segunda-feira, 1 de setembro de 2025

No Amanhã

Você ainda
Me amara amanhã?
Quando minha fala
Cansar-se de falar
E passarmos a nos
Conhecer pelo olhar?
Você ainda
me amará amanhã?
Quando eu acordar
Mais tarde,
Deixar o almoço
Para depois
E abandonar a louça
Por lavar?
Você ainda
Me amará amanhã?
Quando eu jogar o cobertor
Com os pés,
Sentir frio no meio da noite,
E te cobrar que eu esteja coberta?
Você ainda
Me amará amanhã?
Quando a roupa
Acumular suja,
O chão esteja
Por varrer e os móveis
Para remover o pó?
Você ainda
Me amará amanhã?
Quando a caixa de lenha
Estiver pesada,
E eu resvale no azulejo
Ao buscá-la
Para levar para dentro de casa?
Você ainda
Me amara amanhã?
Quando o fogo apagar-se,
E o fogão estiver sujo?
Você ainda
Me amará amanhã?
Quando eu for para o banheiro
Esquecer a toalha
E voltar para dentro de casa
Escorrendo água
Por toda a sala?
Você ainda
Me amará amanhã?
Quando a toalha
Estiver molhada
E eu a jogar para o lado,
Toda recolhida
Sem por ela para secar
Ou levar até a lavadora?
Você ainda
Me amará amanhã,
Quando eu te xingar demais,
Falar o que você
Não merece ouvir,
Me sentir alterada,
Gritar frases difíceis?
Me amará?
Eu gostaria que me amasse
Mesmo assim,
E pelo resto
Dos nossos dias.

Segredo Duplo 2

-Ora, Lynne,
Eu tenho 65 anos de idade,
Sou avô de minha primeira esposa,
Mesmo com Adriane
Tendo perdido nosso filho
Eu continuarei casado.
Dalvan respondeu sereno,
Enquanto tocava o maxilar
De Lynne e retirava o cabelo
Que lhe caia no rosto
E passava por detrás do ombro.
-eu não pensei que
Por eu ser mãe de um filho seu
Isto o faria separar-se.
Ela respondeu rápida.
-imagino que sim,
E espero que me entenda,
No teor dos seus dezenove anos
Um filho nascido desta maneira
Talvez a torne mais madura.
Ele continuou,
Trouxe sua mão de seu ombro
E tocou seus pescoço,
Acariciando com carinho.
-sim, nosso menino
Tem um ano de idade,
Está difícil mantê-lo sozinha.
Lynne respondeu exaltiva.
- está certo,
Eu não contava com isto,
Realmente, quando tudo teve um fim,
Eu não busquei notícias
E você se adequar a vaga
De trabalho que eu tinha disponível
Nos foi útil.
Ele continuou,
Andou três passos
E de costas para ela disse:
- nossa relação pode perdurar
No tempo ou acabar
Muito rápido,
São coisas comum.
Depois disso Amadeus
Foi até a janela,
Abriu as cortinas
E ficou olhando os carros
Passarem na rua.
- eu irei assumir a paternidade,
Adriane é muito especial,
Ela será ótima mãe,
Nós podemos trazer o menino
Morar conosco.
Depois disso,
Amadeus virou-se
E encarou-a de frente.
- seria ótimo trazer
O menino para morar com nós,
Isto lhe facilitaria
No que se refere a sua liberdade
Para fazer as coisas de que
Você gosta conforme lhe for
Do interesse.
Ele continuou.
Lynne andou até a mesa dele,
Olhou-o de perto.
- claro, um filho ainda pequeno
Nos inibe para muitas coisas,
E realmente se você escolheu
Adriane para esposa
E está convicto de que agiu bem
Eu concordo que ela seria
Boa mãe.
Amadeus percorreu
O caminho que os separava,
Tocou seus rosto
E beijou sua boca
Com carinho e afeto:
- podemos fazer o exame
Para constatar a paternidade
E depois você pensa sobre isso,
Eu não quero oprimi-la.
Entre beijos Amadeus
Encerrou a ideia:
- eu não os deixarei desamparados.
Meus filhos e netos pequenos
Ficaram felizes por ter
Um novo amiguinho
Brincando entre eles
E crescendo em nossa família.
Minha mãe e meu pai
Virão correndo nos felicitar.
Ele encerrou:
-Sei que o menino
Será bem criado,
Eu o amo
E desejo o melhor para nós.
Depois de dizer isto,
Lynne o abraçou com força,
Encontrando amparo
Para seus medos
E segurança para a sua vida.
Um suspiro emergiu
Do fundo do seu peito
Trazendo um sorriso
Para a sua alma sofrida.
No instante em que
Decidiu ter um caso
De amor tórrido e proibido
Com Amadeus,
A ideia lhe pareceu incrível,
Todavia, ela desconhecia
Que ele tivesse outro relacionamento,
Mesmo tendo idade já avançada,
Ela ignorou sua vida particular
E ele não lhe trouxe repressão.
Cada instante
Vivido juntos foi especial
E vivido em total intensidade,
Quando tudo terminou
Ela não estava preparada,
Quando soube de seu casamento
Sentiu-se exausta,
E até mesmo desamparada,
Mas, agora havia um novo ânimo
Para a relação
E contar com o filho pequeno
Só iria ajudar
A mantê-los juntos.
Contudo, ela não esperava
Que ele fosse manter o casamento,
Do contrário,
O imaginou mil vezes
A sorriso encantador
E cantar de alegria
Por seu pai.
O imaginou a erguendo
Em seus braços fortes,
Rodopiando-a no ar
E a puxando para o casamento
O mais rápido possível,
Mas, isto não ocorreu,
E novas possibilidades
Se abriam para os dois.

