quinta-feira, 1 de maio de 2025

Marly no Bolãozinho

Minha mãe me pegou
No colo,
Chegada a linha de partida,
Filha, me dá um beijo
No rosto,
Porquê agora a mãe
Vai jogar bolãozinho
E ela quer vencer.
Eu beijei seus rosto
Bem demorado,
Dizendo meu beijo mãe
Pra vencer,
Minha mãe pagou a jogada,
E entrou competir.
Com o pé direito
Sobre a linha de marcação,
Levou a bolinha para o alto
E disse é da sorte
Da minha filhinha,
Mirou nas latinhas lá
No alto,
Levou a bola pra frente,
Bem certinho,
Trouxe pra trás seu bracinho
E jogou.
Pow,
Rolou latinha
Para tudo quanto foi lado,
Não sobrou nada
Lá na mesa,
As outras mães se admiraram,
Todas jogaram,
Mas, meu beijo
Foi só pra mamãe
E o troféu ela ganhou também.
Foi bolinha pro alto,
Latinhas no chão,
Todas juntas,
Mesa limpa.
Oh, beijinho da sorte
Este meu,
O bracinho bom
Este da minha mamãe, Marly.

Jogou de Bocha 48

No jogo de bocha,

Não conta tanto a força,

Conta a destreza,

Bons olhos sobre a mesa.

São quatro bochas,

E o bolim,

De longe atrás da risca,

Joga-se a bocha,

As grandes coloridas pontuam cinco,

O bolinho pontua quinze,

Quem limpa a mesa,

Corre a frente.

Joga-se sozinho

Quem confia no pulso,

Joga em grupo

Quem tem as artimanhas,

Pontua-se ponto máximo,

Ou corre a partida,

Em três partidas,

Quem pontuar mais ganha.

É só ter as bochas como alvo,

Precisa acertar nelas,

E retira-las da mesa,

As que caem no chão somam,

As que apenas se movem

Só dão o gosto.

Joga-se quatro bochas

Por jogador,

São quatro chances

Para o acerto,

Valem os pontos,

As só jogadas

Não valem nada.

O troféu é para o melhor pulso,

Cuidou o alvo,

Jogou e pontuou,

Simples,

Cuida o alvo,

Arremessa a bocha,

Acerta,

Quem limpa a mesa,

Ou seja,

Derruba todas,

Este sim é o bom jogador,

O restante são bons competidores.

Sorte no jogo do cinquilho bochadores.


Lá no Sertão

Hoje o sol amanheceu a pico,
Brilhou no alto do moro,
Parece até que sorriu,
Não restou nuvem no céu anil.
Sorri logo para o alto,
Acenei para o ar mesmo,
Fui logo
Puxar a vaquinha no tronco,
Amarrei de pronto,
Ajeitei o buçal
Que começava a apertar,
Ajeitei o tronquinho
Ao seu lado.
Juntei o jato de água,
Coloquei o baldinho no solo,
Fiz tudo com uma mão mesmo,
Lavei os tetos,
Sequei com a toalha branca,
Joguei a toalha para o ombro,
Só então me sentei no cepo.
Puxei logo o teto limpo,
Terei o leite de um,
Tirei o leite do outro,
Esgotei todos os quatro,
Jarro cheio de leite espumoso,
Soltei no baldinho,
Dez litros de única vez.
Recolhi o balde para o lado,
Soltei parte do leite
Que ainda restava no jarro
Para o pratinho do gato,
Chamei também o cachorro,
Soltei a corda da vaca,
Dei espaço para ele se mover,
Para comer a grama do seu redor.
Fui ainda até o paiol,
Abri a porta de madeira,
Juntei milho debulhado,
Dei a ela,
Peguei mais um pouco,
Usei o jarro vazio,
Enchi-o até derramar,
Soltei tudo para as galinhas,
Derramei por todo o terreiro,
Felizes os bichinhos,
Guardei o leite
Depois de coar na geladeira.
Fiz o café,
Café fresco jorrado a leite,
Passei o dedo na nata
De dentro da xícara,
Passei no pão,
Acenei para a manhã
Que o sol aquecia lá fora,
Lenha no fogão,
Crepitar da chama lá do sertão.

