terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Movimento de Corpos

Agora que a fila andou,
Eu que estava com o boleto
De dívida em mãos,
Pouco dinheiro para pagar,
Mas fiz questão.
Eu me encaminhei
Em um relacionamento
E de quando em quando disperso,
Me indago:
Para qual destes
Lá atrás
Com quem me envolvi
Eu devo um abraço,
Um pedido de amizade
E um continuei aqui?
Fico triste
Mediante o pensamento
Pois ao vasculhar passado
Para buscar um amigo,
Um alguém em quem confiei
Que esteve ao meu lado
E me protegeu de maus bocados
Eu vejo que para que isto
Tivesse acontecido
Nós precisaríamos ter transado.
Ideia triste,
Me vem em mente,
Enraizada ao meu psicológico
Para eu ter sido valorizada,
Olhada como ser humano,
Protegida de maus pedaços,
Eu deveria ter transado,
Ou seja,
Se não houve isso,
Muito menos houve progredimento.
Gostaria de levantar a voz
Contra estes tipos de argumentos
Que acreditam que um ser humano
Só se torna visível
Quando faz sexo,
Quando tem ao seu lado
Um alguém do sexo aposto.
Parece uma teoria
De carência afetiva
Onde um oposto
Só se vê amado,
Valorizado em seus aspectos
Quando está ativo.
Não deveria ser um movimento
De corpos
Num vai e vem descontrolado
Que direcionaria
O sucesso de um e outro,
Não,
Sucesso e amizade
Não estão entrelaçados a sexo.

Destino Para Um

“por este valor
Trago o amor de sua vida
De volta em quinze dias”.
Falou a cartomante.
Rana amava muito Reinaldo
Para deixá-lo,
E se tinha ao seu alcance
A chance de trazê-lo de volta
Não se importava com os meios,
Queria-o,
Isto lhe bastava.
Pagou.
Tirou todo o dinheiro
De sua bolsa
E pagou o valor inteiro.
Tudo que a cartomante
Lhe pediu foi o número
Do telefone de Reinaldo
E alguns dados pessoais
Referente a ele.
“Mas como pretende trazê-lo?”
Indagou Rana.
“Facilmente”.
Respondeu a outra,
Sentada numa mesa
Para quatro pessoas,
Segurando um baralho
Em suas mãos
Que embaralhada
E soltava cartas sobre a mesa
Que faziam todo sentido.
Ela batalhou
E retirou uma carta aleatória
Então a soltou e disse:
“Está vale dois.”
Depois tirou outra
E soltou ao lado daquela:
“Está vale dois, também.”
Então, ela retirou uma terceira
E soltou deixando um espaço
Entre as anteriores e disse.
“Dois mais dois equivale a quatro”.
Rana olhou estupefata
Para a cartomante
E calou-se:
“ sempre que se fizer está soma
De dois mais dois o resultado
Será sempre o mesmo,
O presente é a soma
Dois mais dois,
O futuro que será a decisão dele
Equivalera a quatro,
Enquanto ele estará apenas
Ressaltando um valor óbvio
Será obrigado a admitir
Que estará com isso adivinhando
Seu futuro,
Que por sua vez lhe trará
O resultado quatro”.
Rana continuou em silêncio.
“Ele pensara que estará
Tomando uma atitude
Mas na verdade
Estará apenas fazendo
O que queremos,
Ou seja, voltando com você.”
Rana imediatamente
Se ergueu da cadeira
Em que estava sentada
E beijou o rosto
Da cartomante em agradecimento.
“Isto é tudo que desejo,
Que o destino interfira
E que o traga de volta”.
Encerrou a conversa
E saiu.
A cartomante fraudou
O telefone de Reinaldo,
Copiou dados,
Restringiu ligações,
Fingiu conversas e desviou
Tudo que não lhe era do interesse.
Foi simples fazer
Reinaldo acreditar
Que amava Rana
E que ela era o amor
De sua vida.
Tudo que a cartomante
Precisou foi usar sua voz
Em períodos intermitentes
Através do celular de Reinaldo
Para estragar relações pessoais
Dele,
E até mesmo prejudica-lo
Em seu trabalho
Até que desolado,
Ele só visse Rana
Como alternativa
De melhoria de seu estado mental.
A relação dois mais dois
Foi jogada contra ele
Sem que tivesse escolha,
O resultado quatro
Lhe veio por obrigação,
Por força oculta,
Determinismo de seu estado
Psíquico por ouvir sem parar
A voz desta estranha
Que tinha por objetivo apenas isto:
Entregá-lo sem restrições a Rana.
E os meios para alcançar este fim
Não tiveram limites,
Desde o cachorro da vizinha,
Até sua atual namorada
Ter outro rapaz em vista,
Inclusive a viagem de seus pais
Para férias,
Tudo foi determinado
Por está estranha,
Inclusive suas ideias mirabolantes
De que os pais foram Sequestrados
E de que a vizinha
Recebia ligações
E até mensagens
Endereçadas a outra pessoa.
Como se houvesse
Uma linha que ao invés
De correr livre
Se entrelaçava
E o dirigia sem vontade própria
Para Rana,
O objeto final da cartomante.
Quinze dias após
As interferências
Reinaldo tocou a campainha
Da casa de Rana
Lhe levando um colar
De presente
E decidido a reatar
E desta vez,
Disse ele:
“ é para sempre”.

