vestida de branco,
Eu entrego os papéis,
Ela não diz nada e sai.

Eu fico emudecida,
Então, eu não deveria dizer nada?
Eu não deveria entrar?
Olho para o local
E penso que local é este?
Por que estou aqui?
Olho para o amigo do meu pai
E penso:
“que bom,
Tenho um relacionamento,
Tenho um namorado,
Não estou sozinha “.

Ele me olha como se
Soubesse o que penso
E diz:
- não!
Você sabe que sou casado
E tenho um filho de dezoito anos?
Eu meneio a cabeça
Em negativo.

Não sei porquê motivo,
Mas seu que ele não se
Relacionaria comigo,
Menos ainda seu filho,
Menos, também, seu irmão.
Meu coração fica apertado,
E quase sinto dor.
E penso: por quê?

Olho para o lado com atenção
E ali naquele lugar está
Escrito saúde,
A moça de branco fecha às grades,
Chaveia com cuidado,
Eu sinto medo terrível.
Entrou no carro
E sou levada de volta.

Acordo na manhã
De 2025 e há uma mulher
Falando de dentro do meu
Travesseiro
Ela repete incessantemente
Um nome masculino,
Eu penso por quê?
Me assusto.

Pegou o travesseiro
Finjo que não olho o colchão,
Eu olho.
Chacoalhou o travesseiro
Fingindo que estou
Organizando a cama,
Tenho atenção nestes atos.
Não resisti e olho o colchão.

Deito,
Olho para nosso filho
No travesseiro ao lado,
Sinto medo.
Aí indago a ele:
“Filho vamos visitar a vovó?”.
Então, viemos.

terça-feira, 18 de março de 2025

O tirano

Assim eram os Aad,
Renegaram a Deus,
Obedeceram ao tirano,
E tinham por verdade
Tudo que lhes trouxesse
O mensageiro.

Desta feita,
Um deles desejou o rapaz,
Pôs em sua vida bonita moça,
O rapaz recusou,
Sentia que amava outra.

Mas o amor não beira
O coração tirano,
Do contrário,
O amor o afunda
E o leva ao erro.

Este Aad se enraiveceu,
Decidiu passar pelo rapaz,
Que não o foi capaz de olhar,
Esquivou-se,
Mas o outro não aceitou,
Chegou ao meio do povo
E acusou:
- este rapaz está a seduzir-me.

O rapaz estremeceu de medo,
Empalideceu de vergonha,
Virou-se e encarou a acusação.
- ele me procura onde estou,
Me busca para esposo seu.
O rapaz deu três passos para trás
Cambaleante e amedrontado.

Buscou a moça dentre o povo,
Está ria sem esconder,
Não lhe tinha afeto,
Não iria interceder.
Seu pai correu,
Jogou-se a seus pés.
- me tenha.
Deixai meu filho.

O homem elevou-se
E riu alto,
Chutou o velho com um chute.
Recusou.
Veio a mãe do rapaz.
Levantou a saia,
Mostrou suas partes íntimas.

- veja, eu posso servi-lo.
Você sempre me buscou.
Ele abaixou-se,
Colocou a mão entre suas pernas,
A elevou entre seus dedos,
E a jogou feito um objeto
Com a saia enrolada na cabeça.

Ela caiu em choro
E desgraça,
Não queria ver o filho
Para objeto,
Ser usado,
Isto não era de Deus.

Mas o tirano aproximou-se do rapaz,
Deu última alternativa:
- entregue-se ou morra!
O rapaz olhou nos olhos dele,
Só viu terror.

Lembrou dos amigos,
Tantos que entraram lá
Em sua tenda
E saíram mortos,
Lembrou de tantas amigas grávidas,
Da fome que se apossou de casa uma,
Dos rapazes sendo obrigados
A se vestirem com roupas femininas,
Os gritos de pânico,
As marcas de unhas na pele
Do carrasco.

Não se viu capaz,
Baixou a cabeça sem falar nada.
O tirano o puxou pelas mãos,
Ele era desejado,
Isto não poderia ser negado,
Mas ali ele não passava
De um número
E todo número é ultrapassado,
Tem seus préstimos,
Mas não tarda a perder
Seus efeitos.

O jogou no chão,
Próximo a um palanque,
Arrancou suas roupas a faca,
Rasgou a todas
Até marcar aquela pele,
Juntou as tiras da própria roupa,
E amarrou suas mãos por trás.

O deixou de peito na terra,
Respirando pó,
Pisou entre suas nádegas,
Puxou seus cabelos
E lhe penetrou com seu pênis,
O fez gritar, arder e sangrar.