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Gatilho do Passado

Ligou o carro,
Dirigiu pela avenida,
Vidros abertos,
Óculos escuros sobre os olhos,
Queria manter o ar misterioso,
Mais ver que ser visto,
Porém, nunca não ser notado.
Algo em sua mente
Lhe pedia que fosse lembrado,
Cerveja em mãos,
Volume alto,
Metallica no aparelho,
Velocidade contida no velocímetro...
De repente, uma curva,
Em um bar
Ele viu uns garota,
Ela comia um xixi salada,
Esfomeada e risonha.
Seu coração pulsou forte,
Algo pediu que se aproximasse,
Mas, ele estava em linha reta,
Precisaria entrar na quadra,
Demoraria um tempo
Sem vê-la
E este tempo lhe pareceu tão crucial,
Que seu coração se comprimiu
E a respiração falhou.
Ligou o pisca,
Dobrou a esquina e seguiu,
Rápido e sem ver mais nada,
Avistou ela,
De costas.
Ela passava maionese
No xis e sorria.
Um arrepio percorreu sua coluna,
Ela virou-se para trás,
Seus olhares de entre cruzaram.
Ele diminuiu a velocidade,
Quase parou,
Seguiu a linha reta,
Parou próximo a calçada,
Sem parar de olha-la.
Ela despertou a lembrança
De um amor antigo,
Uma boca que já beijou
A tanto tempo,
E que nunca foi capaz de esquecer,
Mesmo com tantos anos,
Ele não lembrava quantos,
Sua mente era tão fresca
Que pareciam minutos,
Quando lhe doía a memória,
Passava então, horas.
Abriu o porta luvas,
Retirou seu retrato,
Comparou a garota que comia,
Eram parecidas,
Havia algo de similar
E ele quis apostar nisto.
Saiu do carro,
Recolocou a foto,
Fechou a porta,
Foi até ela,
Não tardou,
Sentou ao seu lado,
Pediu um xis,
A acompanhou no cardápio.
Então, entrou no bar
Uma garota morena,
Cabelos cacheados,
Olhos escuros da noite,
Vestida de biquíni,
E uma cobertura sobre ele,
Algo de crochê quase transparente.
Ela olhou-o,
E seu corpo estremeceu,
De imediato
Ele levou a mão ao rosto
De Melissa,
A garota que recordava-o de Andressa,
Ele quis manter Melissa,
O arrepio parecia lhe dizer
Que outra vez,
Não duraria.
Seria como foi anteriormente,
Não teria futuro.
Então, sem motivo,
Ele lhe pediu um beijo,
Por menor motivo
Beijou sua boca.
Foi guiado ao amor antigo,
Enxergou Melissa sobre
Lençóis amarelos de seda,
A seda caindo de seu corpo,
Ele deitado de lado,
Vendo sua coluna a mostra,
Depois seu bumbum.
Então, se viu beijando
Aquele corpo esguio e perfeito
Que um dia lhe jurou amor.
E no próximo ano
Engravidou de outro rapaz,
Um colega de faculdade,
Preferiu o outro,
Apresentou exames
E no mesmo dia
Disse adeus,
Sem nunca arrepender-se.
Nunca a importou
As mil viagens que Referson
Fez até a faculdade
Em busca dela,
As flores que enviou
Através da floricultura,
Os cartões lido em voz alta,
Pelo cara do Amor Falado...
Ela teve o filho,
Casou-se na igreja,
Fez celebração,
E o convidou.
Na cerimônia,
Ele teve coragem de lutar
Por seu amor...
- O que você deseja
Pra me trazer até aqui Referson?
Ela indagou vestida de branco,
Um vestido curto,
Com cinta liga e meias transparentes até o bumbum,
Sapatos de salto branco,
Toda de branco.
- você está perfeita, Melissa!
Ele disse, com três flores
Vermelhas entre os dedos.
- certo que estou,
