domingo, 28 de junho de 2026

Ao Primeiro Olhar

No ofício de Tiago
Não era permito o amor,
Muito menos por Alice,
A indomável dona
De sua propriedade
Que na iminência de
Perdê-la,
Não se preocupou 
Nenhum pouco se
Sujaria suas mãos,
Ficaria rouca de tanto
Gritar ou se buscaria
Até o último meado
O amparo jurídico
Que a justiça viesse 
A lhe conferir.

Ocorre, que seu pai faleceu
Deixando a propriedade
A deriva de mãos assassinas,
É certo,
De imediato Alice
Percebeu no olhar da madrasta
O ódio e a capacidade
De chegar muito longe
Pelo que quer,
E desta vez,
Ela desejou seu pai,
Porém, morto.

Não foi díficil,
Uma noite com ele
E uma gravidez precoce,
No mais,
Tornou-se óbvio:
O pai optou por casar-se,
E no casamento irritou-se
Com a impertinência da filha
E a pôs para fora de casa
Com todos os 200 convidados
Como testemunha.

O fato ganhou reportagem local,
O homem a pegou pelo pescoço,
No instante do corte do bolo
Em que ela se posicionou
Em primeiro lugar para receber a fatia.
Após isso, ele a jogou 
Para fora do portão com socos
Contra seu rosto,
A chamando de adúltera,
Promíscua, defensora da putaria.

Abraçou a esposa,
E ela lhe sorriu com seus 
Dentes tortos e um sorriso
Afiado de cortar a alma,
O seu vestido branco,
De virgem grávida,
Aos pés da cruz de cristo,
Não ganhou num único 
Toque de dor ou lágrimas.

"Como iria amá-la 
Tal mulher que não
Se compadecia com
Seu sofrimento?"
Jamais a amaria
E quem não ama filha
Não ama pai,
Família vem acima
De todas as coisas.
Contudo, lá de dentro
Sua mãe sorriu,
Encontrou um noivo idoso
E ele lhe cobria de mimos
E caprichos.

Meses após isso,
Seu pai foi encotrado morto
Escorado no portão de casa
Com alguns litros de velho barreiro
No seu redor.
"Embriaguez desordenada"
Foi o veredito,
Não pra filha,
Que impedida de entrar
Na própria casa,
Invadiu pulando o portão,
E ao encontrar a madrasta
Sentada de roupão
Assistindo a televisão,
Ela lhe desferiu socos
Sem parar,
Até sangrar.

Ao exigir o exame
Que constataria a gravidez,
Foi óbvio o resultado: negativo.
Porém, como Alice comprovaria
Que este foi o único motivo
Que a guiou ao casamento?
A partir de agora,
Ela teria que lutar para anulá-lo,
E tornar a aquisição da propriedade
Pela madrasta como nula,
E ainda comprovar sua participação
No resultado morte de seu pai.

Sozinha e perturbada,
Não viu quando a polícia
Foi acionada e a retirou
Algemada para a delegacia.
Jogada no camburão,
Presa numa jaula,
Alice chorou a morte
Do pai como quem
Chora o primeiro tapa,
Com a dor escruciante
De ter sido punida
Pelo próprio pai
Sem ter feito nada de errado.

No caminho,
Os policiais pararam jantar,
Era de noite,
E ela ficou lá presa,
Sentindo o cheiro da comida
E vendo a boca salivar de fome
Sem poder fazer nada.

É fato,
Quando um ente querido morre,
A fome demora a vir,
Mas, o corpo não compreende
E demonstra os resultados,
Ele parece implorar
Para sobreviver.

Depois disso,
Os policiais abriram
A porta traseira do camburão,
E lhe mandaram virar as costas
Para eles...
Ela não soube o porque
De fazer isso,
Mas o fez,
E tardou para sentir o efeito
De uma mão que apalpou
Suas nadegas,
Depois lhe despiu a roupa,
E então a lambeu,
Para só depois introduzir
Seu pênis entre seus quadris.

Depois disso,
Ambos os policiais
Que a violentaram
Um de cada vez
Soltou as algemas e
A liberou em noite escura
Para retornar a sua casa.

