domingo, 14 de junho de 2026

Me Leva

Meu bem,
Eu bebi demais,
Vem me buscar,
Dirigir para mim,
Eu preciso voltar
Pra casa,
Está tarde demais,
Eu bebi todas,
Está tudo rodando,
Não consigo dirigir
Um palmo sequer,
Aliás,
Nem sei onde soltei
As chaves.
Se você puder,
Por favor,
Vai até a casa
Dos meus pais
E pega as chaves reserva,
Eu bebi pra caramba,
Estou solta no banco
Do carona
E tentando por as chaves
Na ignição,
Sei lá,
Depois de ela ter
Caído em algum lugar
E um cara buzinar
Muito por minha porta
Estar aberta,
Eu descobri que bebi
E bebi pra caramba,
Depois ele ficou irritado
Saiu do carro dele
E disse:
Garota, o que você faz aí
Com a porta aberta
Alguém vai passar rápido
E vai arrancar sua porta.
Eu o olhei assustada,
Ri alto
E disse:
Nossa ainda bem
Que não estou no banco
De trás!
Aí ele ligou seus faróis
Bem alto contra meu rosto
E foi embora,
E eu fiquei aqui
A meia luz e aturdida,
Vem me buscar,
Estou no bar da avenida,
Bem no início,
Com uma garrafa de champanhe
Entre os lábios
E talvez, uma chave
Entre os dedos.
Vem logo,
Trás a reserva
E me leva pra sua casa,
Eu bebi demais
Pra ficar sozinha
Uma noite inteira.

Contrato a Termo

Tenho a te propor
Um contrato,
Um contrato de amor,
Você assina,
E eu lhe doo
Um terreno com casa,
Então, me entenda,
Você me respeita
E o termo para a doação
É que você aceite
Ter comigo um filho.
Me compreenda,
Meu bem,
Não é compra ou suborno,
É contrato a pulso firme,
Você fica comigo,
Nós temos o filho,
Eu lhe doo a propriedade
E você nos respeita
Mesmo de longe.
É um contrato proveitoso,
Eu tenho 35 anos,
Já sou velha,
Mas sonho ser mãe,
Me ajuda,
Você faz o filho comigo,
E leva a propriedade
Para presente.
É tão pouco,
Um filho vale muito mais,
E um sonho
Não tem preço,
Aceita fazer este filho,
Por favor.
Eu não quero ser destas
Que passa uma noite juntos
E acorda grávida,
Por favor, me entenda
Eu prefiro a concordância expressa,
Eu sei,
Você não me ama,
Nem me conhece tanto,
Mas, a propriedade tem valor,
E em troca você me dá
O filho,
Só uma noite,
Meu amor,
Fazemos o filho
E nos tornamos amigos,
Só isso.
Assina, por favor,
Realiza este sonho comigo,
Minha felicidade
Depende disso,
Um filho é meu maior sonho,
Meu auge
E você terá uma propriedade
Onde descansar
E se realizar como homem.
É uma doação a termo,
Você faz o filho,
E nos respeita
E ninguém irá te importunar.

Vamos Voltar

Você tem um pouco
De combustível,
Eu tenho um carro velho
E tive que trocar a bateria,
Então, se você viesse
A gente podia encher
O tanque e sair.
Sair por aí,
Passear, curtir,
Bem, eu não sei ao certo
Você é afim de mim
E eu dirijo um pouco,
Seria decidir-se hoje
E o quanto antes.
Vamos sair,
Sair para curtir
Aproveitar as estrelas,
O frio nebuloso noturno,
É junho e a cidade
Está um pouco adiante.
Bem, estou formada
E não consigo trabalho,
Estou endividada
E quero fugir
Para longe daqui,
Você pode nos trazer combustível
E seguimos para o mais
Longe possível.
Pretendo voltar
Para minha cidade anterior,
Lá todo mundo me conhecia,
Está certo,
Mas, aqui é distante demais,
Caro demais,
Eu gastei tudo que fiz
E fiz pouco demais.
Você nos traz combustível,
E vamos fugir
Para uma vida nova,
Meu pai está velho,
A mãe foi embora,
Vamos cuidar da terra
Do velho,
Plantar grama,
Criar gado,
Vamos voltar para
Minha cidade anterior,
Eu me cansei de não ter emprego,
E o salário ser tão pequeno,
Vamos ser independentes,
Trabalhar pra gente.