Feliz aniversário dalvan

Hoje, dia 01 de setembro
É seu aniversário,
Parabéns,
Estamos muito felizes
E realizados
Devido a este dia especial.
São 65 anos de existência,
É muita experiência,
Muito tempo vivido
E muito a viver ainda.
Cada dia seu
Foi aproveitado com êxito,
Da lavoura até a cidade,
Sempre fez seu melhor,
Nos abençoou com felicidade.
Sentimos orgulho de você,
De todos os seus méritos,
Dos sonhos em que você
Acreditou e realizou.
Prosperidade é uma palavra simples,
Sucesso é algo fácil,
Felicidade você soube plantar,
União em casa instante
Nos fez construir um futuro
Melhor,
E alcançar cada coisa
No seu tempo,
E em cada dia
Um pouco de tudo,
Obrigada Dalvan Mendes de Medeiros,
Você é um grande homem,
Um ótimo exemplo,
Um querido pai,
Devoto esposo,
Aclamado avô,
Amado sogro.
São 65 anos
Em que você construiu
Cada dia,
Cada alicerce,
Cada base
Que nos guia,
Isto tornou nosso caminho
Mais simples,
E nos fez melhores.
Você é um grande homem,
Um trabalhador honesto,
Um querido amigo,
Só temos a agradecer
Por mais este aniversário conosco,
E pelos muitos que estão
Por vir,
Você merece nosso abraço,
Nosso sorriso
E este simpático palavreado.

