sábado, 20 de junho de 2026

Labor por favor

Fui acordada por vozes
E o que mais me assustou
Veio após isso,
Uma classe privilegiada
De conhecimento jurídico,
Bem assistida
E remunerada
Estava trabalhando
Pra retirar minha identidade
Profissional.

Pois é, cada fotografia minha,
Cada vez que larguei
A caneta e fui cuidar
Dá minha propriedade rural,
Cada vez que discuti
Com minha família,
Cada vez que saí de casa,
As roupas e maquiagem
Que usei,
Os sorrisos que recusei,
O olhar que arrisquei,
Tudo isso estava sendo
Planejado e usado
Contra a minha imagem
E trabalho para retirar
Minha carteira de advogada.

São cinco anos de estudos,
Duas provas difíceis
Que eles cobram super caro,
Uma anuidade gritante
Que leva a maioria da classe
A falência logo no início
Da carreira,
E ainda eles tiveram capacidade
De invadir minha casa,
Usar sistema tecnológico,
Preparar emboscadas,
E vigiar cada um dos
Meus passos
Para me demitirem
Do que nunca fui contratada.

Não fosse minha conduta
Ser imaculada,
Toda a dificuldade que enfrentei
Para me defender
E a integridade da minha família,
Eu estaria inapta para a função
Que entreguei dedicação exclusiva,
Nunca me aproveitei de clientes
Ou funcionais,
Pois é, como são inacreditáveis
Estes que não trabalham,
Não tem conhecimento
Pra se manter trabalhando
Pois não compreendem
Que sendo concorrentes,
Não somos adversários.

Malditos são estes acostumados
Ao labor por favor.

Eu sou de origem humilde,
Venho da roça,
E sou dona,
Pra que tal atitude?
A corrupção é mais que afronta
É opressão,
Violência,
Assassinato por assinatura.

Labor em troca de favores
É anti profissional,
Labor por mendicância 
É anti profissional,
Labor por submissões 
É anti profissional,
Labor por hierarquia 
É anti profissional.

A advocacia não pertence 
A está classe de trabalhadores
Abusados pelo vínculo
Carteira de Trabalho,
Nós somos independentes
E somos iguais uns 
Aos outros,
Não imploramos para exercer função,
Não imploramos para receber honorários,
Não imploramos por anuidade digna,
Não somos subalternos,
Não obedecemos ordens,
Somos independentes,
Nos respeitem internamente 
E quem não tem conhecimento,
Por favor, saia da rede social 
E vá para a sala de aula
Por cinco anos,
Uma pós graduação 
E tantos livros.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Bom exemplo

O exemplo arrasta,
Ensina e mostra.
Todo início é difícil
Tem que fazer
O que não foi feito,
No melhor possível.
É bom quando
Tem um manual,
É ruim quando
Tem tempo hábil
E resultados fixos.
Se como fiz é certo,
É só ver como faço
E melhorar isso,
Pois copiar desnecessário,
Mas, ver o erro
E evitar é sucesso,
Ver o acerto
E melhorar é progresso.
Se como fiz
Produziu bons frutos,
Que ótimo,
Eu faria melhor
Se pudesse,
Queria ter feito perfeito.
Mas, você
Que me viu fazendo,
Agora sabe
O modo e o resultado,
A partir disso
É por sua conta e risco,
Nada tão simples,
Pois o viver é difícil,
Nada impossível,
Pois o fazer é do homem.

Fique comigo

Pois é,
Homem que amo,
Eu queria dizer
Coisas a contento,
Que te convencem,
Te levam a sonhos,
Te fazem me querer,
Fazer planos
Com meus planos.
E então, eu penso:
Por que demorou tanto?
Quem estava em primazia?
Fui então, última opção,
Que nada
Isso não é paixão!

Mas, não
Não direi isso, não.
Obrigada por estar,
Por acreditar,
Lutar minhas brigas,
Berrar minhas iras,
Deixar seu sono,
Aceitar minhas imperfeições,
Ver que falho,
Concertar as objeções...

Se sou ajudada
Já penso se fui o bastante,
Se é a meu modo,
Se poderia ter sido
Melhor e a que jeito,
Mas, isso está errado.

A verdade é que
Nunca tive ninguém,
E tendo sempre tive
Que perder,
Vivo um quase
Bem-vindo e sim,
Claro, logo me afasto
De você..

Eu estou a reflexos,
Chutando o alto,
Esmurrando o vento,
Brigando contigo
Sem relento,
Sem motivo,
Sem comento.

E você se esforça tanto,
Então, eu corro trabalhar
Para poder, ao menos,
Me calar e não dizer
Tanta besteira,
Que só me leva para trás
E me causa medo
De te perder.

O melhor do mundo
É ter você,
Mais nada vale tanto,
Sozinha sou fracasso,
Desalinho e prantos.

Como ocupo minha mente
Tanto a ponto
De calar as besteiras?
Poxa, não me deixa,
Eu amo você estar
E não importa como,
Nem o ano,
Nem o dia,
Mas esteja e pronto!

O que você faz
É perfeito
O que não foi feito
Só precisou de você
E mais nada,
Desculpa,
Não soube falar,
Se tivesse suado a camisa,
Secado o pranto no trabalho,
Você teria me visto
E eu não sofreria
A partir disto.

