domingo, 25 de janeiro de 2026

Apego

Eu me afasto,
As vezes sou sua,
As vezes sou minha,
Quero conversar
E noutras vezes
Quero estar sozinha.
Tem coisas
Que eu queria
Deixar para o passado,
Abandonar lá atrás
Todos os erros,
Os medos,
As necessidades de
Algumas pessoas.
O apego é algo difícil
De se livrar,
A gente faz tudo
Por alguém,
Mas este alguém
Não se dedica da
Mesma forma a nós.
Neste ato de apegar-se
Não significa
Que não se perceba
O que o outro faz,
O tanto que vira a cara,
O quanto evita,
Os risos escondidos
Que aos poucos
Vem a tona
E tornam-se públicos.
O ato de apegar-se
Machuca,
Mas o abandonar
E deixar para o passado
Basta.

Beijar Bocas

Existem amores
Que ferem,
Marcam e sangram,
Pra curar este amor
Busca-se outros
E outros e outros,
Então, chega um dia
Em que se está
Beijando tantas bocas
Ao mesmo tempo
Que a mente
Se confunde
Entre um e outro,
O coração já não distingue,
Nisto, perde-se o bom
Pelo preço do ruim
E de tantas vezes
Em que se repousa
De boca a boca,
Torna-se, você,
Por sua vez,
A boca a ser evitada,
O coração que não
Se quer
E neste instante
Já não importa
O que se faça,
Beijei um ou
Beijei dois,
Já não há quem
Se interesse,
Acabou o sentimento,
E depois disso
Nunca houve amor.
A solteira que beija cinco
Não tem um único
Que a assuma,
A deseje por perto,
Saia com ela em público,
E a ame como uma casada
É amada.
A solteira
Não tem família,
No máximo
Consegue ter filhos,
Pra sofrer
E criar todos sozinha,
Pois o solteiro
Que não a quis
Num primeiro instante
Não muda de ideia
E os outros cinco
Não ajudam em nada.
Beijar bocas
É fazer número,
Ser beijada
Por cinco bocas
É não ser nem número,
É tornar-se nula.

sábado, 24 de janeiro de 2026

A Insatisfeita

Seja gentil
Como fulano é,
Olha,
Comigo meus ex
Não foi desta forma.
Não,
Você não cumpre expectativas,
Você combina
E na hora não responde,
Você falha,
Você não é auto suficiente...
Estes são exemplos
De boas garotas
Que estão com bons rapazes
Mas que por exigirem
Além do que ele é capaz
Termina ficando sozinha.
E depois reclama,
Joga a culpa nele,
Não sabe valorizar a si própria
E segue com os mesmos erros,
Estas boas garotas
Nunca terão bons relacionamentos,
Porque relacionar-se
Para ele é exigir
E o ato de exigir nunca trás
Satisfação,
A eterna insatisfeita
Não sabe satisfazer-se
Muito menos permite
Que o outro o faça.

O homem

Todo homem
Merece ser valorizado,
Admirado com carinho,
Agradecido pelas atitudes
Que toma em relação a ele,
A família e aos outros.
Não é necessário jogar
Toda a carga emocional
Do dia sobre o homem
E exigir dele que compreenda,
Não perda a calma
Ou seja irritável.
O homem precisa de carinho,
Merece ser respeitado,
Merece todos os elogios
E não ser tão visto
Como o provedor,
Aquele de onde se extrai:
Carinho, força, dinheiro,
Calma, respostas...
Ele pode ser aquele
A receber flores,
A ganhar uma viagem,
Receber aceitação
E ser querido por ser
Ele próprio sem máscaras
Ou desejos criados
Por outrem.