Segredo Duplo

Lynne conheceu Amadeus
Pouco tempo depois de começar
Frequentar o camping Tijolar,
Ela usava seu biquíni,
Deitou na espreguiçadeira
Em frente a piscina
E esqueceu as horas.
Instante depois foi acordada
Por uma garrafa de cerveja
Que era despejada sobre seu corpo,
Incluindo cubos de gelos
Deslizando sobre sua coluna
E uma voz marcante
E masculina que a indagou:
- vai ficar aí pra sempre?
Ela abriu os olhos,
Ergueu o rosto
De sobre os braços cruzados,
Virou o rosto
E buscou a direção da voz.
Encontrou um lindo homem
De sunga verde clara,
Olhos escuros sérios
E cabelos negros molhados
Olhando-a com desdém.
-desculpa, eu não entendi.
Ela respondeu.
-estas cadeiras são privativas
E eu paguei por está,
Sai da piscina,
Me sentei na beirada,
Porém, já se passou muito tempo.
Ele argumentou.
Ela avermelhou o rosto
De vergonha,
Não foi informada a este respeito,
E o pouco dinheiro que tinha
Mal pagou sua entrada,
Não tinha nem ao menos
Água fria para molhar a garganta,
Ou conhecimento de quem
Seria este homem tão perfeito.
Ela secou as faces
Pois a vergonha lhe fez
Escorrer suor da testa,
Até molhar os cabelos,
Se sentou e o olhou:
-bem, a espreguiçadeira é grande
Vamos dividi-la?
Ela indagou.
- é certo.
Eu sou Amadeus,
E você?
-sou Lynne, prazer.
Lynne levantou,
Estendeu a mão em cumprimento,
Esperou Amadeus sentar-se,
Então, sentou ao seu lado.
Passaram uma tarde animada
Juntos,
No tempo de algumas horas
Ela ganhou um beijo,
Depois disso,
Ganhou novas entradas
Para o camping,
Ficou feliz por poder vê-lo,
E no transcorrer de meses
Já namoravam.
Em uma de suas noites
Em que passaram juntos
No apartamento de Amadeus,
Lynne foi surpreendida
Pela mãe dele
Que bateu na porta,
Usou a chave reserva
E entrou sem aguardar resposta:
- vista-se e saia.
Eu não gosto de você.
Quero proteger meu filho,
Você faz mal a ele.
Ela falou em tom agressivo.
Puxou o cobertor de sobre Lynne,
Expôs sua nudez
E jogou suas roupas que estavam
Soltas no tapete marrom claro
Sobre ela:
- vista-se e desapareça.
Entendeu?
Não quero ver você.
Laranta sentou ao lado
Da cama e desferiu um tapa
Contra o rosto de Lynne.
- me desculpa senhora.
Lynne respondeu.
-Você tem dez minutos
Para vestir-se e sumir.
Laranta respondeu levantando
De sobre a cama
E se dirigindo para fora
Do quarto.
-espero aqui fora.
Lynne se apressou
Para se vestir
E correu para fora do quarto,
Foi até o elevador
E chorando jurou não retornar.
Trocou o número celular,
Trancou-se no quarto
Para chorar,
Três meses depois se descobriu
Grávida.
Contudo, ao procurar Amadeus
Através de telefonemas
Laranta se prestou em atender
A todos e nunca passar
A ligação ou os recados.
Amadeus logo casou-se,
Laranta fez questão de dizer
Que muito antes
Ele namorava tal moça,
Adriane.
Mas o mundo gira,
E certo dia,
Com o filho já com um ano
E meio Lynne decidiu
Buscar trabalho.
Com o currículo em mãos,
Se deparou com Amadeus
Na entrada da empresa.
De susto soube se tratar do dono,
De ímpeto foi contratada.
Infelizmente, foi o único
Lugar em que foi admitida,
E o salário era muito bom,
Ela precisava do emprego,
Contudo, logo os encontros
Furtivos com Amadeus
Deixaram de pertencer ao acaso
E o que era trabalho
Tornou-se beijo,
Que virou sexo quente
Nos corredores.
- por quê você sumiu?
Ele a indagou.
- você casou-se.
Amadeus pôs Lynne
Contra a parede,
Manteve os dois braços
Esticados colados a parede,
Próximo ao corpo dela,
Sem toca-la.
- minha mãe contou
Que não noite em que dormimos
Sumiu um colar de seu quarto.
Lynne esvaneceu até o chão,
Bamba de vergonha
E ódio por ter sido acusada
Por um crime
De maneira tão sórdida.
Tentou fugir,
Mas Amadeus a prendeu
Pela cintura e a manteve.
-eu jamais faria isso.
Ela disse.
Ele a puxou para seu peito.
-ela não mentiria.
Lynne virou-se para ele
Com a mão levantada
Contra seu rosto
E o esbofeteou.
- e não foi sua atual esposa?
Ela acusou.
- o quê?
Ele respondeu.
Ela irritou-se mais,
Se agachou um pouco
Para esconder as lágrimas
E lhe agrediu com socos
E pontapés.
Amadeus, a ergueu
Nos braços pela cintura
E a carregou até sua sala
No colo,
Trancando-a com ele
Lá dentro.
- você me perdoa
Se isto não me ocorreu
É que unido ao seu sumiço...
Lynne olhou-o
Como se todo o ódio
Do mundo
Coubesse dentro dela.
- eu te liguei milhões de vezes,
Aliás, quando descobri
A gravidez
Eu me pendurei ao telefone.
Ela gritou,
Cuspindo em sua cara,
E estapeando ele
Até que ele segurou seu antebraço,
E dobrou ambos até seu peito,
A mantendo com ele:
- o quê?
Filho?
Vamos conversar sobre isso?!

