Chegou a hora
Do adeus,
É despedir-se,
Agora,
E nunca mais.
Devolva-me
O retrato que eu te dei,
A carta que escrevi,
As promessas
Em que me baseei,
Devolva-me.
Tenho em mãos,
De lembrança da quinta série,
A carteira de cigarros
Aberta e quase ao meio,
Cigarros os quais
Eu não toquei,
Presente que com amor
Guardei.
Devolvo-lhe.
Eu não sei bem
Se era presente,
Se seria para eu
Pegar um apenas,
Ou pra segurar de instante,
Nem mesmo sei
Se você fugia da polícia,
Escondia sua droga comigo,
Mas, guardo desde
Aquela época,
E hoje
Devolvo-lhe.
O que digo
É que nunca contei,
Nunca ninguém me tomou,
Nem mesmo
Os professores
Ou os diretores pegaram,
Nem os colegas de aula
Souberam,
Me passar aquela carteira
Enquanto estávamos
Em passeata pela paz
Entre os colegas
Andando naquela avenida
Da nossa cidade
Foi o gesto mais encantador
E confidencial que ocorreu,
Devolvo-lhe.
Devolvo-lhe.
Devolvo-lhe.
Nunca usei,
Eu sei,
Deveria ser legal para você,
Uma garota livre,
Independente,
Mas, escolhi devolver-lhe,
Só hoje,
Devolvo-lhe.