Meu Homem

Meu homem
É único,
É o garoto mais perfeito,
O olhar mais seguro,
O abraço para o qual
Eu corro e fico.
Meu homem é incrível,
Tem todas as virtudes,
Todas as qualidades,
E todo o carinho
Para me dar conforto
E amparo.
Meu homem é o mais lindo,
Eu sinto ciúmes,
Ele é o mais grandioso,
O mais perfeito dos homens,
Tem o sorriso mais lindo,
Eu amo meu esposo
E o quero pra sempre.
Cuido dele,
Abraço e protejo ele,
Amo ele
Pra sempre.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Saudade

E então,
Tem coisas que
Nos motivam a fugir
Da realidade,
Situações nas quais
Não nos adequamos.
Ocorreu desta forma:
Bebi,
Bebi muito,
Coloquei salto alto,
E dirigi,
Percorri a cidade
E parei na minha própria casa.
Bêbada,
E chorando adormeci
Dentro do próprio carro
Na área da casa.
De repente, acordei
O sol estava forte demais
Eu estava caída
Sobre um campo de flores
Silvestres que percorriam
O chão de um jardim inglês.
Meu irmão
Chegou por trás de mim
E disse:
“Acorda mimada,
Você dormiu bêbada?”
Eu disse.
“Sim”.
E olhei para o seu rosto,
Então, pulei do chão
E o agarrei com toda a alma,
Eu só queria mantê-lo,
Me manter no seu abraço,
Beijar seu rosto
E deixar as lágrimas caírem.
“Eu nunca estive mais feliz “
Falei em prantos.
Então, o puxei do jardim
Para irmos andar a cavalo.
“Vem, vamos cavalgar”.
Eu falei.
“Calma, estou indo”
Ele disse sorrindo.
Chegamos ali estábulo
Pegamos um cavalo,
Ele subiu,
Estendeu a mão para eu,
Me puxou,
E eu subi.
Fui na garupa.
“Andar a cavalo
Nunca foi tão bom “
Eu disse.
E ele gargalhou alto
E mexeu na corda
Que havia no cavalo
E ele correu.
Percorremos o jardim
Na frente do lago,
Fomos mais adiante
Por entre as árvores
E fomos mais longe
Onde descemos
E deixamos o cavalo pastar.
Fomos colher uvas
Na lareira logo em frente,
O cavalo se aproximou
E comeu também as uvas.
“Olha, ele come uvas”
Eu disse.
Meu irmão gargalhou
“Come sim”.
Então, veio um clarão terrível,
Eu pisquei algumas vezes,
Tirei o cabelo do rosto
E me vi em meu quarto
Dormindo sobre a cama
Com uma garrafa de vodka
Ao meu lado.
“Arg”.
Eu disse,
E era nojento,
Derramou o líquido
Sobre o travesseiro,
O cobertor e eu.
Eu sorri contra
A palma da minha mão
E percebi que estava
Bêbada assim que
Respirei meu próprio ar.
“Cadê meu irmão?”
Eu perguntei alto
Enquanto jogava
A cabeça contra o travesseiro.
Fechei os olhos
E forcei o sono,
Dormi outra vez.
Semiacordada,
Eu busquei o cavalo,
Encontrei lá longe
Em minha mente,
Cheguei perto dele
E abracei seu pescoço
Eco beijei
“Fique comigo”
Eu disse a ele.
“Por favor”
E o abracei tão forte
Que me permiti a certeza
De crer que os assim abraçados
Amam este que o abraçou,
Então, concluí
Que este cavalo me amava
E me amando ficaria.
Com está certeza
Corri tirar frutas,
Fui para baixo da parreira,
Me vi de vestido comprido
E tirei muitos cachos de uva.
Então, saí de lá
E vi um lago,
Com patos e peixes,
Fui para a frente do lago
E me sentei,
Retirei as uvas do vestido
E soltei ao meu lado
“Come meu irmão “
Eu falei.
E vi meu irmão chegar ali,
Sorrindo e feliz,
Se sentar e comer.
Nós jogamos as cascas
Para os bichinhos
E eles comiam.
Nós nos abraçamos,
Deitamos para trás
E olhamos o céu azul
De poucas nuvens,
“Eu vou te amar
Pra sempre meu irmão “
Eu disse abraçada a ele.
“Que conversa é essa?”
Ele pediu sorrindo.
“Te amo”
Eu falei.
E o apertei.
Depois saímos e corremos
Atrás um do outro
Jogando uvas e cascas
Nas costas um do outro
“Idiota”
Eu disse.
“Você não me pega”
Ele falou.
E correu,
Correu muito
Até suarmos
Ao redor daquele lago.
Então, houve um barulho
Intenso e ameaçador,
Eu me movi,
Algo feriu meu quadril,
Tudo ficou estranho,
Acordei e a garrafa de vodka
Estava embaixo
Do meu corpo me ferindo
E ainda derramando líquido.
Retirei ela dali
E a joguei fora
Contra a parede,
Ela não pareceu quebrar
Apenas derramou mais
Líquido
E caiu no chão
Fazendo ruído.
Aí eu me levantei,
Corri do quarto,
Fui até a sala,
Fui para a cozinha,
Passei no banheiro,
Fiz xixi,
E chamei meu irmão
“Gilvan? Meu irmão.”
Olhei para fora
Do banheiro
Depois de vestir
A roupa e disse
“Te amo”
Saí do banheiro
E voltei para o quarto
Correndo e atônita,
Me joguei na cama
E busquei o sonho.
Me vi correndo,
Passando por meu irmão
Ao redor do lago,
E voltando,
Três vezes,
Aí o agarrei pelo braço
E o segurei
“Meu irmão”
Eu disse.
“É”
Ele falou.
“Vamos tirar laranjas”
Falei,
Ele subiu na árvore alta,
Chegou lá na ponta,
Retirou as frutas e jogou,
Eu as segurava,
As soltei no chão,
A espera de outras,
Quando tínhamos muito
Eu disse.
“Agora desça”
E ele desceu
No final
Eu ofereci minha mão
Para ajudar e ele aceitou,
Nos sentamos comer laranjas,
Depois fomos andar a cavalo,
E seguimos,
Nisto acordei outra vez.
Passaram-se muitas horas
Depois de eu ter bebido
Tanto e dormido embriagada,
Peguei o carro
E levei um maço de flores
Para ele no cemitério.
Abri o portão,
Retirei as flores
De dentro do carro,
Eu sempre tenho
Flores comigo,
Cheguei em sua lápide
Me ajoelhei ao lado
Enquanto soltava as flores
E disse
“Meu irmão,
Eu te amo”.
De alguma forma
Sinto que ele ficou feliz,
Me senti satisfeita
Pelo fato de ele saber
Que o amo
E se houvesse qualquer forma
De trazê-lo de volta,
Eu o traria.
Adormeci sobre a lápide,
Acordei e busquei ele,
“Meu irmão?”
Eu disse.
Mas ele não falou.
A morte silencia
As palavras.
“Eu te amo”
Disse outra vez,
Depois disso,
Beijei sua lápide.

