terça-feira, 21 de outubro de 2025

Saudades Valdez

Meu querido Valdez,
Se não conseguiu
Dormir noite passada,
A culpa é minha,
Faz três noites
Que não durmo
E o chamo.
Desculpa, eu decorei
Seu nome para as noites insones,
Mas, um dia você desistiu
De dar atenção a este fato,
Me perdoa,
Para as noites de medo
Eu decorei seu telefone,
Mas, sei,
Você já não atende.
Eu recordei seu corte
De cabelo,
Então, para espantar o medo
Eu cortei o meu bem curto,
Se você me ver por aí
Nem saberá que sou eu,
Afinal, você já me esqueceu?
Quando rememoro
Seu rosto
Meu peito sente dor
E medo,
São tantas pessoas
Que se espelham em você
Para os instantes de medo
Que eu sou agora
Só mais uma delas?
Algumas dizem:
“Morreu”,
Eu fujo do meu reflexo
E penso:
“feito eu?”
Foram 365 dias de espera
E escrita,
Talvez menos,
Talvez, mais tempo,
Que importa?
O chamo agora.
Sinto dor,
Sinto medo,
Não queria dormir
Se isto lhe trouxesse,
Você desistiu de mim?
Eu fiquei na saudade,
Ah, por favor,
“Nada de gozadas fortes.”

A Dona

“filha, você tem que trabalhar “.
Disse meu pai,
Me abraçando pelos ombros
Em pé ao meu lado,
Enquanto eu estava sentada
Sobre um toco caído de madeira.
“Por que pai?”
Eu indaguei,
Me sentindo perplexa
Ante a ideia.
Eu olhei para a frente
Do terreiro,
Estava sujo de palha
De triar milho
Na triadeira,
Eu vi ali sentados
Alguns amigos
Que nunca trabalharam
Oi trabalhariam,
Eles sobreviviam
Bem melhor que nós,
Roubando os outros
E matando provas de seus roubos.
Enquanto nós precisávamos
Varrer aquele chão,
Cuidar do seu redor,
E plantar uma roça.
Então, meu pai me conduziu
Até a beira do rio
E disse:
“Porque aqui é meu,
E lá, o rio e este porto
Tão bonito,
Também é meu”.
Eu olhei para o porto
Cheio de pedras da água,
Uma água limpa,
Um rio enorme
Onde peixes pulavam
E o ar era tão puro
E pensei:
“So isso?
Dono de um rio
Que em sete dias de cheia
Da água
Tudo se inundaria
E as próprias pedras
Seriam levadas.”
“Aí, toda a beleza se perde”
Eu disse a ele.
Ele olhou naquela direção
Para onde eu olhava
Para ter este pensando
E disse:
“Mas é seu”.
Nisto, o prefeito
Para o qual ele fez campanha
Se elegeu democraticamente,
E agora, ele estava sobre o pneu
Da patrola limpando as estradas
E as refazendo.
Nisto, meu pai veio
Cumprir sua promessa
De campanha e passou
A ajuntar as pedras da via pública,
As da beira da calçada
E retira-las de lá.
Com isto, ele evitou represálias
Contra o novo prefeito
Que seria ofendido
Por sua escolha
Em optar por iniciar
Os trabalhos no município
Neste local ou em outro.
Sempre havia
Quem reclamava,
Os que provaram
Que determinada estrada
Tinha mais urgência
E outras coisas.
Com isto,
Ele criou um novo emprego
E proporcionou oferta de trabalho
Aos munícipes,
Hoje, todos os municípios
Tem pessoas especializadas
Pela limpeza das vias,
E com o decorrer dos anos
Foram seguindo para adiante,
Até chegar às grandes avenidas.
O rio deixou de ganhar dejetos,
E outros tipos de lixo,
E meu pai não precisa
Trabalhar tanto
Para manter uma terra
Da própria família
Limpa e em seu poderio.
Outros, abriram suas terras
E venderam em partes
Para estranhos
A preço de mercado
Ou alcançado...
Hoje eles possuem
Um prédio na cidade
E algum dinheiro
No banco para gastar,
Mas, meu pai prefere
Cultivar a terra
E evitar que de dona
Eu seja a andarilha
Que rouba para sobreviver.

