quarta-feira, 24 de junho de 2026

Feliz dia do Policial Militar

Upa mãe,
Feliz dia do Policial Militar.
A menina de três anos
Disse abraçada
Ao pescoço de sua mãe 
Com um sorriso 
Escondido atrás do cabelo
Dela.

Ela passou a mão 
Nas costas da mãe 
E a mãe gemeu baixinho,
-esta doendo, mamãe?
Ela pediu
Se afastando e contemplando 
O rosto amarelado 
Da mãe.

O pai de Milena
Chegou do mercado 
E faltou dinheiro 
Para pôr gasolina,
O carro enguiçou 
No caminho,
Ele o deixou na beira
Da estrada 
E voltou caminhando.

No caminho colheu
Um galho de árvore,
E irritado chegou gritando 
Alto seu desfortúnio,
A mãe da menina 
Correu até ele 
Para acalma-lo
E isto lhe custou
Marcas de galhos
Por todo o corpo.

Ele bateu nela
Com o galho 
E a culpou pela tinta
Do cabelo,
Pelo esmalte da unha
E pela filha que exige tanto
Em roupa no frio 
Do inverno.

Irritado,
Ele correu escada
Adentro de casa,
Pegou o cobertor novo
E queimou antes 
De pagar a primeira parcela.

Irritado,
Ele gritou que odiava
A família,
Odiava os gastos,
E odiava o cobertor escolhido.

Milena viu escondida 
O cobertor queimar,
Pegou o caderno 
E se pôs a estudar,
Escolheu para profissão 
Defender sua mãe 
E ajudar o pai financeiramente.

Tornou-se policial militar,
Agora fardada
Usa coturno e não salto,
Pratica tiro ao alvo,
Estuda técnicas militares,
Tira fotografia na viatura,
Usa boné com logomarca
E não perucas coloridas,
Tem colete a prova de balas
E sua mãe não chora mais
Ou sente medo
Ou sofre violência,
Nem seu pai sente receio
De não ter dinheiro 
Ou não poder pagar
As dívidas.

Ela recebe um bom salário,
E hoje comemora até tarde
Com os colegas de trabalho:
É dia do policial militar,
Dia 24 de junho,
Ela está segura,
Sua família está segura,
Ela aprendeu a proteger-se
E ampare a vida
De sua família
E também de quem precisar.