domingo, 31 de agosto de 2025

Devoção e Terror

“Devoção.”
Ele estava de joelhos,
Tinha um desejo muito intenso,
Precisava realiza-lo.
“lhe peço devoção,
Só isso.”
Ele levantou o rosto
Para o alto,
Juntou as mãos
E rezou mais forte.
“Você ouviu.”
Contudo,
A voz era feminina
E desde muito cedo
Ele aprendeu que Deus
Era masculino?!
Ele já não sabia,
A única certeza que tinha
É que tinha urgência
De que seu pedido
Se concretizasse.
“Sim.
Aceito”.
Ele falou no escuro
Do seu próprio quarto,
Sua esposa dormia serena,
Seus filhos não o ouviam,
Estavam em outro quarto,
 Provavelmente, dormindo.
Foi simples dizer isto,
E o que ele pedia
Não era nada simplista,
Ele simplesmente
Precisava que este pedido
Se concretizasse
E naquele momento devoção
Era o caminho mais simples.
A voz feminina
Continuou em sua vida,
Para ela
Foi simples ele concretizar
O seu sonho,
No entanto, a devoção
Que prometeu exigiu dele
Pertencer a está pessoa
Que ainda não passava
De uma voz obscura.
Ele lhe cobrou,
Ele se entregou,
Cooperou em tudo
Que pôde,
Nada lhe pareceu pretensioso,
Se curvar até ter prazer
Consigo próprio
E não outra pessoa
Foi fácil,
Falar sobre coisas impensadas
E acreditar que os pensamentos
Eram próprios dele
Foi fácil.
Até que encontrou
A voz com maior facilidade
Ao entregar-se para drogas
De toda espécie:
Bebida, cigarro e outras.
Certa vez,
Acordou e desejou morar sozinho,
Sua esposa e filhos
Deixou de fazer parte
De sua vida,
Entregou-se a outros beijos,
Rostos desconhecidos
E amores vazios.
A moça da voz surgiu,
Lhe ofereceu coisas fáceis,
Descomplicou para que ele
As conseguisse,
E ele nunca duvidou
Que até os sonhos que ele
Sonhava em suas noites,
Faziam apenas parte
Da devoção que lhe prometeu.
Que muito antes de porvir
De sua fala
A devoção já estava
Dentro dele,
Apenas tardou fluir
Ou ser cobrado por esta
Que nunca lhe deu nada gratuito.
Então, ela ficou com fome,
O convidou a fazer pactos
Com o demônio
Percorrer o fogo e sair intacto.
Tanto ele não saiu intacto,
Quanto ela comeu de sua carne
E brincou com seus ossos,
Porquê a devoção provinha dele,
Nunca foi dela ter cuidados
Ou piedade por este que ele era.
Agora seus ossos
Se juntaram aos de outros devotos,
Foram colados em paredes
E estão expostos para enfeite
De seus feitos.
São troféus de tantos
Que está mulher conseguiu
Apenas usando um aparelho,
Algumas vozes,
E os sentimentos de pessoas
Que agora preenchem paredes
E mais paredes de suas mansões.
Ninguém sabe
Quando isto teve início,
Quais são seus nomes,
Ou se cada osso
Realmente pertence ao que está exposto,
Todos deveriam saber
Que isto para ela
Não terá final,
E cada qual que se sentiu especial,
Nunca foi.
Simplesmente trata-se
De fanatismo,
Carne podre
E ossos expostos.
Não há nada de alma,
De sentimentalismo,
É o terror puro,
A dor e a ideia de
“Ate onde um devoto seu
Iria por ela,
O que faria,
A que resistiria”.
Um experimento,
Só isso.
Testes sobre a psique,
Sobre o corpo humano,
E devoção irracional,
O final não é o túmulo,
É a morte doce e lenta.