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Boneca Descabelada

Sempre que olho
Para meu passado,
Eu percebo que não merecia
Meu pai,
Na verdade
Nem minha mãe.
Ocorreu que ela tinha 16 anos,
Ele um pouco mais que
O dobro desta idade,
Em certo dia,
Ela estava passeando
Na casa de vizinhos,
Quando cruzou por ele.
Naquela data,
Ele estava tomando chimarrão,
Com as pernas estendidas
Sobre o corrimão do redor
Da área da casa.
Ao vê-la,
Ele coçou o saco,
Com a mão cheia,
Como se dissesse a ela:
“Tenho”.
Ela baixou a cabeça
E seguiu caminho,
Deixando os cabelos
Cobrirem o rosto
Como se dissesse:
“ Não vi”.
Sua irmã mais velha
E casada,
Mãe de família olhou,
Fez questão de mostrar que viu,
Arregalando os olhos,
Como se buscasse ver
E nem enxergasse
Como se dissesse
“pequeno”.
A mãe dele olhou
Detrás dele,
A dona Maria,
Senhora respeitada
Naquele lugar ermo
De um município pequeno,
E bateu palmas
Fingindo que tirava a erva
Que havia caído
Em suas mãos
Próxima a cabeça dele
Como se dissesse
“Parabéns”.
Soou as suas
Com efeito de ameaça.
E ele gostou,
Montou em seu cavalo,
Convidou seu cão de guarda
E as seguiu.
Lá em certa lugar da estrada
Onde não havia ninguém
Ele as esperou,
No mato sentado,
Acariciando o pênis
Enquanto o cachorro sentava
Próximo a beira da estrada
E o cavalo pastava mato verde.
Ao passarem as duas,
Galvão olhou-as e se levantou
Rápido dizendo:
“Dete, vamos transar?”
Então, a puxou pelo braço
Na direção daquele mato
Até próximo a uma moita verde
De um metro de altura.
“ não, ela é casada”.
Respondeu minha mãe,
A Marly.
Ele riu alto
“não sejam tímidas
Eu dou conta das duas”.
Mas, a Dete desgostou,
Puxou o braço
E se desvencilhou
Depois lhe bateu no rosto
Com as costas da mão.
“Deselegante”.
Ela disse
E retornou até a estrada.
Amedrontada em casa,
Marly sentiu vergonha
De lembrar do episódio,
Então, pegou um pote vazio
E se dirigiu até a casa de Galvão
Para buscar erva emprestada.
Chegando lá
Encontrou Galvão organizando
O cavalo amarrando-o
Em uma laranjeira
E retirando o apeiro.
Ele sorriu ao vê-la.
“Boa tarde?”
Ele falou sorrindo.
Ela devolveu o sorriso.
Ele usava calção verde
E estava desnudo no mais.
“vamos dar uma volta
De cavalo,
Você irá gostar”.
Ele falou.
Ela sorriu mais ainda,
Achou a ideia convidativa,
Vez que ninguém
Se irritaria com o incidente anterior,
E não haveria conflitos
Entre vizinhos.
“Boa tarde”.
Ela respondeu.
“Gostaria, sim.”
Ela disse,
Aproximou-se e ele
Subiu no cavalo
Depois a ajudou a subir
Na garupa do animal.
Depois ela soltou o pote
Vazio no chão de terra seca
E o cavalo seguiu.
No caminho Galvão virou-se
E pediu a ela um beijo,
“Claro”.
Ela respondeu.
Então, ele a puxou
Para a frente do cavalo
E naquele único ato
Eu fui feita.
Irritado meu avô
Exigiu de Galvão o casamento,
Frente a recusa dele,
Ele retirou uma arma
De dentro do calção
E atirou em sua perna.
“Assuma ou morre,
Ela era inocente
E a honra lava-se no sangue “.
Feito o casamento,
Alguns parafusos na perna,
Uma casinha num canto
Da roça,
Uma cama,
Um fogão a lenha,
Umas cadeiras e uma mesa.
Mais nada.
Sem festa ou comemoração,
Tratou-se de reparar danos
Psicológicos e morais.
Dona Marly, agora era senhora,
Fez-se cedo mulher casada,
O nome de sua família
Não podia ser jogado na lixeira
E ela ser feita de trouxa
Por se entregar a última homem
Que lhe fazendo um filho
Na barriga a desonraria
A abandonando sem dar nome
A criança,
Vez que o filho
E feito de homem e mulher,
Não se faz por brincadeira,
