domingo, 4 de janeiro de 2026

Amar

Amar é,
Me pôr de joelhos
Para pedir a Deus
Que encurte
Nossa distância.
Unir minhas mãos
Uma a outra
Pra te recordar comigo
Sempre segurando
Minha mão
Para ter forças
Pra sobreviver a saudade.
Amar é
Baixar os olhos
Para o chão
Sempre que não aguento
A distância entre nós,
Da mesma forma
Que abaixo o olhar
Na sua presença
Por não caber em mim
O tanto que te amo
E o desejei perto.
Amar é
Unir as mãos
Próximo ao coração
Pra recordar seu calor
Comigo.
Amar é
Te esperar,
Confiar que você virá,
Estar sempre
Com um sorriso de saudades
Brilhando no olhar
Com seu nome
Carregado de amor
No pensamento.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Vontade Sua

Eu não sabia
Que distância feria,
Eu só queria
Te conhecer por cortesia,
Olhei você,
Gostei de te ver,
Quis me aproximar,
E agora pareço estar
Com seu olhar
Preso em tudo que vejo
Ou penso,
É como se chegar perto
Não me permitisse mais
Deixá-lo distante,
Sinto que o trago comigo,
Se eu respirar tão fundo
Eu sinto
Que posso sentir seu cheiro,
Se eu sorrir,
Sinto que posso beija-lo,
Se eu busca-lo,
Só um pouco,
Sinto que o tenho comigo.
Distancia machuca,
Distante fere,
Só quando a gente
Não ama,
Ou não trás este sorrisinho
De apaixonada com a gente,
Beijo doce,
Logo quero te ver,
Você aceita?
Eu anseio de vontade sua.

Sinto Saudades

Boa madrugada,
Que os sonhos
Durmam você,
Eu estou acordada,
Tomando chá,
Sinto sua falta,
Mas, a distância
Me impede de estar
Tão perto
Quanto gostaria.
Eu gostaria de dizer
Que você
É o garoto mais lindo
Que já vi,
Me fala
Como chegar até você,
Eu levo meu carinho,
Um bom beijo,
E tento ser boa o bastante.
Esperar talvez seja ruim,
Eu esperaria mil voltas
No universo por você,
Eu percorreria
Milhões de vezes
O mesmo caminho
Até encontrar você.
Sim, eu amo
Estar ao seu lado,
Gostaria que o tempo
Parasse
E te faria mil promessas
De amor eterno,
Eu sinto sua falta,
Eu penso em você
E meu corpo treme,
Eu sorrio
E penso:
Espero que eu faça falta.
Te amo,
Te beijaria agora,
Te amo,
Te beijaria sempre,
Te amo,
Fica bem,
Te amo,
Logo estaremos juntos,
Beijos,
Da sempre sua,
Aquela que te ama,
Mas não precisa assinar,
Aquela te espera.

Recordar

Esquecer é um ato
Independente de vontade,
É algo casual,
Que se realiza por si próprio,
Aliás, o lembrar é que
Vem do querer recordar,
No mais,
Só tenho a dizer
Que isto não aconteceu
Comigo.
Eu nunca esqueci.
Da vez em que
Cruzei de bicicleta
Ao lado dela
Que caminhava
Na calçada,
Eu fiz tudo que pude
Para diminuir a marcha,
Depois andei em círculos
Feito uma louca
Em busca de vê-la.
Aquelas suas três horas
De caminhada
Nunca foram tão apreciadas,
Eu adorei o movimento
De seus quadris,
O acariciar de seus cabelos
Batendo em sua cintura,
Eu aproveitei
E senti-os tocar
Em meus braços.
Foi um momento mágico,
Aquele afago sedoso
Contra meu suor,
Foi como um beijo,
Entre dois olhares
Que se cruzam rápidos,
Mas, não se esquecem.
Eu pedalei feito um louco,
Eu usei até grudar
A camiseta contra meu peito
Que armada sedento
Sem me permitir desviar
O olhar dela.
Ainda hoje
Não sou capaz de esquecer,
Está acima do meu alcance,
Talvez, o tempo tenha
Seus métodos,
Mas, os lábios de Murla
Nunca irão se apagar
Da minha mente,
Eles são inesquecíveis
Quando sorriem,
Quando se calam,
Quando se movimentam,
Murla é única,
Ninguém a esqueceria,
Eu mesmo,
Não sou capaz,
Reconheço.

