domingo, 28 de junho de 2026

Casada, Mãe e Trisal

 - Olá, meu amor,

Você é o que tenho

De mais importante,

Sinto medo se meu para sempre

Não o tiver comigo.


Disse Angelina ajoelhada

No chão de terra

Com gotas de chuva

Iniciando a cair sobre

Os seus cabelos curtos.


-Eu fiquei louca

Por você,

Fiz tudo que pude,

Me chamaram de puta

E eu cortei todo o cabelo

Para mostrar meu rosto

Perfeito, redondo e ingenuo

Igual ao seu,

Eu juro.


Ela insistiu,

A chuva ficou mais forte

E descia torrencial

Até suas mãos

Levando terra e sujeira

Do chão.


-Eu não mereço você,

Poxa, eu errei tanto,

Fui casada,

Me divorciei,

Nunca fui fiel,

Mas tudo mudou

Assim que te vi,

Eu juro,

Sendo sua

Não seria de outro.


A chuva percorria

Seus cabelos curtos

Molhando seu rosto

Como se fosse suor

De uma noite de amor tórrido,

Mas, ali escorria chuva,

Lágrimas e dor.


Agora que encontrou Juliano

Todos o desejavam,

Todos moviam montanhas por ele,

E Angelina ali,

Tão frágil, forte e submissa.


Realmente o destino

Não lhe foi promissor,

A fez casar-se cedo,

Aos 15 anos,

Lhe deu um filho

E três anos após lhe tirou.


Seu esposo,

Um sujeito cruel

Se pôs a esconder-se

Com o menino no quarto,

Seu pranto

Deixava Angelina louca,

Mas a porta trancada

Impedia a sua entrada,

Não importava quais 

Eram seus gritos de socorro

Ou o quanto alto fossem,

Tiano o matou.


Só soltou a criança

Quando esta ficou

Sem vida e esmorecida

Nos braços de Angelina,

Simplesmente, ele abriu a porta

E a entregou roxo e silencioso.


Os brinquedos espalhados

Pela casa foram guardados

Numa caixinha de papelão,

Que logo Tiano descobriu

E queimou todos.


O sorriso da criança se apagou,

Seu pranto cessou,

Também suas dores abdominais,

Sua voz emudeceu

E suas roupas foram tomadas

Da mão de Angelina

Para serem jogadas

Sobre a lata da lixeira.


A dor foi imensurável,

Mas, logo Tiano se afeiçoou

A uma criança de uma prima

E passou a maior parte do tempo

Em que não trabalhava 

Na casa da própria.


Angelina foi renegada

Aos cantos da casa

Sempre limpando

E nunca sendo valorizada.

Seu batom acabou

E com ele a vontade 

De adquirir outro,

A minissaia rodada escapou

E nenhuma vontade lhe surgiu

De comprar outra,

A última camisola rasgou

E nenhuma vontade lhe surgiu

De comprar uma nova.


Convites surgiram

De suas redes sociais

Para ela sair de casa

E se aproximar de amigos,

Conhecer novas pessoas,

Interagir,

E fotografias chegavam

No celular de seu esposo

Com o menino no colo,

Abraçado a criança sentado

De peito nu,

E pés descalços.


Foi estranha a atitude,

E isso a levou para a faculdade,

Lá na classe,

Tomou partido de nova aula

Optativa onde conheceu

Um professor

Que não tardou lhe ofereceu

Notas e um emprego

Em troca de favores sexuais.


Angelina ficou arrasada,

Trancou a faculdade e

Foi viajar para a praia,

Era frio

Mas ela arriscou um biquíni.


No retorno,

Abriu a porta de casa

E encontrou Tiano 

Com uma criança

Fazendo sexo sobre o sofá,

De imediato avançou 

Irritada sobre ele

E lhe desferiu golpes 

De punho fechado

Para que se afastasse.


Ele foi até a cozinha,

Pegou uma faca

E a esfaqueou no peito,

Angelina ajoelhada

De dor,

Removeu a faca e

Empurrou com a própria mão

De Tiano contra o peito dele.


Ele não resistiu,

Caiu sangrando,

Chacoalhando o corpo

De dor e ficou ali imóvel.

Angelina pegou a criança

Pelo braço e a pôs para fora.


A vizinha correu até ela irritada,

Ameaçou processá-la,

Chamou a polícia 

E denunciou Angelina 

Pelo assassinato de Tiano,

E informou que a criança

Era filho dele,

Então, exigiu a casa de Angelina

Como retorno financeiro.


Angelina sofreu,

Buscou um advogado

E retornou a classe escolar,

Apaixonou-se por Laerte,

Que impediu sua prisão

E a defendeu no tribunal do júri.


A criança fez exame 

E constatou o estupro,

Também constatou

Que  ele não era o pai,

Laerte comprava crianças

Em troca de favorecimento sexual.


