quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Depoimento de Uma Refém das Vozes

Se eu disser
Que algum dia
Defendi alguém,
Eu mentiria.
Nunca me assumi
No posto agressiva,
Mas, sou e muito,
Quando precisei
Defender alguém
Que já me ajudou
Eu senti medo,
Ciúmes e ódio
E mais que me omiti,
Espalhei boatos,
Cometi atos de maldade.
Eu penso
Que não sou boa
Em ajudar o major,
Na primeira fala
De mal contra ele,
Eu sou a primeira
A falar mais alto
E espalhar mais julgamentos,
Aliás, nunca entendi
Nosso distanciamento.
Eu tenho por companhia
Apenas as vozes,
E meu menino Bruce,
Não tenho nenhuma
Que me ajuda,
Elas vêem até eu
Para me deixar mal
Mentalmente,
Me fazer sofrer,
Eu vivi uma espécie
De prisão mental
Em que alimentam
Sentimentos ruins
Dentro de mim
O tempo todo
E eu já não sei
Mais como pedir ajuda.
Isto me leva a crer
Que não ajo errado,
Apenas não tenho
Oportunidade para
Agir certo,
Como o faria?
Com quem contar
Se não tenho
Um único amigo,
Minha família me
Virou a cara,
Eu briguei com o mundo,
Quis matar Romeu e Julieta,
Me feri com o major,
Aí eu olhei ele
No rosto e ao invés
De dizer algo bonito,
Eu disse:
“Atire”,
 Só não imaginei
Que estava sozinha
Na mira,
Porquê eu não presto,
Eu sou o ódio
Da humanidade
Enrustido numa voz
Solitária e maldita,
Eu senti medo dele,
Meu pai me bateu,
Minha mãe
Me mandou embora
De casa,
E ninguém paga
As minhas contas
De tanto rancor
Das minhas atitudes
Malignas,
Eu nasci mal,
E o destino só cooperou
Com a minha ruindade,
Eu sou Simpson
Rammstein rumo ao inferno.
Mas, por favor,
Não matem o major,
Eliminem meu esposo
Que não paga as minhas contas,
Perguntem para o major,
Caso o vejam,
Se ele quer transar,
E avisem que estou disponível.