sábado, 13 de junho de 2026

A Neve

Faz-se frio dentro de casa,
O cobertor não acolhe,
O agasalho não suporta,
Então, acende-se a lareira,
E pronto:
Está quentinho agora.
Lá fora,
Uma cortina branca
Se esvoaça ao vento,
Não está estendida
No varal,
Ela é a neve
Por isso chacoalha tanto,
E derrama-se feito pranto,
Que nada deixa ver
Além de seu aspecto.
Branca,
Chega e envolve
Tudo que vê,
Estende-se para o horizonte,
Parece chegar
Em cada coisa
E lhe beijar a fronte.
Beija e fica um pouquinho,
Esconde de rostinho
A rostinho,
Com seu tapete alvo,
Depois os cobre bem cobertos,
Como se fosse um lençol
Branco esvoaçante
A bailar pelo vento radiante,
Adormece sobre tudo
Que toca,
E esconde.
Como se os dissesse:
Boa noite,
Durmam até que o dia amanhece,
Mas, ela fica e enternece
E a noite que chegou
Não desvanece,
O dia vem,
Mas, o sol se esconde,
Ela fica e ninguém responde.
E quando o verão acorda,
A neve se derrama
E parte para distante,
Então, todos se vestem
De verde
E abrem suas flores,
É primavera
E o vento chacoalha
As folhas molhadas
Do inverno
Que se foi até o
Próximo ano.

O Sapateiro

Certo homem dedicou
Sua vida para fazer sapatos,
Aprendeu na infância
O ofício,
Perdeu seu pai para um raio
Enquanto cortava lenha
Numa ventania de verão,
E perdeu sua mãe
Para uma gripe de inverno
Dois anos após.
Ele manteve-se no ofício,
Até ganhar novo ânimo
Ao ver uma linda moça
Que toda a manhã
Passava em frente a sua casa
Para trabalhar numa vizinha
Fazer os serviços domésticos.
Encantado por sua beleza
E simplicidade passou
A redesenhar seus modelos
E fez de um a um
Com o intuito de conquistar
Seu afeto.
Logo, a vendo de botas
De chuva,
Percebeu o número
De seu pé
E fez de modelo a modelo
Pensando nela:
-Ola, Tiago?
Como está,
Gostaria de comprar
Um sapato novo!
Disse seu vizinho,
Certa vez,
Pondo o rosto em sua porta.
- hoje não tenho amigo!
Ele respondeu sorrindo.
Tiago fez modelos costurados,
Modelos com babados,
Com tranças,
E fitilhos e também de couro
Com todos os saltos,
E até bordados.
Prendeu tábuas em sua
Parede e colocou de par
A par um ao lado do outro
Até encher toda a sala.
Sua vitrine ficou enfeitada
Com os mais diversos modelos.
Ao receber seu primeiro salário,
A moça passou ali
E sorridente adquiriu
Seu primeiro calçado comprado,
Até então, sempre ganhou
De parentes os pares
Que tinha.
Sorriu, abraçou Tiago
E lhe beijou o rosto
Encantada a rodopiar
Em meio a sala onde
Cada par e cada desenho
Era o número dela.
Sem desconfiar do afeto
De Tiago ela saiu,
Feliz balançando a sacola
Que tinha seu par dentro,
Já no outro dia o usou.
E Tiago ganhou novo impulso,
Fez prateleiras que decaiam em cascatas
E redesenhou os modelos.
Trabalhava bem cedo
Do dia e as vezes,
Dormia batendo o calçado,
Desenhando o salto,
Organizando o couro
E queimando desenhos
Para enfeitar.
As vezes,
Chegava o dia
E ela passava por sua vitrine
Sempre a sorrir
Com o rosto colado
Ao vidro sonhando
Com seu novo modelo
De tantos que tinha.
Ela abanava um aceno
E saia furtiva para o trabalho,
Então, sem falar de seu amor,
Nem compreender ao certo
Que sentimento
Tão bom o unia tanto
Aquela moça.
Ele deixou o lampião aceso,
Próximo demais da janela,
E a cortina pegou fogo
Com ele deitado sobre
A mesa de lapidar com
As ferramentas de ferro
O couro do calçado.
A fumaça cresceu alto
E chamou a atenção,
Os vizinhos correram
Com baldes de água
E puxaram a mangueira
De molhar o jardim
E iniciaram o apagamento
Do fogo.
Conseguiram salvar
A maioria dos modelos,
Pois, o fogo se localizou
Onde ele estava,
Contudo, Tiago desfaleceu
E nunca pode provar o beijo
Da moça que tanto amou,
Viveu por ela
E nunca se declarou.
Após sua morte,
Foi verificado
Que todos os calçados
Só serviam para o pé dela
E nenhuma outra pessoa,
Então, ela ganhou cada modelo,
Inclusive a casa,
Pois ele não tinha nenhum
Parente vivo.
Triste os vizinhos
Sempre ouvem seus
Soluços noturnos,
E veem suas lágrimas
Pelos cantos,
Pois, a moça nunca desfiou
Que era amada
Ou considerada por ele,
Tão pobre ela nunca
Pediu sobre todos
Os modelos,
Seu dinheiro era simples,
Mal sustentava os pais
E o irmão pequeno.
Mas, agora tinham onde
Morar e estavam felizes
Por não pagarem aluguel,
Porém, Tiago se foi
E nenhum outro sapateiro
Soube ser tão bom
E tão rico em detalhes.
Ela decidiu por espera-lo,
Enquanto durasse seus sapatos,
Não seria de ninguém,
E haviam ali mil e tantos sapatos.
Ela nunca os contou,
Só viu que se perdiam
De vista,
As inúmeras cores,
Diversos formatos,
O esperou,
Desenhando sapatos,
Copiando seus modelos,
E abraçando cada um
Antes de vender.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Feliz dia dos namorados