É meu casamento com Jerônimo,
Seu amigo,
Homem que eu amo.
Ela respondeu segura
Com seus lábios em batom branco,
O blush branco brilhava a luz
Da, lâmpada da sala,
Quando ela fechava os olhos,
A maquiagem branca
Lhe dava ares de estrela
No olhar.
- eu ainda a amo.
Ele disse ali a dois metros dela,
Parado em pé,
Seguro em seu smoking preto.
- eu o esqueci a tanto tempo,
O queria chamar para apadrinhar
Nosso menino,
Mas desta forma,
Não vejo alternativa,
Terei de te afastar da família...
Ela disse, com seus lábios trêmulos.
- por quê?
Ele interrompeu.
- por quê?
Você confunde o que houve
Com o que acabou.
Acabou e fim!
Ela disse,
Levou a mão em espasmo
Em sua direção,
E seguiu outra saída,
O deixando lá trancado,
A espera-la pelo resto da cerimônia.
Transcorreram-se seis horas
E ele não percebeu
Que ela saiu por dentro,
E não por onde entrou com ele.
A porta ficou trancada,
Aquela que ela usou.
E ele ficou.
Quando saiu,
Se deparou com a faxineira,
Fazendo a limpeza.
- senhor, o que faz aqui?
A cerimônia acabou a três horas!
Não há ninguém mais!
Ela disse.
Ele levou a mão ao rosto,
Se ajoelhou naquele chão,
Virou-se para o altar,
E clamou por ela.
- senhor, a noiva foi embora,
Saíram em família.
Foram viajar para outro país.
A faxineira disse.
Ele quis morrer.
Então, puxou a nuca
De Andressa com suas mãos.
E apertou os lábios dela
Nos seus.
Não queria perde-la,
Ela era tão similar,
Tão inacreditavelmente parecida...
- Ai, você me feriu!
Gritou Andressa,
Empurrando-o para longe.
- que horror.
Ela retornou a falar,
Depois saiu e foi para o banheiro.
- foi mal, hein, amigo.
Disse a garota morena
Casualmente com seu sorriso brando.
Ele conseguiu rir,
E isto lhes pareceu descortinar
Sua mente.
- que embaraço!
Ele falou.
-sou Referson!
Disse,
Depois levantou-se
E lhe estendeu a mão
Em cumprimento.
- Ranera.
Eu estou um pouco pior,
Estava olhando a vitrine,
Um rapaz passou de motocicleta,
E levou minha bolsa...
Ela disse trêmula.
- que terrível.
Referson respondeu
E saiu do lugar,
Olhou-a de cima a baixo
Para se certificar
De que estivesse bem.
- horrível, perdi documentos,
Dinheiro e tudo...
Estou com medo.
Ela disse, assustada.
- eu a levo para casa.
Ele respondeu.
De alguma forma,
Odiou a lembrança de Melissa,
De outra forma,
Rejeitou Andressa
Por quere-la apenas
Para despertar um gatilho
De esperança
De um relacionamento
Que fracassou há tantos anos.
Puxou o cardápio,
Deixou dinheiro para a conta,
E algum acréscimo,
Sem esperar a garota
Retornar do banheiro
Ele foi embora,
Não se importou
Com a boa educação
Ou nada.
- vamos!
Ele falou.
E pegou Ranera pelo pulso.
Com a outra mão
Abriu a porta do carro
Por meio da chave.
- você realmente irá me ajudar?
Ela indagou,
Tocando em seu ombro.
- é claro.
Ele respondeu,
Beijando seus lábios
No meio da rua.
Ranera estremeceu,
Não esperava contato sentimental,
Não depois de ser roubada
Daquela forma tão bruta
E assustadora.
- meu braço ficou preso
Na alça da bolsa,
Veja, estou vermelha de dor,
Eu fui ferida...
Ela ainda disse.
Ele a puxou para seu peito,
A pegou no colo
E a tirou dali.
- eu irei te proteger.
Falou.