Sozinha, de luto
E a mercê da caridade alheia,
Ela optou por voltar caminhando
Cada quilômetro que a distanciava
De sua propriedade.
Chegando lá, 
Invadiu outra vez
Sem se importar com a câmera
De vigilância,
Juntou uma almofada
E aproximou-se sorrateira
Da madrasta
Instante que a afogou até a morte.
E


Ela se contorcia e gemia,
Numa tentativa inútil
De se livrar da morte iminente.
Depois disso, Alice
A jogou lá fora 
Por entre as garrafas de pinga.

Tiago logo soube da ocorrência,
E compreendeu o quanto Alice
Precisava de sua ajuda.
Desde a primeira vez
Que o viu se apaixonou
E não fez outra coisa
Exceto cuidar seus passos
E cobiçar seu amor.

Tenente Coronel da Polícia Militar
Fechado no Batalhão a trabalhar
Ele se via impedido
De sair do local de serviço
E ir até ela para ajudar,
Tudo que ele soube
Foi sobre a morte de seu pai
E logo após a morte da madrasta
Que ocorreu de maneira similar.

Ele viu os policiais de sua área
Sorrindo felizes,
Olhando seus celulares,
Então, optou por apreendê-los,
Ao fazer isso,
Constatou as imagens de Alice
Sendo estuprada na viatura policial
Por ambos.

Ela estava algemada
E ferida no rosto e corpo,
E ambos apresentavam fardamento
E uma arma em suas mãos
Que comprovavam estarem
Em horário de trabalho.
Ele duvidou que Alice
Tivesse tomado tal atitude
Por vontade própria
Sem dúvida era estupro.

Porém, o Coronel
Negou-se a investigação
E tendo tomado a notícia
Por conhecimento
Utilizou-se do helicópero
E sabedor dos sentimentos
De Tiago não desistiu
Nenhum pouco de seu intuito:
Estuprá-la,
Utilizar de seu corpo
Para puro objeto de prazer.

Na chegada
Levou amigos,
Dois coróneis sobrevoaram
A casa de Alice
Com um documento
De que ambas as mortes
Que a rondavam
Não foram naturais,
E gritaram lá do alto
Que iriam prendê-la
Por assassinato da madrasta
E de seu próprio pai.

Sua casa recebida
Em herança iria a leilão
Por ela ter sido a causadora
Da morte do pai.
Alice sobressaltou-se
Do sofá,
E correu para a janela
Não acreditando no que via:
Dois helicópteros sobrevoavam
Sua casa,
Com armas em punho
E fardamento em seus corpos
Para protegê-los
E tornar suas ações legais.

Logo, um desceu de lá, 
Vez que ambos tinham pilotos,
E invadiram abrindo o portão
A chutes,
Outra vez seu corpo foi violentado.
E o documento de morte
Foi jogado contra os seus olhos,
Como uma espécie de apenamento
Moral e ameaça de cumprimento
Do ato.

Ela ficou com um documento
E o Coronel saiu porta afora,
Tiago apenas pode passar
Por sua casa mais tarde,
E logo soube que ela estava
Sendo indiciada pela morte
De sua madrasta e o pai.

E que iria perder todos os bens,
Isso era realmente terrível,
Contudo, ele a amava
E iria assumir seus sentimentos.
Mas, lá de dentro Alice
Gritou que não desejava
Ser presa.

E preferiu distanciar-se
De Tiago,
Que ajoelhou-se no chão,
Jogou seu chapéu de Tenente Coronel
No chão e chorou soluçando.
Ela foi forte,
Aguentou vê-lo sofrer,
Não queria ter pena de prisão
Ou responder pela morte
Do pai,
Pois já se achava culpada
O bastante por não ter sabido
Lidar com a situação de
Seu relacionamento com a madrasta.

O Coronel sabendo
Do que Tiago fez o transferiu
Para cidade vizinha,
Agora ele não cruzaria nem perto
De sua amada,
Muito menos teria aparato 
Sistemático para saber
Das ocorrências que se relacionassem
A ela.

