sábado, 17 de janeiro de 2026

Menstruada

Mais um dia
De olhar a parede,
Desviar das coisas
De sempre,
Olhar a janela,
Ouvir o que passa lá fora.
Mais um dia a sangrar,
Dia de ser mulher,
Normal, mas qual é?
Você que entende,
Dói de fazer chorar,
Faz correr pro banheiro,
Tomar ducha gelada,
Café quente,
Chá do mês passado...
Um chá de cama,
De rolar abraçada
A si própria,
Sim, menstruada
E não estou doida,
Apenas dolorida,
Me entenda,
Não quero falar
E se eu quiser
Me ouça,
Não quero entender,
E se eu discutir
Aceite,
É só mais este dia,
São tão poucos
Em cada mês
Que lhe custa
Fazer minhas vontades
Apenas hoje
Pra que eu melhore
E não sangre tanto.
É tão difícil
Sangrar a dor
De tudo que calei
E guardei comigo,
Parece até poucos
Os dias
Para tanto incômodo,
Raiva e ódio,
Estou a desvanecer
Tudo de ruim
Neste instante,
Deixe o banheiro
Pra mim,
Desocupe o vaso,
Não molhe a toalha,
Não suje o chão de casa,
Deixe o chuveiro no morno,
E um chá de camomila
Com hortelã,
Por favor,
Estou sangrando
A dor
De nossas brigas,
Nossas discussões,
Meus ódios
Que não te pertencem,
Outros que não conto,
Quero comer pizza com couve,
Pouca maionese
E muita mostarda escura,
Me deixe sangrar sozinha
Ou não me deixe agora,
Não estou louca,
Estou menstruada.

Amor no Abraço

Não há fim
Para o amor,
Nem para os que amam,
O amor se fortalece
No tempo,
Ama no olhar
E permanece
Na saudade,
Na ausência,
Na distância.
O amor é vida,
É a fonte da juventude,
A fábrica de sonhos,
É o impulso
Que faz seguir,
Faz sorrir e chorar,
Faz evoluir,
Faz pensar e agir.
Te faz sorrir
Para os estranhos,
Amar as flores do jardim,
Abraçar os que estão perto,
O amor resplandece,
Cresce e contagia seu redor.
Amor é amor.
Amor é abraçar
Seu filho
E sentir o coração dele
Bater em sua mão,
Lhe inspirando vida,
 É você sentir-se
O ser mais forte
Do mundo
Porque seu abraço
É capaz de abrigar
Seu tesouro,
Segura-lo forte,
Protegê-lo de tudo.
Só quem é capaz
De abraçar tudo
Que ama assim,
E vê-lo pulsar
Entre seus braços
Reconhece a força
Soberana que há no amor
E sabe tudo que é capaz
Pra cuidar deste anjo
Que vive em você ,
Vive com você,
Que ama você,
Que é o maior dos bebês,
Não importa a idade
Que tenha,
Sempre é o abraçado,
Cuidado, amado.

Duplo Caráter

Haverá um tempo
em que os atores trágicos acreditarão que suas máscaras (prosópa),
seus calçados, suas roupas,
são eles mesmos.
Homem,
tu nada mais és aqui
Do que matéria
para atua ação
e teu papel (prosópon)
a desempenhar.
Fala um pouco
para se ver se é
Um ator trágico
Ou cômico;
E se lhe tirarmos os calçados,
A roupa
 e a máscara (prosópon),
Você se apresenta
Com toda a sua autenticidade,
Na sua individualidade
O ator trágico que você representa
desaparece ou sobrevive?
Caso o ator trágico sobreviva,
 Você distingue a verdade
Do falso,
Você se vê capaz
De discernir entre o papel
Que desempenha
Sobre os palcos
E a realidade do que vive?
Ou você se vê aceito
 Somente pelo que fez
Em frente a plateia.
Ou seja,
A sua autenticidade
Perde o valor para dar
Voz ao ser que você representou
Contanto que você seja aceito?
Assim, o indivíduo
Se torna duplo,
e o ator não tem
Distinção do que representou,
E você assim é
Falso com você e os outros
Desde que agrade
E alcance seus objetivos?

Pra sempre

Chegou a hora
Da noite virar estrelas,
E cada sonho seu
Tornar-se realidade.
Sabe aquele
Lindo gramado
Que passamos perto
E você viu e gostou?
Pois é, comprei
O terreno
Para construir uma casa
Para nós dois,
O que você acha
Da ideia de nos casarmos
E virmos morar aqui
O mais rápido possível,
Eu gostaria de poder
Escolher as alianças
Você prefere ouro rosé
Ou negro?
Eu amo você,
E gostaria de que
Morássemos juntos
O quanto antes,
Vamos realizar nosso sonho
De ficarmos juntos pra sempre?