sábado, 30 de agosto de 2025

O Que Sobrou do Nosso Amor

“Seus filhos são os mais perfeitos.”
Disse a mãe,
Olhando ambos os bebês
Serem trocados as fraldas,
Enquanto Saionara amamentava
Um por vez.
“Obrigada mãe,
Guardam seu sorriso “.
Saionara respondeu.
“Eu discordo tanto
De você ter sido mãe solteira.”
Esmeralda falou.
Saionara ergueu o olhar
Para a irmã que estava
Parada olhando em frente ao roupeiro,
E sentou-se sobre a cama
Para amamentar
Com mais calma.
“Você sabe Esmeralda
Que não tive escolha”.
Saionara respondeu,
Voltando o olhar para os filhos.
“Teve sim,
Deveriam ter se protegido,
Tentado evitar...”
Esmeralda continuou
E logo se viu calada pois
Marieb pegou o bebê
Que estava sobre a cama
No colo e o levou até
Os braços de Esmeralda
Lhe alcançando a criança.
“Logo Cristal chega
Com Eric.”
Os olhos de Saionara
Lacrimejaram
E instintivamente
Ela puxou o bebê para o colo
Quase o apertando
Enquanto ele amamentava.
Ela ficou triste ao perder
Eric,
Foi seu momento mais horrível,
Estar grávida lhe deu forças
Para encarar o erro
De tê-lo amado.
Logo ele iniciou o namoro
Com sua própria irmã
Sidineia.
Nunca quis saber dela,
Nem percebeu a gravidez
Ou prestou qualquer auxílio.
“Eu preferiria que ela
Não visse os filhos,
Mãe, você sabe da minha dor...”
“Por quê?”
Uma voz masculina
E reconhecida indagou
Da porta do quarto.
Eric estava ali,
Parado e já fazia algum tempo,
Saionara sentiu sua presença,
Ela jamais deixaria
Que ele chegasse despercebido,
Antes por ama-la,
Depois pelo ódio que sentiu
Ao vê-lo com a própria irmã.
Saionara caiu da escada,
Sofreu sangramento
E a gravidez não foi nada fácil,
Passou muito tempo no hospital,
Teve que se afastar do trabalho,
Ficou enclausurada
Sem poder sair,
Espairecer ou vê-lo.
A verdade é que durante
A gravidez sentiu extrema saudade,
Sentiu como se os filhos
Buscassem o pai,
Desejassem ouvir sua voz,
Soubessem que ele
Não estava perto
E precisassem dele
Mesmo dentro no útero,
Iniciando sua formação.
“por quê?”
Ela indagou com a voz rouca,
Olhando incrédula
Para a porta.
“Sua mãe ligou para Sidineia
E me falou da gravidez.”
Eric entrou no quarto
Com um pacote de presente
Em mãos,
Então, viu ambos os meninos
E sobressaltou o coração,
Seus olhos denunciaram carinho,
E algo de reconhecimento.
“São meus”.
Ele disse, imediatamente.
Ela manteve o contato visual,
Seus lábios tremeram,
O choro correu pela face,
E o bebê olhou para Eric
Levantando a mão
Enquanto sugava o peito
Da mãe.
“Ele... O chamou”.
Ela disse, incrédula.
Ambos os filhos eram muito
Calmos e quietos
Nunca buscaram contato,
Pareceram realmente reconhecer ele.
Naturalmente, Sidineia
Chegou até a porta,
Buscou o braço de Eric
E o beijou no rosto
Em representação de carinho.
“Amor o que há?”
Ela indagou
Então olhou para as crianças
