quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Irmãos Mendes

Certa vez,
Adilho acreditou
Em sua carreira de cantor,
Vendo o sol nascer
Cada vez mais quente
E a colheita cada
Vez mais exigente,
Largou tudo
Para investir na música.
Contudo, percebeu
Que precisava compôr
Letras para poder cantar,
Convidou seu irmão Antenor,
E fizeram uma dupla
Um tocava viola o outro violão.
Sempre que subia
Em sua carroça
Para ir até a roça trabalhar,
Adilho sonhava com a carreira,
E pouco a pouco escreveu
Suas letras.
Enquanto arava a terra,
Enquanto plantava milho,
O trabalho nunca foi árduo
O bastante para
Convencê-lo a desistir.
Com as letras em mãos,
Foi difícil ensinar
Tudo para Antenor
Que era analfabeto,
Adilho sabia pouco ler,
Mas conseguia se virar.
Sentaram embaixo
Da sombra do pé de bergamoteira
E iniciaram a cantoria,
Enquanto despetalavam
O pé de tabaco embaixo
Do galpão cheio da plantação,
E seguiu o sonho.
De tanto insistir
Em conquistar um futuro
De sucesso
Pegou sua aliança
E amaçou para usar
Como dedal para tocar a viola.
Foi triste o dia
Em que o dedal teve fim,
Quebrou ao meio
E a recompensa não veio,
Sentado em uma pedra
A beira da estrada
Chorou descompassada mente
Abraçado a sua viola.
Dona Norma brigou
Com seu esposo enciumada
Mesmo ante a ausência do sucesso,
Alguns discos foram gravados,
Mas, tudo não passou
De tempo perdido
Que compõem
Um livro de memórias
De um labrador
Que sonhar sonhou,
Mas, alcançar o sucesso
Nunca foi capaz.
Tudo que ele conseguiu
Foi tocar em alguns bailinhos
De comunidades da região,
Suas músicas foram apreciadas,
Porém, o sucesso
É um passo mais a frente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Destino à ROCAM