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Seu Olhar

Quando se planeja
O que fazer de sua vida,
Ocupa-se uma folha,
Ocupa-se duas
De um caderno 
Com linhas novas.

Mas, assim que cruzei
Com seu olhar,
Eu vi minha vida passar
Como se eu estivesse a passear,
Dirigindo meu carro
Em velocidade alta,
E você estivesse lá fora,
Andando na calçada.

E eu tão simples,
Passei por você,
Num piscar de olhos te reconheci,
Cruzei o sinal vermelho,
Uma senhora de bengalas
Levantou a bengala a reclamar.

Eu ainda, assim,
Te cuidei pelo espelho
Retrovisor,
Eu sinto muito pela idosa,
Não pude fazer outra coisa,
Continuei a te olhar.

A rua não tinha retorno,
E eu fui obrigado a passar,
Respeitar outros planos,
Não podia parar,
Cruzei em velocidade alta
Pelo marcador de velocidade,
Eu ganhei multa.

Mas não parei de olhar
Pra trás,
Simplesmente, precisava
Encontrar retorno,
Virar de qualquer forma,
Te encontrar.

Mesmo que isto
Demorasse uma vida,
Uma hora,
Ou o tempo que for,
Mas suas pernas
Não correram me alcançar,
Por Allah,
Você não me viu te olhar?

Mash'allah,
Não posso acreditar,
Eu precisei marcar retorno,
Voltar a te ver,
Te falar tudo que senti por você,
Quando se apaixona
Não é questão de esperar,
É questão de não perder de vista,
De outra forma,
Como a veria outra vez?
Não,
Não sou capaz de perder...