Gargalhou de sua cara
Em público,
O chamou de conquistador,
Sedutor e fraco,
Gozou dentro do seu ânus.
Retirou o pênis de lá,
Pingando orgasmo,
Esfregou em sua pele
E gozou em suas costas
Até o cabelo.

O rapaz se debateu,
Chorou e gritou.
O público ficou em espanto,
Ninguém pode ajudar,
Então, ele foi amarrado
Ao poste.

Alguns do povo
Foram designados
A trazer madeira, folhas secas
E gravetos para queima-lo vivo.
Ele chorava.

Implorava a Deus por perdão.
Nu com o pênis solto
Entre suas pernas,
As moças passavam e riam dele.

A mãe e o pai foram impedidos
De aproximarem-se.
Entre suas pernas
Escorria porra,
Um líquido branco,
Percorria sua pele,
Sem parar,
Havia muita porra.

Então, finalmente,
Acenderam o fogo.
O tirano mesmo,
Raspou o palito de fósforo,
E soltou sobre as folhas secas,
Num segundo o fogo se consumou.

Ele gritou mais alto,
Implorou por Allah,
Seus pais gritavam,
Abraçavam-se e sentiam pavor.

Allah o ouviu e enviou chuva
Abundante,
Foi tanta chuva
Que apagou o fogo,
Tornou o cadarço frágil
E trouxe força
A força do rapaz,
Ele salvou-se.

O cárcere de madeira
Onde estavam os pais dele
Cedeu com a chuva,
A madeira amoleceu
E eles puderam fugir,
Juntaram o filho sangrando,
E escorrendo orgasmo
E partiram.

O tirano os viu fugir,
Gritou e tentou ir atrás deles,
Contudo veio um raio,
E cortou o chão onde estava,
A chuva foi tanta que chegou,
E escorreu por aquela fenda,
Ele foi incapaz de passar,
O rapaz se foi para outro povo.

Tempestuoso

Reza a povo de joelhos,
A chuva finalmente chegou,
Cessou o vento,
Ensurdeceu os trovões,
Parou o raio.
Não desta vez.

A chuva chegou
Mas o vento não parou,
Veio o trovão e os joelhos
Tremeram sobre a terra molhada,
Veio o raio
E cortou metade daquele povo.

Alguns correram para suas casas,
Mas vento não possuem fronteiras,
Ele deitou os montes,
Fez descem terra segura
Como se fosse de pedregulhos.

Cobriu o leito do rio,
Chegou a estrebaria,
Desalojou as vacas que correram,
Todas as que puderam,
Algumas foram soterradas.

- A água limpa,
O leite do alimento?
Gritou uma mulher,
Dentre o povo desesperada.
Mas foi pouco.
O raio desceu dos céus
E cortou-lhes o rosto,
Dos que sobreviveram
Ficaram com metade do rosto
Escurecido.

A chuva caia em torrentes,
E o rosto não limpou,
A lama do chão voou até seus rostos,
De um lado escurecido,
De outro amarronzado
Com pedras, folhas molhadas
E lama a escorrer por suas roupas.

Houve o desespero do povo,
O vento chegou profundo
E desolador,
Abaixou-se naquele terreno,
Carregou algumas pessoas,
Deitou no coberto daquelas casas
E subiu como se tivesse vida própria,
Arrancou todo o telhado.

As crianças gritaram, choraram,
Os idosos juntaram de suas forças,
Saíram para fora de casa
E desacreditaram do que viram,
Estava tudo escuro céus e rostos.
Mas o vento achou pouco,
Desceu a leste e correu,
Parecia ter mãos e pernas invisíveis,
Deixou na chão a plantação,
Arrancou pela raiz muitas árvores.

O povo espantou-se,
Rezou e correu,
Rezou e escondeu-se,
Abraçaram-se uns aos outros,
A chuva doía em seus rostos,
Parecia ser feita de pedra.
O povo sentiu que Allah
Estava lendo seu termo,
Chegou a Hora,
Não reinaria na terra outra vida,
Mas ninguém ouviu trombetas,
Ou viu Allah,
Sequer ouviu sua fala.

E o povo não parou,
Gritou um homem
Entre o povo:
- Allah, intercede!
É verdade tudo isso?
Responde outro,
Olhando para o céu chuvoso:
-tudo isso é verdade.
Não há o que possa impedir.

Uma vovozinha
Saiu a janela,
Com o Alcorão em mãos,
E passou a ler entre a chuva,
Com o livro aberto,
Debruçada na janela,
Sem telhado
E com chuva por toda parte.

