sexta-feira, 19 de junho de 2026

Menino Comandante

Espadas elevadas,
Tocam o rosto
E não dizem nada,
Sangue e discórdia,
Dignidade e armas
Definem os passos
Dos guerreiros
Que são de aço.

De punhos fechados,
Olhos atentos,
Baixam as espadas
Até o peito,
O aço brilha de dia,
Reluz na noite,
Os passos gritantes
Dos guerreiros
Que não se distinguem
E não se escondem.

Punhos de ferro
Se levantam a nossa frente,
"São os militares"
Dizem as vozes,
"Somos militares"
Rufam os peitos armados
De guerreiros
Feitos de pano e ferro.

Ferro municiado,
Quem vê seus rostos
Não reconhece
Suas forças,
São meninos tipo bonecos,
Pequenos garotos
Que elevam-se
E agacham-se
Enquanto seguem
Seu caminho
Sem que haja empecilho.

Quem diria é aquele
Garotinho que devo
Minha vida e minha segurança,
Diz a senhora
Que se levanta
Para que passem
E diz a criança
Que se eleva em seu colo,
Não são homens feitos,
São garotinhos
E seus punhos
Não se abrem
E seus sorrisos
Não se mostram.

São disciplinados garotos
De mãos prontas
Para o soco,
De peito arfante pela honra
De marcharem a nossa frente,
O tempo passa
E as crianças ganham formas.

Quem diria
O menino lá da roça
Largou a enxada
Para ser comandante,
Veja seu peito forte
E seu passo treme
Os montes,
Seu grito é ouvido
A distância,
Seu soco move portas,
Seu chute vence janelas,
Os prédios pendem
E ele segue.

Lá vai o menino 
Dá roça,
Comandando a tropa,
Ele marcha e coordena,
Vai menino,
Se fez homem muito cedo,
Largou a enxada,
E levantou armas,
Segue triunfante,
No seu uniforme
A passos fortes
E lá de trás alguém 
Balança a bandeira.
Reza baixinho,
E acompanha o menino.

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