Desassossego de Policial

Certo dia,
Tirei a farda
De combate,
Larguei o armamento,
Estava de folga.
Convidei minha esposa
Para irmos ao supermercado
Fazer compras,
Na chegada,
O ladrão que prendi
Na noite de trabalho anterior
Estava solto,
Portava uma arma,
Eu percebi pelo volume
Do calção
Que usava.
Ele me olhou e sorriu
Tinha amizade
Com os seguranças,
Mas, eu,
Agente da lei
Precisava reagir,
Lembrei que ele tinha
500 passagens por
Pegar objetos
Que não lhe pertenciam.
Eu busquei o gerente,
Tentei avisar
Sobre a arma,
Com um aviso
O gerente descobriu
Que ele tinha porte
Para usar armas,
Então, atitude do ladrão
Era amparada por lei.
Não me restou mais
Que me calar,
As 36 horas seguidas trabalhadas
Me cansaram,
E o ladrão estava
Respondendo processo,
Por isso,
Tudo ali era lícito.
No percorrer o supermercado
Ouvi risos por parte
Dos tantos processados
Que estavam fazendo compras,
Todos me reconheciam
Por nome
E faziam piadas
E ameaças.
Um frio me percorria
A espinha,
Eu pressentia um tiro
Na minha direção
Sem avisos
Ou motivos.
Minha esposa,
Moça simples,
Tinha porte de armas,
Mas preferia deixar em casa,
Não gostava de ser alvo
Para represálias,
Mesmo a impressão
De ofensa a qualquer pessoa
Para ela era motivo
De tristeza,
Éramos assim
Dentro de casa,
Simples e humildes,
Trabalhávamos pela lei.
No corredor,
Um grupinho de jovens
Se reuniu,
Entre as passagens
Pelos corredores
Eles usaram o carrinho
De compras para encostar
Na bunda dela,
Então disseram:
“Soldado de meia ruela”.
Eu dei um salto
Para trás,
Puxei minha esposa,
Ela sentiu medo
Eu tentei protege-la:
“Eu te amo “
Disse em seu ouvido.
Os garotos sorriram,
Pegaram objetos
Das prateleiras
E jogaram contra nós,
Tratava-se de jovens
Adolescentes,
Eu consegui protege-la,
Defendi cada objeto
Com a perna,
Revidei contra eles
E imobiliária usando
Minhas próprias mãos.
Assoviei por ajuda,
Os seguranças tardaram,
Chegaram de arma
Em punho,
Braços musculosos
A mostra
Como se estivessem
Vindo propriamente
Contra eu,
De imediato,
Não reconheci nenhum
Deles por nome
Ou passagem,
Mas, conversaram com os jovens
E encaminharam para longe
De mim
Como se eu fosse
Algo fétido e sujo:
“Vão embora garotos,
Polícia é polícia,
Não briguem,
Ninguém vai denunciar nada”.
O segurança disse isso,
E deu dois tapas
No meu ombro.
Eu precisava me calar,
Nada aconteceu,
A represália ou o ataque,
Nada poderia ser denunciado
Do contrário eu seria
Eticamente proibido
De entrar naquele supermercado
Para fazer as compras,
E ali era econômico para eu.
Tentamos encerrar
As compras mas Maikon
Lembrou de vir acertas
As contas comigo
Por eu tê-lo processado
Por brigar com sua esposa,
Mandou Martinha
Bater em minha esposa.
Quando percebi
Aquela mulher voou
No pescoço da minha esposa
Por trás dela,
Desferindo socos
Contra o corpo dela.
Rapidamente,
Fui obrigado a conte-la,
Foi difícil,
Eu retirei minha farda
Mas, não perdi o nome
Que carrego
Com honra pelo tanto que ajudo:
“Não bate na minha esposa”.
Minha esposa
Sofreu fratura no rosto,
Então, o marido
De Martinha empreitou
Contra eu.
Tive que pegar na mão
De Luana e correr
Para fora do supermercado
Feito foragidos da justiça,
Eu realmente recolho
Muitos criminosos
Na viatura
E levo para o presídio,
O juiz é que não coopera,
E se coopera os malandros
Marcam meu nome e face.
O ato de eu sair
Pela rua é sempre um risco,
Tenho muitos
Que não gostam
De mim
E desconheço o motivo,
Eu tento explicar:
“Só estou fazendo meu trabalho “
“Preciso prender”
“preciso levar”.
Eles não entendem,
Eles marcam a gente
E voltam buscar,
Gostam de eliminar provas,
Queimar testemunha,
Sou alvo do serviço
Que desempenho,
Vítima do meu trabalho,
Um encargo social
Para bandidos.
Me resta gastar
Boa parte do meu salário
Em aulas de defesa corporal,
E academia para manter
A saúde corporal,
Preciso de defender,
Se eu me calar,
Se eu fugir,
A lei estará omissa,
O prisão fecha,
E o bom cidadão
É eliminado.
Querem meu fim,
Desassossego do encargo.
Do lado de fora,
Quando me certifiquei
De ter colocado 
Todos os transeuntes 
Do supermercado em segurança 
Eu pedi ajuda 
Ligando no serviço emergencial,
"Serviço de emergência?"
Me atendeu a atendente.
Relatei o que houve.
Ela pediu calma,
Disse que estava
Designando viatura
Para atendimento.
Contudo, Maikon
Foi atrás de mim
Me encontrou próximo 
Do meu carro,
Juntou um carrinho
Pequeno de perto dele
E investiu com força 
Aquele objeto,
Fazendo quebrar o vidro
Da janela do meu carro 
Jogando estilhaços 
Por toda parte.
Então, chegando perto
Aquele sujeito voou
Contra meu rosto
Me desferindo golpes 
De toda sorte,
Eu me defendi,
Fui obrigado a investir
Contra ele,
Entramos em luta corporal,
Rolando naquele chão 
Aos socos 
Na cara,
No peito,
E gritos de urra!
Aquele homem grande 
Sentou em minha barriga 
E bateu com os dois braços
Em meu rosto,
Eu senti meus ossos
Se quebrarem,
Eu teria gritado de dor,
Mas fui mais forte.
Logo a viatura chegou,
Marcando pneus no chão,
Dois soldados correram
De dentro
E tentaram detê-lo.
Ele se desvencilhou
Tomou a arma do soldado,
Mirou na população 
Que se juntou
E atirou contra a parede,
Não fez vítimas,
Exceto eu
Que dei um salto 
Contra ele e tentei
Remover a arma,
Num impulso 
O indivíduo me feriu
De raspão na barriga.
Logo, porém, os 
Dois soldados
O alcançaram e conseguiram
Detê-lo o algemando 
Colocando ele de joelhos,
Com as mãos para trás.
Fomos do supermercado 
Para a delegacia,
Minha esposa tremia
De medo,
Não pudemos fazer
Nossas compras.