Muito menos por engano
Ou maldade.
Nasci,
Uma menina saudável
De olhos azuis e cabeça claros,
Logo, meu pai me pegou
No colo,
Me deu banho,
Me derrubou no chão,
Depois ele disse que eu incomodava.
Depois disso,
Ele forçou o ato de sexo
Contra minha vagina.
Minha mãe tardou a perceber,
Eu não falava ainda,
Só chorava,
Nem mesmo engatinhava,
Eu era bebê e dele.
Logo que minha mãe
Viu as marcas no meu bumbum
E vagina ela achou estranho
Os roxinhos e os choros.
Decidiu me entregar
Para a minha avó paterna.
Seus cabelos brancos
Tinham experiência com crianças,
Ela era respeitada no lugar,
Contudo, ela deixou
De me alimentar tão bem,
Eu engatinhei,
Sim,
Dei meus primeiros passos
No assoalho sujo de terra
Da minha avó Maria,
E cai ao subir no banco,
Quebrei o nariz.
O médico me medicou,
Achou estranho
E viu que eu chorava muito,
Então, notou os roxos e
As partes íntimas inchadas.
“estuprada”
Ele escreveu na receita
A caneta e assinou.
A enfermeira chegou,
Se assustou ao ler,
E me olhou deitada nua
Na pequena maca
Com minha avó materna
A segurar minha mão.
“Ela foi estuprada, vovó”
Ela falou secamente.
Minha avó retirou
A cinta de sua calça
E me bateu desnuda
E ali mesmo.
“Mentirosinha”.
Ela disse.
A enfermeira olhou
Para o médico e saiu
Da sala do clínico geral.
Minha avó era severa e má.
Ao passar de cavalo
Em frente a casa de minha mãe
Que retornou ao lar anterior,
Junto de sua mãe Cléo,
Ela deixou minha mamadeira cair,
Cheia de leite e intocada.
Minha mãe viu,
Correu pegá-la e chorou
Com saudade.
Minha vó já ia longe
Deixando poeira atrás das
Patas do cavalo,
Eu estava deitada
Sobre uma manta branca
Sobre seu colo.
Meu pai vinha nos visitar
Com frequência
E dormia comigo no quarto,
Meu avô morreu pouco antes
De infarto,
Ele nunca acordou,
Mas, teve de ser trocado
No amanhecer
Estava cagado.
“Deve ter sentido dor”.
Todos dizem.
Eu ainda não falo,
Mas, dou meus primeiros
Passos abertos e feridos.
Minha família me vê
Como um objeto.
Eu estava vendo minha mãe
Chegar quando me levantei
Num esforço.
“suma daqui, vagabunda.”
Minha avô gritou
Para ela,
Eu cai de costas,
Bati a cabeça no assoalho
E sangrei nos cabelos.
Minha avó
Pegou a vassoura
E correu atrás da minha mãe
Com ela a bater nas costas
Da minha mãe,
Minha mãe soltou a mamadeira
No chão e chorou.
“Quero ver minha filha”.
Ela disse.
“Não a verá nunca”.
Disse minha avó,
Lhe batendo com a vassoura.
“Ela está com fome,
Preciso cuida-la.”
Minha mãe disse,
Com aqueles seus cabelos
Negros soltos pelo rosto.
“Nunca você chegará
Perto dela”.
Minha avó gritou
E correu atrás dela
Lhe batendo até ela cair,
E ela bateu ainda,
Então minha mãe correu.
“Te amo filha”.
Minha mãe gritava.
Sangue escorreu do rosto dela,
A vassoura feriu sua pele,
Mesmo sob suas roupas compridas,
Ela vestia calça e camiseta
Verde e branca respectivamente.
Minha mãe foi até a cidade
Caminhando,
Demorou uma noite e uma manhã.
Minha tia a acompanhou.
Lá ela contratou um advogado.
Mas, o advogado quis colher
Meu depoimento,
Mas, eu apenas grunhia.
Ele soltou um docinho
De um lado e outro dia outro
Para eu apontar para um
E para o outro no caso
De responder com um sim
Para o esquerdo
E não para o direito.
Eu não entendi
Mesmo assim,
Tive medo,
Minhas pernas tremiam.
Minha avó se irritou,
Me guardou para dormir
Dentro do roupeiro.
“ que história é está
De ela falar por aí mesma?”
Ela disse.
E se irritou.
“Meu filho
Nunca lhe faria mal”.
Ela gritou.
“Olhe estes cabelos brancos,
São respeitados e vividos,