domingo, 21 de junho de 2026

Crime na Avenida

O calor sufocante
Impedia fechar as janelas,
E o vento que libertava,
Também fazia voar os documentos
De sobre a mesa.
Chegava o primeiro cadáver
Sem identificação,
Rosto cortado ao meio,
Uma tatuagem na panturrilha
Da perna esquerda,
Um relógio quebrado no pulso
Que parou nas 09 horas
De seus ponteiros,
Um olho arrancado
E o outro azul aberto
E assustado,
Com íris que estavam dilatadas
O que sugeria que ele
Sentia dificuldade para ver.
Em circunstâncias da hora
Marcada no relógio e
As íris dilaceradas
Podia-se anotar na agenda
Que a morte ocorreu
Em torno das nove horas noturnas.
O cadáver não tinha podridão,
Estava ferido e arranhado,
Aparentava ter sido comigo
Por algum animal faminto,
Contudo, um corte contundente
E peculiar sugeria que o corte
Teria sido provocado por
Um objeto bastante afiado.
Então, a possibilidade de a morte
Ter sido provocada
Por acidente automobilístico
Não estava totalmente clara,
Poderia sugerir se tratar
De morte por assassinato.
As horas corriam
Na parede enquanto o sol
Baixava no horizonte,
Maigret tinha poucas horas
Com o cadáver,
Suficientes para ver ele
Por inteiro e fazer
As anotações equivalentes.
Enquanto vasculhava
O cadáver em busca
De indícios de sua morte
E de sua identidade,
Viu tratar-se de um sujeito
Masculino,
Seu membro sexual havia
Sido aberto por um objeto,
Um líquido branco escorria
De seu interior.
Anotou que fosse efetuado
Exames na secreção,
Pois identificava,
Orgasmo sexual.
Contudo, os ferimentos no
Início do membro
Deixavam a desejar se o ato
Havia sido de livre vontade.
Nisto, outro corpo chegou
E foi colocado ao lado deste,
Referia-se a uma vendedora
Que foi atropelada na saída
Do trabalho por um automóvel
Dirigido por um sujeito embriagado.
No entanto, a relação entre hora
E fato ocorrido foi questionada,
Vez que, ela continha esperma
Escorrendo por suas pernas
E seu corpo estava enegrecido
E gelado.
A circulação de seu sangue
Havia parado,
Talvez, um dia ou dois
Anteriormente ao acontecido.
Maigret olhou de soslaio
E logo identificou estas características
Peculiares no corpo
Que não lhe interessava,
Vez que outro perito iria
Averiguar os fatos.
Sem nexo entre morte
E crime não há verificação
No corpo,
Porém, havendo indícios,
É imprescindível que a vistoria
Seja feita e o caso criminal
Elucidado.
A identidade da vendedora
Era determinada,
A morte, até então, também,
Mas, as características eram
Questionáveis,
Se ela estava trabalhando
Por que estava com esperma
Pelo corpo?
Se morreu a poucas horas
Por que estava gelada
E tão escura?
Maigret parou de olhar
A moça e lhe deu as costas,
Retornando ao seu objeto
De estudos:
O cadáver masculino.
O perito verificava a identidade
De um sujeito que nunca
Soube da existência,
Mas, cuja alma merecia
Ser reconhecida e receber
Um culto ecumênico,
Bem... Exceto a questão sentimental
Este sujeito não era reconhecido
Como criminoso.
E isto lhe levou a olhar
O rosto maquiado da garota
Sobre a maca atrás de si,
Ela tinha traços de ser
Reconhecida contumaz
Como ladra de itens femininos
De uma loja local reconhecida.
Incomodado com a ideia
De o corpo ser internado
Como indigente num canto
Qualquer do cemitério,
Maigret criou um site
Anexo ao da Polícia Militar
Intitulado Não Identificado –
E uma sub aba onde
Se via escrito:
• Criminoso – e lá se anexava
A fotografia da pessoa,
E itens sobre a sua identidade,
Clicando sobre a fotografia
Havia a possibilidade de
O internauta interagir com o site policial
Colocando dados e provas
Sobre o que sabia do indivíduo
Que auxiliasse na sua identificação.
- morto: lá ele colocou
Uma fotografia de rosto
Do corpo encontrado,
E clicando nesta fotografia
Se viam outras que
Auxiliaram na identificação
Do morto por familiares
Para que seu cadáver
Fosse retirado do IML.
Também havia um meio
De conversar com o atendente virtual
Sobre dados do morto
E agendar horário para retira-lo.
Nisto ele decidiu
Que estes mortos estariam
Com seus cadáveres dispostos
Para reconhecimento por 01 mês no IML,
Após isso, permaneceria
No site apenas seus dados
De meio de morte e fotos
Para posterior verificação.
Um policial precisa
Estar atento aos direitos
Da comunidade
E um destes é o direito
Ao familiar que busca
O paradeiro de seu ente querido
Encontrá-lo e poder
Dar um respaldo a sua dor,
Dar um fim as suas buscas.
Enquanto, o sujeito não
Identificado também merece
Responder por todo o crime
Que tenha cometido,
E nisto, ter seu amplo
Poder de defesa reconhecido,
Pois, responderá pelo que fez
Assumindo sua identidade própria.
Terá nisto, a oportunidade
De ser visitado no presídio
Pela família e amigos
Que darão fim ao medo
De que ele estivesse morto.
Logo a página teve milhões
De visualizações,
E ele foi reconhecido
Por uma família humilde
Do interior do próprio município.
Datava de um mês
Seu sumiço,
E os familiares já haviam
Registrado ocorrência
Sobre o fato
Na delegacia do interior,
Que deu fim as buscas
Três dias após
Sem concluir paradeiro.
Maigret soube que seu colega
Que investigou a morte
Dá vendedora buscou
Por imagens de câmeras 
Instaladas na rua 
Em frente a loja de vendas
Onde a vendedora trabalhava
E viu lá uma camionete vermelha 
Que soltou um objeto 
De sua traseira aberta
No chão do asfalto 
E depois fugiu.
O objeto parecia
Ser identificado com
O corpo da vendedora,
No entanto, em horário 
Próximo viu-se um objeto 
Despencar da janela
Do segundo andar da loja,
Onde se localizava o escritório 
Do gerente.
O objeto foi reconhecido 
Pelos vendedores por
Tratar-se de uma manequim 
De plástico vestida
De roupas, acessórios e
Peruca vendidas na
Própria loja.
Isto ocorreu enquanto 
A faxineira limpava
O manequim.
Não havia testemunha 
Quanto ao primeiro objeto
Que perdeu-se da traseira 
Aberta da camionete vermelha,
E um acidente de veículo 
Poderia ter sido questionável 
De ter existido 
Pois, um pano foi colocado
Em frente a câmera 
Mais próxima e só após 
O corpo da vendedora 
Foi encontrado lá.
O perito olhou o relógio 
Várias vezes em busca 
De identificar se a morte
Ocorreu realmente 
No horário determinado 
Pelas vendedoras da loja feminina.
Além dos testemunhos 
Não havia outra prova,
Contudo, o esperma,
A rigidez muscular do tecido,
A cor de sua pele
Indicava mais tempo de morte.
E os familiares escoravam
Chorando um no outro
Querendo uma solução 
Ao conflito e
Uma resposta a sua dor 
Que não teria conforto
Até a verdade surgir
E o crime ser julgado 
Pela autoridade competente.