Emerson

Eu poderia ter
Me apaixonado por Emerson,
Cujo olhos azuis límpidos
Não combinam com céu escuro,
De sereno e pesadelos,
Suor e medos.
Eu poderia ser
De Emerson,
Se pessoas pertencessem
Umas as outras,
Se aqueles olhos seguros,
Baixassem o campo de visão
Para eu,
Sobremaneira.
Eu poderia estar
Com Emerson,
Caso ele pensasse
Que a garota do seu lado,
Não me produzisse medo
Espasmódico.
Mas, bem,
Me entenda
Emerson é aquele
Que não está
Seguro,
Ele perece,
Sofre,
Quer um mundo humano,
Eu pensei
Que me encaixava
No quesito humano,
Mas, poxa,
Estou tão distante
E a garota cavalo
Cavalga ali perto dele,
E droga,
Isto mexe comigo,
Eu deveria dizer:
Emerson não olha
Tanto para a frente
E veja a garota que eu sou,
Bem, eu não cavalgo,
Mas, gostaria de trepar
Em seus braços,
E beijar sua boca.
Você é tão lindo
Deste jeito,
Que eu não consigo
Evitar meus desejos,
E você é assim
Com está droga de garota?
Porquê eu gostaria
Que você me preferisse,
Tipo, caramba,
Quando você aperta
Suas mãos
Na cintura de alguém,
Pensaria em mim
Se eu lhe dissesse:
Emerson,
Você é lindo demais garoto forte.

Aceno ao Major

A grande imensidão negra,
Impressionante
Em seu estado de omissão,
Olhos atentos,
A verdade tudo,
Calada em seu silêncio,
Grande, imensa e gloriosa.
A imensidão negra,
Balançou as estrelas
Pra frente e para trás,
Abraçou alguma,
Afugentou outra,
A imensidão negra,
Tomou a lua,
Fez o luar,
A imensidão negra
Deixou me deixou a olhar.
Com seu rugido
Fez tremer a passagem
Que levava
Até ele,
Aquele cara
Que não sei porquê
Eu só queria vê-lo andar,
Percorrer,
Seguir
Enquanto minhas pernas
Cansadas o viam caminhar.
A imensidão negra,
Próxima a ele,
Deve tê-lo feito tremer,
Cansar suas pernas,
Desviar o olhar
E sofrer,
A imensidão negra
Não me tomou
Por completo,
Mas o ganhou?
A imensidão negra,
Deve protegê-lo
Se eu encontrar a maneira,
Há como?
Eu protegê-lo
Sem estar lá
Por piedade,
Ah tola é
A imensidão negra,
Se está tão longe
Por que tenta chegar,
Quer, também, vê-lo
Andar?
O major?
Ele é apenas
E só isto,
Um cara a trabalhar,
E eu,
A me vaguear.
Eu digo,
É ela,
Ele não está perto,
Se ele,
De alguma maneira
Me ouvisse
Acreditaria,
Por que?
Eu gosto de vê-lo
Caminhar
Com sua farda
A percorrer o corpo,
Vê-lo suar
Naquele tecido quente
Sobre aquele sol de verão
Em calçada de tijolos.
Não há marcas
Que indiquem
Que é fêmea,
A imensidão negra,
Não tem filhos
Ou quê?
Majora minha dor,
Não minora nada,
Só faz sofrer,
Quem?
Ela,
Eu,
O major que vagueia,
Será que devo espera-lo?
Para-lo?
Pedir que veja,
Eu não sou a imensidão negra,
Eu sou apenas eu.
Mas eu saberia,
Se tivesse visto
Ele caminhar
Por aquele asfalto negro
A queimar a botina,
Fazer calor nos pés
Até cortar a carne,
Eu saberia?
Eu o conhecia,
Sim, o vi,
Duas únicas vezes,
Não mais que isso,
O vi,
Nunca mais então,
A imensidão negra
O levou,
Eu não percorro asfaltos,
Eu o vi duas vezes
Major Cleber,
Eu corri pra você
E usei algumas maneiras
De a imensidão negra
Estar aí
E não aqui,
Desculpa.
Eu não te avisei
O bastante,
Não beijei sua face,
Eu queria
Ela distante,
Mas, de longe ela urra,
E você se levanta
E caminha?
Está é sua postura,
Seguir aquele asfalto doente,
No calor escaldante
Do ano 1 ao ano final,
Eu não fui ver
Você cruzar a rua,
Eu não consegui motivos
Para fazê-lo ficar,
Eu nem vi você ir,
Eu fechei os olhos,
Dormi.
A altura absoluta
Sobre nós,
A imensidão negra,
Te levou,
Dois garotos presos
Pelo próprio olhar,
Ao vê-la eu te joguei nela,
Era sua vontade inabalável
Nos manter vivos,
Era a minha
Me livrar disto,
Eu teria dito:
Major caminha,
Eu teria dirigido
Até o final da linha
Arriscado um olhar,
Te buscado,
Mas eu dormi.
Veio a imensidão negra,
Eu deixei você ir.

