terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Destino Para Um

“por este valor
Trago o amor de sua vida
De volta em quinze dias”.
Falou a cartomante.
Rana amava muito Reinaldo
Para deixá-lo,
E se tinha ao seu alcance
A chance de trazê-lo de volta
Não se importava com os meios,
Queria-o,
Isto lhe bastava.
Pagou.
Tirou todo o dinheiro
De sua bolsa
E pagou o valor inteiro.
Tudo que a cartomante
Lhe pediu foi o número
Do telefone de Reinaldo
E alguns dados pessoais
Referente a ele.
“Mas como pretende trazê-lo?”
Indagou Rana.
“Facilmente”.
Respondeu a outra,
Sentada numa mesa
Para quatro pessoas,
Segurando um baralho
Em suas mãos
Que embaralhada
E soltava cartas sobre a mesa
Que faziam todo sentido.
Ela batalhou
E retirou uma carta aleatória
Então a soltou e disse:
“Está vale dois.”
Depois tirou outra
E soltou ao lado daquela:
“Está vale dois, também.”
Então, ela retirou uma terceira
E soltou deixando um espaço
Entre as anteriores e disse.
“Dois mais dois equivale a quatro”.
Rana olhou estupefata
Para a cartomante
E calou-se:
“ sempre que se fizer está soma
De dois mais dois o resultado
Será sempre o mesmo,
O presente é a soma
Dois mais dois,
O futuro que será a decisão dele
Equivalera a quatro,
Enquanto ele estará apenas
Ressaltando um valor óbvio
Será obrigado a admitir
Que estará com isso adivinhando
Seu futuro,
Que por sua vez lhe trará
O resultado quatro”.
Rana continuou em silêncio.
“Ele pensara que estará
Tomando uma atitude
Mas na verdade
Estará apenas fazendo
O que queremos,
Ou seja, voltando com você.”
Rana imediatamente
Se ergueu da cadeira
Em que estava sentada
E beijou o rosto
Da cartomante em agradecimento.
“Isto é tudo que desejo,
Que o destino interfira
E que o traga de volta”.
Encerrou a conversa
E saiu.
A cartomante fraudou
O telefone de Reinaldo,
Copiou dados,
Restringiu ligações,
Fingiu conversas e desviou
Tudo que não lhe era do interesse.
Foi simples fazer
Reinaldo acreditar
Que amava Rana
E que ela era o amor
De sua vida.
Tudo que a cartomante
Precisou foi usar sua voz
Em períodos intermitentes
Através do celular de Reinaldo
Para estragar relações pessoais
Dele,
E até mesmo prejudica-lo
Em seu trabalho
Até que desolado,
Ele só visse Rana
Como alternativa
De melhoria de seu estado mental.
A relação dois mais dois
Foi jogada contra ele
Sem que tivesse escolha,
O resultado quatro
Lhe veio por obrigação,
Por força oculta,
Determinismo de seu estado
Psíquico por ouvir sem parar
A voz desta estranha
Que tinha por objetivo apenas isto:
Entregá-lo sem restrições a Rana.
E os meios para alcançar este fim
Não tiveram limites,
Desde o cachorro da vizinha,
Até sua atual namorada
Ter outro rapaz em vista,
Inclusive a viagem de seus pais
Para férias,
Tudo foi determinado
Por está estranha,
Inclusive suas ideias mirabolantes
De que os pais foram Sequestrados
E de que a vizinha
Recebia ligações
E até mensagens
Endereçadas a outra pessoa.
Como se houvesse
Uma linha que ao invés
De correr livre
Se entrelaçava
E o dirigia sem vontade própria
Para Rana,
O objeto final da cartomante.
Quinze dias após
As interferências
Reinaldo tocou a campainha
Da casa de Rana
Lhe levando um colar
De presente
E decidido a reatar
E desta vez,
Disse ele:
“ é para sempre”.

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