sábado, 20 de junho de 2026

Livre Para Sempre

- alô, Coronel?
Minha filha está
Em poder de bandidos
Me ajude!
Gritou Dinore desesperado
Do telefone,
Depois disso
Amedrontado, baixou
O telefone até seu peito
Que pulsava palavras
Incompreensivas.

Dinore decidiu vender
Parte da prioridade a estranhos,
E se apropriando dela,
O novo morador
Passou a fazer sua filha
De refém,
E desta vez a exigência
Era insuportável,
Seu amor.

Ele exigiu o amor de Alice.
Alice se desesperou,
Correu para dentro de casa
Evitou o jardim,
Abandonou seu pomar
E trancou-se.

O vizinho aterrador,
Vinha nos horários noturnos
E dava muros
Ao redor da parede
De madeira
Para que ela abrisse
A janela.

Ela encolhia-se entre
Os travesseiros,
E chorava descompassada.
Quem a protegeria?

A esposa dele
O chamava pelo nome
E alguns de seus filhos
Choravam alto.
-não mãe,
Não quero transar,
Não mãe.
Uma criança dizia
Em prantos
E o barulho em sua casa
passava.

Ela abraçava o cobertor
Como quem abraça o céu
E pede para ser transportada,
Ou qualquer coisa
Que a retire dali,
Sorrateira e salva.

Incompreensiva,
Odiou seu pai,
Odiou a venda da terra,
Odiou a si mesma,
Pegou uma faca
E passou a cortar
O próprio rosto
Até que filetes de sangue
Escorressem na frente
Do espelho se misturando
Ao pranto.

De dia,
Quando ele saia trabalhar
Ela passou a sair de casa,
Limpar a propriedade
Com a enxada
E podando as flores
Pondo seus galhos
Em vasos com terra
Para fazer novas mudas.

Ela precisava resistir,
Ser forte,
Enfrentar está dor íntima
Que lhe dava tanto medo
E desconforto interno.

Sua família desmoronava,
Sua terra fugia-lhe
Por entre os dedos
Feito areia fina
Que vai com o vento
E com a água
Que incontrolável invadia
E se aproximava cada vez
Mais de sua casa,
Suja e sedenta,
Sedenta por carregar
Tudo que pudesse,
Flores, árvores, bancos,
Talvez, sua casa...

Ela se deitava
Se cobria e aguardava
O dia em que algo
Lhe mudaria o destino.

O vizinho fazia festas
Regadas a bebidas
E drogas,
Entre as crianças e
Os adultos e logo
As investidas lhe chegavam
Inegáveis entre frases
E tiros ao alto.

Os olhares furtivos
Ficavam tão óbvios,
E filhos do vizinho nasciam
Outros morriam e eram
Jogados nas águas do rio.