Parece um sonho
Estarmos juntos,
Ter você ao meu lado
Fazendo as compras
No mercado,
Escolhendo as frutas,
Os temperos,
E poder trocar olhares
E sorrisos com você
Na frente de todo mundo.
Sei que muitas
Queriam estar no meu lugar
E não me ofendo,
Você é tão perfeito,
Que tudo se torna compreensivo...
Sovei o pão,
Coloquei crescer,
Fiz o melhor almoço,
Plantei sementes
Nos canteiros e vasos,
Tudo isso é para agora
E para mais tarde,
Mas, a semente do hoje
É o fruto do futuro
Que alimenta sonhos
E constrói bases sólidas,
Eu te amo,
Feliz dia dos namorados,
Não é erro
Te dizer isso
De maneira tão inesperada,
Fica comigo
Pra vida inteira?
Eu sou honesta
E trabalhadora,
Faço pão quentinho
E te sirvo com margarina,
Mas, posso bater a manteiga,
Fazer a ximia
Ou como você prefira:
Me escolhe pra sua vida?
Tiago.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Corrupção- Crime de Terror

Ninguém é obrigado
A fazer ou deixar de fazer algo
Senão em virtude de lei.

Tudo que for feito
Contrário a lei
É crime
E está sujeito a pena
De multa ou aprisionamento.

Para cometer crimes
O sujeito criminoso inova,
Ele se agrupa em facções,
Que são organizações com hierarquia,
Que apresenta divisão de tarefas,
E atua em grupos
Com o intuito de domínio,
E lucros objetivos.

Existe ainda o terrorismo,
Que é aplicar violências
E ameaças concretas
Para dominar o psicológico,
O social,
E inibir a liberdade pessoal.

O terror é mais gritante
E mais perverso
Que o simples ato criminoso,
A facção,
Por agir em grupo,
Com hierarquia e divisão
De tarefas dificulta
A descoberta e impedimento
Do ato criminoso.

Já a corrupção
Apoia a existência do crime
E suas formas de expressão,
Vez que dificulta
A sobrevivência digna
Do trabalhador honesto.

Sempre que ela desvia
O dinheiro que entraria
Em suas mãos,
E também, desvia a verba pública
Que iria beneficiar
Com ações e prédios e serviços públicos
Este trabalhador
Para benefício próprio
Com intuito de lucro
E sustento de luxos próprios
As custas da saúde física
E psicológica
Do trabalhador honesto.

Ou seja,
O corrupto une o crime
Ao terror
Sempre que ele abandona
O trabalhador sem assistência pública,
E a facção,
Sempre que se une
De maneira grupal
Para violentar o trabalhador
Como fazem os criminosos
Considerados violentos.

Porém, eles estão disfarçados
De vereadores, prefeitos,
Presidentes e etc.

Existe ali o líder,
A aplicação do terror
Através de doenças,
Submissões e medo,
E a facção que é o seu
Partido político.

Cuidado com o terror
Das telas da televisão,
Pois ele está disfarçado
De político e está
Bem perto de você
Com o intuito de te dominar,
Retirar seus bens,
Impedir e dificultar sua vida
Digna.

O criminoso por trás
Dá prisão
É o seu herói político
Que você elege
Com devoção.

Ao Primeiro Olhar