Rádio

Rádio,
Olha o horário,
Como eu queria
Me achar,
Não ser de lugar
Nenhum,
Saber onde ficar,
Rádio,
Olha o horário,
Rammstein,
Se apaixonou
Por uma guitarra,
Soube cantar
E eu aqui sem falar,
Vai ter fé
Em quem?
Olha o rádio,
Horário?!
Sou aquele
Se perde
Em qualquer lugar,
Porquê nunca estive
Onde queria estar,
Não me preocupei
 Estar,
Nunca quis ficar,
Nem é meu coração
Que está batendo,
É a bateria,
Rammstein,
Ai é assim
Como você
E comigo,
Me agarrei forte,
Me pegue assim,
E se eu cair é em sangue?
Rammstein,
Rádio,
Lá tem o horário.
E se eu me tocar,
Tiver onde pegar,
Devo te buscar?
Olha o rádio,
É o horário?
Rammstein.

De Lugar nenhum

Sobre não pertencer
A lugar algum,
Não ser de ninguém,
Nem de si própria,
Eu falo bem.
Claro,
Isto iria significar
Que eu saberia dizer,
Encontrar as palavras,
Expressar as frases,
Mas, não sendo minha,
Não sendo daqui
Eu não quero estar
Onde estou
Ou me ver ficar.
Contudo,
Eu não vou,
Por quê?
Rammstein,
Pode me dizer?
Aos 30 eu cansei,
Antes disso,
Nem resposta busquei,
Não ser do meus sentimentos,
Não ser do ódio,
Não ser da fuga,
É só um querer ir
Para encontrar
O que não busco,
Nunca pude falar,
Nem tentei expressar
Porquê nem sei de que
Falo,
O que eu quero,
Rammstein,
Pode dizer?
Me encontrar,
Falar,
Acenar
E dizer
Sim eu falava
Daqui.
De onde,
Rammstein?
Um coração cheio
De nada,
Carregado
De um vazio
Que nunca se preenche,
Rammstein,
Sabe o que é?

Feliz 2026

Contagem iniciada,

Os segundos somam-se

A importância:

Ano novo,

Vida nova.

 

Só tenho a agradecer

Pelos dias concedidos,

Os sonhos alcançados

E os novos

Pelos quais lutar.

 

Sim,

Surfar é doce,

Ver a chuva deslizar

Pela terra

Feito um rio

De água limpa

É doce.

 

Percorrer o gramado

Sentindo a chuva

Descer pelo corpo

É doce,

Ver ela escorregar

Sobre seus pés

É doce,

Sentir-se resvalar

Sobre o gramado molhado

É doce.

 

Rammstein,

É doce,

Ver-se ser levada

Pelo curso que segue,

De água limpa,

Pura, saudável

É doce.

 

Deixo-me chegar

Ao hortelã,

Agacho-me

Porquê é doce,

Cheiro o manjericão,

Colhi suas flores,

Rammstein

Porquê é doce.

 

Agradeço por ter

Contado com a companhia

Dos meus filhos

Por todos os lugares

Em que andei,

Agradeço mais

Por não ter precisado

Ir a nenhum lugar

Onde ele não poderia

Me acompanhar,

Rammstein é doce.

Ex-decadencia,

A contagem é para baixo

Mas a vida tem

Rumo alto,

É ano novo,

Feliz Ano Novo,

Os números decaem

Na mente,

Se elevam no relógio,

Caem no calendário

Sobem e tem sonhos

Grandes,

Sonhos daquele

Que venceu o passado

E agora ruma

Ao Ano Novo

E busca seus sonhos novos.

Feliz Ano Novo,

É doce,

É Rammstein.

Um Princípe