Desculpa,
Eu não sabia
Que trabalhar
Lhe traria,
Eu fui fraca.
Obrigada por você estar.
Me desculpa as cobranças,
As maleixas,
As mágoas,
E por favor entenda,
Quando escuro 
O alto nunca foi
Ou será contra seu rosto,
Eu o amo,
E grito
E por medo
Uso seu nome 
Porque acho
Que você 
Não irá ferir-me
Aí eu digo tudo,
E me arrependo,
Mas, continuo
E imploro que você fique
Porque eu mereço,
E te amo.

Vizinha Danada

A danada da vizinha
De bonita
Tinha as amigas,
Decidiu me chamar
Pra briga,
Juntou paus e pedras,
Me xingou a ver navios,
Me deixou apavorada,
Para com isso
Sua descontrolada.
Mas, que nada
Foi-se a dentro
E rumou-se de arma,
Mirou pro meu lado
E ameaçou atirar,
Que é isso descontrolada
Está tentando me matar?
Dei jeito
No alvoroço todo,
Liguei pro pelotão,
Pro povo fardado
Que tivesse arma,
Pelo amor de Deus
Venha me salvar,
Fui tirar umas palavras
Em tom alto
E a vizinha pôs-se
A me atirar,
Ainda não tenho
Qualquer furo a bala,
Mas o barulho
Lá daquela casa
Me choca
E me ruma,
Salva eu soldado
De armadura,
Ou aquela vizinha
Vai me pôr na tumba!
Agora a danada
Retirou um facão 
Dá cintura
Gritou alto
Chamou a polícia,
E aqui a espasmos
E espanto,
Se ela retira aquele fio
Dá bananeira 
Será que me corta
Ou só faz sangrar
Um pouco?

Hora da aula

O ônibus está a roncar,
O garotinho corre
E pega a sua mochila escolar,
É a hora mais esperada,
O instante de ir para a aula.

Ele corre
Com um sorriso
No rosto pela casa,
Abraça a mãe,
O pai e a irmã
Que entrega a ele
A sacola de supermercado
Branca que contém
Seu lanche escolar,
Um sanduíche de pão,
Queijo e salame,
Tudo feito em casa,
E o menino corre feliz
Pelas escadas,
Chegou o ônibus
E ele vai para a aula.

Seu amiguinho
Lá perto da cidade,
Salta feliz de sua cadeira
Abraça a avó, o avô,
Seus pais e irmãos,
Ganha da mãe a lancheira
Lá dentro tem pão quentinho,
Bolinho da vó
E queijo da mãe.

Espera feliz o menininho,
Logo o ônibus chega
E ele corre para a aula,
Dentro do ônibus
Abraça seu amiguinho.

Comandante da polícia

O menino da roça,
Guardou a enxada,
Baixou a foice,
Foi estudar pra ser
Comandante.

Aprovado no concurso
Com êxito,
Segue de rosto erguido,
Comanda o batalhão,
É o mais impetuoso e atrevido.

“Sorte tem esse menino”,
Diz a multidão,
“Mune-se de coragem”,
Ouviu-se o burburinho.

Mas, ele é mais que isso,
Os calos de sua mão
Que manejavam a madeira
Manejam o ferro
E elevam-se,
Fechados feito aço
Comandam e se distinguem.

É o simples menino da roça
Que agora marcha
A passos firmes
E rosto erguido de dignidade,
Os peitos arfam de agradecimento
Enquanto ele passa,
Silencioso a punhos fechados,
Acostumado ao trabalho árduo,
Desde pequeno
Soube compensar com êxitos,
Sabe o valor de seus esforços,
A dignidade de seu sucesso.

Menino Comandante

Espadas elevadas,
Tocam o rosto
E não dizem nada,
Sangue e discórdia,
Dignidade e armas
Definem os passos
Dos guerreiros
Que são de aço.

De punhos fechados,
Olhos atentos,
Baixam as espadas
Até o peito,
O aço brilha de dia,
Reluz na noite,
Os passos gritantes
Dos guerreiros
Que não se distinguem
E não se escondem.

Punhos de ferro
Se levantam a nossa frente,
"São os militares"
Dizem as vozes,
"Somos militares"
Rufam os peitos armados
De guerreiros
Feitos de pano e ferro.

Ferro municiado,
Quem vê seus rostos
Não reconhece
Suas forças,
São meninos tipo bonecos,
Pequenos garotos
Que elevam-se
E agacham-se
Enquanto seguem
Seu caminho
Sem que haja empecilho.

Quem diria é aquele
Garotinho que devo
Minha vida e minha segurança,
Diz a senhora
Que se levanta
Para que passem
E diz a criança
Que se eleva em seu colo,
Não são homens feitos,
São garotinhos
E seus punhos
Não se abrem
E seus sorrisos
Não se mostram.

São disciplinados garotos
De mãos prontas
Para o soco,
De peito arfante pela honra
De marcharem a nossa frente,
O tempo passa
E as crianças ganham formas.

Quem diria
O menino lá da roça
Largou a enxada
Para ser comandante,
Veja seu peito forte
E seu passo treme
Os montes,
Seu grito é ouvido
A distância,
Seu soco move portas,
Seu chute vence janelas,
Os prédios pendem
E ele segue.

Lá vai o menino 
Dá roça,
Comandando a tropa,
Ele marcha e coordena,
Vai menino,
Se fez homem muito cedo,
Largou a enxada,
E levantou armas,
Segue triunfante,
No seu uniforme
A passos fortes
E lá de trás alguém 
Balança a bandeira.
Reza baixinho,
E acompanha o menino.

Destino à ROCAM