sexta-feira, 9 de maio de 2025

O Mulato

Meados de 1800,
A escravidão corria
As ruas brasileiras,
Tinha lindas formas maranhenses,
Pequenas criaturinhas negras e nuas,
Corriam soltas as calçadas
Feitas de pedras
Por preços vis.
Lá, dos fundos da esquina,
Uma criança loira
Era puxada pelo braço
Para dentro de uma
Das casas grandes,
Feitas em pedras,
Cobertas por azulejos,
Com paredes internas percorridas
Por papel desenhados.
O calor escaldante de verão,
Fazia todos esconderem-se,
Em razão da invasão
Por botijas de água,
Portas e janelas
Precisavam manter-se fechadas,
Nem por isso,
Todas escapavam do arrombamento.
Lindas negras com seios
A mostra e bundas extravagantes,
Percorriam as ruas
Em direção ao rio
Ou chegavam até às carroças
De barris de água
Buscar preço atrativo.
Os pretos eram escolhidos
Para o serviço
Conforme seus atrativos pessoais,
Musculatura, partes íntimas,
Formato de rosto,
Dentes fortes.
Eram mercadorias
De um país em que o valor
Das coisas era medido
Pelo comércio de Portugal.
Ana Rosa, aos quinze
Tornou-se moça,
Contemplou seu corpo
Com ares de ter se tornado mulher,
Tão jovem e atraente,
Com formas tão femininas e ardentes.
Branca, de nascença brasileira,
Buscava no amor
Um jovem de dentes limpos,
Nariz comprido, pele vermelha
De nascença portuguesa.
Via nestes olhos,
Ah, quem dera, azuis,
O seu auge.
O concretismo de seus sonhos.
Aos doze iniciou namoro,
“Coisas de criança”,
Dizia a si mesma,
“coisas de criança”.
Iniciou o namoro com um estudante,
Que partiu em busca
Dos estudos e do qual
Não teve notícias,
Depois namorou um oficial
Da marinha,
Que afundou em navio
De guerra,
Em sua primeira artilharia,
Por fim,
Namorou um rapaz do comércio...
Tudo iniciou tão rápido
Quanto encontrou o fim.
Agora, aos quinze anos,
Moça feita
De formas adultas,
Não encontrava namorados,
Ninguém lhe provinha,
Sonhava o noivado,
Idealizava o matrimônio,
Via seus filhos
Tão nítidos quanto se vê
A luz do dia.
Contudo, ninguém lhe cabia,
A febre por encontrar alguém
Lhe acometida,
Adoecia e lhe levava a beleza,
Lhe vibrava o corpo
Esperar por alguém,
Contudo passaram-se os meses,
E nisto três anos.
Seu pai
Encontrou um jovem branco
Funcionário de seu mercado,
E lhe entregou a casamento,
Ana Rosa recusou-se,
Não se via presa a jovem
Tão fracassado,
Um pobre funcionário,
Sem ares para acessão social.
De tanta espera
Veio o choro,
A tosse a entupir-lhe
As narinas,
E quanto ao amor,
Nada lhe veio.
Manuel Pedro, português
Empregador e mercantilista,
Agora aos cinquenta e tantos,
Era viúvo,
Buscava noiva e companheiro.
Casou-se com moça jovem
De vinte e cinco anos,
A jovem apaixonada por revolucionário
Local que buscava liberdade
De pensamento e religião,
Não foi boa esposa,
Foi capaz de dar a Manuel
Uma filha,
Mais nada.
Logo após a filha morreu.
Poucos anos depois
De ter perdido
Seu único e verdadeiro amor,
Um jovem apelidado Farol,
Que morreu lutando
Contra a escravidão,
Amou Farol sem saber o motivo
De tanto ama-lo,
Em busca de valorizar
As riquezas locais.
Ele tão cedo morreu
Na miséria e foragido da justiça.
Logo após, faleceu ela.
Sobrou a filha,
Manuel trouxe a sogra
Para morar com ele
Dona Bárbara,
Ela trouxe seus escravos,
Tão rígida nos costumes
Que os levava para rezar
Todas as tardes,
De mãos abertas aos céus,
Ou algemados,
Chamava-os cabras ou sujos
Para que compreendessem
Sua superioridade como pessoa,
Vez que ela era branca
De origem portuguesa
E eles simples indígenas brasileiros.
Gente da terra,
Tão desvalorizados quanto
A própria terra de onde provinham,
Menos valorosos que os frutos
Pelos quais lutavam
Para obter de suas plantações.
Restou a Ana Rosa,
Manuel.
Cinquentão, viúvo.
Ela aos dezoito,
Adoentada de amores
Por um homem ideal
Que nunca existiu
Fora de seus sonhos.
Ele pai,
Ela sonhadora em ter família.
