terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Jogo de Interferência

Adilson acordou determinado
A mudar sua trajetória de vida,
Olhou para a luz do dia,
E decidiu construir seu destino,
Contudo, esforçar-se
É-lhe um ato odioso.
Olhou-se no espelho
E se viu presidente,
Não lhe haveria cargo
Mais conveniente,
Lugar mais digno de estar
Do que a frente de seu país.
Maquinou como conseguir isto,
Evidenciar a todas as pessoas
O quanto ele nasceu
Para ser bem sucedido,
Ter êxito em tudo,
Sucesso no que quisesse,
Pois, via-se como o centro
Do universo,
O poder central,
A origem de um país
Onde pessoas como ele
Tivessem suas inteligências
Ressaltadas.
Foi até o banco,
Juntou todo o dinheiro
Que pode,
Retornou até sua casa,
E viu que era pouco,
Decidiu enganar alguns analfabetos
De cidades vizinhas
E nem mesmo os conhecidos
Lhes fugiram do alcance.
Levou cada um deles
A fazer financiamentos
Junto ao banco
Para retirar dinheiro
E investir em terrenos
Países vizinhos,
De posse do dinheiro
De tais pessoas
Recomendou a elas
Que aguardassem,
Pois logo, os antigos proprietários
Dos imóveis
Entrariam em contato
Com tais pessoas
Para entregar a chave
Dos imóveis e
Assinar contratos.
Deixou diversas cidades felizes
Com seu entusiasmo
E esforço como amigo
E intermediário de tais negócios
Grandiosos.
Juntou o dinheiro
E comprou uma enorme antena,
Desta antena,
Espalhou outras pela cidade
E lá colocou uma câmera
Com áudio e vídeo e som.
Da antena mestre,
Que se localizava
Perto de sua casa,
Ele enviava mensagens
A todas as pessoas
Que lhes ouviam de suas casas
Por intermédio de tais antenas.
Logo, ficou famoso
E reverenciado,
Tornou-se um respeitado
Senhor na região,
Dali, ordenou que o atual presidente
Fosse morto,
E escolheu a si próprio
Por meio de uma votação
De cédulas onde casa presente
Assinava o nome corresponde
A quem quisesse que substituísse o cargo vago,
No caso,
O presidencial.
Poucos colocaram
Outro nome,
Ele fez questão de apagar
E colocar o seu próprio
De maneira
Que elegeu-se unânime.
Em questão de meses,
Era presidente,
Os não adeptos a ele,
Ele os enviou para outro país,
Por meio de distribuição
De passagem aérea,
As quais cobrou de antemão
Do próprio enviado
Para evitar gastos desnecessários.
Juntou cada um,
E o máximo que pôde
De pessoas num barracão
Visando falar sobre
Os imóveis destes
Adquiridos em outro país,
E queimou com todos dentro.
Estes nem voaram,
Ou adquiriram nada,
Muito menos espalharam boatos
Contra a palavra de Adilson,
O novo presidente do país anticorrupção.
Adilson em casa um de
Seus discursos
Fez questão de usar
Palavreado estranho
Ao usual daquelas pessoas,
Ele nunca esforçou-se
Para ser interpretado,
Tudo que quis,
Unicamente,
Foi eleger-se unânime.
Destacou suas habilidades,
Ganhou prêmios eméritos,
E fez questão de que
Entre o presente e o futuro,
Houvesse o que definiu destino,
Que por sua vez,
Era assinado por Adilson
No que se referia a vontade
De toda e qualquer pessoa
De seu país.
Instalou o máximo que pôde
De antenas nos lugares
Mais previsíveis ou não
Do país,
Vigiou todos,
Falou de cada um,
Decidiu a vida e morte
De toda a sua população.
Ao final,
Decidiu-se dono
Daquelas terras,
Mandou cada prefeitura
Derrubar todo casebre
Que lá estava erguido,
E que junto,
A polícia armada estivesse presente
Para atirar e matar
Toda pessoa que lá permanecesse.
Porém, ele não emitiu ordem
De despejo,
Enviou prefeitura e polícia
Para derrubar e matar de imediato.
Decidiu por conta própria
Quais casas tomaria posse
E quais levaria aos escombros,
Desde os grandes centros
Até os mais remoto interior
De cada município.
Fez-se dono de terras
E tudo que mais houvesse.
Não fez outra coisa
Senão falar o tempo inteiro
Através daquela antena,
Interferindo em cada vida,
Até ver-se único naquelas terras,
Soberano de si,
E de seu redor.

