Certo dia,
Tirei a farda
De combate,
Larguei o armamento,
Estava de folga.
Convidei minha esposa
Para irmos ao supermercado
Fazer compras,
Na chegada,
O ladrão que prendi
Na noite de trabalho anterior
Estava solto,
Portava uma arma,
Eu percebi pelo volume
Do calção
Que usava.
Ele me olhou e sorriu
Tinha amizade
Com os seguranças,
Mas, eu,
Agente da lei
Precisava reagir,
Lembrei que ele tinha
500 passagens por
Pegar objetos
Que não lhe pertenciam.
Eu busquei o gerente,
Tentei avisar
Sobre a arma,
Com um aviso
O gerente descobriu
Que ele tinha porte
Para usar armas,
Então, atitude do ladrão
Era amparada por lei.
Não me restou mais
Que me calar,
As 36 horas seguidas trabalhadas
Me cansaram,
E o ladrão estava
Respondendo processo,
Por isso,
Tudo ali era lícito.
No percorrer o supermercado
Ouvi risos por parte
Dos tantos processados
Que estavam fazendo compras,
Todos me reconheciam
Por nome
E faziam piadas
E ameaças.
Um frio me percorria
A espinha,
Eu pressentia um tiro
Na minha direção
Sem avisos
Ou motivos.
Minha esposa,
Moça simples,
Tinha porte de armas,
Mas preferia deixar em casa,
Não gostava de ser alvo
Para represálias,
Mesmo a impressão
De ofensa a qualquer pessoa
Para ela era motivo
De tristeza,
Éramos assim
Dentro de casa,
Simples e humildes,
Trabalhávamos pela lei.
No corredor,
Um grupinho de jovens
Se reuniu,
Entre as passagens
Pelos corredores
Eles usaram o carrinho
De compras para encostar
Na bunda dela,
Então disseram:
“Soldado de meia ruela”.
Eu dei um salto
Para trás,
Puxei minha esposa,
Ela sentiu medo
Eu tentei protege-la:
“Eu te amo “
Disse em seu ouvido.
Os garotos sorriram,
Pegaram objetos
Das prateleiras
E jogaram contra nós,
Tratava-se de jovens
Adolescentes,
Eu consegui protege-la,
Defendi cada objeto
Com a perna,
Revidei contra eles
E imobiliária usando
Minhas próprias mãos.
Assoviei por ajuda,
Os seguranças tardaram,
Chegaram de arma
Em punho,
Braços musculosos
A mostra
Como se estivessem
Vindo propriamente
Contra eu,
De imediato,
Não reconheci nenhum
Deles por nome
Ou passagem,
Mas, conversaram com os jovens
E encaminharam para longe
De mim
Como se eu fosse
Algo fétido e sujo:
“Vão embora garotos,
Polícia é polícia,
Não briguem,
Ninguém vai denunciar nada”.
O segurança disse isso,
E deu dois tapas
No meu ombro.
Eu precisava me calar,
Nada aconteceu,
A represália ou o ataque,
Nada poderia ser denunciado
Do contrário eu seria
Eticamente proibido
De entrar naquele supermercado
Para fazer as compras,
E ali era econômico para eu.
Tentamos encerrar
As compras mas Maikon
Lembrou de vir acertas
As contas comigo
Por eu tê-lo processado
Por brigar com sua esposa,
Mandou Martinha
Bater em minha esposa.
Quando percebi
Aquela mulher voou
No pescoço da minha esposa
Por trás dela,
Desferindo socos
Contra o corpo dela.
Rapidamente,
Fui obrigado a conte-la,
Foi difícil,
Eu retirei minha farda
Mas, não perdi o nome
Que carrego
Com honra pelo tanto que ajudo:
“Não bate na minha esposa”.
Minha esposa
Sofreu fratura no rosto,
Então, o marido
De Martinha empreitou
Contra eu.
Tive que pegar na mão
De Luana e correr
Para fora do supermercado
Feito foragidos da justiça,
Eu realmente recolho
Muitos criminosos
Na viatura
E levo para o presídio,
O juiz é que não coopera,
E se coopera os malandros
Marcam meu nome e face.
O ato de eu sair
Pela rua é sempre um risco,
Tenho muitos
Que não gostam
De mim
E desconheço o motivo,
Eu tento explicar:
“Só estou fazendo meu trabalho “
“Preciso prender”
“preciso levar”.
Eles não entendem,
Eles marcam a gente
E voltam buscar,
Gostam de eliminar provas,
Queimar testemunha,
Sou alvo do serviço
Que desempenho,
Vítima do meu trabalho,
Um encargo social
Para bandidos.
Me resta gastar
Boa parte do meu salário
Em aulas de defesa corporal,
E academia para manter
A saúde corporal,
Preciso de defender,
Se eu me calar,
Se eu fugir,
A lei estará omissa,
O prisão fecha,
E o bom cidadão
É eliminado.
Querem meu fim,
Desassossego do encargo.
Do lado de fora,
Quando me certifiquei
De ter colocado
Todos os transeuntes
Do supermercado em segurança
Eu pedi ajuda
Ligando no serviço emergencial,
"Serviço de emergência?"
Me atendeu a atendente.
Relatei o que houve.
Ela pediu calma,
Disse que estava
Designando viatura
Para atendimento.
Contudo, Maikon
Foi atrás de mim
Me encontrou próximo
Do meu carro,
Juntou um carrinho
Pequeno de perto dele
E investiu com força
Aquele objeto,
Fazendo quebrar o vidro
Da janela do meu carro
Jogando estilhaços
Por toda parte.
Então, chegando perto
Aquele sujeito voou
Contra meu rosto
Me desferindo golpes
De toda sorte,
Eu me defendi,
Fui obrigado a investir
Contra ele,
Entramos em luta corporal,
Rolando naquele chão
Aos socos
Na cara,
No peito,
E gritos de urra!
Aquele homem grande
Sentou em minha barriga
E bateu com os dois braços
Em meu rosto,
Eu senti meus ossos
Se quebrarem,
Eu teria gritado de dor,
Mas fui mais forte.
Logo a viatura chegou,
Marcando pneus no chão,
Dois soldados correram
De dentro
E tentaram detê-lo.
Ele se desvencilhou
Tomou a arma do soldado,
Mirou na população
Que se juntou
E atirou contra a parede,
Não fez vítimas,
Exceto eu
Que dei um salto
Contra ele e tentei
Remover a arma,
Num impulso
O indivíduo me feriu
De raspão na barriga.
Logo, porém, os
Dois soldados
O alcançaram e conseguiram
Detê-lo o algemando
Colocando ele de joelhos,
Com as mãos para trás.
Fomos do supermercado
Para a delegacia,
Minha esposa tremia
De medo,
Não pudemos fazer
Nossas compras.