Ele ou o funcionário
De seu próprio pai,
Rapaz jovem de dentes podres,
Estatura medíocre,
Descendente nacional.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Perto da Gente

Em um mundo conturbado,
Tudo evolui
E as coisas parecem fugir
Do controle,
Vêm os filhos,
O nosso reino
E nosso mundo.
Neste instante,
Tudo acontece lá fora,
A gente tenta distinguir
O que há,
O que disso importa,
Olhamos para dentro
Ele está aqui.
Simples, seguro,
Com seu rosto mais perfeito,
A esperar por nossos carinhos,
Donos de um império
Sem fim,
Mas tão da gente, enfim.
Bem cuidados,
Protegidos e amados,
O amor é feito destas coisas,
Do que está perto,
Do que está dentro de casa,
Do que está dentro de nós,
Isto é o que tem valia,
O que devemos dar importância,
Entregar nosso tempo,
Porquê o lá de fora,
Tem de entregar
E mais de desperdiçar,
Aqui dentro,
Perto da gente,
Só tem o que é de amar.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Romance no Trabalho

Anísio, empresário famoso
Na área automobilística,
Contratou nova secretaria,
Desta vez, selecionou
Com base em suas prioridades.
Depois de trinta e cinco anos
De casado,
Dois filhos adultos e familiados,
Ele desejou uma moça
Que atendesse a caprichos,
Pessoa jovem
E com virtude para satisfaze-lo,
Tudo simples.
Ora, o ramo automobilístico
Rumou sua estrada para o alto,
E está linha remuneratória
Nunca reduziu.
O salário atenderia aos critérios.
Pôs um único anúncio
Nos jornais locais,
Sem alarde surgiu uma moça
No vigor de seus vinte anos,
Minissaia curta e vermelha,
Discrição entre os lábios,
Salto alto para elevar a estima,
Blusa de decote
Para charmosear seus botões.
Não tardou,
A esposa descobriu a indiscrição,
Mulher criteriosa
E esperançosa na vida matrimonial
Investigou os gastos,
Descobriu viagens caras,
Um prédio em nome da moça,
E um show de rock particular
Negado para a filha.
É certo que a filha,
Pedir um presente
No valor milionário ao pai,
Seria desarrazoado
Em critério normais,
Contudo, ele não pensou
Duas vezes em pagar
O mesmo valor a uma estranha.
Suas varizes começaram a latejar,
As dores lombares clamaram justiça,
Foi até o prédio onde ele trabalhava,
Juntou imagens do circuito
Eletrônico da empresa,
E rumou para a sala dele.
O encontrou sobre a mesa,
Esparramado em seus cabelos brancos,
Com a secretária ajoelhada
Sobre seu saco.
Rindo aos berros,
Gemendo feito um garoto.
Ela não bateu,
Empurrou a porta
Até marcar a parede da sala,
Tirou o salto dos pés,
E bateu com a própria mão
No chão da sala,
Então, o chamou:
-Anísio!
Ele levantou a cabeça
Para o lado dela assustado.
- o que você está fazendo?
Ela gritou,
Aterrorizada.
- Pamela, nossa casamento acabou,
Você não pode me prender...
Ela gritou alto,
Esteticamente.
- acabou?
Só porquê você está rico?
Rico?
Nunca.
Nunca acabará, meu bem!
Então, saiu porta a fora,
Batendo a porta atrás de si.
Anísio, ficou empertigado,
Irritou-se em demasia.
A secretária Maria Clara,
Abriu a bolsa e entregou a ele,
Um remédio...
- única dose,
E ela não irá importuna-lo mais.
Então, subiu sobre a mesa,
Trepou em seu pênis,
Beijou sua boca inúmeras vezes,
Enquanto dizia:
- não deixe ela nos separar,
Meu bem.
Somos felizes,
Eu cuido de você!
Enquanto cavalgava
Sobre o pênis dele,
Ela fechou a bolsa
Preta que estava sobre a mesa
Ao lado de ambos.
- eu não vou perde-la,
Eu não vou perde-la.
Ele disse,
Juntando seu rosto
Entre as mãos,
E a beijando sôfrego
E apaixonado.
Na saída do trabalho,
Passou em uma lanchonete,
Pediu pizza e suco,
O preferido de sua esposa,
Suco de côco com leite condensado,
Misturou o líquido do vidro inteiro.
Chegou em casa,
Deixou o carro na garagem,
Entrou por dentro,
Abriu a porta e chamou-a:
- amor, me perdoe.
Trouxe um lanche
Para a sua noite.
Ela desceu as escadas atônita,
Olhos inchados,
Cabelos em desalinho,
Pés inchados e mancos.
Pegou a pizza,
Bebeu o suco.
Não terminou todo o conteúdo,
Caiu estatelada no chão.
Ele teve tempo de ampara-la,
Não soube porquê,
Mas o fez.