Mas, um dia Juliano

Sobrevoou de helicóptero

A casa de Angelina

Indo realizar uma busca

E apreensão aerea

Devido ao fato de o caso

Ser especial porque o sujeito

Tinha muitas posses

E corria sério risco

De que ele fugisse

Por diversos meios,

Entre eles, através de veículo

Aéreo.


De longe, Angelina o viu,

A porta do helicóptero

Estava aberta e ele estava

Parado entre ela,

De arma na mão,

Rosto sério e sua beleza esplendorosa.


Angelina o ouviu

Gritar a voz de prisão e 

Pedir que o bandido não fugisse,

Pois viaturas o cercaram.

Seu coração acelerou,

E ela ligou para ele,

Tendo uma recaída em 

Seus sentimentos.


No passado,

Foi amante de Juliano,

E agora, após a morte de Tiano,

Retornava depois de cinco anos

A vê-lo e isto abalou

O que sentia por Laerte,

Até vê-lo e não sentir forças

Para desistir de ser sua.


Laerte fez generoso desconto

Em sua defesa criminal,

Mas, agora Angelina estava

Grávida outra vez,

E não sabia quem era o pai:

Juliano o policial civil

Ou Laerte o advogado criminal.


Decidiu por fim nos estudos

E foi aprovada como policial,

Grávida e aprovada,

Só esperava ser chamada

Para assumir sua função.


Não conseguiu separar-se

De nenhum dos homens

Que tanto amava

E isto a colocava em dúvida

Sobre como reagir,

Precisava contar

Que estava grávida

E depois disso,

Que não sabia quem 

Era o pai.


Quis o destino soar traiçoeiro,

Numa emboscada

Em que Juliano invadia

Uma residência em flagrante delito,

Ele foi surpreeendido

Pelo sujeito armado

Que atirou contra seu peito

E o deixou debilitado

Preso a uma cama hospitalar.


Angelina nunca o deixou,

E o nascimento da criança,

A linda menina trouxe vida

Ao seu olhar,

Nesta medida,

Larte foi buscar um laudo médico

Para um cliente no hospital

E a viu.


Sorrindo, com a criança 

No colo olhando Juliano

Na maca.

Seu coração impetuoso,

A amou mais que a qualquer outra

E isto o impediu de abandoná-la.


A menina era surpreendentemente linda,

Seu sorriso fazia eco

Pelo cômodo

Enchendo a casa de vida.

Isso trouxe movimentos a Juliano,

Depois sua voz,

Então, certa vez ele 

Levantou da cama,

Sentou-se e abraçou ambas.


Angelina, Juliano e Laerte

Decidiram seguir a vida em comum,

Escolheram uma casa

Para os três e a filha,

E a registraram em nome

De todos,

Com os dois masculinos

Descritos como pai.


Andriane é especial

Possui uma mãe

E dois pais.

Angelina é casada com ambos,

Através de contrato conjugal,

A lei insiste que casamento

É feito de duas pessoas apenas,

E ainda exige que sejam

Um homem e outro mulher,

Mas, abre respaldo para que

Uniões afetivas como as de Angelina

Não fiquem ao acaso.


A igreja está alheia ao fato,

O padre recusou-se 

A levar o pedido dos três

Para o Papa fazer um respaldo

Em favor do casamento dos três,

É sonho de todos casar-se

Com a benção de Deus,

Mas, os pais de cada um

Concederam suas bençãos,

E os irmãos foram testemunhas

De seu amor,

Também dois casais próximo

A eles.


O casamento ocorreu no quintal

De sua casa,

Sua filha foi vestida de aia,

Com vestido azul e uma

Cesta de flores na mão

Espalhando sobre o gramado.


Juliano separou alguns policiais

Vestidos a caráter

Para levantar suas armas

Ao alto e atirar um tiro falso

Feito de barulho e fogo

Quando o trisal se afastasse

Da mesa onde o juiz celebrou

O casamento.


De uniforme negro,

E pistola para o alto,

Juliano e Laerte decidiram

Dar um fim,

Um tiro fatal no preconceito

Das pessoas 

Que rexplandesse na lei

E impede o casamento 

De mais de duas pessoas,

Ou de pessoas do mesmo sexo.


E Laerte pediu que

Os advogados que trabalham

Para ele trouxessem um abaixo assinado

Para que cada convidado assinasse

Pedindo a liberação do casamento

Homoafetivo e de mais de duas pessoas

Pela lei e pela igreja,

O qual seria remetido 

A um senador e deputado

Próximos a família para proposição

De um projeto de lei.


Depois do acordo de vontades

Assinado, o trisal saiu do local

E o tiro foi dado para o alto,

O documento passou de mão

Em mão, 

E então, foi entregue ao

Deputado e Senador presentes

Para envio como projeto de lei.

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