sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Dor E escuridão

Tlic.
Ele desligou a luz,
Fechou a porta,
Trancou o quarto,
Eu fiquei sozinha,
Escorada na cama,
No escuro,
A chorar.
Ele me bateu,
Se chateou
Com meu vestido curto,
Me trouxe pra cá,
E me bateu muito,
Usou sua mão,
Gritou no meu ouvido,
Tirou o cinto
E bateu muito.
Meu rosto dói,
Entre as lágrimas e a dor
Não sei se há sangue,
Mas, dói demais,
Estar aqui trancada
E ter medo de sair,
Medo de ficar
Não sei o que é pior.
Ele sente ciúmes de tudo,
Do que falo,
Do que penso,
Tem síndrome de controle,
Me vigia,
Você no meu encalço,
Não ele não é meu marido,
Não se classificaria
Desta forma,
Ele é meu estuprador.
Ele me força
A fazer sexo,
A ser dele,
Como um objeto,
Mas, desta vez
Ele foi muito longe,
Me deixou caída aqui
Neste chão,
Escorada na cama,
Eu não tenho forças
Pera me levantar,
Mas, acho que não
Me matou,
Por que fez isso?
Eu não olhei para outro,
Eu juro.
Eu seria capaz de jurar amor,
Seria,
Seria capaz de qualquer coisa
Para sair disso,
Como posso reagir?
Ele tem obsessão sobre mim,
Se eu fugir
Até onde ele iria?
O que faria?
Eu tremo de medo
E sinto que estou viva
Apesar da dor,
Está tudo escuro,
Não sei se tem baratas,
Aranhas ou outro bicho,
Eu não sei quando
Pedi para dedetizar a casa,
Ele me odeia.
Me odeia.
Ele aperta meus ossos,
Ele quer me quebrar,
Romper a barreira
Que o mantém distante,
Está barreira é meu próprio
Corpo,
Minha própria pele,
Ele quer me rasgar,
Acho que quer me comer,
Quer me matar.
Não tenho forças
Para me levantar,
Não consigo ligar a luz,
Não posso desobedecer,
Estou impedida de pensar.
Eu ouço barulhos
Na sala e sinto mais medo,
Parece que a empregada
Chegou e está vindo,
Será que ela também
Irá me bater?
Será que ela tem meios
De abrir a porta
Ou a ordem é me manter
Fechada?
Eu sinto fome.
Se ela abrir,
Eu posso sair?
Sinto medo,
Nada está nítido,
Entre sangue
E lágrimas e escuro,
E dor.
Sangue, não sei,
Mas doer
Dói muito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Um Princípe