O coração dela disparou,
Em sobressaltos parou.
Ele virou-a de frente em seus braços,
Fechou seus olhos.
A cabeça dela caiu para trás,
O vestido verde comprido
Molhou-se de súbito,
Como se fosse um xixi,
Nenhuma lágrima
Veio aos seus olhos.
Ele a deixou ali,
Três horas depois,
Chamou os filhos,
Disse que chegou tarde
E encontrou-a caída.
Levada ao hospital
Para exames cadavérico,
Anísio contratou um reconhecido,
Pagou pouco,
Cinco milhões
E ela caiu da escada,
Fraturou o tornozelo
E morreu de dor,
Em razão da velhice.
No velório,
Nada denunciava o que houve,
Paloma entrou na igreja,
Foi até Anísio ao lado do caixão,
Beijou o rosto dele,
E beijou os dedos dela.
- sinto muito.
Ela falou em alta voz.
Os filhos apenas a olharam
Em seguida baixaram
Suas cabeças para sobre a mãe.
Do local mesmo,
Ele acessou com sua senha
O circuito de vigilância
Da empresa e de casa,
Olhou a imagem da esposa
Parada na porta de casa,
Em uma das janelas de imagens,
Parou o dedo acima da tela,
Então, Paloma tocou em sua mão
Em sinônimo de força,
Ele baixou o dedo
E apagou cada filmagem.

Aniversário da Vovó

- um brinde ao aniversário
Da vovó!
Dona Lúcia ergueu a taça,
E chamou todos ao brinde.
Completava, então,
Setenta anos.
Estavam todos presentes,
Amigos próximos,
Os filhos e netos.
- um brinde a vovó!
Todos disseram
Em uníssono,
Com vibrações de felicidades
E palmas.
- comprei a melhor champanhe,
Sim, permito a todos hoje
A ingestão de bebida alcoólica,
Até mesmo a bebê de quatro anos
Disse a vovó sorrindo,
Fazendo um gesto de carinho
Em direção a menina
De rosto vermelho, sorridente,
Vestida num vestido branco
De renda, cetim e laços.
- é branco vovó,
Vou usar para o seu velório,
Pois branca é a cor da inocência.
Gritou a menina,
Que há pouco aprendeu a falar.
- ah, que dócil criança,
Tão linda menina, Dora.
Dona Lúcia
Bebeu todo o líquido da taça,
Depois voltou a falar.
- dou a ela,
Conforme fiz com todos
As mensalidades da educação
Escolar toda quitada.
Uns olharam para os outros,
Sem entender o uso da palavra “dou”,
Mas optaram por beber o líquido
De suas taças para aproximar-se
De vovó,
E fazer suas cenas de carinho
E afeição,
Buscando equilíbrio,
Lucros no que refere-se a herança.
O advogado de vovó
Estava presente.
A conversa sobre a confecção
De um testamento
Se espalhou rápida,
Um queria parte maior
Que o outro,
Cada um tinha suas
Alegações a respeito.
Porém, ao final da primeira taça,
Com ódio no olhar
Contra o namorado da vovó,
Ali presente,
De um a um eles caíram ao chão,
Olhos fechados,
Dormiam feito crianças.
- pois é Doutor FonteMar,
Dormem feito bebê,
Assim deixam de espalhar
Seus boatos de maldade,
E eu decido o que cabe
A casa um.
Ela o olhou seriamente.
- peço que deixe os documentos
Que pedi ao senhor
Que confeccionasse para cada qual,
Peça ao transportador
Que espere do lado de fora,
E certifique-se com a segurança
Da casa
Para a retirada dos pertences,
E de cada uma dessas pessoas
De dentro de todas as minhas
Propriedades,
Manterei seus devidos empregos
E salários, nada mais.
Ela soltou sua taça vazia
Sobre a mesa de centro,
Pediu a faxineira
Para fazer a limpeza
Já que algumas taças quebraram-se,
Tomou a mão de seu namorado,
Formalizou o noivado
E o levou para o quarto.
Ao acordarem o povo
Olhou-se estranhos
Um ao outro
Sem entender o que houve.
Alguns juntaram suas taças
Vazias de cima da mesa,
Embaixo delas havia
Um bilhete:
- está taça contém o pó
Que vocês deram de beber a vovó.
Alguns leram em voz alta,
Olharam-se avermelhados,
E atiraram-nas um contra o outro.
Então, o advogado pediu licença
E explicou:
- sofrida em suas amarguras,
Vovó encomendou um pó
De suco especial
E deu ordens a empregada
Que fingisse que era veneno,
Sugerindo a cada um dos presentes
Dar a vovó dissolvido em bebida
Para ela consumir e morrer.
Todos fizeram o sugeridos,
E acreditaram que vovó
Sobreviveu devido a sua fé.
