sábado, 13 de junho de 2026

A Neve

Faz-se frio dentro de casa,
O cobertor não acolhe,
O agasalho não suporta,
Então, acende-se a lareira,
E pronto:
Está quentinho agora.
Lá fora,
Uma cortina branca
Se esvoaça ao vento,
Não está estendida
No varal,
Ela é a neve
Por isso chacoalha tanto,
E derrama-se feito pranto,
Que nada deixa ver
Além de seu aspecto.
Branca,
Chega e envolve
Tudo que vê,
Estende-se para o horizonte,
Parece chegar
Em cada coisa
E lhe beijar a fronte.
Beija e fica um pouquinho,
Esconde de rostinho
A rostinho,
Com seu tapete alvo,
Depois os cobre bem cobertos,
Como se fosse um lençol
Branco esvoaçante
A bailar pelo vento radiante,
Adormece sobre tudo
Que toca,
E esconde.
Como se os dissesse:
Boa noite,
Durmam até que o dia amanhece,
Mas, ela fica e enternece
E a noite que chegou
Não desvanece,
O dia vem,
Mas, o sol se esconde,
Ela fica e ninguém responde.
E quando o verão acorda,
A neve se derrama
E parte para distante,
Então, todos se vestem
De verde
E abrem suas flores,
É primavera
E o vento chacoalha
As folhas molhadas
Do inverno
Que se foi até o
Próximo ano.

O Sapateiro

Certo homem dedicou
Sua vida para fazer sapatos,
Aprendeu na infância
O ofício,
Perdeu seu pai para um raio
Enquanto cortava lenha
Numa ventania de verão,
E perdeu sua mãe
Para uma gripe de inverno
Dois anos após.
Ele manteve-se no ofício,
Até ganhar novo ânimo
Ao ver uma linda moça
Que toda a manhã
Passava em frente a sua casa
Para trabalhar numa vizinha
Fazer os serviços domésticos.
Encantado por sua beleza
E simplicidade passou
A redesenhar seus modelos
E fez de um a um
Com o intuito de conquistar
Seu afeto.
Logo, a vendo de botas
De chuva,
Percebeu o número
De seu pé
E fez de modelo a modelo
Pensando nela:
-Ola, Tiago?
Como está,
Gostaria de comprar
Um sapato novo!
Disse seu vizinho,
Certa vez,
Pondo o rosto em sua porta.
- hoje não tenho amigo!
Ele respondeu sorrindo.
Tiago fez modelos costurados,
Modelos com babados,
Com tranças,
E fitilhos e também de couro
Com todos os saltos,
E até bordados.
Prendeu tábuas em sua
Parede e colocou de par
A par um ao lado do outro
Até encher toda a sala.
Sua vitrine ficou enfeitada
Com os mais diversos modelos.
Ao receber seu primeiro salário,
A moça passou ali
E sorridente adquiriu
Seu primeiro calçado comprado,
Até então, sempre ganhou
De parentes os pares
Que tinha.
Sorriu, abraçou Tiago
E lhe beijou o rosto
Encantada a rodopiar
Em meio a sala onde
Cada par e cada desenho
Era o número dela.
Sem desconfiar do afeto
De Tiago ela saiu,
Feliz balançando a sacola
Que tinha seu par dentro,
Já no outro dia o usou.
E Tiago ganhou novo impulso,
Fez prateleiras que decaiam em cascatas
E redesenhou os modelos.
Trabalhava bem cedo
Do dia e as vezes,
Dormia batendo o calçado,
Desenhando o salto,
Organizando o couro
E queimando desenhos
Para enfeitar.
As vezes,
Chegava o dia
E ela passava por sua vitrine
Sempre a sorrir
Com o rosto colado
Ao vidro sonhando
Com seu novo modelo
De tantos que tinha.
Ela abanava um aceno
E saia furtiva para o trabalho,
Então, sem falar de seu amor,
Nem compreender ao certo
Que sentimento
Tão bom o unia tanto
Aquela moça.
Ele deixou o lampião aceso,
Próximo demais da janela,
E a cortina pegou fogo
Com ele deitado sobre
A mesa de lapidar com
As ferramentas de ferro
O couro do calçado.
A fumaça cresceu alto
E chamou a atenção,
Os vizinhos correram
Com baldes de água
E puxaram a mangueira
De molhar o jardim
E iniciaram o apagamento
Do fogo.
Conseguiram salvar
A maioria dos modelos,
Pois, o fogo se localizou
Onde ele estava,
Contudo, Tiago desfaleceu
E nunca pode provar o beijo
Da moça que tanto amou,
Viveu por ela
E nunca se declarou.
Após sua morte,
Foi verificado
Que todos os calçados
Só serviam para o pé dela
E nenhuma outra pessoa,
Então, ela ganhou cada modelo,
Inclusive a casa,
Pois ele não tinha nenhum
Parente vivo.
Triste os vizinhos
Sempre ouvem seus
Soluços noturnos,
E veem suas lágrimas
Pelos cantos,
Pois, a moça nunca desfiou
Que era amada
Ou considerada por ele,
Tão pobre ela nunca
Pediu sobre todos
Os modelos,
Seu dinheiro era simples,
Mal sustentava os pais
E o irmão pequeno.
Mas, agora tinham onde
Morar e estavam felizes
Por não pagarem aluguel,
Porém, Tiago se foi
E nenhum outro sapateiro
Soube ser tão bom
E tão rico em detalhes.
Ela decidiu por espera-lo,
Enquanto durasse seus sapatos,
Não seria de ninguém,
E haviam ali mil e tantos sapatos.
Ela nunca os contou,
Só viu que se perdiam
De vista,
As inúmeras cores,
Diversos formatos,
O esperou,
Desenhando sapatos,
Copiando seus modelos,
E abraçando cada um
Antes de vender.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Feliz dia dos namorados