Família Feliz

Coisa mais linda
No mundo
É ver nosso filhinho
Contando o quanto
Confia em seu pai,
Eu me sinto satisfeita,
Pois cumpri minha função
De ser mãe com maestria
E perfeição,
Eu fiz um filho
Que ama seu pai
E precisa dele
Ao seu lado,
Eu encontrei um esposo
Que sonhou comigo
Nossos sonhos
De ter nossos filhos,
E os tendo,
Os ama,
Cuida de cada um
Com todo o carinho
Do mundo,
Abraça forte,
Ajuda a alimentar eles,
Escolhe as roupas,
Troca e até às lava.
O marido que escolhi
Ama cada um
Dos nossos filhos,
Respeita meu trabalho,
Dá atenção as coisas
Que eu gosto,
É como diz o nosso
Menino mais velho:
“ A mãe cuida dessas flores
E quando eu chego perto
Pra me alimentar delas
O pai me pega no colo
E faz todas elas parecer
Um rascunho”.
Nosso anjinho fofo,
Ama seu pai,
Respeita sua mãe,
É um perfeito menino.

Acomodado

O homem,
Ser humano adaptado
Conforme vivências,
Ditados em seus ouvidos
E crenças
É inimigo do novo.
Tudo que ele prefere
É acreditar que vive
Do acaso,
E se contradiz
Ao dizer
Que tudo é determinado
Pelo destino.
Se apega a este ser invisível
Que constrói sua vida
E determina tudo nele
Para detestar o novo,
Odiar a mudança de padrão,
Ação ou credos.
Apega-se a ideias
De forças sobrenaturais
E vive num esmo
De ser igual a todo o resto,
Como se fosse um elemento
Não pertencente a ele próprio
Que faz exatamente igual
Ao vizinho próximo.
Tem as mesmas necessidades,
E não vê os diferenciais
De um e outro,
Acredita no povo
Como uma massificação
De pessoas
Com as mesmas ideias,
Nas mesmas horas,
E adora multidão
E gritos altos sem reflexão.
Ele não busca descobrir
Porquê tudo pra ele
Está exposto,
E perde a importância
Conforme vê a dificuldade,
Ele gosta de ser acomodado,
De receber tudo
Conforme sempre foi,
Ele ama odiar o negativo,
Mas, na data provável
Aguarda silenciosamente
Sua parte do negativo chegar,
Do contrário se assusta,
E pede ao destino paz.

Minhas Súplicas

Estalados no rosto
Me tirou do sono,
Nem queria sair da cama,
Abrir a janela,
Ver que chovia,
Seus beijos em minha face,
Clamava por seus toques,
Ardia.
A chuva percorria
A flor do jardim,
Enquanto eu me deitava
Ao seu lado,
Lhe acariciava o ombro
E sonhava mais tempo
Pra mim,
Pra nós,
Pra eu e você
Nos amarmos
Outra vez.
A chuva contorna
A flor e a molda,
Aos poucos,
Canta no seu ouvido
E sussurra
Te amo,
Não tanto quanto
Eu gostaria
De gemer em sua pele
Que te amo para sempre.
As horas voam,
Seguem sem destino,
 Lá fora,
Aqui dentro
Minhas carícias voam
E pedem seu destino,
Eu te amo Moh.
Você é o Rah
No meu sorriso,
O clamor das minhas promessas
O nome que chamou
Nas horas certas,
Nas horas incertas,
Em cada instante
Em que te preciso
E te preciso sempre!
Você é o meu prazer,
Meu porto seguro,
O abraço mais forte,
O nome que suplico
Fica mais comigo, Moh?!
Te amo!