Diante, vovó excluiu a todos
Do testamento.
Leonardo recordou
Que ao fazer isto,
Foi para a balada,
Gastou a noite toda,
Pagou a festa para casa
Um dos presentes,
Ganhou todas as mulheres
E comprou um iate.
Logo no outro dia,
Teve o cartão de crédito cancelado por ele.
Leandro, demitiu todos os funcionários
E fechou a empresa,
Imediatamente, todos
Retornaram aos seus empregos,
E a empresa não mudou em nada.
Natasha, comprou uma ilha,
Preparava suas roupas
Para ir morar no castelo de lá,
Quando seu cartão foi rejeitado
Na loja de roupas e jóias.
Natália comprou um avião,
Estava em busca de piloto
Particular para ir para o estrangeiro,
Quando o cartão foi rejeitado
E a divida extornou.
Só sobrou até então,
Os valores gastos com o funeral,
Contudo, logo abaixo
Do pedido de despejo de cada
Qual das propriedades
Que pertenciam a vovó,
Estava um cheque assinado
Por ela,
Com os devidos valores
Que cada qual gastaria com ela.
A ordem de despejo
Era imediata.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

O Adeus

Enfim...
Para o lugar
Onde outros não podem ir...
Adeus,
Fim.
Ele ligou última vez,
Não sei se quis realmente
Me ver,
Depois, perdeu a cor
Escura e marrom,
E amarelo e esbranquiçado,
Foi.
Restou pele flácida,
Perdeu o sorriso dos lábios,
Uma surpresa veio aos olhos,
Depois, deitou-se,
Adormeceu estigmatizado,
Foi um espasmo de adeus,
Um espasmo de vida,
Um sopro que lhe faltou.
Estranha
A reação do corpo,
Buscar proximidade
Com quem não quer,
Intensificar desejos,
Tentar alcançar
O fora do alcance.
Olhos vívidos
E brilhantes,
Apagaram-se
Para sempre.

Convite Para um Homicídio

O jornal impresso
Já foi mais requisitado,
Em tempos não tão distantes,
Era requisito para o café da manhã,
Acompanhamento do chá da tarde.
Contudo, ultimamente...
Disse Rodrigo,
Baixando o jornal sobre a mesa,
Quando num instante
Algo lhe chamou a atenção:
“Convite para Um Homicídio!”
Ele retornou a olhar,
Ergueu o jornal bem próximo
Aos olhos,
Leu e releu a frase,
Depois buscou informações
Que constava logo abaixo
Da frase,
Rua das Hortências,
N 2538, bairro centro,
Cidade São Paulo.
Horário, dezesseis horas.
- Claiton, Claiton,
Corre aqui e leia isto para eu.
Claiton deixou o pano
De limpar a mesa do café,
Veio até o senhor Rodrigo,
Um idoso de oitenta anos,
Cabelos e barba branca,
Visão fragilizada pelo tempo.
- o senhor nunca reclama
De não conseguir ler
Senhor Rodrigo,
O que houve hoje,
 É porquê está nublado o tempo?
Ele indagou,
Chegou ao lado do idoso
Que sentava-se sobre um banco,
Nas sombras do café,
Na calçada da cidade de São Paulo.
Pegou o jornal que o senhor
Alcançava,
Leu o anúncio,
A pedido releu outra vez.
- não há dúvida, senhor.
Está escrito isto.
O jovem falou.
- mas é daqui a uma hora,
E o local fica a duas quadras?
O velho falou,
Abismado com o até viu e ouviu.
- sim.
Em pleno ano de 2025
E alguém usa de estardalhaço
Para aquecer a venda de jornal.
Ele disse
Devolvendo o jornal
Nas mãos de Rodrigo.
- não penso isto.
Achei tudo muito minucioso.
Não parece fictício,
Quase me sinto com medo.
Rodrigo falou,
Sorvendo um gole de café.
- imagine, está tudo bem.
Não preocupe-se.
Homicídio é crime,
Aliás, este anúncio também não
É muito sensato.
Ele disse,
Organizando a camisa amarela
Do velho,
E o ajudando a sentar-se
Melhor no banco.
Depois, voltou aí trabalho.
Rodrigo folheou as páginas,
Logo adiante,
Havia “busca-se emprego”.
Havia ao lado a discrição
Da pessoa e uma foto sua.
Depois disso,
Havia um impresso de página inteira,
Em tons enegrecidos,
Mas muito visível.
“Acidente automobilístico tira a vida de uma jovem”,
 Embaixo dos dizeres
Tinha uma impressão
De sentença de um juiz
Onde prescreve quatro anos
De apenamento do responsável
Pelo crime,
Apreensão da carteira de habilitação
E dois anos de impedimento de direção de automóvel.