Alice permanecia
Lutando por sua terra,
Trabalhando incontrolável,
Até que um dia a discussão
Acalorada chegou,
Com nervos a flor da pele,
Ela gritou de sua casa
Para diminuírem o som,
Pararem com as drogas,
E se definiu anti-estupro.

Este foi seu fim,
O vizinho embrenhou
Contra a sua casa,
Lhe pegou pelo pescoço
E carregou para fora,
Erguendo-a na área
Para expor sua fragilidade
Feminina.

Então, puxou seu vestido
E a deixou nua,
Erguida.
Ela resistiu.

E foi solta espasmodica,
E soluçante no chão frio
E sujo de poeira de sua casa.

Então, veio um vendaval
Intenso e arrasador
Que se chocou contra
As árvores e levou galhos,
Arrancou folhas,
E destelhou a casa vizinha.

Então, balançou do chão
Três enormes árvores
As fazendo pender
Contra a sua casa,
Girar e cair para o lado
Oposto.

Caindo sobre a estrada
E impedindo a passagem
Do vizinho que irritou-se
E denunciou a polícia.

Alegou que ela havia derrubado
As árvores de mau intuito
Para impedir sua passagem
E tentar lhe matar
Pondo em risco a integridade
De sua família.

A polícia veio
E lhe calou com a arma
Em punho,
Contra seu rosto,
Entre seus lábios
E pediu que se calasse,
O soldado disse que
Logo a medida de prisão
Seria decretada
E este seria o seu fim.

Uma multa exuberante
Lhe viria e cobraria
Tudo que possuía,
Iria para a rua,
Presa e encarcerada
Por ameaça e tentativa de
Assassinato além
De crime de dano contra
O meio ambiente
E outros afins.

Inconsolável,
Ela escorreu pela parede
Dá janela,
Levou as mãos ao rosto
E arranhou-se de cima
Abaixo,
Não queria sua beleza,
Rejeitava sua fragilidade,
Odiou cada pessoa,
Cada arma,
Cada perigo.
O soldado afastou-se
Irritado e truculento.

Alice
Esperou o vizinho chegar
E foi até o muro,
Então gritou,
Ergueu o punho para o alto,
Chorou e xingou das formas
Que pôde.

O vizinho pegou uma corda,
Jogou por sua nuca,
E a virou num movimento
Enlaçando seu pescoço,
Depois a ergueu contra
O muro.

Suas lágrimas escorriam,
Ela batia os pés,
Perdia o ar,
Esvaia-se sua vida.

Nisto o Coronel chegou,
De farda marrom,
Coturno marrom,
E aquele boné característico...

Levantou a arma
E mirou contra o rosto
Do vizinho e atirou.

O vizinho caiu do alto
Do muro para trás sangrando,
E ela caiu fraca no chão,
Entre a terra e grama,
Abriu seus olhos
Quando ele chegou
E lhe estendeu a mão.

De alguma forma,
Que não se sabe explicar,
Ela conseguiu erguer
A mão,
E apertou com toda
A força que tinha,
A mão quente 
E macia do Coronel,
Ele a pegou no colo
E a conduziu para dentro
A salvo.

Saiu para fora,
Foi até a estrada
E deu voz de prisão
Para o vizinho
E ordem de despejo
Sobre sua família.

Um ano após,
Alice vestida de branco,
Pegou seu buquê
De girassol e se aproximou
Daquela gente toda
Que estava sentada
No seu jardim.

A passos lentos
No seu scarpin branco
Liso de seda,
E seguiu até o altar
Feito até dentro do rio.

Os convidados se ergueram
Aplaudindo,
Uma banda iniciou
A música de entrada
Ao lado do altar,
O padre se virou sério.

Já no meio do altar,
Os convidados começaram
A reclamar que o noivo
Ainda não havia chegado.

E entreolhavam-se envergonhados.
Os pais se abraçavam
E olhavam ao redor,
Então, um helicóptero da
Polícia Militar surgiu no
Alto dos céus,
E lá estava o Coronel.

Depois sobrevoou até próximo
Ao altar e ele pulou
Dá janela aberta
Até o altar,
Chegou em Alice
Se ajoelhou com uma
Perna encostada no chão
De madeira
E A outra levantada.