Livre

E ao olhar em seus olhos,
Pude vê-los sangrar por minha felicidade,
Ódio quente jorrou de você,
Por todas as represálias
Que você viu sendo feitas
Contra eu,
Sem me permitir defesa,
Sem que eu fosse capaz
De despertar ódio ou rancor
Com minha conduta
Sempre compassiva,
Educada, trabalhadora.
Você me viu sofrer,
e por valor a mim mesma,
Não me compadeci
De eu própria,
Fui mais forte,
Retirei até a última gota
De suor das minhas forças
E lutei por nós,
Lutei por nossa liberdade
Contra este sistema de ilicitude
E corrupção
Onde o dinheiro impera
Como maior vilão.
Apenas agradeci a Deus
por colocar você
Em meu caminho
E me permitir namora-lo.
Afinal,
Enquanto o ódio
Pelo ilícito jorra
De dentro de nós
De maneira incontrolável,
Nós falamos alto,
Contamos o que sabemos
E permitimos a todos
Que defendam-se,
Por nós dois outros
Estão livres de emboscadas,
Livres de fofocas
E intrigas nas redes sociais,
As bocas destes que só
Falam para denegrir imagens
Estão sendo caladas,
Isto nos permite felicidade
Para amar,
Para viver,
Hoje vivo o sonho de todas,
Sou amada e respeitada,
Meu marido é só meu,
Enquanto o destas
É de todo mundo,
O que aliás me permite a palavra:
Nunca quis
E você nunca foi querida.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Dor E escuridão

Tlic.
Ele desligou a luz,
Fechou a porta,
Trancou o quarto,
Eu fiquei sozinha,
Escorada na cama,
No escuro,
A chorar.
Ele me bateu,
Se chateou
Com meu vestido curto,
Me trouxe pra cá,
E me bateu muito,
Usou sua mão,
Gritou no meu ouvido,
Tirou o cinto
E bateu muito.
Meu rosto dói,
Entre as lágrimas e a dor
Não sei se há sangue,
Mas, dói demais,
Estar aqui trancada
E ter medo de sair,
Medo de ficar
Não sei o que é pior.
Ele sente ciúmes de tudo,
Do que falo,
Do que penso,
Tem síndrome de controle,
Me vigia,
Você no meu encalço,
Não ele não é meu marido,
Não se classificaria
Desta forma,
Ele é meu estuprador.
Ele me força
A fazer sexo,
A ser dele,
Como um objeto,
Mas, desta vez
Ele foi muito longe,
Me deixou caída aqui
Neste chão,
Escorada na cama,
Eu não tenho forças
Pera me levantar,
Mas, acho que não
Me matou,
Por que fez isso?
Eu não olhei para outro,
Eu juro.
Eu seria capaz de jurar amor,
Seria,
Seria capaz de qualquer coisa
Para sair disso,
Como posso reagir?
Ele tem obsessão sobre mim,
Se eu fugir
Até onde ele iria?
O que faria?
Eu tremo de medo
E sinto que estou viva
Apesar da dor,
Está tudo escuro,
Não sei se tem baratas,
Aranhas ou outro bicho,
Eu não sei quando
Pedi para dedetizar a casa,
Ele me odeia.
Me odeia.
Ele aperta meus ossos,
Ele quer me quebrar,
Romper a barreira
Que o mantém distante,
Está barreira é meu próprio
Corpo,
Minha própria pele,
Ele quer me rasgar,
Acho que quer me comer,
Quer me matar.
Não tenho forças
Para me levantar,
Não consigo ligar a luz,
Não posso desobedecer,
Estou impedida de pensar.
Eu ouço barulhos
Na sala e sinto mais medo,
Parece que a empregada
Chegou e está vindo,
Será que ela também
Irá me bater?
Será que ela tem meios
De abrir a porta
Ou a ordem é me manter
Fechada?
Eu sinto fome.
Se ela abrir,
Eu posso sair?
Sinto medo,
Nada está nítido,
Entre sangue
E lágrimas e escuro,
E dor.
Sangue, não sei,
Mas doer
Dói muito.

Discussão

Um sonho não tem data,
Você se decide,
Busca alternativas,
E enfrenta o que precisar
Para alcançar
O que deseja.
Não tem feitiço,
Ou meio externo,
Custa uma atitude sua,
E não de outros,
Um sonho vem de dentro
De si próprio
E torna-se alcançável.
Não é condenável,
Em tempos onde
Se discute por tudo
E quer-se ser o dono
Da razão,
Quem entrega um sorriso
Vale ouro,
Quem busca argumentos,
Não está disposto.
Ame o que te sorriu,
O que insistiu na discussão
Não quis ceder,
Isto te roubara tempo
De fazer coisas mais
Necessárias
E quando você perceber
Você passou o dia todo
Discutindo e não produziu nada.

Destino à ROCAM