Você acha que sou uma qualquer?
O que você está insinuando
De meu filho?”
Ele se desculpou.
Eu dormi lá fechada,
No roupeiro com medo,
Apertada contra a porta,
Algumas roupas e a traseira
Do roupeiro.
Minha mãe 
Chamou meu pai 
Para conversar,
Ele disse:
"Vamos voltar?"
Ela disse.
"Poderia".
Pegou ambas as mãos dele,
Uniu-as como em prece
E as encostou no peito,
Mas, recusou o abraço dele,
E ficou ali próxima a casa.
Logo no outro dia,
Uns rapazes vieram de Chapecó,
Eles eram da favela,
Não trabalhavam 
E usavam drogas.
Para se manter 
Eles roubaram tudo 
Que podiam,
Então, minha mãe disse:
"Galvão, vão roubar você,
Podem mata-lo."
Ele olhou para ela e sorriu:
"São parentes,
Não faram isso".
Agora minha mãe
Ficou irritada,
Dormiu em frente a delegacia
Até encontrar o delegado
E disse
“Quero ver minha filha,
Eu a amo,
Quero ela comigo,
Aquele estuprador a estuprou”.
O delegado a olhou sério.
Juntou um papel e escreveu algo.
“Tá bom, irei ouvi-lo”.
Depois disso,
Minha mãe continuou 
Ao redor da casa 
Da minha avó,
Então, logo a noitinha
Ela o viu com a irmã 
De um destes traficantes,
Usuários de drogas.
Ele estava na posição 
Cócoras transando 
Com a garota de 17 anos.
Estava nu
Próximo ao rio,
Alguns peixes pulavam
Acima da superfície 
Da água.
Logo na manhã 
Do dia seguinte 
O delegado chegou ali
Com dois soldados 
E o chamou para um canto 
Para lhe dizer:
"Respeito sua mãe,
Tão idosa,
Mas estes bandidos 
Que você esconde
Mataram para roubar,
É isto, Seu Galvão,
Este relógio no seu pulso
É roubado,
O dono dele foi morto
E você não tem provas
De que não foi você o mandante,
Ou quem o matou,
Por exemplo."
Meu pai deu dois passos
Para trás e ficou nervoso.
"Eles são parentes da cidade,
Eu comprei a parte deles
Da terra
E eles querem mais dinheiro."
Ele disse, preocupado.
O soldado foi compassivo,
Nem parecia que ele estuprava
A própria sobrinha 
Que era vizinha do meu pai
E tinha a minha idade.
Eu soube disso,
Ele se sentia satisfeito 
Por ser assim.
A menina iria morrer,
Ele tinha vontade insaciável,
Disse sua mãe 
Quando lhe cobrou 
Alguns porcos gordos.
Ele me olhava
De boca aberta
Com a língua caindo para fora,
Eu tive medo dele.
Minha mãe comentou
Com minha tia
Que achou estranha 
A posição sexual 
Escolhida por meu pai
Para trai-la,
Parecia referir-se a cu,
O dar o cu
E o não,
Como se o ato
De agachar-se daquela maneira 
Fosse estratégico,
E com isto 
Ele queria dizer que minha 
Mãe fazia sexo anal
Há algum tempo,
Talvez muito.
Muitos vizinhos vieram ali
E falaram coisas que sabiam
Sobre um e sobre outro,
(Meu pai e minha mãe),
Depois eu fui para o juiz.
Lá, eu tive mais medo,
Ele esforçou-se,
Me deu papel e lápis
Para rabiscar e ver
Se extraia provas de mim,
Me deu desenhos com corpos
De pessoas para eu rabiscar,
No que já havia visto,
Tocado e outras coisas
Que eu pudesse exclamar,
Ele precisava ver
Quanto meu pai me feriu
Para eu ter tratamento.
Eu ainda não falava,
Tinha 1 ano e 1 mês.
Minha mãe falava pouco,
Passou o depoimento todo
A chorar olhando para eu
Do outro lado da mesa
Em frente ao juiz.
“Preciso ver minha menina,
Preciso pegar ela”.
O tempo todo ela disse isso.
Meu pai deixou o cão
Do lado de fora da sala,
Mas minha mãe tremia
De medo dele,
E do cão.
“Pra onde a senhora irá
Levar a sua filha Dona Marly?”
O juiz pediu,
Ela começou a olhar
Para os lados e chorar,
Então, disse:
“Comigo”.
Ele a olhou sério
Com uma caneta
A rabiscar um papel
“Como irá cuida-la?”
Ele perguntou.
“Com amor.”
Ela disse.