Meu Primeiro Carro

Achava-me no melhor
Dos empregos,
Recebendo o melhor
Dos salários,
Morava de pensão,
Andava a pé até o trabalho.
Sonhei-me nisto,
Ser possuidor de um carro,
E assim,
Sair da zona de conforto,
Em que grande maioria
Vai até o trabalho caminhando.
Deixaria de ser
No mesmo instante
O grande diabo
Igual toda a maioria,
Pois, em minha conta,
Eu precisava demonstrar
Minha unicidade
Como pessoa,
Penso e sou,
Digo comigo,
O centro do universo,
O melhor dentre os viventes.
Tudo ao meu redor
Gira em torno do meu ser,
Por tanto,
Nada precisa ser pensado
Ou recalculado,
O futuro é o agora,
Nos resta em nossas mãos
O presente e nada mais,
O que está por vir, virá
Ou se findará em pó.
Nada mais a refletir,
Adquiri o lindo Voyage,
Meus olhos só viam o horizonte,
Confortavelmente acomodado
Naquele banco atrás
Daquele vidro límpido
Eu parecia dirigir
De uma pedra preciosa,
Possuidor de um diamante,
Minha coragem
Não ganhou limites.
Eu corri por aquelas ruas
Como se não houvessem pedestres
E logo eles se acostumaram
Com minha cara
E me vendo fugiam:
“ se arredem!”
Eu gritava antes,
Depois nem isto.
Fugiam mediante meus berros,
Minhas buzinadas incessantes,
Meus acenos,
E a alguns atropelamentos.
Sim, na busca
De chegar antes ao trabalho,
Receber um melhor salario
Eu passei por cima
De tudo que foi possível:
“o gato da vizinha,
O surdo da esquina,
A velhinha do final da rua...
O meu patrão”...
Este, por sua vez,
Não me achou digno
De um salário muito maior,
Tendo o costume de receber
Cada funcionário
Na porta de entrada,
Não me dificultou em nada
O desenrolar do enredo:
Atropelei-o na entrada mesmo.
Sim,
O Voyage dando o melhor
De si
Não foi capaz de frear
Na hora exata em que precisei....
O deixei lá,
Escurecido
E dei por mim
De me acrescentar
Algumas horas de folga,
Sai nos meus dignos
60 km por hora,
Só tendo o céu para testemunha,
E algumas curvas enretadas,
Numa destas curvas
Perdi o sentido,
Tive por fim,
Antes do pagamento
Da primeira parcela do veículo
Ver o Voyage em pandarecos
Por causa de uma curva
Um tanto fechada.
Perdi,
Por um momento
A perda do movimento
Da perna esquerda,
Isto me possibilitou um atestado médico
De um dia e mais dias,
Com isto,
Eu tinha um motivo determinante
Para ter faltado ao trabalho,
Nunca atropelei meu chefe,
Contudo, quanto a primeira parcela do Voyage
E o concerto de sua linda lataria
Isto deveria ser resolvido
E contando com uma perna a menos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Te amo

Todas as noites da escola
Eu buscava você
Eu era apenas
Uma garota
Nem conseguia entender,
Meu coração batia forte,
Eu tentava escrever,
Buscava entre as estrelas
Um rosto,
Ou um nome,
Um motivo para viver.
Ser tão distante,
Buscar coisas diferentes,
Estar no mesmo lugar
Cada noite,
Cada hora
E me acreditar estar correta,
Por aprender a pegar a caneta,
Rabiscar as letras,
Falar as frases bem feitas,
Escolher entre as melhores
Aquela que o fizesse
Se voltar,
Me ver.
Depois de você me ver,
Só queria ser a escolhida,
Ser sua querida,
O beijo que o faz estremecer,
O abraço que te coloca
Para sonhar,
A carícia que você busca
Assim que despertar.
Quis o destino
Nos por tão distantes,
Eu no ocidente,
Você do outro lado do poente,
Eu te buscando,
Você, talvez, inconsciente
De que existo,
De que o quero perto,
Até mesmo,
De que preciso de você
Aqui comigo,
Mas vai valer .
Será importante
Quando você souber
O quanto cada noite de estudos
Me cobrou de atenção,
Exigiu compromisso e dedicação.
As noites mal dormidas
A busca da melhor palavra,
Tudo isto valeu a pena
Contanto que você saiba
Que eu te busquei muito antes
Do seu olhar me em encontrar
E coloquei em casa frase
A urgência de te ter a me amar.
Estou aqui para te falar
Que eu te amo,
Te amo,
Te amo,
E cada noite
Que entreguei,
Mesmo antes,
A você
É a noite favorita,
A melhor empregada,
A grande guinada
Da minha vida,
Porquê amo você
A cada dia,
Em cada promessa,
Em cada olhar,
Com tamanha urgência
E amor que só você
Consegue despertar.

Poderoso e Amando Você

Unida a você,
Passa da meia noite,
Eu cansei,
De ficar tão longe,
De insistir
Em desistir do que houve,
Sim,
Eu volto pra você.
Poderoso e feliz,
Lembro bem
Como o deixei,
Passa da meia noite,
Dirigir não me faz bem,
Eu tenho aonde ficar,
Sem onde quero estar,
Sim,
Voltou agora para você.
Unido a você,
Vejo toda distância
Como algo ruim,
Tenho nossa casa,
Seu abraço
A me esperar
Me diga porque estou assim?
Apaixonado e tão distante?
Dobro a esquina,
Rompo a cidade,
Eu volto atrás,
Acorrentado e amando você,
Todo o destino
Que me tire do seu caminho
Não me faz tão bem,
Sim,
Prefiro voltar,
Estar ao seu lado,
Estou munido de todas as certezas
É com você que quero estar.

Destino à ROCAM