A beijou na testa,
Retirou o buquê de girassol
De seus dedos,
O beijou e soltou sobre
A perna,
Então, buscou no casaco
Militar marrom uma chave
Que retirou do bolso.

Alice levantou
Os punhos para o alto,
Estava algemada,
O Coronel abriu suas algemas
E disse:
-“livre pra sempre!”
Ela sorriu,
Se agachou até ele,
E buscou seus lábios
Num beijo cálido,
E rápido.

Então, se virou para
As testemunhas e mostrou
As algemas soltas nos pulsos
E sorriu.

Um Ah, espasmodico
Surgiu de todos.

Ela puxou os pulsos
E jogou as algemas
No chão ao seu lado,
Depois virou-se para ele,
Retirou seu boné de Coronel
E soltou no chão
Ao seu lado,
Pegou na sua mão
E andaram os passos
Que faltava até chegar
No altar
Onde encontraram o padre
Sério e tomando água
De sua taça benzida.

O Coronel a beijou
No rosto,
Depois, puxou seu maxilar
Para ele e o beijo demorado
E apaixonado pegou
Todos desprevenidos.

Ambos choravam,
Os convidados bateram
Palmas e sorriram,
Abraçaram-se entre eles.

Alice e o Coronel
Levantaram suas mãos
Unidas e juntas para o alto,
Depois sorriram,
Se abraçaram demoradamente 
E olharam para o padre.

Labor por favor

Fui acordada por vozes
E o que mais me assustou
Veio após isso,
Uma classe privilegiada
De conhecimento jurídico,
Bem assistida
E remunerada
Estava trabalhando
Pra retirar minha identidade
Profissional.

Pois é, cada fotografia minha,
Cada vez que larguei
A caneta e fui cuidar
Dá minha propriedade rural,
Cada vez que discuti
Com minha família,
Cada vez que saí de casa,
As roupas e maquiagem
Que usei,
Os sorrisos que recusei,
O olhar que arrisquei,
Tudo isso estava sendo
Planejado e usado
Contra a minha imagem
E trabalho para retirar
Minha carteira de advogada.

São cinco anos de estudos,
Duas provas difíceis
Que eles cobram super caro,
Uma anuidade gritante
Que leva a maioria da classe
A falência logo no início
Da carreira,
E ainda eles tiveram capacidade
De invadir minha casa,
Usar sistema tecnológico,
Preparar emboscadas,
E vigiar cada um dos
Meus passos
Para me demitirem
Do que nunca fui contratada.

Não fosse minha conduta
Ser imaculada,
Toda a dificuldade que enfrentei
Para me defender
E a integridade da minha família,
Eu estaria inapta para a função
Que entreguei dedicação exclusiva,
Nunca me aproveitei de clientes
Ou funcionais,
Pois é, como são inacreditáveis
Estes que não trabalham,
Não tem conhecimento
Pra se manter trabalhando
Pois não compreendem
Que sendo concorrentes,
Não somos adversários.

Malditos são estes acostumados
Ao labor por favor.

Eu sou de origem humilde,
Venho da roça,
E sou dona,
Pra que tal atitude?
A corrupção é mais que afronta
É opressão,
Violência,
Assassinato por assinatura.

Labor em troca de favores
É anti profissional,
Labor por mendicância 
É anti profissional,
Labor por submissões 
É anti profissional,
Labor por hierarquia 
É anti profissional.

A advocacia não pertence 
A está classe de trabalhadores
Abusados pelo vínculo
Carteira de Trabalho,
Nós somos independentes
E somos iguais uns 
Aos outros,
Não imploramos para exercer função,
Não imploramos para receber honorários,
Não imploramos por anuidade digna,
Não somos subalternos,
Não obedecemos ordens,
Somos independentes,
Nos respeitem internamente 
E quem não tem conhecimento,
Por favor, saia da rede social 
E vá para a sala de aula
Por cinco anos,
Uma pós graduação 
E tantos livros.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Bom exemplo

O exemplo arrasta,
Ensina e mostra.
Todo início é difícil
Tem que fazer
O que não foi feito,
No melhor possível.
É bom quando
Tem um manual,
É ruim quando
Tem tempo hábil
E resultados fixos.
Se como fiz é certo,
É só ver como faço
E melhorar isso,
Pois copiar desnecessário,
Mas, ver o erro
E evitar é sucesso,
Ver o acerto
E melhorar é progresso.
Se como fiz
Produziu bons frutos,
Que ótimo,
Eu faria melhor
Se pudesse,
Queria ter feito perfeito.
Mas, você
Que me viu fazendo,
Agora sabe
O modo e o resultado,
A partir disso
É por sua conta e risco,
Nada tão simples,
Pois o viver é difícil,
Nada impossível,
Pois o fazer é do homem.