Como iria vê-la
Se o Coronel a cuidava
De helicóptero, viatura e
A policiamento ostensivo?
Irritou-se e investiu contra
O Coronel a socos e pontapés.

Ao se libertar
O Coronel o prendeu
No próprio Batalhão,
Tiago se viu a sofrer desregrado.
-Não posso dormir!
Disse Alice sem entender
O motivo naquela noite.

Então, levantou-se
Ligou para o Coronel
E aceitou ser sua amante
Em troca da liberdade de Tiago,
Ao saber da liberdade,
Ele ficou calado 
Por um instante,
Depois muniu-se da chave
Da cela onde estava
E assassinou o Coronel.

-Nunca? Eu estar com Alice
É realmente nunca?
Ele gritou enquanto a chave
Percorria o pescoço do Coronel
E lhe tirava a vida.

Um major que chegou
Logo atrás e viu a cena
Aplaudiu.
Tiago levantou o olhar assustado.
-Ele estuprou todo mundo
Do Batalhão.
O major disse.
-Deixe que eu dou um fim
No corpo,
Este não merece velório
Reconhecido pela sociedade.

Assim o fez,
O jogou no porta malas
E se livrou dele no matagal
Das proximidades.
Quando Tiago encontrou
O olhar de Alice
Tudo que fez foi pensar
No quanto a amava
E no tanto que queria
Passar cada dia de sua vida
Ao lado dela.

Ele não se importou
Com mais nada,
Corre até ela,
Saltando o portão,
E abrindo a porta com
Um grampo,
E a abraçou como se
Aquele instante fosse
Seu próprio universo.

Vendo surpresa e alegria,
A beijou sôfrego e apaixonado,
Deixou-se dominar pelo desejo
Intenso de ficar e cuidar
Desta que tanto amou.
Não para sofrer
Por lutar por um amor 
Tão próximo do impossível,
Mas para viver e sonhar,
Porque com nenhuma outra
Sentiu este ímpeto ao amor.

Talvez, seu inconsciente
Fosse mais forte que ele,
E se ele tivesse por
Algumas horas seu amor,
Lhe valeria pela vida.
Ele se permitiria sonhar
Com ela esta noite,
E no amanhecer tudo mudaria.

No amanhecer ele foi
Para o trabalho,
Retornou ao Batalhão
Ignorando a ordem anterior.
Lá de olhos abertos
Para o futuro se viu com Alice
E viveu cada instante deste amor
Como se com ela estivesse.

De tão puro e profundo
A sentiu consigo,
A viu em seus braços,
E a fez suspirar de alívio
E segurança,
Então, quando o outro Coronel
Decidiu tomar a mesma atitude
Anterior,
Ele pode presenciar
Sem estar lá.

O que viu o espantou,
O deixou aterrorizado,
Quase em pânico.
Acreditando que o outro Coronel
Estava com ela,
Este, lá do céu
Gritou para que saísse
E abriu a porta
Com a arma apontada para a casa.

Vez que o Coronel não saiu,
Pois também não estava lá,
Ele atirou,
Se aproximou bastante da casa
E investiu munição
Contra o telhado de Alice.
Que assustada jogou-se no chão,
Cobrindo a cabeça com as mãos.

Tiago Gritou,
Deu voz de prisão,
Empunhou a arma e
atirou,
Estava longe demais,
Alice morreria naquele instante,
Porém, seu amor foi mais forte,
Ele atirou outra vez
E derrubou a aeronave.

Alice pode ouvir seu grito,
Seu espasmo de medo,
Seu choro vitorioso,
Outro Coronel foi abatido,
Desta vez, os chefes do estupro
Haviam sido retirados
Da corporação militar.

Restava os subalternos,
Com suas investidas,
Mentiras e apoio anterior.
Do nada,
Tiago se desfez de seu trabalho
E surgiu na casa de Alice,
A recolhendo do chão
E constando as balas soltas
Próximas a ela
Que perfuraram seu telhado
E foro e ficaram no chão
Inofensivas.

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