Parece um sonho
Estarmos juntos,
Ter você ao meu lado
Fazendo as compras
No mercado,
Escolhendo as frutas,
Os temperos,
E poder trocar olhares
E sorrisos com você
Na frente de todo mundo.
Sei que muitas
Queriam estar no meu lugar
E não me ofendo,
Você é tão perfeito,
Que tudo se torna compreensivo...
Sovei o pão,
Coloquei crescer,
Fiz o melhor almoço,
Plantei sementes
Nos canteiros e vasos,
Tudo isso é para agora
E para mais tarde,
Mas, a semente do hoje
É o fruto do futuro
Que alimenta sonhos
E constrói bases sólidas,
Eu te amo,
Feliz dia dos namorados,
Não é erro
Te dizer isso
De maneira tão inesperada,
Fica comigo
Pra vida inteira?
Eu sou honesta
E trabalhadora,
Faço pão quentinho
E te sirvo com margarina,
Mas, posso bater a manteiga,
Fazer a ximia
Ou como você prefira:
Me escolhe pra sua vida?
Tiago.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Corrupção- Crime de Terror

Ninguém é obrigado
A fazer ou deixar de fazer algo
Senão em virtude de lei.

Tudo que for feito
Contrário a lei
É crime
E está sujeito a pena
De multa ou aprisionamento.

Para cometer crimes
O sujeito criminoso inova,
Ele se agrupa em facções,
Que são organizações com hierarquia,
Que apresenta divisão de tarefas,
E atua em grupos
Com o intuito de domínio,
E lucros objetivos.

Existe ainda o terrorismo,
Que é aplicar violências
E ameaças concretas
Para dominar o psicológico,
O social,
E inibir a liberdade pessoal.

O terror é mais gritante
E mais perverso
Que o simples ato criminoso,
A facção,
Por agir em grupo,
Com hierarquia e divisão
De tarefas dificulta
A descoberta e impedimento
Do ato criminoso.