Jogo de Interferência

Adilson acordou determinado
A mudar sua trajetória de vida,
Olhou para a luz do dia,
E decidiu construir seu destino,
Contudo, esforçar-se
É-lhe um ato odioso.
Olhou-se no espelho
E se viu presidente,
Não lhe haveria cargo
Mais conveniente,
Lugar mais digno de estar
Do que a frente de seu país.
Maquinou como conseguir isto,
Evidenciar a todas as pessoas
O quanto ele nasceu
Para ser bem sucedido,
Ter êxito em tudo,
Sucesso no que quisesse,
Pois, via-se como o centro
Do universo,
O poder central,
A origem de um país
Onde pessoas como ele
Tivessem suas inteligências
Ressaltadas.
Foi até o banco,
Juntou todo o dinheiro
Que pode,
Retornou até sua casa,
E viu que era pouco,
Decidiu enganar alguns analfabetos
De cidades vizinhas
E nem mesmo os conhecidos
Lhes fugiram do alcance.
Levou cada um deles
A fazer financiamentos
Junto ao banco
Para retirar dinheiro
E investir em terrenos
Países vizinhos,
De posse do dinheiro
De tais pessoas
Recomendou a elas
Que aguardassem,
Pois logo, os antigos proprietários
Dos imóveis
Entrariam em contato
Com tais pessoas
Para entregar a chave
Dos imóveis e
Assinar contratos.
Deixou diversas cidades felizes
Com seu entusiasmo
E esforço como amigo
E intermediário de tais negócios
Grandiosos.
Juntou o dinheiro
E comprou uma enorme antena,
Desta antena,
Espalhou outras pela cidade
E lá colocou uma câmera
Com áudio e vídeo e som.
Da antena mestre,
Que se localizava
Perto de sua casa,
Ele enviava mensagens
A todas as pessoas
Que lhes ouviam de suas casas
Por intermédio de tais antenas.
Logo, ficou famoso
E reverenciado,
Tornou-se um respeitado
Senhor na região,
Dali, ordenou que o atual presidente
Fosse morto,
E escolheu a si próprio
Por meio de uma votação
De cédulas onde casa presente
Assinava o nome corresponde
A quem quisesse que substituísse o cargo vago,
No caso,
O presidencial.
Poucos colocaram
Outro nome,
Ele fez questão de apagar
E colocar o seu próprio
De maneira
Que elegeu-se unânime.
Em questão de meses,
Era presidente,
Os não adeptos a ele,
Ele os enviou para outro país,
Por meio de distribuição
De passagem aérea,
As quais cobrou de antemão
Do próprio enviado
Para evitar gastos desnecessários.
Juntou cada um,
E o máximo que pôde
De pessoas num barracão
Visando falar sobre
Os imóveis destes
Adquiridos em outro país,
E queimou com todos dentro.
Estes nem voaram,
Ou adquiriram nada,
Muito menos espalharam boatos
Contra a palavra de Adilson,
O novo presidente do país anticorrupção.
Adilson em casa um de
Seus discursos
Fez questão de usar
Palavreado estranho
Ao usual daquelas pessoas,
Ele nunca esforçou-se
Para ser interpretado,
Tudo que quis,
Unicamente,
Foi eleger-se unânime.
Destacou suas habilidades,
Ganhou prêmios eméritos,
E fez questão de que
Entre o presente e o futuro,
Houvesse o que definiu destino,
Que por sua vez,
Era assinado por Adilson
No que se referia a vontade
De toda e qualquer pessoa
De seu país.
Instalou o máximo que pôde
De antenas nos lugares
Mais previsíveis ou não
Do país,
Vigiou todos,
Falou de cada um,
Decidiu a vida e morte
De toda a sua população.
Ao final,
Decidiu-se dono
Daquelas terras,
Mandou cada prefeitura
Derrubar todo casebre
Que lá estava erguido,
E que junto,
A polícia armada estivesse presente
Para atirar e matar
Toda pessoa que lá permanecesse.
Porém, ele não emitiu ordem
De despejo,
Enviou prefeitura e polícia
Para derrubar e matar de imediato.
Decidiu por conta própria
Quais casas tomaria posse
E quais levaria aos escombros,
Desde os grandes centros
Até os mais remoto interior
De cada município.
Fez-se dono de terras
E tudo que mais houvesse.
Não fez outra coisa
Senão falar o tempo inteiro
Através daquela antena,
Interferindo em cada vida,
Até ver-se único naquelas terras,
Soberano de si,
E de seu redor.