Abaixo, quase no fim da página,
Havia uma foto
De um homem com as mãos
Sobre o rosto
Em prantos,
Umm carro azul destruído
Logo a frente dele,
Uma mulher ao volante ensanguentada,
E aparentemente desfalecida.
- jeito triste de morrer hein,
Claiton?
Esmagada contra um carro,
Sem chances de viver...
Disse o idoso.
- triste senhor Rodrigo,
Deve doer.
Triste mesmo.
Comentou alto o rapaz,
Servindo um casal na mesa
Dentro do café.
- mas, se este da foto
Foi o assassino,
Está sofrendo,
Não sei o que dizer...
Disse Rodrigo.
Claiton, saiu rápido
Para fora do café,
Deu uma olhada de soslaio,
E comentou:
- qualquer um sofreria.
Matar alguém deve ser difícil.
O rapaz comentou,
Limpou a mesa de frente
De Rodrigo
E retornou para dentro.
- veja Claiton,
As horas passam.
Está se aproximando o horário
Descrito no jornal.
Rodrigo falou,
Consultando o relógio.
De repente,
Um movimento inesperado
De pessoas passa a percorrer
As ruas,
Conversas baixas,
Olhares curiosos,
Indo em direção ao local,
Lhe pareceu.
Claiton ligou a televisão,
E o plantão de notícias
Noticiou a manchete do
Jornal local.
O apresentador riu,
Mas, disse que em razão
De o jornal ser de grande
Circulação,
Estavam levando a sério
A notícia.
Disseram ainda
Que entraram em contato
Com o redator do jornal,
E obtiveram a informação
De que a notícia,
Embora, devidamente paga,
Através de transferência bancária,
Se originou por telefone,
Como uma espécie de ameaça.
Se referia ao pai
De uma jovem
Que buscando justiça
Por ter perdido a única
Filha através de um acidente social,
Deu repercussão ao acidente
Por todos os meios possíveis,
Com o intuito de evidenciar
Que não foi por descuido,
E implorou por justiça
Por parte do judiciário,
Alegou que tudo que queria,
Era unicamente isto.
Então, postou a foto
De como um trabalhador
Pai de família
Encontrou sua filha,
Ensanguentada,
Presa num veículo,
Morrendo aos poucos
Por dor e negligência.
Neste aspecto,
Ele mostrou sua dor
E resignação ante ao fato,
E recebeu após a repercussão
Da notícia e fotografia
Ligações de ameaças e ofensas,
Foi chamado de assassino
Da própria filha.
Inclusive, o próprio
Veículo de comunicação
No qual ela deu repercussão
Ao acidente,
Houve ofensas dirigidas
Diretamente contra ele.
Agora, amedrontado
Não pode sair sozinho de casa,
Sofre ameaças,
E o juiz foi ameno
E na concepção dele
Parcial ao proferir sentença,
Considerou a moça,
Filha única,
Como um animal
Que morre esmagado no asfalto.
Segundo o jornalista,
O homem gritava:
“ Ela não é um animal,
Ela não é um animal!”
E avisou que será morte
Por morte.
- veja só Senhor Rodrigo,
Será que matará o juiz?
Indagou Claiton lá de dentro.
- pois é,
Matou mesmo a filha dele.
O rapaz continuou.
- o juiz dizer que foi
Sem intenção de matar
Que ocorreu o acidente,
Alegar negligência
Através de veículo automotor,
Realmente, parece estar
Sendo omisso com relação
A dor de perder um ente querido...
Disse Rodrigo,
Com o coração aos saltos.
- sim, Senhor Rodrigo,
Se morte é morte,
Porquê se for através de um veículo automotivo
Eles querem dizer que o crime
É menor?
Perguntou o jovem.
- não sei.
Mas este homem está
Respondendo em liberdade,
Com certeza,
Já está dirigindo pelas ruas
Da cidade.
Você se cuide
Ao voltar pra casa viu?
Disse Rodrigo.
O jornalista ainda dizia algo,
Para finalizar,
Informaram que mandaram
Um jornalista especializado
Da capital de São Paulo
Para de fazer presente no local
E filmar o que ocorrer.
Encerrou a nota indagando:
“quem este homem irá matar?”
A programação na televisão
Voltou ao normal,
Na cidade nem deixou de estar,
Não fosse pelo aglomerado
De pessoas aos bandos
Próximo ao local de encontro.
Alguns portando armas,
Outros usando drogas,
Viaturas policiais assustadas,
Que fecharam seus vidros
E pareciam estar cegas,
Contudo olhando o povo.
Ao pé das dezesseis horas,
Nem um minuto menos,
Ouve-se um tiro não muito distante.
Rodrigo levanta-se,
Retira o chapéu da cabeça
E corre as tais duas quadras.
Claiton, se eleva
Nos degraus do café
E tenta buscar informações.
Chegado no local,
Rodrigo descobre
Em meio a certa multidão,
O tal homem que se envolveu
No acidente de trânsito
Com a moça, morto.