Convite de Lua

O relógio restou meia noite,
Ela não soube entender,
Mas, no palpitar de seu coração,
Entendeu que era sexta-feira,
Dia treze.
Levou a mão ao peito,
Pois seus ossos ficaram
Significativamente frágeis,
Então, seguindo o impulso,
Sentou na beira da cama,
Depois, retirou a mão do peito,
Levantou-se,
Abriu as cortinas
E pôde contemplar a lua cheia.
Tão imensa e brilhante
Que fez parecer dia,
Sua luz ofuscante
Lhe bateu no mesmo
Instante em seus olhos,
Deixando-a cega,
Seus lábios abriram-se,
Mas não precisou falar.
Seu corpo deu meia volta,
Parou estagnado
Olhando a porta trancada,
E não importou se estava segura,
Sentiu urgência por andar.
Precisava, de alguma forma,
Dentro de si, vagar.
E sentia que tinha um rumo,
Por isso, necessitava seguir
O fez.
Caminhou até a porta,
Sem preocupar-se por estar
De camisola até os joelhos
Transparente,
Abriu a porta.
Não disse nada.
Saiu.
Lá fora percebeu
Que haviam outras portas abertas,
Como a sua,
Que sem saber porquê,
Não quis fechar,
Só entendeu
Que era desnecessário,
Precisava seguir,
Tinha que ir.
Tomou o lado direito da rua,
Sentido ao centro da cidade,
Duas quadras antes,
Desviou,
A lua brilhava sobre sua cabeça,
Feito uma lâmpada,
Tornando a noite um dia.
O rumo que tomou a levou
A um portão,
De imediato ela não reconheceu,
Mas o abriu,
Ele era alto e grande,
Estava escrito em letras
Gigantes Cemitério 🪦.
Abriu,
Seguiu.
Chegou a uma lápide,
E não soube porquê,
Mas precisou sentar-se sobre ela,
Sentou e seu coração
Começou a parar de bater.
Ele foi acalmando-se,
Para um batimento lento
E regulado,
Era como se a lua tivesse mãos,
E suas mãos regulavam seu corpo,
E coração.
Nisto pensou se deveria
Rezar,
Não soube que oração fazer.
Então a lua escondeu-se
Atrás de algumas estátuas,
Lentamente, baixou para trás,
E aquelas sombras
Ganharam o cemitério,
E saíram de cima das lápides
Para irem percorrer o chão.
Não havia barulho,
Não tinha ninguém além dela,
E as sombras vinham
Com desenhos obscuros,
Sem formato
Querendo alcança-la.
Seu coração ao invés
De acompanhar seu medo,
Fez o contrário,
Foi batendo cada vez
Mais devagar,
Então, quando a primeira sombra
Quis tocar seus pés,
De modo instintivo,
Ela sentiu que deveria levanta-los.
O fez.
Levantou-os,
Depois, os puxou para onde estava,
E como seu coração parou de pulsar,
Ela, primeiramente, caiu,
Então, ele pulsou fraco,
Aí ela organizou o corpo,
E deitou-se ali.
Sem conseguir pensar,
Sem impulso para reagir,
Aninhou as mãos retas
Ao corpo,
Então, as sombras chegaram,
Subiram a lápide,
E ela caiu.
Caiu dentro do túmulo,
Havia ossos lá,
Um formato de pessoas,
Não muito reconhecível,
Estes ossos levantaram os braços,
E a abraçaram.
Mantendo ela ali dentro.
A lua não surgiu mais,
Apenas o dia.
Com o dia veio o coveiro,
Ele chegou cantando
Com uma pá em mãos,
Enxada e cavadeira,
Subiu para mais acima
E iniciou a abertura do chão.
Morreu alguém na cidade.
Haveria velório.
Ele passou por ela
Diversas vezes,
Seu coração pulsava fraco,
Ela não tinha forças
Para falar,
Não conseguia abrir
Os lábios,
Nem emitir grunhidos,
Ou mesmo soluçar.
De uma vez,
Ele olhou em sua direção,
Seus olhos estavam abertos
Ardiam contra o sol,
Mas ela esforçou-se
Para mantê-los,
Seu peito arfava levemente.
Ele olhou,
Passou a mão
Para limpar uma sujeira
Como se ainda houvesse
Uma lápide sobre ela,
Ele pôde ver sua mão mexer-se.
Depois, ele pegou um balde,
Colocou água,
Trouxe sabão,
Uma toalha,
E limpou onde ela estava.
Ela podia ver a água cair,
Podia até sentir,
Num esforço imenso,
Abriu os lábios,
Estatelou os olhos,
Arregalou-os num pavor abafado,
Mas, ele não a via.
Ele passou o pano do início
Ao fim do túmulo
E saiu de perto,
Seguiu seu rumo de abrir a cova,
Na parte da tarde,
Aproximadamente dezessete horas,
Um caixão passou.
Seus homens o carregavam,
Pessoas choravam atrás,
Algumas traziam flores,
Outras cantavam louvores,
Outras faziam orações,
Todas olhavam curiosas
Para todos os lados,
Mas nenhuma a via.
Todavia, ela enxergava
De uma a uma.
Ela tentou mover-se,
Mas, os braços daquele
Que a seguravam
Eram mais fortes.
Ela ouviu quando seus pais
Saíram na janela chamar seu nome,
Quando alguns se tumultuaram
Atrás dela,
Quando carros passavam
Aturdido pela estrada,
Mas ela estava emudecida.
Era como se sua língua
Tivesse ficado presa,
Ela mal conseguiu
Abrir a boca,
Então, chegou o entardecer,
Conforme o sol se foi,
E as sombras da tarde
A tocaram
Ela pode chorar,
Copiciosamente,
Mas seu peito estava fraco,
Ele não emitia sons.
A lua chegou.
Velas crepitavam
No seu entorno,
As ceras das velas
Começaram a escorrer,
Chegaram até ela,
Ao passar pelo túmulo,
Invadiram a lápide,
E algo quente a tocou,
Ela não pôde mover-se,
Apenas deixou ser consumida
Por ceras de velas coloridas.
A cada nova vela
Ela podia ouvir um pedido
Do ente querido
Que a acendeu...
Aos poucos, a lápide
Foi sendo preenchida,
E a noite foi,
Veio o dia.
O dia não deixou as ceras
Esfriarem,
Manteve elas cada vez mais aquecidas,
Algumas pessoas entravam ali
Aturdidas,
A maioria saíram,
Porém, na noite do dia 15
Uma não saiu.