A Poderosa de Suas Pernas

Desde o tempo mórbido
Mulheres buscam
Seu lugar nos holofotes,
Estalar seus saltos
Na cara de marmanjos,
Jogarem suas unhas
Grandes e bem feitas
No rosto destes metidos,
Tudo com único intuito:
Mostrar valor.
Há muito tempo
Que as mulheres sobrevivem
A frente de seu grupo:
Familiar ou comunitário.
Há nisto algo de sedutor
Definir uma mulher como assassina
É imaginar aquele ser
Que sempre foi visto
Como objeto
Ser vitimizada,
Ridicularizada socialmente.
Ver seus lábios vermelhos
Escorrer sangue
É rir da vivacidade de
Seus batões
Que cada vez mais
Se moldam aos seus aspectos
Sedutores e apaixonantes.
Não há homem
Que não se apaixone
Por uma mulher,
Não há ferida masculina
Que não tenha sido
Refrescada por seus beijos
Sedutores.
A palavra assassina,
Só lhes dá mais mistério,
Todo homem a diz
Com um frio a lhe percorrer
A espinha,
A ideia de um pulso feminino
Frágil e sedutor
Lhe apontar uma arma
Beira ao masoquismo,
É adrenalina líquido
Por seus sentidos.
Uma bala de uma mulher,
Deve se equivaler
A um grito de mamãe,
Desde quando se é criança,
Fatal,
Paralisante,
O terror de meninos,
Mas o homem cresce,
E seus testículos nunca falham,
Vai algum tempo
E voz feminina
Se torna desejo puro,
A percorrer os ouvidos,
Tomar os sentidos,
Dar prazer.
A palavra assassina
Se perpétua numa mulher
Por suas nádegas,
Toma força entre seus seios,
E antes de chegar as suas pernas,
Vale por todas as munições
Das armas mais eficientes,
Mulher sabe como matar,
Só com um olhar,
Com seus carinhos,
Seu silêncio,
Sua ausência,
A mulher a grande assassina
Sedutora,
Só a mulher sabe derrubar,
Seu pulso seguro
Não declina: toma,
Desmorona,
Um tapa de suas mãos
E o mais grande homem
Vai aos prantos
Sem entender por que,
Mas, sabe-se:
Mulher é mulher.

