domingo, 26 de outubro de 2025

Apelo Contra a Violência

Mulheres,
Apoiem-se,
Os braços de um homem
São sempre maiores
Que os seus,
Eles alcançam seu rosto
E seu corpo
Para te agredir
E por mais
Que vocês se esforcem
E acreditem em vocês
Vocês não deram capazes
De alcança-los.
Me envolvi
Num relacionamento destrutivo,
Eu não fui capaz de ser mãe
Mas, ele bateu na minha cabeça,
Quebrou meu braço,
E me jogou para meu pai
Terminar o que ele iniciou.
Não aceitem meias pessoas,
Não achem que vocês
Irão gritar
E eles irão te ouvir,
Não,
Eles irão se irritar
E espancar você
E isto leva a morte.
Enquanto vocês tentam acerta-lo
E se desvencilhar de seus braços
Eles já bateram contra
A sua cabeça
E você morreu
Por ter sequelas
Ou devido ao próprio ato.
Por favor,
Não se vendam por nada,
Não tenham filhos
Destes tipos.
#ApeloContraAViolencia

Os Intocáveis Violentos

“porque não veio água
Pra você,
Você vem me incomodar
Aqui em casa,
Eu não sou rio,
Eu não sou rio”.
Foi a resposta do meu
Próprio pai,
Sangue do meu sangue,
Meu sobrenome.
Há três dias
Sem ter água para beber,
Manter a higiene
Ou me alimentar
Ele diz isso.
Tá bom,
Ele casou-se
Com uma que não é minha mãe,
Tá certo,
Ele tem água
Para ele,
Tá bem,
O Rahat Ahmed
É rico e não me dá água,
Ok.
A vontade do meu coração
É te-los mortos.
Que Deus me perdoe,
Este não servir
Para esposo,
Que Deus me perdoe
Está estranha
Não servir para minha mãe,
Que Deus me perdoe
Meu próprio pai
Me abandonar,
Que Deus me permita
O livramento
Me envie a morte,
Eu não quero
Mais ve-los.
Ok, Deus,
A família Ahmed
São em cinco
Intocáveis e nunca mexidos,
Os leve para distante
De mim,
Eu sei , eles são ricos
Estão acima das minhas palavras
Aonde não chegam os meus pedidos.
Deus,
Você acha justo
Tudo isto que sofro?
Eu já fiz aborto,
Faz com que ele
Não me toque,
Deus,
Em Seu santo nome
Por favor.
Cortou,
Hoje e agora
Relações com meu
Próprio pai,
Sigo sozinha,
Me perdoa Deus,
Porque os Ahmed são intocáveis?
Há neles nome santo?
E ações, Deus,
Quais te favorece?

sábado, 25 de outubro de 2025

Em Frente

Na minha vida
Houveram perdas,
Algumas que acho
Que nunca poderei superar.
Mas, eu luto
Pelo que aprendi
Com elas
E não deixo de lutar
Por elas.
“O Coronel tombou”.
Disse o soldado,
Quando cheguei naquele corpo
Quase irreconhecível
De tanto sangue
Que tinha sobre seu uniforme.
“O Coronel caiu.”
As palavras que chegavam
Aos nossos ouvidos
Enquanto estávamos ali
Inertes não definiriam.
“O Coronel está morto”.
Eu juntei coragem
E disse ao buscar seus batimentos.
“Este coração deixou de bater”.
Eu continuei
Levantando e olhando
Para cada um.
Foi necessária a guerra
E ele marchou a nossa frente,
Matou inimigos,
Defendeu seus ideias,
Mas, o tiro veio,
Não se sabe de quem
E o levou.
Contudo, seguimos.
“Dois levam o corpo,
Os demais ficam”.
Eu poderia fugir
E me prender a dor,
Eu poderia desistir,
Não há vigília,
Acabou.
Mas, olho para aquele
Corpo que hoje segue amparado
Que preciso seguir,
Para onde ele vai agora
Precisam de nós,
“Ou a guerra rompe aqui
Ou lá atrás,
Rompe sobre aqueles que deixamos “.
Seguimos.
Os que sobraram.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Player Game