Futebol Amador

Chegou o sábado,
Antes das quatorze
A comunidade inteira
Se reunia no campo
De futebol.
- daqui vamos tirar um artilheiro!
Disse Adílio.
- um verdadeiro campeão!
Gritou Dalvan,
Descendo a estrada de terra limpa,
Próximo a laranjeira,
Erguendo seu filho nos braços
Até o céu
Como se fosse um troféu.
- Ehhhhh!
O menino gritou,
Levantou a mão fechada
Para o céu
E chacoalhou-se naqueles
Braços fortes de seu pai.
- a bola!
Gritou Edivaldo.
Dando um chute com toda força
Na bola
Por trás da rede do gol.
- aproveitei esse chute,
Assim que o jogo iniciar
Você não terá outra chance!
Gritou Douglas
Do lado direito do campo,
Correndo para pegar a bola
No meio do campo,
E chutando de bico para o gol:
- eh é Goolllll!
Comemorou Aquelino,
Saindo do outro lado
Do campo,
Vindo em direção a bola,
As corridas e tropeções,
Erguendo a camiseta
Sobre a cabeça,
Estilo jogador profissional,
Deixando sua barriga flácida
A mostra.
- Sai que é sua!!!!!
Gritou Valderez,
Para si próprio,
Se jogando através da rede
E pulando em frente ao gol
Rápido o bastante
Para segurar o chute.
- peguei, peguei, peguei!!!
Ele gritou rodopiando
Com a bola em mãos.
Se jogando para a torcida.
- Ehhhhh, ganhou uma laranja.
Respondeu Luiz,
Reconhecendo seu porte
Obeso e partindo para a árvore,
Subindo sem perdão até
Alcançar as laranjas.
- tá certo!
Tá certo!
Vamos dividir os jogadores.
Disse Dalvan,
Soltando Gilvan no chão.
- crianças não jogam.
Ele disse
Apontando o dedo
No peito do garoto de doze anos.
- é no par ou ímpar,
Par ou ímpar.
Ímpar eu ganho!
Gritou Adílio.
Entrando no campo,
Fazendo alongamentos,
Comendo quatro dedos
De banana que retirou
Do cacho maduro
Da beirada do campo
Esquerda.
- é comigo então, neguinho!
Disse Dalvan
E correu com três dedos
A mostra na direção de Adílio.
Adílio se alvoroçou
E botou cinco dedos.
- Deu oito.
Deu oito.
É parrrr!
Gritou Carlinho,
Chegando para conferir os dedos,
Estilo juiz,
Meio vesgo,
Mas sabendo contar dedos.
Dalvan iniciou chamando,
Adílio continuou
E assim seguiu até incluir a todos.
Partida iniciada,
Bola no meio do campo,
Primeiro chute
E o drible rolou solto.
Chutada a bola,
Para a área do gol do adversário,
Adílio esqueceu para qual
Time jogava,
Ao invés de marcar o gol,
Já que estava na área,
Alcançou a bola
Cara a cara com o goleiro,
E driblou sozinho,
Feito Luiz Gonzaga na sanfona,
Único e conhecedor.
Contudo,
Virou de frente
E chutou a bola
De bico para a frente,
Com toda a força,
A bola bateu na outra área,
O goleiro correu e a alcançou.
- Adi, marquei pra lá o gol
É pra lá.
Valderez gritou aturdido.
E revidou depois de segurar
A bola com a mão esquerda,
Fez picar no chão,
Chutando para frente
De qualquer forma.
Dalvan ergueu a perna,
Segurou a bola
Na panturrilha,
Fez quicar no chão,
Mantendo com o pé esquerdo,
Várias vezes,
Até poder segurar.
Então, passou para o pé direito,
E rumou,
Porém, depois de driblar Douglas,
- Darvan,
Darvan,
É pra lá!
O Adi é loco,
Ele que jogou errado!
