quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Amor Correspondido

“Oi, vim pra
Te desejar
Um bom dia”.
Trouxe o rottweiler
Do meu vizinho
Este bilhete
Logo que saí
Fora de casa
Para ir trabalhar,
O danado me viu
Abrir a porta
E correu até eu
Com o bilhetinho
Pendurado na coleira.
“Talvez, o vizinho
Esteja apaixonado
Por mim”.
Eu pensei e sorri.
Passei a mão
Entre as orelhas
Do garoto e lhe dei
Um pastel
Que eu segurava.
Ele saiu saltitante
Comendo as bocadas
O grande pastel.
“Bom menino”
Eu lhe falei com
Um aceno.
A verdade sobre a vida
É que a gente
Só precisa com nós
Quem também
Precisa da gente.
O amor tem que ser mútuo,
Correspondido.

Eu Também

Prefiro,
Sobre as noites,
Que elas tragam
As estrelas,
Mas que o sereno
Frio do luar
Possa apagar os erros
Cometidos até está hora
E a luz tênue do luar
Consiga renovar
Minhas energias
Para que eu possa
Me reconstruir
Para o outro dia,
E consiga melhorar
Como ser humano,
Em cada um dos
Meus sonhos,
Com este que tanto amo.
Quero encontrar
Forças para lutar,
Sem pensar em desistir,
Sem precisar
Mudar de ideia
No instante em que
Coloco o que planejo
Em prática,
Sem escolher nunca
A desistência
De tudo que quero.
Porque te amar
Está acima de ser uma meta,
Te amar
É consumação
De toda a minha entrega
A este namoro
Onde eu digo
“Eu te amo “
E você sorri antes
De responder:
“Eu também “.

Caixa de Correspondência

Tem coisas
Que nossos olhos
Não veem
Porque o coração
Não quer,
Nisto está a fé,
Invisível e onipotente,
Ele vê mais distante,
Faz dar um passo adiante,
E sabe me manter,
É só ela
Que pode dizer
O momento exato
Para eu desistir,
Se tudo o mais ruir
Eu converso com a fé
E ela escolhe a partir daí.
Foi num destes dias,
Em que a fé me moveu
Mais que meus sonhos
Que eu passei em frente
A caixa de correios de Majed
E lá havia um bilhete
Grudado na caixa
Como se fosse recomendação
E dizia assim:
“Boas notícias chegarão “.
Eu olhei para aquela caixa
Tão grande
E pensei:
“Uau, Majed é muito amado,
Ele possui muitas correspondências”.
Então, olhei em direção
A casa dele,
E vendo a porta branca
De madeira e espaldar
De ouro,
Eu parti.

Majed

Majed me abraçou
Apertado,
Entre o sereno frio
De um lugar arredio,
E os primeiros sonhos
De um casal enamorado.
“Amanhã o dia nasce
Outra vez”
Eu disse a ele
Com beijos em sua orelha,
Ele ficou arrepiado,
Ele olhava o céu
Bem lá no alto.
“E se o amor acabar?”
Ele indagou do nada,
Para provocar aquele
Frio na espinha
Dos tímidos.
“Se for amor
Não acaba”
Eu respondi,
Apertando seus ombros.
“O destino tem destas coisas”
Ele continuou,
De súbito
Virou para o meu rosto,
E meu coração palpitou,
Eu ganhei o garoto
Que estava voltado
Para a lua,
Eu era,
Naquele instante,
Um céu inteirinho.
“Que coisas?”
Perguntei,
Pegando seu rosto
Com carinho
Entre minhas mãos.
“Colocar grandes pessoas
Em nossas vidas!”
Ele respondeu,
E me abraçou apertado
E seguro de nós.

Na Palavra Amor

Amar foi apenas
Uma palavra
Até sair feito promessa
De seus lábios
Quando você disse
Eu te amo
E me abraçou forte.
Você deu sentido
A todos os livros
De romance que li
Para tirar o pó da estante.
Você deu sentido
A todas as horas
Que passei vendo
Filmes na televisão
Onde os casais
Falavam da tal paixão.
Você deu sentido
Aquelas músicas sofridas
Onde alguém dizia
Te amarei por toda a vida.
Desejo do fundo
Da alma
Que as mãos da vida
Te conduzam pelo melhor caminho.
Que a vida acaricie os teus cabelos,
Que a terra beije os teus pés,
Que o sol te abrace,
Que a chuva lave as tuas angústias.
Que as estrelas mimem o teu sono.
Que a paz sopre para longe
As tuas dificuldades.
Que a fé fortifique as tuas metas.
Que a felicidade seja tua parceira.
Que o amor te leve no colo.
Que a tua obra
Seja maior que o teu sonho,
Que tu sejas luz no mundo,
Que nisto tudo,
Estejamos juntos.

Meu maior sonho

Você é o auge
Da minha vida,
Meu ápice
De alcance,
O maior passo
Já feito.
Meu sonho mais real,
Que não mede esforço
Para tornar tudo perfeito,
Você é o melhor
Que Deus colocou
Em minha vida,
Meu maior sonho,
Minha felicidade preferida.
Não tem nada melhor
Que nós dois juntos,
Ver nossas mãos entrecruzadas,
Nossos sonhos e caminhadas,
Nosso olhar
Que se vê completo
Um no outro.

Irmãos Mendes

Certa vez,
Adilho acreditou
Em sua carreira de cantor,
Vendo o sol nascer
Cada vez mais quente
E a colheita cada
Vez mais exigente,
Largou tudo
Para investir na música.
Contudo, percebeu
Que precisava compôr
Letras para poder cantar,
Convidou seu irmão Antenor,
E fizeram uma dupla
Um tocava viola o outro violão.
Sempre que subia
Em sua carroça
Para ir até a roça trabalhar,
Adilho sonhava com a carreira,
E pouco a pouco escreveu
Suas letras.
Enquanto arava a terra,
Enquanto plantava milho,
O trabalho nunca foi árduo
O bastante para
Convencê-lo a desistir.
Com as letras em mãos,
Foi difícil ensinar
Tudo para Antenor
Que era analfabeto,
Adilho sabia pouco ler,
Mas conseguia se virar.
Sentaram embaixo
Da sombra do pé de bergamoteira
E iniciaram a cantoria,
Enquanto despetalavam
O pé de tabaco embaixo
Do galpão cheio da plantação,
E seguiu o sonho.
De tanto insistir
Em conquistar um futuro
De sucesso
Pegou sua aliança
E amaçou para usar
Como dedal para tocar a viola.
Foi triste o dia
Em que o dedal teve fim,
Quebrou ao meio
E a recompensa não veio,
Sentado em uma pedra
A beira da estrada
Chorou descompassada mente
Abraçado a sua viola.
Dona Norma brigou
Com seu esposo enciumada
Mesmo ante a ausência do sucesso,
Alguns discos foram gravados,
Mas, tudo não passou
De tempo perdido
Que compõem
Um livro de memórias
De um labrador
Que sonhar sonhou,
Mas, alcançar o sucesso
Nunca foi capaz.
Tudo que ele conseguiu
Foi tocar em alguns bailinhos
De comunidades da região,
Suas músicas foram apreciadas,
Porém, o sucesso
É um passo mais a frente.

Destino à ROCAM