Amor Novo

As horas avisam
Que mais um dia passa,
Com elas vão os meses,
Nelas passam-se os anos,
E eu continuo sem você.
Nem parece que eu
Não o espero,
Não te procuro
Por onde passo
Ou não quero notícias suas.
As vezes,
Eu sirvo um gole
De bebida
E me viro em direção
A janela
A espera.
Não diria que foi ruim,
Mas, não durou
É o bastante assim,
Parece que tanto
Nos influenciou
Que quando vimos
Muito nos separou,
E os anos apagam isso,
Então, resta apenas
O tempo em que ficamos,
Nos entregamos
E estivemos juntos...
Eu o busco,
Eu sinto orgulho de nós,
Eu sinto medo
Pelo que nos separou,
Receio do que nos juntou,
E já chamei seu nome,
Já odiei sua fotografia,
Já busquei encontrar você,
Alimentei poucas esperanças,
Mas, hoje resta a dor.
Hoje novo amor
Supre aquele que houve,
E se faz melhor,
Mas o amor antigo
Me faz cobrar do novo
Que se supere
E não se prenda a erros,
A maturidade do amor antigo,
Me deixa inquieta
Mas, eu torço por você,
Espero que esteja bem,
Eu estou também muito bem.

domingo, 19 de outubro de 2025

Atenda o Telefone

Minha vizinha
Se irritou comigo
Quis bater em mim,
Eu estava sozinha,
Fui buscar meu amor,
Procurar seu número
De telefone na agenda,
Ouvir sua voz,
Buscar conforto,
Desejei não sentir medo
Para poder falar com ele
E lhe pedir que me respeite.
Nada lhe fiz,
Não queria ouvir
Seus desaforos,
Meu amor não atendeu
Seu trabalho era mais importante,
Ele achou que ligar
Para ele era fetiche,
Fantasia de apaixonada boba,
Mas, não meu amor,
Eu estou sozinha e com medo
Me atenda.
A vizinha juntou uma pedra
Enorme e pesada
E quer jogar ela contra eu,
Ela está próxima ao muro
Gritando e me xingando muito,
O filho dela tomou a pedra
E agora está pulando o muro,
Ele está na nossa calçada,
Segurando uma pedra,
Eu estou com medo
Meu amor
Me atenda.