Se eriçou e deu um passo
Para trás
Como se tivesse sido agredida.
“São... Crianças!”
Sidineia concluiu boquiaberta.
“São meus filhos,
Nasceram está manhã.”
Respondeu Saionara.
“Oh, sem pai?”
Ela alfinetou.
Saionara simplesmente
A olhou com raiva e medo
E calou-se a olhar o filho,
Que sorriu.
Eric ajoelhou-se
E beijou o bebê no rosto,
Rapidamente ele dormiu,
Saionara o soltou no berço
E Esmeralda lhe entregou
O outro para o aleitamento.
“São tão lindos,
Parecem tanto comigo”.
Eric disse.
Saionara voltou a sentar
Sobre a cama.
Ficando muito próxima a ele.
“Eu a perdoaria
Se fossem meus
E você tivesse ocultado.”
Ele continuou
Ainda ajoelhado
Ao lado da cama.
Depois ele estendeu
Os braços para sobre
Os lençóis baixou a cabeça
Sobre as mãos e chorou.
“Você me deixou por minha irmã,
Você preferiu a juventude
E lascívia dela,
Não teria como serem
Seus filhos “.
Saionara defendeu-se.
Neste instante,
Ela nutria ódio
Por Eric,
Uma espécie de ciúmes
Incontrolável e remorso
Por toda a dor que passou
Sozinha.
“Ora, você não é mulher
Para ter filhos sem pai.”
Ele disse.
“E então todo homem
Que não presta
Precisa ser você?”
“De quem seria
Se não seu, Eric?”
Interveio Marieb.
“Mamãe?”
Gritaram Esmeralda e Sidineia
Em uníssono.
Saionara simplesmente
Se retraiu.
“Saiam todos do quarto,
As crianças estão dormindo.”
Ela respondeu rígida.
Eric secou as lágrimas,
Olhou profundamente
Para o rosto de Saionara
E pegou no braço de Sidineia
Se afastando
Com ela para fora do quarto.
Saionara se sentiu em paz,
Esmeralda permaneceu
Com ela,
Pegou sua mão
E ajoelhou-se ao lado
Da cama.
Olhando firme para ela.
“Eu não vi você com outro,
Minha irmã.”
Respondeu Esmeralda.
“Foram um ano e três meses,
Eu lembro,
Você marcou no calendário
Do roupeiro,
E rabiscou cada dia que o viu
Por ser especial...
Não merecia ter ganhado
Este fim tão triste.
Ela disse,
Com os olhos chorosos.
“Quando se é mãe
Nenhum fim é triste.”
Saionara respondeu.
“Ele dormiu com nós três,
Somos irmãs,
Penso agora que foi um erro.”
Saionara abraçou
A irmã com uma mão,
O bebê fechou os olhos
Para dormir.
“Isso ocorreu no passado
Esmeralda, hoje ele está
Namorando com nossa irmã
Mais nova,
Ela é imatura,
Mas eles estão felizes”.
Saionara continuou.
“Você não entende Saionara,
Nestes sete meses
Em que estão juntos
Sidineia abortou muitas vezes,
Eric a odeia,
Contudo, mamãe o impediu
De deixá-la.”
Esmeralda suspirou,
Depois continuou:
“Você sabe como ela é,
Traiu ele com muitos homens
E nunca soube
Nem quem seria o pai
Dos abortos.”
“Oh, Esmeralda,
Que situação horrível,
Não quero saber disso.”
Saionara soltou
O bebê sobre a cama
E deitou ao seu lado
Para vê-lo dormir.
Realmente, se Eric
Tomou conhecimento dos abortos,
Ele deve ter nutrido muito ódio
Pois ele sempre foi categórico
Quanto a rejeitar a ideia.