Mas o vento é surdo,
O barulho provém dele
E não de outro,
Desceu árvores
Quebrando seu tronco
Ao meio.
- Allah,
Está nos levando tudo
Que temos?

Deixa meu filho,
Perdoa meu pai,
Proteja minha esposa.
Gritou um homem.
Em meio ao tumulto chuvoso.
Nada se ouviu incomum.
Lá do monte que desceu,
Correu água feito um rio,
Pais se jogavam sobre seus filhos,
Guarda-chuva voavam ao vento
Como se tivessem asas.

Chapéus foram arrancados
De suas cabeças
E bateram na cara de outros
Que estavam logo atrás,
Os pais agachavam-se
Sobre seus filhos e colocavam
Os chapéus, segurando-os,
Para que ficassem.

Todos os olhares
Ficaram assustados.
Uma mulher ajoelhou-se
Para agradecer,
Sentiu sua morte chegar,
E decidiu rezar,
Juntou suas mãos,
Depois abriu-as para o céu,
Rosto sujo sendo limpo
Pela chuva tormento da:
- Allah, de suas mãos nada se escapa.
Sou sua por toda adoração e misericórdia.

Mas não terminou a oração,
O vento a empurrou de joelhos
No chão,
Chocando ela contra uma porta
Que se abriu.
Portas e janelas abriram-se,
Nada restou intacto.

Ela bateu com força
Contra a madeira e caiu sem vida.
Todo o povo clamou,
Juntou seus Alcorões
Elevaram-os para os céus,
E o leram,
Em voz alta, segura e declarada,
Leram o que havia lá,
De palavra a palavra,
Sobre a chuva derramada,
E o vento passou,
Restou chuva mansa.
E o escuro tempestuoso
Passou,
Restou luz e chuva calma,
E uma fonte de petróleo 
Brotando da terra.

Allah

Deus criou os céus
E a terra
Em seis dias,
Depois disso,
Ele sentou-se em seu trono
Para dirigir as coisas.

De lá ele cuida cada promessa,
Observa cada oração,
E as realiza.
Não há na terra o que descrê.
Ele fez o sol para dar claridade,
E a lua para dar esperança
E afugentar os medos
Dos corações inseguros.

Mas o Diabo também foi obra sua,
E nunca foi nenhum pouco burro,
Fez uso de magia,
Usou de todos os seus demônios
E convenceu Deus a levantar-se
Do seu trono.

Correu até ele com passos de vento,
E assentou-se,
Mas o Diabo é tentador,
Mandou seus sedutores
Para a terra e
Houve lá quem se desviou.
O diabo fez do sol
Um pouco maior
E este se aproximou
E consumiu um planeta,
Jorrou fogo,
Fez labaredas extremas,
O fogo foi visto da terra.

Todo o povo correu,
Houve lá quem se declarou
Descrente de Deus,
Este também correu,
O fogo consumiu os céus,
Chegou até as nuvens
E foi como se as queimasse,
O povo cobriu suas cabeças,
Agachou-se.

Clamaram a Deus.
Mas o diabo não queria
Perder o trono,
De forma nenhuma.
Então, ele confundiu as estações.
O povo assustou-se
E fugiu,
Sem saber para onde,
Todo o povo correu desesperado.

O diabo fez o sol crescer mais,
O sol consumiu
Outro planeta,
E suas labaredas tocaram a lua.
A lua estatelou-se
Apenas um pouco,
E dela surgiram mil estrelas,
O fogo do sol foi tão intenso
Que cortou os céus ainda mais,
Queimou as nuvens
E delas caiu chuva fervente.

A chuva desceu até às pessoas
E fez-lhe cair a pele,
Fez queimar a casa do fraco,
Fez queimar o machado do carrasco,
Quebrou a algema do inimigo,
Fez todo o mato queimar.

A chuva parecia não desistir,
Tudo ruiu,
A criança derreteu,
A esposa prendada derreteu,
A aliança do esposo derreteu,
Depois ele.

O diabo se divertia sem parar.
Mas Deus voltou
Vendo o diabo em seu trono
Retirou um de seus chinelos
E lhe deu uma chinelada na mão.
O diabo espantou-se,
Saiu de lá num pulo,
Olhando para trás viu Deus,
E correu,
Correu sem parar para longe,
Deus se assentou.

O diabo sentiu um pavor
Tão profundo que não conseguia
Parar de correr,
Jogou-se do céu,
Caiu na terra feito uma bola de fogo,
Onde chegou queimou,
Consumiu seu redor,
E lá ficou.
Sentado no fogo.
Lá sentiu-se seguro.

