segunda-feira, 12 de maio de 2025

Efeito do Álcool

Foi tão especial
A linda noite
Em que conheci Rahat.
Por Deus,
Aonde estará Rahat?
Mesmo antes
De ele estar tão perto
Eu me recusava
A distanciar.
Nós dançamos
Alguns passos,
Ok, nós não entendíamos
De dança,
Mas aprendíamos do
Nos gostar,
E isto foi perfeito.
Eu recordo de tê-lo beijado
E isto foi de todo mágico,
Meu Deus,
Sozinha neste escuro
É tão ruim,
Eu odeio até mesmo
A tontura do vinho.
Eu tento beijar este copo,
Me embriagar deste líquido,
Mas como é terrível lembrar,
Oh, Deus,
Lembrar não deveria
Ser devido aos apaixonados,
Não quando há distância
A separa-los.
Eu fecho os olhos
Na noite,
E o sinto tocar meu ombro,
Me deitar neste chão duro
De pedras limpas,
E oh, Deus, me amar!
Eu gostaria de pegar o telefone,
Fazer uns ligação embriagada,
Uma declaração movida a álcool,
Mas nem sei o que dizer,
Se eu o amo em demasia,
Há como ele não saber?
Seguro o copo
Com a ponta dos dedos,
Elevo ele para os céus,
Até o final do braço,
Derrubou tudo sobre meu corpo,
Mas isto não me é beijo,
E eu gostaria de tê-lo.
Mas, caramba,
Existem tantas garotas bonitas,
Que eu aqui me sinto
Apenas mais uma,
Um número e no passado,
Já esquecendo,
Já esquecendo,
Conforme se faz com o álcool,
Bebe até cair ao sono,
Entrega-se ao efeito
No outro dia esquece-se de tudo,
Do contrário não é embriaguez,
Beijar e ir embora,
Não é amor é estupidez,
Me recuso a pensar,
Não farei mais nada,
Nada e coisa nenhuma...
Nem chorar,
Só beber,
Brinde ao esquecimento,
A tontura do estar fora dos seus braços,
Colada a este chão frio,
Distante do alto de suas mãos,
Aterrada ao vazio.

Adeus

Eu monto com o pé direito,
Me apoio na corda,
Na cela e nas crinas,
Me puxo e passo o pé esquerdo.
Estou no alto,
Sobre o cavalo,
Eu me sinto em liberdade,
Vejo mais longe.
Ao meu lado
O cavalo dele se aproxima,
Eu me agacho,
Beijo sua testa,
Sim, querido,
São dezesseis dias...
Espalmou seu pescoço
Duas vezes,
Com um pequeno empurrão
Para o lado
Como se dissesse
Vá.
Ele obedece,
Olha longe,
Se curva,
E sai em silêncio,
Eu ainda estou parada,
Bato os pés,
Toco meu cavalo
De leve,
Ele anda.
Meu peito se sobressalta,
É alto,
Eu confesso que sinto medo,
Estou sozinha,
Mas sigo.
Onde estará,
Eu lhe disse vá,
Ele apeou do cavalo,
Pegou a corda,
O amarrou na cocheira
E seguiu.

Pra quê lembrar
Ou querer perdoar,
Ela me pediu para partir,
Não irei retornar.
Ele pensa,
Distante e pondo confiança
No que raciocina.
Senta no banco da moto,
Se segura no pé direito,
Levanta o capacete
Assenta na cabeça
E olha para longe.
Liga a chave,
 Vê o ponteiro do velocímetro
Mexer-se no painel,
Solta o freio aos poucos,
Segue.
Segue reto
Sem pensar em nada,
Lá da rua onde passa,
Vê seu cavalo a cavalgar sozinho,
Mais a frente
A sua garota,
Tudo foi recente
E as lembranças que sopram
Chegam com o efeito de ontem,
Ela anda,
Ereta e segura...
Ele cruza tão rápido,
Mantém as imagens tão nítidas
Que aos sobressaltos de seu coração
Nunca poderia dizer
Que se deve a vê-la,
É como se a deixasse
Para trás,
Conforme o ponteiro
Se adianta,
O motor desconhece
As batidas de seu coração,
Mas como apagar as imagens?
Esquecer.
Ele retorna,
Faz uns curva em cê,
Marca a rua de negro,
Faz queimar o pneu,
Olha fixo,
Levanta o queixo,
Encerra o cê,
Escreve um zero,
Se permite seguir,
Que deveria fazer?

Acendo Um Cigarro

É madrugada,
As estrelas escondem-se
Lá fora,
A janela fechada,
Mas o vidro está a vista.
Meu amigo embaralha
Algum jogo mental
Através do baralho,
Vez ou outra ele dá as cartas,
Após, recolhe todas,
Retorna a embaralhar.
Eu me sirvo de sua carteira
De cigarros aberta,
Acendo um,
Faço um gesto afirmativo
Para ele,
Que sorri,
Com seu cigarro aceso
A esfumaçar seus dois
Últimos dedos.
Parece que gosta de sentir
O calor,
O fogo que arde por dentro,
E exclama por fora,
Eu me silencio,
Ele também não diz nada,
Mas, sabemos,
Pensamos nela.
Bem, namorei uma garota,
Ela era inteira perfeita,
O conheceu
E gostou logo dele,
Não me deixou,
Nem se esquivou
De tudo que sentiu,
Se entregou a nós dois,
Foi nossa sem que
Falássemos sobre isso,
Mas, agora,
Beijos outro.
Bebe com ele whisky,
Eu choro escondido,
Cansei de correr atrás,
Ela falou a frase inteira,
Esqueça-me,
Pertenço a outro,
Cansei de você e seu amigo.
Eu passei
Nunca falei que sabia
De eles dois,
Mas o que ouvi foi o bastante,
Hoje, ele chegou cedo
Jantou comigo,
E ne disse tê-la visto,
Com outro
Num restaurante do centro,
Bebendo muito
E sorrindo.
Já deve nós ter esquecido,
Sem perceber
Sinto minha camiseta verde
Molhada e quente,
Penso de são as cinzas
Do cigarro,
Me engano,
Estou em prantos...
Sem saber porquê
Baixou o cigarro
Sobre o molhado
E o apago ali mesmo.
Levando,
Empurro a poltrona para trás
Com a panturrilha,
Meio que em desespero
Eu me acolho
Junto a janela,
Me coloco de costas,
Busco o final da rua,
Não há nada,
Me volto,
E meu amigo
Não cansa de embaralhar
E cartear sozinho,
Penso se estou louco
Ou é só o amor...
Acendo o cigarro molhado,
Me demoro nisto,
Sinto o gosto do meu pranto,
Olho para a ponta acesa
Com ele entre o dedão
E o anelar e mindinho,
Movo a ponta acesa,
Bato as cinzas com o dedão,
Deixo cair no chão,
Ao lado do meu sapato,
Me volto,
Fumo um pouco,
Talvez, passe tudo isso.
Meu amigo meiou a caixa,
Estendeu seus pés
Sobre a mesa de centro,
Folheia as cartas,
Embaralha,
Busca vencer a si próprio...
Eu tento queimar a dor.

Destino à ROCAM