sábado, 3 de janeiro de 2026

A Poderosa de Suas Pernas

Desde o tempo mórbido
Mulheres buscam
Seu lugar nos holofotes,
Estalar seus saltos
Na cara de marmanjos,
Jogarem suas unhas
Grandes e bem feitas
No rosto destes metidos,
Tudo com único intuito:
Mostrar valor.
Há muito tempo
Que as mulheres sobrevivem
A frente de seu grupo:
Familiar ou comunitário.
Há nisto algo de sedutor
Definir uma mulher como assassina
É imaginar aquele ser
Que sempre foi visto
Como objeto
Ser vitimizada,
Ridicularizada socialmente.
Ver seus lábios vermelhos
Escorrer sangue
É rir da vivacidade de
Seus batões
Que cada vez mais
Se moldam aos seus aspectos
Sedutores e apaixonantes.
Não há homem
Que não se apaixone
Por uma mulher,
Não há ferida masculina
Que não tenha sido
Refrescada por seus beijos
Sedutores.
A palavra assassina,
Só lhes dá mais mistério,
Todo homem a diz
Com um frio a lhe percorrer
A espinha,
A ideia de um pulso feminino
Frágil e sedutor
Lhe apontar uma arma
Beira ao masoquismo,
É adrenalina líquido
Por seus sentidos.
Uma bala de uma mulher,
Deve se equivaler
A um grito de mamãe,
Desde quando se é criança,
Fatal,
Paralisante,
O terror de meninos,
Mas o homem cresce,
E seus testículos nunca falham,
Vai algum tempo
E voz feminina
Se torna desejo puro,
A percorrer os ouvidos,
Tomar os sentidos,
Dar prazer.
A palavra assassina
Se perpétua numa mulher
Por suas nádegas,
Toma força entre seus seios,
E antes de chegar as suas pernas,
Vale por todas as munições
Das armas mais eficientes,
Mulher sabe como matar,
Só com um olhar,
Com seus carinhos,
Seu silêncio,
Sua ausência,
A mulher a grande assassina
Sedutora,
Só a mulher sabe derrubar,
Seu pulso seguro
Não declina: toma,
Desmorona,
Um tapa de suas mãos
E o mais grande homem
Vai aos prantos
Sem entender por que,
Mas, sabe-se:
Mulher é mulher.

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