Família Feliz

Coisa mais linda
No mundo
É ver nosso filhinho
Contando o quanto
Confia em seu pai,
Eu me sinto satisfeita,
Pois cumpri minha função
De ser mãe com maestria
E perfeição,
Eu fiz um filho
Que ama seu pai
E precisa dele
Ao seu lado,
Eu encontrei um esposo
Que sonhou comigo
Nossos sonhos
De ter nossos filhos,
E os tendo,
Os ama,
Cuida de cada um
Com todo o carinho
Do mundo,
Abraça forte,
Ajuda a alimentar eles,
Escolhe as roupas,
Troca e até às lava.
O marido que escolhi
Ama cada um
Dos nossos filhos,
Respeita meu trabalho,
Dá atenção as coisas
Que eu gosto,
É como diz o nosso
Menino mais velho:
“ A mãe cuida dessas flores
E quando eu chego perto
Pra me alimentar delas
O pai me pega no colo
E faz todas elas parecer
Um rascunho”.
Nosso anjinho fofo,
Ama seu pai,
Respeita sua mãe,
É um perfeito menino.

Acomodado

O homem,
Ser humano adaptado
Conforme vivências,
Ditados em seus ouvidos
E crenças
É inimigo do novo.
Tudo que ele prefere
É acreditar que vive
Do acaso,
E se contradiz
Ao dizer
Que tudo é determinado
Pelo destino.
Se apega a este ser invisível
Que constrói sua vida
E determina tudo nele
Para detestar o novo,
Odiar a mudança de padrão,
Ação ou credos.
Apega-se a ideias
De forças sobrenaturais
E vive num esmo
De ser igual a todo o resto,
Como se fosse um elemento
Não pertencente a ele próprio
Que faz exatamente igual
Ao vizinho próximo.
Tem as mesmas necessidades,
E não vê os diferenciais
De um e outro,
Acredita no povo
Como uma massificação
De pessoas
Com as mesmas ideias,
Nas mesmas horas,
E adora multidão
E gritos altos sem reflexão.
Ele não busca descobrir
Porquê tudo pra ele
Está exposto,
E perde a importância
Conforme vê a dificuldade,
Ele gosta de ser acomodado,
De receber tudo
Conforme sempre foi,
Ele ama odiar o negativo,
Mas, na data provável
Aguarda silenciosamente
Sua parte do negativo chegar,
Do contrário se assusta,
E pede ao destino paz.

