quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Majed

Majed me abraçou
Apertado,
Entre o sereno frio
De um lugar arredio,
E os primeiros sonhos
De um casal enamorado.
“Amanhã o dia nasce
Outra vez”
Eu disse a ele
Com beijos em sua orelha,
Ele ficou arrepiado,
Ele olhava o céu
Bem lá no alto.
“E se o amor acabar?”
Ele indagou do nada,
Para provocar aquele
Frio na espinha
Dos tímidos.
“Se for amor
Não acaba”
Eu respondi,
Apertando seus ombros.
“O destino tem destas coisas”
Ele continuou,
De súbito
Virou para o meu rosto,
E meu coração palpitou,
Eu ganhei o garoto
Que estava voltado
Para a lua,
Eu era,
Naquele instante,
Um céu inteirinho.
“Que coisas?”
Perguntei,
Pegando seu rosto
Com carinho
Entre minhas mãos.
“Colocar grandes pessoas
Em nossas vidas!”
Ele respondeu,
E me abraçou apertado
E seguro de nós.

Na Palavra Amor

Amar foi apenas
Uma palavra
Até sair feito promessa
De seus lábios
Quando você disse
Eu te amo
E me abraçou forte.
Você deu sentido
A todos os livros
De romance que li
Para tirar o pó da estante.
Você deu sentido
A todas as horas
Que passei vendo
Filmes na televisão
Onde os casais
Falavam da tal paixão.
Você deu sentido
Aquelas músicas sofridas
Onde alguém dizia
Te amarei por toda a vida.
Desejo do fundo
Da alma
Que as mãos da vida
Te conduzam pelo melhor caminho.
Que a vida acaricie os teus cabelos,
Que a terra beije os teus pés,
Que o sol te abrace,
Que a chuva lave as tuas angústias.
Que as estrelas mimem o teu sono.
Que a paz sopre para longe
As tuas dificuldades.
Que a fé fortifique as tuas metas.
Que a felicidade seja tua parceira.
Que o amor te leve no colo.
Que a tua obra
Seja maior que o teu sonho,
Que tu sejas luz no mundo,
Que nisto tudo,
Estejamos juntos.

Meu maior sonho

Você é o auge
Da minha vida,
Meu ápice
De alcance,
O maior passo
Já feito.
Meu sonho mais real,
Que não mede esforço
Para tornar tudo perfeito,
Você é o melhor
Que Deus colocou
Em minha vida,
Meu maior sonho,
Minha felicidade preferida.
Não tem nada melhor
Que nós dois juntos,
Ver nossas mãos entrecruzadas,
Nossos sonhos e caminhadas,
Nosso olhar
Que se vê completo
Um no outro.

Irmãos Mendes

Certa vez,
Adilho acreditou
Em sua carreira de cantor,
Vendo o sol nascer
Cada vez mais quente
E a colheita cada
Vez mais exigente,
Largou tudo
Para investir na música.
Contudo, percebeu
Que precisava compôr
Letras para poder cantar,
Convidou seu irmão Antenor,
E fizeram uma dupla
Um tocava viola o outro violão.
Sempre que subia
Em sua carroça
Para ir até a roça trabalhar,
Adilho sonhava com a carreira,
E pouco a pouco escreveu
Suas letras.
Enquanto arava a terra,
Enquanto plantava milho,
O trabalho nunca foi árduo
O bastante para
Convencê-lo a desistir.
Com as letras em mãos,
Foi difícil ensinar
Tudo para Antenor
Que era analfabeto,
Adilho sabia pouco ler,
Mas conseguia se virar.
Sentaram embaixo
Da sombra do pé de bergamoteira
E iniciaram a cantoria,
Enquanto despetalavam
O pé de tabaco embaixo
Do galpão cheio da plantação,
E seguiu o sonho.
De tanto insistir
Em conquistar um futuro
De sucesso
Pegou sua aliança
E amaçou para usar
Como dedal para tocar a viola.
Foi triste o dia
Em que o dedal teve fim,
Quebrou ao meio
E a recompensa não veio,
Sentado em uma pedra
A beira da estrada
Chorou descompassada mente
Abraçado a sua viola.
Dona Norma brigou
Com seu esposo enciumada
Mesmo ante a ausência do sucesso,
Alguns discos foram gravados,
Mas, tudo não passou
De tempo perdido
Que compõem
Um livro de memórias
De um labrador
Que sonhar sonhou,
Mas, alcançar o sucesso
Nunca foi capaz.
Tudo que ele conseguiu
Foi tocar em alguns bailinhos
De comunidades da região,
Suas músicas foram apreciadas,
Porém, o sucesso
É um passo mais a frente.