Darvan.
Gritou Douglas,
Tastaviando com o pé,
Buscando tomar a bola
De Dalvan.
Douglas e Dalvan
Jogavam no mesmo lado.
Dalvan deu uma olhadinha
Para Adílio,
Que arfou o peito,
E se soltou dm busca
Da bola,
Então, recordou-se
Que fazia o gol
Para o lado oposto,
E fez uma meia lua,
No Laudecir,
Deixando ele boquiaberto
Com as mãos na cabeça,
E retornou driblando todos
Que pôde.
Na terceira meia lua,
De pegar a bola com o pé direito,
Vir com ela solta no chão,
Jogando de um lado para o outro,
Em zigue e zague.
Esperava o adversário chegar,
Então, jogava o pé esquerdo
E passava a bola por cima
Da pessoa,
Depois com o direito
Trazia a bola de volta.
Dalvan parou três metros
Depois do meio do campo,
Mirou o gol
E chutou dali mesmo.
A bola saiu do chão
E levantou vôo livre,
Não teve opção pro goleiro
Alcançar,
Ele jogou-se para o céu,
E a bola cruzou um metro
Depois de suas mãos,
Parando no alto da rede,
Quicando e descendo
Para a grama.
- é gol.
É gooll.
Ele gritou.
Derli tinha aula
De educação física
Na escola,
Levou as duas mãos ao rosto
De vergonha,
Porquê jogava toda semana
E não reconheceu
A habilidade da jogada.
O time do Dalvan
Se aproximou e se abraçaram
Comemorar.
No entanto de tanto
Ser o estudante,
Um dia um jogador
Ensina o outro.
Adílio de posse da bola,
Tocou para Derli
Com força,
Douglas tentou segurar,
Pegando na ponta do pé
A bola,
Mas ela correu
Para a frente,
E Marcelo correu para ela.
- peguei Adi.
Peguei!
Marcelo gritou
Levando as mãos para o céu,
Em vitória.
-Jogue que eu pego.
Joguei pra frente.
Respondeu Euclides.
- pra frenteee!
Disse Adílio.
E Marcelo conseguiu
Chutar com o pé direito
Para o esquerdo,
Do direito para o esquerdo,
Do direito para o esquerdo.
Sozinho.
Ele e a bola.
Nisto Douglas chegou,
Colocou o pé por entre
As pernas de Marcelo,
Perturbando a bola,
Que correu um metro pra frente,
Marcelo levou a mão
No peito de Douglas,
Empurrou ele pra trás
E correu.
- falta.
Falta.
Gritou Douglas.
Levantando as mãos.
Porém, Marcelo não parou.
Não reconheceu o erro.
Alcançou a bola
E chutou a toda prova.
Aquelino pulou no gol,
Do lado esquerdo
Voou ao alto para o direito,
A bola bateu na ponta de seus dedos,
E passou.
- nãoooo!
Ele gritou.
Ela acertou em cheio
No travessão,
Na quina do travessão
E voltou.
Quede pegou a bola.
- é minha.
Aqui não.
Aqui não.
Reteve a bola no chão
Por um momento
E passou a rolar ela
Embaixo do pé,
Em meia lua,
Depois virou para o lado
Que jogava para marcar o gol.
Sem parar de rolar,
Ele deu um pulinho
E acertou a bola
Com o próprio pé esquerdo,
Passando para o colega
Daniel,
Que chutou um metro pra frente
E correu alcançar,
Chutou para frente e correu.
Deixando o povo incrédulo
Com aquilo,
Driblando a si mesmo
De maneira unânime.
Nisto, Adílio entrou de carrinho,
Deslizando para a bola
Com o pé esquerdo,
Firmando-se no direito.
- De carrinho na bola.
Daniel que já havia chutado
Para ninguém
Se distanciado da bola,
Correu de suar atrás daquele
Chute de Adílio.