Minhas Súplicas

Estalados no rosto
Me tirou do sono,
Nem queria sair da cama,
Abrir a janela,
Ver que chovia,
Seus beijos em minha face,
Clamava por seus toques,
Ardia.
A chuva percorria
A flor do jardim,
Enquanto eu me deitava
Ao seu lado,
Lhe acariciava o ombro
E sonhava mais tempo
Pra mim,
Pra nós,
Pra eu e você
Nos amarmos
Outra vez.
A chuva contorna
A flor e a molda,
Aos poucos,
Canta no seu ouvido
E sussurra
Te amo,
Não tanto quanto
Eu gostaria
De gemer em sua pele
Que te amo para sempre.
As horas voam,
Seguem sem destino,
 Lá fora,
Aqui dentro
Minhas carícias voam
E pedem seu destino,
Eu te amo Moh.
Você é o Rah
No meu sorriso,
O clamor das minhas promessas
O nome que chamou
Nas horas certas,
Nas horas incertas,
Em cada instante
Em que te preciso
E te preciso sempre!
Você é o meu prazer,
Meu porto seguro,
O abraço mais forte,
O nome que suplico
Fica mais comigo, Moh?!
Te amo!

Meu Primeiro Carro

Achava-me no melhor
Dos empregos,
Recebendo o melhor
Dos salários,
Morava de pensão,
Andava a pé até o trabalho.
Sonhei-me nisto,
Ser possuidor de um carro,
E assim,
Sair da zona de conforto,
Em que grande maioria
Vai até o trabalho caminhando.
Deixaria de ser
No mesmo instante
O grande diabo
Igual toda a maioria,
Pois, em minha conta,
Eu precisava demonstrar
Minha unicidade
Como pessoa,
Penso e sou,
Digo comigo,
O centro do universo,
O melhor dentre os viventes.
Tudo ao meu redor
Gira em torno do meu ser,
Por tanto,
Nada precisa ser pensado
Ou recalculado,
O futuro é o agora,
Nos resta em nossas mãos
O presente e nada mais,
O que está por vir, virá
Ou se findará em pó.
Nada mais a refletir,
Adquiri o lindo Voyage,
Meus olhos só viam o horizonte,
Confortavelmente acomodado
Naquele banco atrás
Daquele vidro límpido
Eu parecia dirigir
De uma pedra preciosa,
Possuidor de um diamante,
Minha coragem
Não ganhou limites.
Eu corri por aquelas ruas
Como se não houvessem pedestres
E logo eles se acostumaram
Com minha cara
E me vendo fugiam:
“ se arredem!”
Eu gritava antes,
Depois nem isto.
Fugiam mediante meus berros,
Minhas buzinadas incessantes,
Meus acenos,
E a alguns atropelamentos.
Sim, na busca
De chegar antes ao trabalho,
Receber um melhor salario
Eu passei por cima
De tudo que foi possível:
“o gato da vizinha,
O surdo da esquina,
A velhinha do final da rua...
O meu patrão”...
Este, por sua vez,
Não me achou digno
De um salário muito maior,
Tendo o costume de receber
Cada funcionário
Na porta de entrada,
Não me dificultou em nada
O desenrolar do enredo:
Atropelei-o na entrada mesmo.
Sim,
O Voyage dando o melhor
De si
Não foi capaz de frear
Na hora exata em que precisei....
O deixei lá,
Escurecido
E dei por mim
De me acrescentar
Algumas horas de folga,
Sai nos meus dignos
60 km por hora,
Só tendo o céu para testemunha,
E algumas curvas enretadas,
Numa destas curvas
Perdi o sentido,
Tive por fim,
Antes do pagamento
Da primeira parcela do veículo
Ver o Voyage em pandarecos
Por causa de uma curva
Um tanto fechada.
Perdi,
Por um momento
A perda do movimento
Da perna esquerda,
Isto me possibilitou um atestado médico
De um dia e mais dias,
Com isto,
Eu tinha um motivo determinante
Para ter faltado ao trabalho,
Nunca atropelei meu chefe,
Contudo, quanto a primeira parcela do Voyage
E o concerto de sua linda lataria
Isto deveria ser resolvido
E contando com uma perna a menos.

Destino à ROCAM