Fique comigo

Pois é,
Homem que amo,
Eu queria dizer
Coisas a contento,
Que te convencem,
Te levam a sonhos,
Te fazem me querer,
Fazer planos
Com meus planos.
E então, eu penso:
Por que demorou tanto?
Quem estava em primazia?
Fui então, última opção,
Que nada
Isso não é paixão!

Mas, não
Não direi isso, não.
Obrigada por estar,
Por acreditar,
Lutar minhas brigas,
Berrar minhas iras,
Deixar seu sono,
Aceitar minhas imperfeições,
Ver que falho,
Concertar as objeções...

Se sou ajudada
Já penso se fui o bastante,
Se é a meu modo,
Se poderia ter sido
Melhor e a que jeito,
Mas, isso está errado.

A verdade é que
Nunca tive ninguém,
E tendo sempre tive
Que perder,
Vivo um quase
Bem-vindo e sim,
Claro, logo me afasto
De você..

Eu estou a reflexos,
Chutando o alto,
Esmurrando o vento,
Brigando contigo
Sem relento,
Sem motivo,
Sem comento.

E você se esforça tanto,
Então, eu corro trabalhar
Para poder, ao menos,
Me calar e não dizer
Tanta besteira,
Que só me leva para trás
E me causa medo
De te perder.

O melhor do mundo
É ter você,
Mais nada vale tanto,
Sozinha sou fracasso,
Desalinho e prantos.

Como ocupo minha mente
Tanto a ponto
De calar as besteiras?
Poxa, não me deixa,
Eu amo você estar
E não importa como,
Nem o ano,
Nem o dia,
Mas esteja e pronto!

O que você faz
É perfeito
O que não foi feito
Só precisou de você
E mais nada,
Desculpa,
Não soube falar,
Se tivesse suado a camisa,
Secado o pranto no trabalho,
Você teria me visto
E eu não sofreria
A partir disto.

Desculpa,
Eu não sabia
Que trabalhar
Lhe traria,
Eu fui fraca.
Obrigada por você estar.
Me desculpa as cobranças,
As maleixas,
As mágoas,
E por favor entenda,
Quando escuro 
O alto nunca foi
Ou será contra seu rosto,
Eu o amo,
E grito
E por medo
Uso seu nome 
Porque acho
Que você 
Não irá ferir-me
Aí eu digo tudo,
E me arrependo,
Mas, continuo
E imploro que você fique
Porque eu mereço,
E te amo.

Vizinha Danada

A danada da vizinha
De bonita
Tinha as amigas,
Decidiu me chamar
Pra briga,
Juntou paus e pedras,
Me xingou a ver navios,
Me deixou apavorada,
Para com isso
Sua descontrolada.
Mas, que nada
Foi-se a dentro
E rumou-se de arma,
Mirou pro meu lado
E ameaçou atirar,
Que é isso descontrolada
Está tentando me matar?
Dei jeito
No alvoroço todo,
Liguei pro pelotão,
Pro povo fardado
Que tivesse arma,
Pelo amor de Deus
Venha me salvar,
Fui tirar umas palavras
Em tom alto
E a vizinha pôs-se
A me atirar,
Ainda não tenho
Qualquer furo a bala,
Mas o barulho
Lá daquela casa
Me choca
E me ruma,
Salva eu soldado
De armadura,
Ou aquela vizinha
Vai me pôr na tumba!
Agora a danada
Retirou um facão 
Dá cintura
Gritou alto
Chamou a polícia,
E aqui a espasmos
E espanto,
Se ela retira aquele fio
Dá bananeira 
Será que me corta
Ou só faz sangrar
Um pouco?

Um Princípe