Deus levantou sua mão,
Ressuscitou a todos.
Fez chuva fresca.
Refez a água da nascente.
Refez a esposa entregar
A aliança ao esposo.

Colocou nos braços da esposa
A criança.
Marido e mulher
Se abraçaram,
Viraram as costas e seguiram
Com o bebê nos braços.

Casamento

Ela puxou as janelas de vidro,
Com toda a força,
Já chovia lá fora,
Estrondos e trovoes,
Vento e muita chuva.

De repente,
Ainda segurando os troncos
Da janela
Encostados um no outro,
O vento fez um giro
Com toda força,
E a chuva voou em seu rosto.

Feito um pingo de misericórdia,
Gelado, líquido e intenso
Em seu rosto,
Os lábios estremeceram de frio,
Os estilhaços da janelas
Foram limpos de sua cara.

Seu marido entrou no quarto,
Segurou no batente,
Tocou a porta fazendo barulho,
Ela não virou-se mas o reconheceu,
Pelo cheiro, e jeito.
Ele estava a olha-la.

A chuva colou o vestido fino
Bege contra seu corpo,
Com efeito plástico
A molda-la de parte a parte,
Molhou o chão,
Chegou até a cama.
Ela virou-se de ímpeto
Para ele.
- fechei a janela e o vidro partiu-se.
Ele soube que não.

Soube que ela quis o resultado.
Ela andou por ele.
Ele a viu de perto,
Gelada e molhada,
Passar por ele
E recostar-se.
Ele apenas soltou sua mão,
Tocou sua perna.
Olhou-a.
Ela seguiu séria,
Foi até o corredor
Feito de pedras
Que parecia comprimi-la.
Sentia-se apertada,
Angustiada,
Presa aquelas paredes,
Era como se elas a estivessem
Sufocando.

Ela levou as mãos até a garganta,
Quis arrancar fora,
Quis retirar alguma fala,
Saber o que dizer.
Agrediu-se.
Desferiu um tapa no próprio rosto,
Deixou-se cair até o chão de pedra
Escurecido no tom marrom,
A água ainda resfriada seu corpo,
E ela achava que já não tinha alma
Soltou o braço com força no chão,
Ele passou por ela,
A passos seguros,
Ergueu uma perna sobre ela
Depois outra e depois foi.

Não.
Não havia amor.
E isto lhes doeu.
Ela abriu a boca para chama-lo,
Mas sua boca só crescia
E não sabia falar,
Então, ela agachou-se
E quis comer o chão.

Jogou-se para frente do vestido,
Lambeu aquelas pedras,
Tentou morder,
Feriu os lábios,
Agora estava destruída,
Arruinada e inchada.
E não disse nada.
Chorou.

Só sentiu que chorava
Quando as lágrimas ficaram quentes,
E empossavam-se ao seu redor,
Se elevou dali,
Quis fugir,
Gritar, fazer algo.
A custo ficou em pé,
O vestido colava-se a sua frente,
Então, ela retirou a calcinha,
E passou na parede,
Depois deixou-a cair.

Em suas costas o vestido
Estava quase todo seco.
Ela sentiu dor intensa
Lhe cortar o peito,
Juntou os braços sobre o peito,
Depois os abriu contra o corredor,
Batendo-os em cheio contra a parede.
Doeu.
Doeu demais.

Mas ela não gritou.
Ajoelhou-se no chão.
Rastejou de volta ao quarto,
Todo molhado,
A chuva jorrava lá fora
Feito uma fonte do céu,
Caia escorrendo.
Ele chegou,
Trouxe outra janela,
A trocou.

A viu recostada na parede
Ao lado da janela,
Tomando a chuva no peito,
Não disse nada,
Parecia não encontrar palavras,
Não se importar,
Ou terrivelmente, não vê-la.
Vendo ele imóvel,
Ela o achou bonito,
Tirou o vestido,
Deixou-o caído
E foi até a cozinha fazer o jantar,
Decidiu recuperar o casamento,
E desistir de dores
Que não conseguia compreender.

Serviu a mesa,
O esperou comer,
Sentiu em seu colo,
E ficou fazendo carinho
Em suas orelhas,
Bem encostada nele,
Se sentiu segura.
Dormiu.

Polícia e Tiro

Sirenes, buzinas ou apitos Não avisaram Que uma guerra Havia iniciado no país inteiro. A televisão foi cancelada Por ordem...