Querido,
Que caminho você segue,
Marchando a olhos cegos,
Segue reto a linha no horizonte,
Você não é capaz de ver,
Eu aqui a espera-lo,
Ansiar por um pingo
Do seu suor?
Não,
Isto não é um jogo.
E está sua lâmina
Solta ao lado de sua perna,
Não irá feri-la,
Não se levantara,
Mas me tira o sangue,
Me deixa a esmo
Nesta calçada,
Espada em punhos,
Mão no peito,
Você segue o quê,
Não é capaz de me ver?
Não, isto não é um jogo.
Mão dupla,
Fio afiado,
Dois gumes apontados
Para rumar o horizonte,
Cabo firme entre os dedos,
Não lhe pesa o que sinto
Sobre estes seus músculos
Moldados no ferro
E na minha impaciência?
Não,
Isto não é um jogo.
Você segue
E eu, permaneço?
Calça comprida até o tornozelo,
Terno asseado,
Aceite-me,
Eu rodo e hei hei hei,
Estudo e hei hei hei,
Aceite-me,
Vamos juntos
Eu sou capaz de acompanha-lo,
Aceita a honra
De eu poder marchar
Ao seu lado,
Estender a mão a você,
Apertar sua mão quente Coronel,
Não,
Isto não é um jogo.
Rodo, rodo e rodo
Sem parar.
Eu posso apertar sua
Mão esquerda,
Marcho deste lado
E você me mostra o caminho.

Solidão

Eu vejo seu vulto,
Me perco em memórias,
O tempo passa,
As lembranças vão junto.
Queria ter seu abraço,
Manter contato,
Entre tantas notícias péssimas,
Por que você não é aquela
Que me fez bem,
Se eu tenho curiosidade
E quero saber de você.
Eu o vejo tão humano,
Distante de mim,
Inseguro,
Eu não sei bem o que houve,
Mas, parece que sem você
Não há um futuro
Em que eu confie.
As pessoas ainda
Querem ter respostas
Para a minha vida,
Decidir quem vai e
Quem fica,
Eu não gosto disso,
Preferia que desta vez
Eu pudesse ter escolha
E tê-lo comigo.
Por quê
O que dizem é tão importante,
Por quê fica acima
De nós dois?
Por quê fomos impedidos
De estarmos juntos?
Eu queria tanto o seu abraço.
A solidão é pior que veneno,
Fere a casa dia que chama o nome,
Ou quando se mantém calada?
É como uma sucessão de ferimentos
Onde cessa o mais superficial
E mantém-se o outro,
Solidão é ruim,
Você ainda é meu socorro.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Tédio dos 36 anos

Hoje eu dormi bem,
Queria ter dormido mais,
Acordado sem dores,
Ter movimentos mais rápidos,
Mas, a idade chegou,
São 36 anos de dores
Por toda parte.
Uma vida bruta,
Repleta de trabalho
E esforços desmedidos,
Levou a mocidade,
Deixou cabelos brancos.
Foi estranho,
Mas, eu me vi afogada,
Aí como cada dia
É um esforço
Eu fiz um movimento
De puxar os músculos do pescoço
Para cima
Como se respirasse
Profundamente
E tentasse mover
Minha cabeça
O máximo possível.
Nisto, eu senti sair
De uma espécie de veia,
Creio que vazia
Que localiza-se do lado
Esquerdo do meu pescoço
Um líquido com algo
Como sujeira,
Como eu estava doente,
Com a narina direita trancada,
Eu puxei aquilo para a boca
E engoli
Sem ver o que era.
Anteontem,
Eu assoei o nariz
Com força,
Movendo músculos desde a coluna
Até chegar ao nariz
E expeli muco nasal e sangue.
Eu acho que
Das muitas vezes
Que entrei na água
Ou no banho,
Eu me afoguei,
De algumas sei,
E então, só agora
Estou me livrando dos resquícios.
Sinto fortes dores de cabeça
E nos músculos,
Assinado a empresária
Dona do estabelecimento
Que nunca funcionou
Sem eu estar aqui dentro,
Mas, que hoje confia
Em seus subordinados
E lhes apresenta atestado.
Beijos,
Fui pra loja de calçados
Comprar uns dois saltos altos
Porque mereço.

