sexta-feira, 19 de junho de 2026

Bom exemplo

O exemplo arrasta,
Ensina e mostra.
Todo início é difícil
Tem que fazer
O que não foi feito,
No melhor possível.
É bom quando
Tem um manual,
É ruim quando
Tem tempo hábil
E resultados fixos.
Se como fiz é certo,
É só ver como faço
E melhorar isso,
Pois copiar desnecessário,
Mas, ver o erro
E evitar é sucesso,
Ver o acerto
E melhorar é progresso.
Se como fiz
Produziu bons frutos,
Que ótimo,
Eu faria melhor
Se pudesse,
Queria ter feito perfeito.
Mas, você
Que me viu fazendo,
Agora sabe
O modo e o resultado,
A partir disso
É por sua conta e risco,
Nada tão simples,
Pois o viver é difícil,
Nada impossível,
Pois o fazer é do homem.

Fique comigo

Pois é,
Homem que amo,
Eu queria dizer
Coisas a contento,
Que te convencem,
Te levam a sonhos,
Te fazem me querer,
Fazer planos
Com meus planos.
E então, eu penso:
Por que demorou tanto?
Quem estava em primazia?
Fui então, última opção,
Que nada
Isso não é paixão!

Mas, não
Não direi isso, não.
Obrigada por estar,
Por acreditar,
Lutar minhas brigas,
Berrar minhas iras,
Deixar seu sono,
Aceitar minhas imperfeições,
Ver que falho,
Concertar as objeções...

Se sou ajudada
Já penso se fui o bastante,
Se é a meu modo,
Se poderia ter sido
Melhor e a que jeito,
Mas, isso está errado.

A verdade é que
Nunca tive ninguém,
E tendo sempre tive
Que perder,
Vivo um quase
Bem-vindo e sim,
Claro, logo me afasto
De você..

Eu estou a reflexos,
Chutando o alto,
Esmurrando o vento,
Brigando contigo
Sem relento,
Sem motivo,
Sem comento.

E você se esforça tanto,
Então, eu corro trabalhar
Para poder, ao menos,
Me calar e não dizer
Tanta besteira,
Que só me leva para trás
E me causa medo
De te perder.

O melhor do mundo
É ter você,
Mais nada vale tanto,
Sozinha sou fracasso,
Desalinho e prantos.

Como ocupo minha mente
Tanto a ponto
De calar as besteiras?
Poxa, não me deixa,
Eu amo você estar
E não importa como,
Nem o ano,
Nem o dia,
Mas esteja e pronto!

O que você faz
É perfeito
O que não foi feito
Só precisou de você
E mais nada,
Desculpa,
Não soube falar,
Se tivesse suado a camisa,
Secado o pranto no trabalho,
Você teria me visto
E eu não sofreria
A partir disto.

Desculpa,
Eu não sabia
Que trabalhar
Lhe traria,
Eu fui fraca.
Obrigada por você estar.
Me desculpa as cobranças,
As maleixas,
As mágoas,
E por favor entenda,
Quando escuro 
O alto nunca foi
Ou será contra seu rosto,
Eu o amo,
E grito
E por medo
Uso seu nome 
Porque acho
Que você 
Não irá ferir-me
Aí eu digo tudo,
E me arrependo,
Mas, continuo
E imploro que você fique
Porque eu mereço,
E te amo.

Vizinha Danada

A danada da vizinha
De bonita
Tinha as amigas,
Decidiu me chamar
Pra briga,
Juntou paus e pedras,
Me xingou a ver navios,
Me deixou apavorada,
Para com isso
Sua descontrolada.
Mas, que nada
Foi-se a dentro
E rumou-se de arma,
Mirou pro meu lado
E ameaçou atirar,
Que é isso descontrolada
Está tentando me matar?
Dei jeito
No alvoroço todo,
Liguei pro pelotão,
Pro povo fardado
Que tivesse arma,
Pelo amor de Deus
Venha me salvar,
Fui tirar umas palavras
Em tom alto
E a vizinha pôs-se
A me atirar,
Ainda não tenho
Qualquer furo a bala,
Mas o barulho
Lá daquela casa
Me choca
E me ruma,
Salva eu soldado
De armadura,
Ou aquela vizinha
Vai me pôr na tumba!
Agora a danada
Retirou um facão 
Dá cintura
Gritou alto
Chamou a polícia,
E aqui a espasmos
E espanto,
Se ela retira aquele fio
Dá bananeira 
Será que me corta
Ou só faz sangrar
Um pouco?

Hora da aula

O ônibus está a roncar,
O garotinho corre
E pega a sua mochila escolar,
É a hora mais esperada,
O instante de ir para a aula.

Ele corre
Com um sorriso
No rosto pela casa,
Abraça a mãe,
O pai e a irmã
Que entrega a ele
A sacola de supermercado
Branca que contém
Seu lanche escolar,
Um sanduíche de pão,
Queijo e salame,
Tudo feito em casa,
E o menino corre feliz
Pelas escadas,
Chegou o ônibus
E ele vai para a aula.