Namadinha: "poto"

A senhora galinha Namadinha,
Senhora esposa do galo Mohame,
Cruzou por seu irmãozinho
Que estava triste
O rottweiler Wolverine,
Chegou perto,
Olhou para ele e disse:
“Poto”.
Ele levantou seu rosto
Do chão onde
Estava deitado
Viu Namadinha e sorriu,
Depois tornou
A olhar para a lua
Da noite
Que brilhava
Sem parar.
Alegre,
Namadinha foi abraçar
Seu irmão,
Chegou por trás dele,
A pequena galinha chinesa,
Arrepiou suas perninhas
E o contornou
De asas abertas
Pronta para abraçar,
Depois chegou próximo
A sua boca
E disse:
“Você está feliz?
Porque eu só tenho
Meu abraço pra te dar,
Mas, se você precisar
Mais que isso,
Eu boto um ovo meu”.
O Wolve levantou
O rosto e fez ares
De duvidar de sua irmãzinha,
A danada chegou perto
Do peito do garoto deitado,
Esperou um pouco,
Fez esforço,
Ficou bem erguidinha
Pro céu
Sobre as suas duas perninhas
E pôs um lindo ovinho
Branco e quente,
Saído da menina danada.

Fake Dói

Prosopom
Identifica na filosofia
O ator
Que ao constituir
O personagem no teatro,
Faz uso de uma máscara
Como meio de idealizar
Sentimentos e rostos
Diferenciados.
Vez que,
Em época antiga,
Era proibido
O trabalho feminino
No teatro,
Então, o homem fazia
Ambos os papéis,
E também, escrevia,
Vez que ela era analfabeta.
Na evolução mundial,
A era do progresso
Trouxe o nordestino,
Que empregou a palavra Fake
Para definir o sujeito
Fraco das feição,
Ou seja,
Disse ele
“Fulano é Fake dói”.

Companheiro

Uma pessoa verdadeira,
Seja homem ou mulher,
Gosta de pessoas íntegras.
Que se relacionem
Em busca de um parceiro,
Um alguém em quem confiar,
Uma pessoa verdadeira,
Que respeite
E queira estar perto.
Uma pessoa íntegra
Quer outro alguém
Para constituir família,
Fazer vínculo de sangue,
Ter filhos,
Viver apoiando
Um ao outro.
Uma pessoa verdadeira
Gosta que outro alguém
Seja só dela,
A queira bem,
A respeite,
Veja suas qualidades
E exalte sua beleza,
Moleques existem
Em todo lugar,
Porém, moleque
Não faz família,
Moleques faz sofrer,
Faz chorar.
Amar é casamento,
É respeitar,
Pertencer a outro alguém,
É amar a família do outro,
Respeitar seus entendimentos,
Estar perto,
Abraçar,
Cuidar,
Amar é rejuvenescer,
É vencer barreiras,
Ninguém quer moleques,
Nem suas próprias famílias,
Moleques são abandonados,
Só criam confusão
E ódio.
Zé Droguinha tem
Em toda esquina,
Morre a toda hora,
Não faz família.

Destino à ROCAM