- que houve,
Que houve será?
Ele perguntou
A uma mulher que estava
Em pé ao lado do cadáver.
- recebeu uma ligação,
Ali dentro da loja,
Saiu para fora,
Virou para aquela direção...
Ela apontou com o dedo
O local onde havia um prédio alto.
- levou um tiro na testa
E caiu estremecendo,
Depois, não se moveu mais.
Veja, parece que tem um
Homem na janela lá do alto.
Ela falou,
Se referindo ao prédio.
Rodrigo olhou o homem desfalecido,
Fez o sinal da cruz
E retornou ao café
Com as notícias.
- pelo visto o enlutado
Cumpriu com sua palavra.
Ele disse na chegada.
Pessoas se juntaram nas proximidades,
A rua foi completamente fechada
Devido a aglomeração,
Carros paravam onde estavam,
Isto se referia,
Até aproximadas cinco quadras
De distância do local.
O repórter do jornal televisivo,
Filmou o homem morto,
Mostrou o tiro,
E o rosto do indivíduo,
O juizado local silenciou.

domingo, 4 de maio de 2025

Organização Criminosa Policial

- cuidado.
Ele gritou
Atirando-se no gramado,
Caindo de lado,
Um revólver vinte e dois
Entre os dedos,
Um tiro foi disparado,
No instante em que se jogou,
Depois outro,
E outro,
Então, alcançou a altura do
Muro verde e parou.
- ahn.
Um grito ensurdecido de dor.
Sua esposa estava atrás de si,
Só desejou que o maldito
Não a tivesse atingido,
Ao vê-lo parado
Com aquele sorriso gelado,
E aqueles olhos azuis do inferno,
Seu coração gritou socorro
E seu buquê de rosas vermelhas
Lhe soaram sangue.
- Rosas?
Ele gritou nos seus
1 metro e 80 de altura
Na sua voz feminina.
A esposa Gerinda sorriu,
Ela ama flores,
Eu só lembrei de pôr
O pé na escada,
Levar a mal ao bolso
Para pegar a carteira,
Então, o vi.
Corri...
A escada fica de frente para a rua,
Dez metros antes da casa
Se completar,
E dobrar para a outra parede.
Minha esposa molhava o jardim,
Extremamente, nesta parte.
Dez metros,
Mais dez até eu me pôr
Na frente
E retirá-la daquela mira.
- meu Deus,
Vinte metros é pouco.
Minha mulher.
Minha mulher!
Danilo gritou sangrando.
O tiro veio.
Pareceu-lhe que era um
Único disparo.
Cortou e sangrou,
Mas acreditou que a bala
Se alojou.
- Corra Gerinda!
Se jogue no chão,
Se arraste até atrás de mim...
Ele gritou.
- Amorrrr.
Gerinda gritou.
-ahn.
Ele tentou sufocar o grito
De felicidade,
Estava viva.
Ele levou a mão pra frente,
Juntou a grama,
Tentou se segurar nela
Para se levantar,
Arrancou o gramado e terra molhada.
Chorou silenciosamente.
A mão direita com o revólver,
- eu vou mata-lo.
Que eu o tenha matado!
Gritou e gemeu feito um touro,
Ao ver pasto verde
Atrás do muro,
Preso em potreiro de grama seca.
#
- querido,
Nossa cachorra Fareka morreu...
Gerinda disse,
Entrando para dentro
Com a cachorra imóvel
No colo.
Danilo parou de teclar no notebook,
Fechou a tampa,
E olhou atordoado para ela.
- o quê?
Nossa filha?
Nossa menina.
Ele disse,
Levantou-se,
Pegou o bichinho
Sem vida.
Trouxe ela para seu peito,
Acariciou seus pelos
E chorou feito criança.
- como aconteceu isto?
Ele indagou perplexo.
- olha, eu encontrei semana
Passada bolinhos
Ao lado do muro,
Imaginei que alguma criança
Tenha jogado,
Será que ela comeu demais?
O peito de Danilo arfou,
Ele chorou ainda mais.
-Minha esposa,
Amada mulher,
Deram a ela veneno!?!
Ele disse,
Incapaz de controlar
A dor e o sufoco.
- mas, não vi ninguém
Querido,
Quem faria isso?
É só uma cachorrinha.
Ela respondeu em prantos,
Colocou uma mão em seu ombro,
Depois abraçou ambos.
- não vi ninguém,
Juro.
Ela falou.
- querida Gerinda,
Vamos tomar cuidado,
Eu fui designado
Para uma operação policial
Perigosa.
Ele disse.
Virou-se para ela e a abraçou.
- há uma quadrilha de policiais,
Eles estão agindo contra a lei,
Usam sistemas policiais,
Todos os disponíveis,
Armas e treinamentos próprios,
E fazem tudo isto em função
De lucro financeiro...