Por trás da Prisão

O policial fez blitz,
Assegurou alguns figurantes,
Me fez sinal de pare,
Estacionei e liguei o alerta.
Ele aproximou-se,
Bateu duas vezes
Com a traseira da mão fechada
Contra meu vidro...
Lá na cidade onde eu moro,
Eu tirei uma fotografia legal,
A garota do cara fardado
Não gostou do meu estilo,
Decretou minha morte,
E perdição do meu caráter.
Se infiltrou no sistema policial
E mandou a ordem:
“Prendam-na,
Este modelo de relógio
Que ela contrabandeou
Do Paraguay custa 24 mil”.
A informação era para ele segura,
Eu abri o vidro
Consciente da minha inocência,
Eu comprei na minha cidade
O relógio,
Não provinha do outro país,
Ele não quis ouvir,
Pediu nota fiscal,
Era usado,
Eu não tinha ali,
Como iria provar.
Ele se irritou
Mediante poucas palavras
Da tal moça
Em seu rádio
Pendurado a esquerda
De seu uniforme,
Levou a mão para dentro
Do carro,
Empurrou minha cabeça
Contra o volante,
Deu voz de prisão
E me tirou de lá algemada.
Nisto levou minha
Pequena mala de compras,
Eu tenho uma lojinha
Num bairro afastado da cidade,
Sobrevivo do que vendo,
Ele não quis saber,
Prendeu a mala e o que tinha
Dentro:
Maquiagem, roupas íntimas e etc.
Chegou minha denuncia
No Ministério Público Federal,
O valor equivalia a 24 mil
E um pouco mais,
Ocorre que 20 mil era suficiente
Para me manter lá,
Atrás das grades federais.
Estilo criminoso em potencial
Vestindo minha calça
Jeans colada azul,
Minha camiseta da Xuxa,
E o tênis de pisca pisca
Da promoção.
Tive o cabelo cortado,
Raspado até as orelhas,
Lá no presídio as garotas
Que entrar pegam piolhos
E pulgas,
Eles precisam manter
Este estilo de corte
Contra infestação.
O policial me ferrou,
Da sala dele
Ele toma seu café quente,
Eu me gelo aqui
Sentada neste chão frio,
Ele sorri,
Faz pose de abrir as pernas,
Eu consigo enxerga-lo.
Minha mãe deve estar
Sentindo minha falta,
Meu pai deve estar preocupado,
Há meses que não abro a loja,
Vou perder clientes,
Atrasar pagamentos respectivos.
Ele sabe disso,
Sorrindo e seguro
Anda até minha cela,
Agacha-se até o cheiro
Do seu café quente
Chegar às minhas narinas,
Me olha,
De olhos abertos e seguros,
Abre o zíper da calça,
Põe sua mão para dentro
Das grades,
Pega na minha nuca,
Eu nem olho,
Senti o cheiro...
Abre-se a possibilidade
De uma ligação para meus pais,
Eu preciso informar
Que estou viva,
E apenas presa,
Eu preciso de advogado
Em quem possa confiar,
Necessito de dinheiro,
Olho para seus olhos,
Agachada naquele chão,
É meu único meio,
Não peço tempo,
Meço esforços
Ou pouco me disponho.
Eu jamais irei dizer
Que não chorei
Quando aquele policial 
Pegou a maquininha
E passou no meu cabelo 
De baixo para cima,
Eu contei cada fio 
Do cabelo comprido escuro
Que caia sobre meus dedos
Naquele chão gelado,
Poucas passadas
Não sobrou nada,
Nem minha dignidade,
Repensei muito nas lágrimas 
Que caíam,
Nos fios que se misturavam,
Tentei fugir,
O rapaz,
Aquele mesmo que abriu o zíper,
Nem levantou de sua mesa,
Me viu tentar sair pela 
Porta da frente,
Como se eu fosse alguém normal,
Com aquele cabelo raspado,
O corpo ferido,
Ergueu a arma e atirou.
Quando cai de cara no chão,
Boca no piso,
Saltando sangue
Na minha frente 
Percebi que não xupo tão bem,
E a chave não foi esquecida 
Lá na fechadura por acaso.
Eu esperei pelo segundo tiro,
Aquele contra a minha cabeça 
Que estouraria meus miolos,
Mas ele preferiu me ver
Morrer sobre meu próprio sangue,
Afogada na dor,
E na distância,
Meus pais, talvez, nunca 
Irão saber disso,
Eu não pude avisa-los
Que aqui desfaleci.

Destino à ROCAM