- Olá, meu amor,
Você é o que tenho
De mais importante,
Sinto medo se meu para sempre
Não o tiver comigo.
Disse Angelina ajoelhada
No chão de terra
Com gotas de chuva
Iniciando a cair sobre
Os seus cabelos curtos.
-Eu fiquei louca
Por você,
Fiz tudo que pude,
Me chamaram de puta
E eu cortei todo o cabelo
Para mostrar meu rosto
Perfeito, redondo e ingenuo
Igual ao seu,
Eu juro.
Ela insistiu,
A chuva ficou mais forte
E descia torrencial
Até suas mãos
Levando terra e sujeira
Do chão.
-Eu não mereço você,
Poxa, eu errei tanto,
Fui casada,
Me divorciei,
Nunca fui fiel,
Mas tudo mudou
Assim que te vi,
Eu juro,
Sendo sua
Não seria de outro.
A chuva percorria
Seus cabelos curtos
Molhando seu rosto
Como se fosse suor
De uma noite de amor tórrido,
Mas, ali escorria chuva,
Lágrimas e dor.
Agora que encontrou Juliano
Todos o desejavam,
Todos moviam montanhas por ele,
E Angelina ali,
Tão frágil, forte e submissa.
Realmente o destino
Não lhe foi promissor,
A fez casar-se cedo,
Aos 15 anos,
Lhe deu um filho
E três anos após lhe tirou.
Seu esposo,
Um sujeito cruel
Se pôs a esconder-se
Com o menino no quarto,
Seu pranto
Deixava Angelina louca,
Mas a porta trancada
Impedia a sua entrada,
Não importava quais
Eram seus gritos de socorro
Ou o quanto alto fossem,
Tiano o matou.
Só soltou a criança
Quando esta ficou
Sem vida e esmorecida
Nos braços de Angelina,
Simplesmente, ele abriu a porta
E a entregou roxo e silencioso.
Os brinquedos espalhados
Pela casa foram guardados
Numa caixinha de papelão,
Que logo Tiano descobriu
E queimou todos.
O sorriso da criança se apagou,
Seu pranto cessou,
Também suas dores abdominais,
Sua voz emudeceu
E suas roupas foram tomadas
Da mão de Angelina
Para serem jogadas
Sobre a lata da lixeira.
A dor foi imensurável,
Mas, logo Tiano se afeiçoou
A uma criança de uma prima
E passou a maior parte do tempo
Em que não trabalhava
Na casa da própria.
Angelina foi renegada
Aos cantos da casa
Sempre limpando
E nunca sendo valorizada.
Seu batom acabou
E com ele a vontade
De adquirir outro,
A minissaia rodada escapou
E nenhuma vontade lhe surgiu
De comprar outra,
A última camisola rasgou
E nenhuma vontade lhe surgiu
De comprar uma nova.
Convites surgiram
De suas redes sociais
Para ela sair de casa
E se aproximar de amigos,
Conhecer novas pessoas,
Interagir,
E fotografias chegavam
No celular de seu esposo
Com o menino no colo,
Abraçado a criança sentado
De peito nu,
E pés descalços.
Foi estranha a atitude,
E isso a levou para a faculdade,
Lá na classe,
Tomou partido de nova aula
Optativa onde conheceu
Um professor
Que não tardou lhe ofereceu
Notas e um emprego
Em troca de favores sexuais.
Angelina ficou arrasada,
Trancou a faculdade e
Foi viajar para a praia,
Era frio
Mas ela arriscou um biquíni.
No retorno,
Abriu a porta de casa
E encontrou Tiano
Com uma criança
Fazendo sexo sobre o sofá,
De imediato avançou
Irritada sobre ele
E lhe desferiu golpes
De punho fechado
Para que se afastasse.
Ele foi até a cozinha,
Pegou uma faca
E a esfaqueou no peito,
Angelina ajoelhada
De dor,
Removeu a faca e
Empurrou com a própria mão
De Tiano contra o peito dele.
Ele não resistiu,
Caiu sangrando,
Chacoalhando o corpo
De dor e ficou ali imóvel.
Angelina pegou a criança
Pelo braço e a pôs para fora.
A vizinha correu até ela irritada,
Ameaçou processá-la,
Chamou a polícia
E denunciou Angelina
Pelo assassinato de Tiano,
E informou que a criança
Era filho dele,
Então, exigiu a casa de Angelina
Como retorno financeiro.
Angelina sofreu,
Buscou um advogado
E retornou a classe escolar,
Apaixonou-se por Laerte,
Que impediu sua prisão
E a defendeu no tribunal do júri.
A criança fez exame
E constatou o estupro,
Também constatou
Que ele não era o pai,
Laerte comprava crianças
Em troca de favorecimento sexual.