Terror no Narcotráfico

“Amor só de mãe”
Era o lema do meu pai
Que ele gostava
De repetir em alta voz
Na saída de casa
Com o dedo levantado
Para o alto
Sempre que saía
Na calada da noite
Vender drogas
Nos lugares mais imprevisíveis.
Nós vivíamos disso,
Vivíamos muito bem,
Meu pai,
Um sujeito sem tatuagens,
Com cabelo curto escuro,
Olhos no mesmo tom
Passava facilmente despercebido
Por onde fosse,
E lucrava muito.
Tinha coleção de armas
Espalhadas pela casa,
Dinheiro por todo canto,
Dinheiro nunca nos fez falta,
Minha mãe
O respeitava muito,
Tinha ao seu alcance
Tudo que queria,
Eu fui a concretização
Do sonho do casal.
Na última primavera,
A polícia começou
A perder a força
E vender nunca foi mais
Lucrativo,
Nossos carros de luxo
Passeavam com ímpeto
Pela cidade,
Nossa cidade.
O nome do meu pai
Começou a ser pichado
Pelos muros
E ele foi sendo exigido
Para prefeito,
Minha mãe não desgostou
Da ideia,
Eu sou jovem para falar.
Eu via a coleção
De roupas do meu pai
Com os olhos brilhosos
Com que via suas demais
Coleções de calçados,
Carros e mulheres.
Bem, meu pai
Não disfarçava
O gosto pelo toque feminino
E minha mãe percebia.
Ele teria dado
Um beijo de felicidade
Em minha mãe
E um abraço de despedida
Em mim,
Mas, seu lema não era este.
Fechou a porta atrás de si
E foi para a cidade,
Buscou uma casa de danças,
Entrou como quem é o dono,
E lá ficou por uma noite inteira.
Nunca temeu a polícia,
Se orgulhava de sua profissão
Narcotraficante,
Não perdia a oportunidade
De vender o máximo que podia,
Via garotas caírem,
Via garotos morrerem
De overdose,
Isto não lhe importava,
Não tinha limites.
Se a droga era forte
E pegava bem,
Ele apostava nela,
Gostava de mostrar
O rosto
E a multidão se jogar
Ao seu dispor,
Amava o dinheiro.
Nada lhe tinha
Maior valor,
A polícia chegava,
Passeava com seus carros
E sirenes ligadas,
Armados até os dentes,
Treinavam feito poucos
Seus aspectos físicos,
Meu pai gostava
De matar policiais,
Aliás, não dava importância
A morte,
Ele costumava dizer:
“A morte não me alcança”.
Quando a polícia
Chegava no local
Em que ele estava,
Alguém sempre o defendia,
Quase sempre
O policial não saía vivo
De onde ele estava.
“Policia é função de frouxos”
Ele dizia.
Levantava seu brinde
Para o alto,
Todos o protegiam,
Era homem íntegro,
Reconhecido bom cidadão,
Orgulho da família,
Rapaz trabalhador.
Distribuía droga
Como polícias recebem
Socos na cara,
Aos montes,
Derramado sobre a mesa,
Ele apontava o dedo
E o povo se jogava sobre.
Era assim
Com os policiais,
Apontavam o nariz
Para dentro
E mil socos voavam
Em sua cara.
“Polícia tem que estar sangrando”
Ele dizia,
E ria.
Sem que desejasse
Policial algum chegava perto,
Ele era grande,
Senhor dos sonhos,
Dono da droga,
A multidão lhe obedecia,
A polícia fugia
Sem imaginar de quê.
Quem o via,
De longe lhe cumprimentava,
De perto o admirava,
Sorriam
E ele não poupava sorrisos.
Bem, está noite,
Que tardou ter fim,
Trouxe alguns mortos,
Famílias separadas,
E dez policiais encontrados
Na sarjeta,
Fardados, desarmados,
Inertes.
Meu pai do alto buzinou,
A garagem se elevou,
Ele entrou,
Eu sorrateira,
Me assustei com sua ausência,
Em entrei algumas armas
Por acaso
E pus-me a mexer.
Assustada
Com alguns tiros
Feri minha perna,
Chorando me coloquei
Para fora do quarto de papai,
Encontrei a mamãe
Fazendo café na cozinha,
A espera de papai,
Mirei e atirei.
Eu sentia dor
Na perna que mancava,
Ademais, a perna sangrava,
Não vi alternativa
Com sangue no olhar,
Apertei o gatilho
Contra ela e disse
“Ma-mae”.
Ela só olhou assustada
Para aquela criança
De três anos
De cabelos loiros
E olhos azuis chorosos.
Voou bala,
Caiu minha mãe no chão,
Eu me assustei
Olhei para aquilo
Que tinha entre os dedos
E não parou de sair tiros,
Nem mesmo quando
Meu pequeno corpinho
Caiu sacudido no chão.
“Que foi isso?”
 Ronilson disse assustado
Quando viu sua filha
No chão,
“Minha filha?”
Ele viu mais a frente
A sua esposa
“Marta?”
Correu até ela
Com a criança no colo,
Juntou seus melhores
Traficantes,
Pegou as armas,
Entregou os carros
E gritou a ordem:
“Matar polícia”.
Único grito
E a ordem se espalhou
Feito fogo
Com balas a perfurar janelas,
Explodir casas,
Fazer voar corpo
De policiais por onde encontrassem.
Sua coleção de carros
E armas era grande,
A polícia se tornou pequena,
O batalhão foi explodido,
Voou pelos ares,
As viaturas foram queimadas,
A delegacia caiu invadida
Pelos capangas com tiros
Nas janelas,
Paredes sendo quebradas
E depois a explosão,
E caiu com ruído frouxo,
Segundos e tudo ruiu
Ao chão.
“malditos,
Mataram minha família “
Ele continuou,
Espalhou a ordem
Pelos meios eletrônicos:
Rádio, televisão, internet,
Celular”.
O povo se ergueu
De suas camas
Como quem levanta
Do caixão,
Com ódio mórbido
E cegueira doentia,
E correu para a cidade
Em busca de destruir,
Aniquilar,
Não haveria saída,
Não restaria farda,
Nenhum homem armado,
Exceto os traficantes.
Houve invasão e fuga
No presídio,
Invasão e roubo de dados
Do juizado,
Dos sistemas policiais.
Este dia Ronilson chorou
E com ele
Toda a cidade.
Chegou na base Sul
Da cidade e a queimou,
Não restou um único
Indivíduo de queixo erguido,
E orgulho nos olhos,
Ele espalhou a morte
Por algumas horas,
Foi como se fosse
A passagem de um furacão.
Casas foram incendiadas,
Ao fim chegou no Coronel,
Ele vestis sua farda
Em frente ao espelho,
Sorria,
Seguro de si,
Colocava sua arma no coldre,
Nem terminou,
Da rua Ronilson o explodiu,
Nem moveu-se
E caiu.
O espelho voou,
A janela estourou,
Sua esposa nem acordou.

Me Abrace

Me abrace
Com uma segurança eterna
Pra guiar meu amor
Me deixar feliz,
Me fazer sua mulher,
Me permitir te querer.
Me beije
Com seu amor eterno
Que me faz segura,
Ampara meus medos,
Me segura forte
E nunca me deixa.
Me sorria
Com seu sorriso eterno
Destes que arrepia,
Que me faz sonhar,
Me leva ao seu abraço
E me faz ficar.
Me olha
Com seu olhar eterno,
Destes olhos brilhantes
Que me faz ver o horizonte
E querer estar,
Te abraçar,
Te sorrir,
Te amar.
Palavras
São tudo que tenho
Pra te dar,
Me dê amor,
Me queira segura,
Cuida de nós,
Eu sinto sua falta,
Pra nós chegarmos
Ao pra sempre
É só você querer,
Me abraçar tão forte,
Nos proteger,
Eu amo você.

Destino à ROCAM