Meu amor

Meu amor
Foi para o trabalho
Ele tinha coisas importantes
Para fazer
Então, meu amor me deixou
Sozinha com nosso filho
A esperar por sua volta.
Porém, na calada da noite,
No silêncio cúmplice
De todo crime,
Um indivíduo me viu
Pelo vidro da porta,
Juntou pedras
E as atirou contra mim.
A porta se estilhaçou
E pedaços de vidro
Voaram contra meu rosto,
Eu fiquei cega,
Agora, não sei quando
Meu amor retorna,
Se demora,
Ou se já volta,
Eu não posso mais vê-lo,
Talvez, ele me abandone.
Nunca verei nosso filho crescer,
Jamais poderei lhe dar banho,
Fazer sua comida,
Cuidar de sua roupa,
Eu estou cega,
Meu destino é noite escura.
Nosso filho,
Nosso bebê,
Dele só saberei a voz,
Mas guardarei seu traços,
Seu rostinho
Tão parecido com o do
Meu amor.
Do meu amor
Já não verei quando
O branco de seus cabelos
Lhe ganhar a barba,
Lhe tomar o tom dos pelos,
Lhe cobrir toda a cabeça,
Não verei traços algum
De sua idade chegar,
A luz e suas cores
Já não me são mais possíveis.

Perdi Meu Amor

Meu amor veio
Me visitar está noite,
Então, era madrugada
Ele saiu,
Eu fiquei em meu quarto,
Olhando o teto,
Pensando em nós.
Foi quando um estrondo
Me tirou dos sonhos,
Senti como se meu peito
Fosse aperto
E eu estivesse sangrando.
Com um pulo
Me livrei do cobertor,
Levantei-me e fui até
A saída
Quis ver meu amor.
A porta estava trancada,
Ele já estava do lado
De fora,
Eu não tardei para abri-la,
Foi aí que vi
Meu amor caído
Em frente a porta.
Ele sangrava,
Havia uma poça de sangue
Na sua frente,
Ele estava imóvel,
Não falava nada.
Alguém lhe deu um tiro,
Alguém matou meu amor
Na porta da minha casa,
Eu não gritei,
Mas me vi cair até ele,
Ergui seu rosto,
O repousei em meu peito.
Beijei meu amor
Em sua face,
Senti já boca o gosto,
Nosso último beijo
Veio de súbito
A lembrança,
Eu olhei para seus lábios imóveis,
Não beijaria mais meu amor.
Eu mexi em seus braços
Fortes com ossos salientes,
Ele não me abraçou,
Eu não voltaria a abraçar
Meu amor.
Então, olhei para a frente,
Para os lados,
Por toda parte,
Quis saber quem feriu
Meu amor de morte,
Eu não vi ninguém,
Só havia meu amor caído,
E sangue.
Eu abri três botões
De sua camisa amarela,
Levei meus dedos
Em seu peito,
Busquei seu coração,
Chorei sobre seu rosto
Enquanto pedia aos céus
Por favor,
Deixe meu amor.
Mas, seu coração já não batia,
Nunca mais eu o veria,
Perdi meu amor
Depois de algumas horas
De sua companhia,
De sua paixão,
Das promessas,
E os sonhos
Que nunca estiveram
Tão distantes
Quanto ficaram agora
Sem meu amor.

Destino à ROCAM