Já a corrupção
Apoia a existência do crime
E suas formas de expressão,
Vez que dificulta
A sobrevivência digna
Do trabalhador honesto.

Sempre que ela desvia
O dinheiro que entraria
Em suas mãos,
E também, desvia a verba pública
Que iria beneficiar
Com ações e prédios e serviços públicos
Este trabalhador
Para benefício próprio
Com intuito de lucro
E sustento de luxos próprios
As custas da saúde física
E psicológica
Do trabalhador honesto.

Ou seja,
O corrupto une o crime
Ao terror
Sempre que ele abandona
O trabalhador sem assistência pública,
E a facção,
Sempre que se une
De maneira grupal
Para violentar o trabalhador
Como fazem os criminosos
Considerados violentos.

Porém, eles estão disfarçados
De vereadores, prefeitos,
Presidentes e etc.

Existe ali o líder,
A aplicação do terror
Através de doenças,
Submissões e medo,
E a facção que é o seu
Partido político.

Cuidado com o terror
Das telas da televisão,
Pois ele está disfarçado
De político e está
Bem perto de você
Com o intuito de te dominar,
Retirar seus bens,
Impedir e dificultar sua vida
Digna.

O criminoso por trás
Dá prisão
É o seu herói político
Que você elege
Com devoção.

Discurso Anti-facção

Precisamos vestir a camisa
Verde e amarela
Antes da copa
E após ela.

Sabe-se 30% do povo
Que reside no nosso país
Pertence a alguma facção terrorista.

Estas facções usam
O medo como apoio
Para as suas ações
De implantar domínio,
E nosso país pende
A ruína.

O dinheiro não chega
Nas mãos do povo,
Que trabalhador e honesto
Se vê desesperado para manter-se.

A liberdade do povo está impedida,
Então, não é a lei
Que nos dirige,
São outras pessoas
Que impõem-se sobre nós
E nos fazem acreditar
Em marcas de roupas
Pra vestir,
Utensílios de beleza
Para ter,
Nos tornando dependentes
Deles e de seus métodos.

Sabe-se ninguém é obrigado 
A fazer ou deixar de fazer algo
Senão em virtude de lei,
Porém, o medo nos cega,
O tiro nos cala,
E se a boca não fala
Quem irá conhecer nossa realidade 
E nos proteger 
Do terrorista que nos aprisiona
E mata aos poucos?

Calados somos coniventes,
Amedrontados somos rebeldes
Dá lei,
E os fora da lei
São retirados da sociedade.

Não seja você 
Um presidiário desonesto
Consigo mesmo,
Não é você que lucra,
Não seja você a fazer,
Denuncie,
Não ajude facções,
Se afaste,
Não assuma o que não fez.

Discussão Antifaccista

No Brasil o trabalho é digno,
Mas, a facção tem seu domínio,
Então, o pouco de dinheiro
Que chega nas mãos
Do trabalhador já está contado
Para ser transferido para
As mãos de outro,
E ninguém é dono
De suas vontades.

Só sabem obedecer faccionados
Que lucram com isso
E nos tornam escravos
Cegos de nossos direitos.

Precisamos nos rebelar
Contra a corrupção,
Ou seja, o dinheiro limpo
Do trabalhador honesto
Que é desviado para as mãos
De preguiçosos
Que sustentam seus luxos
As nossas custas.

Não sejamos mais
Escravos do medo 
Que nos obriga,
E domina nosso pensamento.

Ter medo de sair
Para fora de casa
É estar sob o domínio
De terroristas.

Conviver com pessoas
Que estupram,
Violam o lar,
Queimam e depredam
Casas e acessos públicos
É domínio terrorista.

O país é feito de povo
E território,
Ou seja,
Existe o território brasileiro,
Porém o povo
Já não pertence a soberania
Nacional,
Ele pertence ao domínio faccional.