Alcançou a bola,
E chutou ela sem esperar parar,
Unindo a força que ela vinha.
Pois não verdade,
Adílio chutando a bola
De carrinho
Apenas desviou o curso
E ao invés de ela seguir
Ela foi para o lado,
Então Daniel apenas
A pegou com um chute
Usando o lado do pé,
E mandou para o gol.
Valderez nem mexeu-se,
A bola chegou voando
Em sua direção,
Ele apenas juntou as mãos
E a pegou.
Ela quicou,
Ele revidou com o próprio peito,
Ela retornou para a frente.
Dalvan chegou,
Não deixou chegar no chão,
E chutou prazerosamente,
Com a parte de cima do pé,
Pegando bem no meio
Embaixo dela,
Que foi rodopiando de volta,
Seguindo reta,
Alcançou o lado direito
De Valderez,
Entrando sem ele ver para o gol.
Valderez esperou a bola
Pulando de mão levantada no gol.
- não passou.
Cadê?
Cadê?
Ele dizia.
- passou e tá aqui!
Respondeu Dalvan
Indo buscar a bola
Dentro do gol.
Iniciada a partida,
Adílio perdendo
Por dois gols,
Se fortificou,
Manteve a bola próxima
De seus pés,
Quando Dalvan chegou tomar,
Ele passou pelo meio
Das pernas dele
Com força.
- passou queimando!
Ele gritou.
Correu e alcançou a bola
Do outro lado de Dalvan,
Deixando ele pra trás.
Então, Douglas chegou nele.
- não vem não, neguinho.
Não vem não!
Ele gritou,
Deu uma corridinha
De centímetros na bola,
Levou o pé por baixo dele,
Deu uma chutada
E levantou até a altura
Do próprio joelho,
Douglas saiu por baixo,
Adílio levantou por cima,
E de meio dia pé
Levantou para a área do goleiro.
Paulo da área alcançou
A bola com a cabeça
E foi assim mesmo
Com ela para o gol.
O goleiro tirou
Com destreza,
Jogou com ambas
As mãos para a frente,
Caindo no peito de Adílio
Que não teve medo,
Soltou para o chão,
E chutou rente a grama
Para o ângulo direto.
Aquelino apenas
Teve tempo de levar a perna,
A bola tocou nele,
Mas não fraquejou,
Foi para a rede!
- eh ehe ehe.
Goollll.
Terminado o futebol amador,
Ronaldo foi reconhecido
Na televisão nacional,
Era o único em idade para jogar
Futebol profissional,
Apropriado da técnica amadora,
Se lançou no mundo.
Saiu da grama da Linha Barra da Taquara,
Para a grama de São Paulo.
Lá, fez três gols para ganhar a partida,
Até seguir no seu drible,
Bola rolando do seu pé
Para a grama,
Do seu pé para a grama,
Do seu pé para a grama.
Correu a bola,
Até chegar o adversário
E apenas calçar a bola
Com o pé direito.
Ronaldo levou uma prensada
Na bola contra o adversário
Caiu de cara no chão,
Voando para o alto,
De cara na grama São Paulina.
Depois disso,
Ele foi dispensado,
Para chegar a São Paulo
Fez uma vaquinha
Pedindo dinheiro emprestado
Para todos os parentes,
Mas foi de avião,
 Ninguém lhe tirou este gosto
De voar pelos área,
Porém, bola perdida,
Jogou entregue
Para o adversário,
Ele optou por retornar de ônibus.
Bola embaixo do braço,
Autografada,
Jogo gravado
Passando na televisão,
Gols no ângulo,
Dribles vergonhosos na bagagem.
Foi difícil entregar a camisa do time,
Suada e suja,
Retirou e beijou-a,
Adeus a carreira,
Retorno as origens.

Destino à ROCAM