Valorize-se

Cara mulher
É tão difícil
Lutar para brincar,
Abraçar a boneca
E ser forte no futebol,
Deixar o batom
E lavar bem os cabelos.
É difícil a passagem
De menina para moça
E de moça para garota,
Nem sempre cumprimos
Com as expectativas,
As vezes,
Achamos que estamos apta
A vestir uma saia,
Mas, ao aparecer em público
Vemos que a ideia foi um erro.
A vida é assim,
Uns lutam pelo casamento,
Outras querem estudar,
Se dedicar a um bom emprego,
Conquistar a casa própria,
E nisso incluir um amor.
Dar valor ao próprio corpo,
Saber o preço de cada adorno
Que se dispõe pelos arredores,
Entender que lá fora
A mulher precisa ser valorizada
Como foi amada pelos pais,
Do contrário,
Se for para seu amigo
Te menosprezar
E seu namorado te amar menos,
Fique em casa,
Leia um bom livro,
Busque um novo emprego,
Lute por um salário melhor,
Mas, não permita nunca
Ser valorizada menos
Que sua família lhe valorizou
Dentro de casa.
A filha criada
Para o amor
Não merece menosprezo,
Não tolere violência
Sobre você,
Não aceite
Quem te rebaixa,
Leia, estude, busque,
Ninguém é criado
Para ser menosprezado.

Ao Primeiro Olhar