Estamos em terra própria
Para viver dignamente,
Contudo, nas mãos de um povo
Terrorista que nos obriga
A obedecer suas vontades.

Então, não temos liberdade,
E o pouco de liberdade
Que há
É falsa.

É como você trabalhar
Para o seu chefe
E comprar dele mesmo
As suas compras.

Você recebe apenas para paga-lo,
Isto é escravismo.
Não seja escravo 
Do crime,
Escravo do medo,
Escravo da dor,
Escravo da vitimização.
Acostume-se a ser livre.
Anti-corrupção.

O patriotismo precisa
Ser revisto
Para ser lembrado
Fora da época futebolista
E eleitoral.

O patriotismo existe
Para proteger
Seus direitos,
Lembrar seus deveres,
Respeitar as lideranças,
Planejar suas vidas com dignidade.

O terrorismo existe,
Nos dá medo,
Cala e obriga,
Mas, o povo livre
É maior que eles.
A corrupção apoia o terror.

O sujeito pensante
É mais inteligente,
O número de terroristas
É menor,
Precisamos buscar 
Nossa dignidade,
Nos libertar dos medos
Enquanto há tempo.

Ser anticrime não é impossível,
Trabalhar honestamente 
Não é impossível,
Viver com dignidade 
Não é impossível,
Ser livre
Não é impossível.

domingo, 7 de junho de 2026

Quem Quer Brincar de Duro e Mol?

Gessica tentou ama-lo,
Eles eram vizinhos
E parentes próximos,
Ainda não infância
Rogerson a buscava
Para brincar de rolar
A bola um para o outro
Sentados no chão.
Nisso, o tempo passou
E os sorrisos vinham,
A bola rolava sem parar
De um lado para o outro,
Ambos esticando-se
Para pega-la,
Então, veio o convite:
“Gessica põe o dedo
Aqui no meio da minha
Mão aberta!”
Disse Rogerson
Abrindo a mão
E levantando para o horizonte.
“Tá bom”.
Ela respondeu sorrindo.
E colocou o indicador lá
Encostado,
Sentindo a pele quente
Dele,
Depois disso ele falou:
“quem quer brincar
De duro e mol
Põe o dedo aqui,
Quem quer brincar
De duro e mol
Põe o dedo aqui,
Um, dois e três
E o abacaxi vai fechar”.
Ele chacoalhou a mão
Para baixo
Em sinal de segurar
O dedo de Gessica
E terminou:
“Vai fechar!”
E prendeu o dedo dela
Entre sua mão.
“Pronto agora
Você vem comigo
E vamos foder!”
Ele falou risonho.
Segurando o dedo dela
E a conduzindo
Para a moita de mato
Que havia do lado
Do potreiro onde
Eles estavam rolando
A bola.
Ao chegar lá,
Ele soltou o dedo dela,
E baixou as calças
Então disse:
“Pega!”
E ela o viu nu,
Então, correu assustada.
Gritando para o lado
De sua mãe.
A partir disso,
A vida inteira ela
O odiou.
Evitou estar onde ele
Estava,
Evitou conversar
Com ele, simplesmente,
O odiou.
Ocorre que está situação
A perseguiu pela vida
Inteira,
Sempre foi mencionada
Entre a família
Como a criança
Que fugiu do Rogerson
Na hora de brincar
De duro e mol.
Neste curso de sentimentos,
Não soube fazer
Outra coisa exceto
Odiar,
Desejou mata-lo,
Excruciar sua vida,
Desprezou com o máximo
Do seu vigor,
Seu ódio foi tão grande
Que certa vez
O vendo dormir sorrateiro
Dentro do carro
Do seu tio
Jogou fogo no carro
Todo com ele dentro
E depois correu,
Correu sagaz e feliz,
E nunca mencionou isso,
Mas, o orgulho a preencheu
Ao menos naquele instante
E o fogo calou a boca
Daquele maldito primo estuprador.

Um Princípe