sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

De Mãos Dadas

Vamos dar as mãos,
Andar no barro
Assim que parar
A chuva,
Vamos só nós dois,
Vamos beijar atolados,
Resvalar no gramado,
Nos segurar
Um no outro.
Se acaso
Eu quiser beijar
E não estiver chovendo,
Você aceita?
Se eu te abraçar
Sem avisos,
E não querer
Mais soltar,
Você não solta?!
Vamos nos afirmar
Um no outro
E seguir até o fim,
Sabendo
Que nosso caminho
Chega a estrada,
Mas, até chegar
Não haverá ninguém
Além de nós
A andar sobre o barro,
Vacilar sobre o gramado,
Pedindo beijo,
Agarrados um ao outro.

promessas

Desprendi a elas
Mais frases apaixonadas
Do que nunca,
Mesmo pouca feminina,
Eu abusei de todas
As cantadas certeiras,
Usei das costumeiras
Até às mais privativas.
Contudo,
O amor que faz
Meu peito bater,
No dela
Nem aquece,
Faz arder
Ou se ascende.
Não importa
O que eu diga
A danada
Não se contagia,
Talvez,
De todas as promessas
Que eu lhes faça,
Neste apaixonado
Não veja mais
Que minha coleção
De boletos a apoderar-se
De minhas mãos.
Ou percebera meu amor
Desde o início
E dissimula,
A coleção de boletos
Que tenho,
Significam muito
Sobre os tantos bens
Que possuo,
Desinibida,
Deve estar se guardando.
Ah, coração vingativo,
Competitivo e aterrador
Este que possuo,
Vendo meu chefe
De sua sala
A vagar seus olhos
Sobre mim
Corri até lá,
E sem tantas promessas
A dizer-lhe
Taquei logo uma
Que lhe fez
Tremer as pernas:
“Acha o senhor
Que é a mulher
A fêmea natural do homem?”
Meu chefe não respondeu
Mas fulminou-me
Com raivosos olhos
Que achei melhor
Esgueirar-me para outro lugar
Com meu monte
De faturas em mãos.

Txhau

Tudo houve em 2017,
Eu juntei minhas coisas,
Coloquei tudo
Dentro da mochila
Da escola,
Já havia me formado,
Pobre e desempregada,
Abandonei aquelas
Velhas ruas
Cujo trajeto
Repeti em cada dia,
Ao meu lado
Eu levei o meu cachorro,
Nada mais para levar,
De nada
Para me despedir,
Na hora da despedida
Em que se diz adeus
E chora,
Eu já não tinham
Lágrimas sobre as quais
Discorrer,
Fechei a porta,
Liguei o som do carro,
Joguei a mochila no banco,
Deixei o cachorro solto
E parti.
Dez anos se passaram,
Eu comprei mais coisas,
A mochila escolar
Teve fim,
Mas meu cachorro
Continua comigo,
Está gravado
Em minha pele,
Cuidando meu quintal,
Meu menino
E melhor amigo,
Nunca encontrei motivos
Para voltar lá,
Tchau para ninguém
Em especial,
Obrigada a todos
Que não me deram trabalho,
Aqui eu não poderia
Estar melhor.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Presente de Natal

De tantas promessas
Eu recordo
Essa data,
Depois de horas de chuva
Que eu espero
Escorrer pela parede
Da minha janela aberta,
Com o rosto colado
Sentindo os pingos
Molharem meu rosto
Como se eu fosse o presente,
O inesperado
De um dia qualquer,
O esperado
Um ano inteiro
Para o dia do Natal,
A felicidade estampada
Em meu sorriso,
O espanto inesperado
Em seu rosto,
O olhar sorrateiro
De quem me busca
E me encontra sua,
Completamente sua
Entregue para presente
Limpa e desnuda,
Sem embrulhos,
Apenas sua
Para Natal,
Neste dia e no outro,
O presente pra ser guardado,
Cuidado e querido,
O amor sem vacilos,
Sem o pecado,
Só o amor puro.

Três Garotas

Sentadas sobre
A pedra
Na beira da estrada,
Eu, minha prima
E minha tia
Vimos tantas coisas
Passarem,
Ouvimos o cachorro latir,
O gato escalar o tronco
Como se fosse parte dele,
Grudou suas unhas
E subiu, subiu sem parar,
Lá no alto,
Parou descansar,
Lambeu a patinha
E não sentiu medo.
Lá, sentadas
Na pedra,
Nós demos as mãos,
Juramos amizade,
E nos abraçamos,
Três garotas unidas
São capazes de revolucionar,
Mudar o mundo,
Lavar a própria roupa,
Cozinhar e fazer bolo.
Mas, três garotas unidas
Separam-se sem tardar,
E a amizade
Que iria até o eterno
Quis neste dia se acabar,
E o tempo que veio
Não foi capaz de mudar,
Nem o vínculo sanguíneo
Foi suficiente para manter
A amizade prometida,
Eu, minha prima
E minha tia separamos
Nossas mãos unidas,
Deixamos de nos visitar,
Abandonamos aquela pedra,
Não retornamos
Aquele lugar,
E já não nos falamos,
Ou temos notícias
Uma da outra,
Porquê três garotas unidas
Também podem se separar,
Sem despedir-se,
Ou motivar-se,
Assim,
Como num imprevisto,
Onde sorrisos
Não se buscam.

Vão-se

Lá no final
Da estradinha
Tem uma casinha,
Está casinha é marrom,
De janelas
Da mesma cor,
Lá eu moro
Com meu amor.
Nesta casinha
Tudo é livre,
Menos as vozes,
Eu digo
A elas,
Por favor,
Se calem,
Vocês ofendem,
Se sentem superiores,
Estas vozes
Não gostam
Da minha casinha
Nem da vida
Que tenho,
Então, por que
Se aproximam
De nós,
De mim
E de meu amor?
Se afastem,
Aqui vivemos bem,
Nós queremos
Nossa liberdade,
Estamos em paz,
Por que vocês
Querem tanto
Nos separar,
Impor-se sobre
Nosso lar.
Nesta casinha
Há respeito,
Pouca tinta,
E felicidade,
Saiam daqui,
Vocês não são bem-vindas
Vozes,
Vão-se,
Vão-se,
Vão-se.

Bem-estar

Tim ti tac,
A chuva cai,
Meu coração bate
Seu nome
Na tela do celular,
Eu deixo,
Deixo a chuva
Te chamar,
Aceito,
Aceito a minha voz
Que pede
Pra você
Se deitar.
Ao meu lado,
Me abraçar
E ficar,
Colado as minhas costas,
Suspiro no ouvido,
Gemido baixinhos,
Cartas guardadas
No armário
Não servem
Para designar.
Sem ordem,
Vir e ficar,
Sem pedidos,
Apenas por querer,
Querer estar.
É dia de festa,
Minha comemoração
É você ficar,
Estar,
Abraçar,
Meu bem-estar.

Destino à ROCAM