Mas, um dia Juliano
Sobrevoou de helicóptero
A casa de Angelina
Indo realizar uma busca
E apreensão aerea
Devido ao fato de o caso
Ser especial porque o sujeito
Tinha muitas posses
E corria sério risco
De que ele fugisse
Por diversos meios,
Entre eles, através de veículo
Aéreo.
De longe, Angelina o viu,
A porta do helicóptero
Estava aberta e ele estava
Parado entre ela,
De arma na mão,
Rosto sério e sua beleza esplendorosa.
Angelina o ouviu
Gritar a voz de prisão e
Pedir que o bandido não fugisse,
Pois viaturas o cercaram.
Seu coração acelerou,
E ela ligou para ele,
Tendo uma recaída em
Seus sentimentos.
No passado,
Foi amante de Juliano,
E agora, após a morte de Tiano,
Retornava depois de cinco anos
A vê-lo e isto abalou
O que sentia por Laerte,
Até vê-lo e não sentir forças
Para desistir de ser sua.
Laerte fez generoso desconto
Em sua defesa criminal,
Mas, agora Angelina estava
Grávida outra vez,
E não sabia quem era o pai:
Juliano o policial civil
Ou Laerte o advogado criminal.
Decidiu por fim nos estudos
E foi aprovada como policial,
Grávida e aprovada,
Só esperava ser chamada
Para assumir sua função.
Não conseguiu separar-se
De nenhum dos homens
Que tanto amava
E isto a colocava em dúvida
Sobre como reagir,
Precisava contar
Que estava grávida
E depois disso,
Que não sabia quem
Era o pai.
Quis o destino soar traiçoeiro,
Numa emboscada
Em que Juliano invadia
Uma residência em flagrante delito,
Ele foi surpreeendido
Pelo sujeito armado
Que atirou contra seu peito
E o deixou debilitado
Preso a uma cama hospitalar.
Angelina nunca o deixou,
E o nascimento da criança,
A linda menina trouxe vida
Ao seu olhar,
Nesta medida,
Larte foi buscar um laudo médico
Para um cliente no hospital
E a viu.
Sorrindo, com a criança
No colo olhando Juliano
Na maca.
Seu coração impetuoso,
A amou mais que a qualquer outra
E isto o impediu de abandoná-la.
A menina era surpreendentemente linda,
Seu sorriso fazia eco
Pelo cômodo
Enchendo a casa de vida.
Isso trouxe movimentos a Juliano,
Depois sua voz,
Então, certa vez ele
Levantou da cama,
Sentou-se e abraçou ambas.
Angelina, Juliano e Laerte
Decidiram seguir a vida em comum,
Escolheram uma casa
Para os três e a filha,
E a registraram em nome
De todos,
Com os dois masculinos
Descritos como pai.
Andriane é especial
Possui uma mãe
E dois pais.
Angelina é casada com ambos,
Através de contrato conjugal,
A lei insiste que casamento
É feito de duas pessoas apenas,
E ainda exige que sejam
Um homem e outro mulher,
Mas, abre respaldo para que
Uniões afetivas como as de Angelina
Não fiquem ao acaso.
A igreja está alheia ao fato,
O padre recusou-se
A levar o pedido dos três
Para o Papa fazer um respaldo
Em favor do casamento dos três,
É sonho de todos casar-se
Com a benção de Deus,
Mas, os pais de cada um
Concederam suas bençãos,
E os irmãos foram testemunhas
De seu amor,
Também dois casais próximo
A eles.
O casamento ocorreu no quintal
De sua casa,
Sua filha foi vestida de aia,
Com vestido azul e uma
Cesta de flores na mão
Espalhando sobre o gramado.
Juliano separou alguns policiais
Vestidos a caráter
Para levantar suas armas
Ao alto e atirar um tiro falso
Feito de barulho e fogo
Quando o trisal se afastasse
Da mesa onde o juiz celebrou
O casamento.
De uniforme negro,
E pistola para o alto,
Juliano e Laerte decidiram
Dar um fim,
Um tiro fatal no preconceito
Das pessoas
Que rexplandesse na lei
E impede o casamento
De mais de duas pessoas,
Ou de pessoas do mesmo sexo.
E Laerte pediu que
Os advogados que trabalham
Para ele trouxessem um abaixo assinado
Para que cada convidado assinasse
Pedindo a liberação do casamento
Homoafetivo e de mais de duas pessoas
Pela lei e pela igreja,
O qual seria remetido
A um senador e deputado
Próximos a família para proposição
De um projeto de lei.
Depois do acordo de vontades
Assinado, o trisal saiu do local
E o tiro foi dado para o alto,
O documento passou de mão
Em mão,
E então, foi entregue ao
Deputado e Senador presentes
Para envio como projeto de lei.
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