Ela agarrou-se a ele,
Tremendo de medo.
- querida Gerinda,
Você sabe o quanto
O salário no geral
É baixo.
Estas pessoas entraram
No sistema policial
Apenas pelo lucro...
Ele pegou o rosto dela
Com uma mão
E apertou até vermelhar.
-querida, eles tem treinamento,
Armas, os sistemas...
- meu Deus Danilo.
Eu não o quero morto,
Querido, não nos quero em risco.
Ela respondeu.
Olhando séria
Em seus olhos azuis marejados
Feito uma piscina
Que transborda.
- eu vou te proteger até a morte,
Eu enfrento o risco.
Eles são fortes.
Ontem eu os peguei
Matando o dono de um banco
E sacando todo o dinheiro
Que havia lá,
E nisto foi um rombo
De bilhões
Em único ato...
As pernas dela fraquejaram,
Ela caiu.
Ele soltou seu rosto
E a manteve erguida
Pelo ombro.
- meu amor,
Hoje mesmo as provas
Foram apagadas...
Apagaram todas as imagens,
E as poucas testemunhas
Estão sendo eliminadas,
É muito dinheiro,
Muito.
Eu acho que já pertenço
As testemunhas.
Ele falou sério.
- seu chefe,
De qual lado ele está?
Ele precisa ajudar.
Ela disse.
- me sinto desesperada.
Ele massageou seu ombro.
Depois beijou seus lábios
Com calma,
Sentindo o sabor
De suas lágrimas.
- querida,
O esquema é tão sofisticado
Que eu não posso dizer...
Então, a puxou
Para seu peito,
Apertou esposa
E cachorra para
Reter um pouco de força.
Porquê, um homem
Também fraqueja,
Sentiu o cheiro de seus cabelos,
Por um momento
Esqueceu a morte da cachorra,
A filha do casal,
Absorveu o calor dela,
Ficou tanto tempo assim,
Que seu braço gelou
Onde estava o animal.
- faça o que puder por nós,
Querido, eu o amo,
Não quero te perder Danilo.
Ela disse ofegante.
- querida, Gerinda,
Eu sou totalmente a favor da lei,
Jamais iria pôr sua vida,
De nossa família,
Ou nossos pais em risco.
Estas pessoas,
São fortes e em grande número,
Eles não se importam
Com quem irão matar
Ou qual o custo
Para obter o que desejam,
Nós somos empecilhos a anos...
Ele disse,
Olhando o alto.
- querido,
Não querer dinheiro
Por custo de crime
É sério empecilho?
Meu Deus,
Como sobreviver?
Ele a beijou
Em seu ombro.
E ficou parado ali
Por um tempo.
Depois a empurrou
Com carinho para trás.
- vamos enterrar o bichinho.
Nisto, saiu para fora.
Foi para o lado oposto da casa,
Nos fundos do quintal,
Parte direita,
Cavou um pequeno buraco,
E a pôs lá
Com sua almofada de dormir.
Este foi quatorze horas
Depois da descoberta
Do crime
Sabendo que foi designado
Para descobrir
Qual a motivação
De o videomonitoramento
Da cidade comandado
Pela polícia
Estar sendo misteriosamente
Estragado.
Simplesmente, imagens sumiam,
Câmeras eram quebradas,
Postes derrubados logo
Após serem colocados,
Neste intuito,
Ele designou alguns policiais
Para fazer uma pesquisa criminal
Apresentando números
De registros de delitos
E tipos de delitos
E o local onde eram coloridos
Com vistas a implantar
Monitoramento por câmeras
Nestes locais específicos
E assim poder inibir a ação criminosa,
Bem como, prender estes
Criminosos.
Neste aspecto,
Ele fez o levantamento de dados,
Escolheu os postes,
Os tipos de câmeras necessárias,
E designou pessoas para
Instala-las,
Estava, então, escolhendo
Quais policiais propriamente ditos,
Atuarial nestas áreas,
Conforme grau criminoso
Do lugar
Para fazer um rodízio
De pessoas
E buscar o melhor desempenho
De serviço.
Porém, as viaturas passaram a
Apresentar problemas,
Os policiais alegaram perdas de armas,
E, mal as câmeras chegavam
Já eram danificadas...
Foi então,
Que uma viatura se destacou,
Dois policiais pareceram
Suspeitos,
Ele conseguiu implantar
Câmeras em suas roupas,
E os viu em ação criminosa
No banco dm específico,
Checou imediatamente
As câmeras públicas,
E as internas,
Ao apresentar o relatório
Para o seu supervisor,
As imagens sumiram...
Passado o dia do enterro,
No dia seguinte acordou cedo,
Depois do café,
Se direcionou a sala
De videomonitoramento da polícia.