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Polícia e Tiro

Sirenes, buzinas ou apitos
Não avisaram
Que uma guerra
Havia iniciado no país inteiro.
A televisão foi cancelada
Por ordem do governo,
O rádio foi interceptado
Por ordem do exército,
As cartas chegavam abertas,
Depois escassas,
Então, nunca mais chegaram.
Contudo, viaturas policiais
Acordaram cedo
Ou nem dormiram com seus
Fuzis em punho,
Passaram na rua da cidade pobre
E distribuíram tiros.
Os trabalhadores daquele local
Já não os interessava mais,
O estado em que viviam,
Suas capacidades, necessidades,
Nada mais sobre aquelas
Pessoas lhes diziam interesse.
Sentaram nas janelas
De seus carros
E dispararam contra as residências
De pessoas honestas
Que dormiam a espera
Do amanhecer para saírem
Trabalhar e ganhar seu
Sustento honesto.
Não houve distinção
Entre o ladrão,
O traficante, o assassino
Ou o trabalhador,
 Simplesmente municiaram
Suas armas e disparam
Como se fosse um treinamento.
O pai de Luciane correu
Até seu roupeiro,
Pegou seu revolver,
Carregou e saiu vestindo a calça
Para fora do quarto
Verificar o que havia,
Se estavam todos vivos,
Se se tratava de roubo.
Fosse o que fosse,
Ele queria a sobrevivência
De sua família,
Se precisasse pagar algum drogado
Vagabundo para não ser ferido,
Não seria a primeira vez
Que pagaria,
Se precisasse de dinheiro
Para pagar o silêncio
E respeito de alguma viatura,
Pagaria.
Era homem honesto.
Abriu a porta,
Quatro policiais estavam
Logo na sua frente,
Vendo seu rosto
Sorriram para ele
Em seus uniformes limpos,
E atiraram.
Maicon caiu morto.
De arma em punho,
Incapaz de defender-se,
Proibido de proteger-se.
Era a polícia.
Sim.
A polícia vestiu-se
Para matar
E não escolheu vítima,
Quis apenas ver sangue.
Depois de mata-lo
Os policiais seguiram
Atirando contra janelas,
Portas e rostos.
Trocaram de lugares
Conforme cansavam o braço,
E nem paravam a viatura.
Logo cedo,
Abasteceram com o dinheiro
Do povo aquele carro,
Usavam armas pagas
Pelo povo trabalhador,
Hoje decidiram atirar
Contra os mesmos,
Já não serviam mais,
Eram indigentes,
O país decidiu matar,
Declarou guerra,
Antes disso,
Era treinamento,
Agora tinha motivo sério,
Porém, o território não mudou,
Nem as caras,
Gente pobre,
Honesta,
Com contas para pagar,
Com trabalho a fazer.
A morte de Maicon salvou
Seu pai de morrer,
Ele não foi um dos alvos
Mortos com tiros contra a vidraça.
Porém, logo vieram os caças,
Atiraram também,
O pegaram dormindo
Poucos dias depois,
O cenário tornou-se de desgraça,
Tinha gente morta
Para todo o lado,
As pessoas tinham medo
De levarem seus entes
Para enterrar no cemitério,
Tinham medo de sair de casa,
Buscar socorro.
Os policiais não escolhiam
Horário para invadir
As casas em busca de sexo,
O corpo morto de vovó Alfredo
Não escapou,
Sua neta de doze anos
Também não,
Sua filha de trinta
Muito menos.
Os moradores
Passaram a sobreviver
Do trabalho exercido
Na região,
Não havia transporte
Para locomover.
A prostituição
Se tornou pública.
Samanta de doze anos
Escondia-se
Com seu urso de pelúcia,
Tomava banho de roupa,
Escondia-se embaixo
Do cobertor para vestir-se,
Mas o soldado que a mantinha
Viva cansou dela.
Certa vez, a viu na janela,
Com o urso abraçado
Ao peito,
Levantou a arma em sua direção
E atirou,
Perfurou o vidro da janela,
O urso e seu peito.
Sua mãe ao retornar
Para casa a encontrou
Morta no chão de estilhaços,
Retirou o cinto da cintura
Prendeu na janela
E enforcou-se lá mesmo.
O policial retornou
E viu seu corpo balançar
Na parede da casa,
Ergueu a arma
E disparou até cansar os dedos.
Corpos envelhecem,
Almas não se compram,
Nem o gato sobreviveu,
Nem o telhado,
Ou os carros.
Bomba, explosivos e balas
Do brincar do tiro ao alvo.

Destino à ROCAM