Seu amiguinho
Lá perto da cidade,
Salta feliz de sua cadeira
Abraça a avó, o avô,
Seus pais e irmãos,
Ganha da mãe a lancheira
Lá dentro tem pão quentinho,
Bolinho da vó
E queijo da mãe.

Espera feliz o menininho,
Logo o ônibus chega
E ele corre para a aula,
Dentro do ônibus
Abraça seu amiguinho.

Comandante da polícia

O menino da roça,
Guardou a enxada,
Baixou a foice,
Foi estudar pra ser
Comandante.

Aprovado no concurso
Com êxito,
Segue de rosto erguido,
Comanda o batalhão,
É o mais impetuoso e atrevido.

“Sorte tem esse menino”,
Diz a multidão,
“Mune-se de coragem”,
Ouviu-se o burburinho.

Mas, ele é mais que isso,
Os calos de sua mão
Que manejavam a madeira
Manejam o ferro
E elevam-se,
Fechados feito aço
Comandam e se distinguem.

É o simples menino da roça
Que agora marcha
A passos firmes
E rosto erguido de dignidade,
Os peitos arfam de agradecimento
Enquanto ele passa,
Silencioso a punhos fechados,
Acostumado ao trabalho árduo,
Desde pequeno
Soube compensar com êxitos,
Sabe o valor de seus esforços,
A dignidade de seu sucesso.

Menino Comandante

Espadas elevadas,
Tocam o rosto
E não dizem nada,
Sangue e discórdia,
Dignidade e armas
Definem os passos
Dos guerreiros
Que são de aço.

De punhos fechados,
Olhos atentos,
Baixam as espadas
Até o peito,
O aço brilha de dia,
Reluz na noite,
Os passos gritantes
Dos guerreiros
Que não se distinguem
E não se escondem.

Punhos de ferro
Se levantam a nossa frente,
"São os militares"
Dizem as vozes,
"Somos militares"
Rufam os peitos armados
De guerreiros
Feitos de pano e ferro.

Ferro municiado,
Quem vê seus rostos
Não reconhece
Suas forças,
São meninos tipo bonecos,
Pequenos garotos
Que elevam-se
E agacham-se
Enquanto seguem
Seu caminho
Sem que haja empecilho.

Quem diria é aquele
Garotinho que devo
Minha vida e minha segurança,
Diz a senhora
Que se levanta
Para que passem
E diz a criança
Que se eleva em seu colo,
Não são homens feitos,
São garotinhos
E seus punhos
Não se abrem
E seus sorrisos
Não se mostram.

São disciplinados garotos
De mãos prontas
Para o soco,
De peito arfante pela honra
De marcharem a nossa frente,
O tempo passa
E as crianças ganham formas.

Quem diria
O menino lá da roça
Largou a enxada
Para ser comandante,
Veja seu peito forte
E seu passo treme
Os montes,
Seu grito é ouvido
A distância,
Seu soco move portas,
Seu chute vence janelas,
Os prédios pendem
E ele segue.

Lá vai o menino 
Dá roça,
Comandando a tropa,
Ele marcha e coordena,
Vai menino,
Se fez homem muito cedo,
Largou a enxada,
E levantou armas,
Segue triunfante,
No seu uniforme
A passos fortes
E lá de trás alguém 
Balança a bandeira.
Reza baixinho,
E acompanha o menino.

Rodar Por Aí...

Então, você caiu,
Levantou e não fugiu,
Pegou suas armas,
Empunhou o ferro,
Derreteu em brasa,
Forjou brasões e espadas,
Ok, perfeito pra você
E mais nada?
Tudo pra mim,
Que voei na sua garupa,
Fiz daquela motocicleta
Meu cavalo com asas,
Subi e me elevei
Nos montes,
Lá de trás
Eu avistei muito longe,
Ergui meus braços
Para o céu
E gritei me leve,
Me conduza até
Onde possamos ir,
Eu não sei meus limites,
Mas, baby o tanque
Está cheio de combustível
Vamos rodar, rodar
Até cansar.
Ergui minhas pernas
Para o céu,
Até seus ombros,
Toquei no seu peito
E disse:
Baby, arruma seu capacete,
E rimos juntos.
Me diz como é
Ser o último sobrevivente,
Eu passei naquele concurso
Chato,
Joguei a farda no lixo,
Desmuniciei a arma toda
Naquele comandante chato,
E agora, baby,
Você aí posando de gato
Deseja meu fardamento?
Quer usar meus cartuchos
Rasurados?
Eu preenchi de papel
E pilhérias cara,
Quando você alçar armas
Eu atiro lá de fora
Pra você ver o clarão
De estrelas que irei
Preencher o seu céu ,
Bem lá,
Onde já pus meus pés
E não quis ficar,
Mas, estou orgulhosa
E super feliz
Por você estar aí,
Vai de cartuchinho
Ou prefere o pente cheio?
Acelera essa motocicleta
Aí garoto,
Eu quero gastar os pneus,
Ficar sem combustível,
Bom, como é
Rodar por aí comigo?

Destino à ROCAM