Bateu duas vezes
Antes de entrar,
Haviam lá seis pessoas sentadas
Em suas cadeiras,
Uniformizados e armados.
- preciso das imagens
Da rua Ercílio,
Bairro centro.
Todas elas.
Ele disse.
- negativo.
Não foram instaladas
Câmeras neste ponto, ainda.
Respondeu uma soldado.
- como?
Ontem eu as estava vendo
Através da minha sala!
Ele contradisse.
- houve um erro, senhor!
As câmeras de lá,
Estão para ser instaladas...
Ela olhou num documento
Que estava sobre a sua mesa,
Depois respondeu:
- está aqui,
Nesta linha,
Dia 20 deste mês,
A partir das dez horas.
Ele se aproximou dela,
Que levantou o braço
Com uma pilha de folhas
Mostrando a ele.
Especificamente,
Estava escrito da forma
Como ela disse.
Ele soltou o material
E saiu.
Expediu em sua sala
Um mandato de busca
E apreensão
Para fazer vistoria no banco
E trazer as imagens
E quaisquer outras coisas
Que tivesse disponível
Do roubo do dia treze.
Três viaturas foram designadas,
Chegado lá,
Ele, que auxiliou e participou,
Soube que não noite anterior,
Colocaram explosivos
No banco e explodiram
Suas salas
Sem deixar imagens intactas,
Já que a sala de controle interno
Foi explodida, também.
O filho que herdou o patrimônio,
Decidiu vender o imóvel,
Um policial estava comprando.
- Olá, colega!
Ele disse,
Chegando por trás
De Danilo e dando três
Tapinhas em seu ombro.
- bom dia, Coronel Mirel.
Ele cumprimentou
Virando-se de frente.
O homem apenas sorriu.
Exausto, Danilo retornou
Para o lar.
Tomou banho,
Trocou a roupa,
Vestiu calças de frio,
E jaqueta jeans
Sobre o coldre
Que continha duas armas,
E uma camiseta azul
Por baixo.
Na saída de dentro de casa,
Foi a procura da esposa
Que molhava o jardim,
Quando viu aquele homem estranho
Olhando para ela...
Por instinto correu até ela,
Retirando a jaqueta jeans,
Rapidamente, e a jogando
Para a frente.
O homem olhou para ela
E ficou sério de repente,
Então, olhou para aquelas flores,
E os ouvidos aguçados
De Danilo pareceram ouvir
Um estalido,
Algo como um tilintar
Num metal,
Então, veio o cheiro de óleo...
E Danilo correu mais,
Correu o mais rápido que pôde,
Neste intelecto,
Puxou ambas as armas do coldre,
E apontou.
E atirou.
Enquanto caia,
Se pondo em frente a esposa,
Disparou três vezes seguidas,
Com ambas as armas,
Só pode ver a esposa
Levar a mão sobre os lábios
Num espasmo de medo,
E se declinar para o muro verde,
Então, ele sentiu nele um disparo,
Viu o homem gorducho cair,
Perdeu a arma esquerda
A um metro pra frente
Sobre o gramado.
Levantou-se gritando,
Atordoado.
Se ergueu sangrando
Sobre a camiseta azul,
Se aproximou do muro,
E enquanto andava
Os cinco passos faltantes
Até a beira do muro,
Juntou a pistola do cinto
Do lado esquerdo,
Avistou o loiro no chão,
E disparou mais três vezes,
Com ambas as mãos.
O homem virou-se,
Soltou os braços no asfalto,
Ficou de olhos abertos
A sangrar.
Morto.
Então Gerinda
Se aproximou de Danilo,
A um metro atrás dele,
Ele voltou-se para ela,
A abraçou,
Juntou suas coisas
Sem falar muito,
Pegou o uniforme,
E a arma que ganhou da corporação.
Dirigiu até o batalhão,
Entrou por sua porta
Como se não fosse
Nenhuma novidade,
Chegou ao coronel
E soltou o bandido morto
Em sua sala.
- o quê houve?
O coronel indagou.
- trouxe este!
Danilo disse,
Com uniforme em mãos,
O coronel não respondeu,
Danilo deixou o morto lá,
E voltou para casa.
Com a esposa ao seu lado,
Passou pela rua do banco,
Olhou os estilhaços de vidro
Quebrados pelo asfalto,
Ainda as dezoito horas
Alguns pintores pintavam
As estruturas do local,
Dentro do estabelecimento,
Outros trocavam paredes...
Engatou a marcha,
Passou na loja de armas,
Marcou treino de tiro
Para a esposa,
Adquiriu uma arma para ela,
E retornou para casa.
Levou ainda
Uma câmera de vigilância.
A instalou em sua porta de entrada.
Abraçou a esposa
No final da escada,
Lhe deu um beijo
Na têmpora
E entraram de mãos dadas.

Destino à ROCAM